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UM CONVENIENTE EMPREGO - Quando na semana passada começaram a surgir rumores de que o ISCTE tinha casos, digamos, perfumados de rosa, uma pessoa próxima disse-me, com alguma razão: “é o ISCTE com o PS e a Católica com o PSD”. Nessa altura falávamos só do peso de quadros de um determinado partido dentro de cada uma dessas Universidades. Mas, que se saiba, os dirigentes da Católica não são nomeados em função dos favores que fazem à sua Universidade quando estão no Governo. O assunto do ISCTE ganhou novos contornos quando se soube das habilidades de João Leão, o ex-Ministro das Finanças que saíu do cargo do Governo directamente para vice-reitor do ISCTE, nomeado por outra antiga ministra do PS, Maria de Lourdes Rodrigues, agora reitora da instituição. João Leão foi convidado e negociou a sua ida para vice-reitor do ISCTE quando ainda era ministro das Finanças, dois dias antes de sair do Governo, a 28 de março.  Esta amigável transição ocupacional proporcionou a João Leão regressar ao local onde era professor, mas com um bónus. O melhor estava para vir quando se soube que, enquanto ministro das Finanças, João Leão tutelou, através de uma sua Secretária de Estado, a colocação no OE de um financiamento de 5,2 milhões de euros para o seu próprio novo emprego.  Ora este financiamento do Estado a uma instituição universitária fez-se, convenientemente, através de uma “dotação centralizada do Ministério das Finanças” e não do orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, como é de regra nestes casos. Esta situação está compreensivelmente a causar algum desconforto entre responsáveis de Universidades e Institutos Politécnicos. E é um sinal para Elvira Fortunato, a cientista que aceitou ser Ministra, e que agora pode ir vendo como funciona a política. E o PS.

 

SEMANADA - Em média os portugueses esperam cinco vezes mais tempo do que os alemães pela introdução no mercado de medicamentos inovadores; em Março o número de óbitos verificado em Portugal foi o maior dos últimos cinco anos; nos três primeiros meses deste ano registou-se um número de baixas por doença superior às registadas durante todo o ano passado; em mais de 650 escolas estão a ser implementadas medidas contra a ansiedade provocada pela pandemia nos alunos; nos dois primeiros meses do ano o conjunto dos alojamentos turísticos recebeu 2,2 milhões de hóspedes e registou 5,4 milhões de dormidas; em Março houve um aumento de 20% do número de passageiros dos transportes urbanos de Lisboa e Porto;  a partilha ilegal de jornais através de redes sociais é efectuada por 600 mil pessoas, provocando um prejuízo mensal de 3,5 milhões de euros à imprensa; numa sondagem realizada pela Intercampus esta semana para este jornal 74% dos inquiridos disseram acreditar que foi “a proximidade política”, mais do que a competência, que pesou nas escolhas de António Costa para a constituição do executivo; na mesma sondagem 54% dos inquiridos consideraram que Fernando Medina não será um bom Ministro das Finanças; o orçamento apresentado pelo Ministro Medina prevê uma subida da receita de impostos face à proposta que havia sido apresentada em Outubro. 

 

O ARCO DA VELHA - Um recluso da cadeia de Coimbra que estava evadido decidiu entregar-se, mas não foi admitido no estabelecimento por falta de documentação - e para conseguir ser preso noutra penitenciária teve de obter um despacho do Tribunal de Execução de Penas de Lisboa. 

 

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COLECÇÕES - O título é uma divertida provocação, a exposição é surpreendente: “Não Sei Se Posso Desejar-lhe Um Feliz Ano” (na imagem) mostra parte da colecção privada de Mário Teixeira da Silva. Além de coleccionador, Mário Teixeira da Silva fundou em 1975 a Galeria Módulo, primeiro no Porto, depois em Lisboa. A exposição, com curadoria de Adelaide Duarte, está até 28 de Agosto no Museu Nacional de Arte Contemporânea (Rua Serpa Pinto 4, ao Chiado). Mário Teixeira da Silva reuniu ao longo de 50 anos um conjunto de obras de artistas nacionais e internacionais. A exposição está bem organizada em quatro eixos distintos e inclui obras de artistas como Julião Sarmento, Bernd and Hilla Becher, Hamish Fulton, Helena Almeida, Alberto Carneiro, João Jacinto, Eduardo Vianna, Pedro Casqueiro, Paula Rego, Gonçalo Mabunda, Silva Porto, Candida Höfer , Wolfgang Tillmans, Henrique Pousão, Zhang Huan, Thomas Ruff, Aurélia de Sousa, Lourdes Castro e  Nan Goldin entre muitos outros.  O percurso encerra com uma evocação de um Cabinet d’Amateur, em que se apresentam obras do ambiente privado do coleccionador. A exposição inclui também peças de arte tribal e mostra parte do importante núcleo de fotografia da colecção de Mário Teixeira da Silva, com algumas obras de autores raramente expostos em Portugal. Logo por acaso esta mostra do Museu do Chiado abriu na mesma semana em que a dupla Sara e André apresentaram, na Galeria Quadrum (Rua Alberto de Oliveira 52, Alvalade),  a exposição “O Coleccionador de Belas Artes”, que reúne um conjunto inédito de pinturas de média dimensão, realizadas entre 2021 e 2022. Anteriormente Sara e André já haviam trabalhado sobre a sua visão de artistas e curadores e agora focam-se em colecionadores portugueses de arte contemporânea, num exercício que utiliza vários suportes e técnicas. Até 19 de Junho.

 

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FOTOGRAFIAS - Uma semana cheia de boas novidades em matéria de exposições de fotografia. O destaque vai para a exposição de Clara Azevedo, “365 Dias Que Mudaram As Nossas Vidas” na Galeria de Santa Maria Maior (Rua da Madalena 147), onde pode ser vista até 7 de Maio. Trata-se da visão de uma fotojornalista sobre o primeiro ano da pandemia em Portugal, vista de um ponto de observação privilegiado que vem do facto de ela ser a fotógrafa oficial do Primeiro Ministro. Mas este não é um trabalho de propaganda, é  o olhar de  Clara Azevedo sobre o silêncio e o vazio. Durante 365 dias, a partir de 18 de março de 2020, Clara Azevedo fotografou e documentou a memória de um tempo imprevisível. Este projeto deu origem a um livro, publicado pela INCM no final de 2021, antecedido por um registo diário no Instagram e que agora tem esta exposição e também 25 caixas numeradas, que contêm um print assinado pela autora. Clara Azevedo diz que “as fotografias deste diário são o meu estado de alma, quer estivesse a fotografar o Primeiro-Ministro no seu dia-a-dia, ou a registar o que acontecia à minha volta.”  A fotografia que aqui se reproduz retrata uma missa na Igreja de S. Mamede, em Lisboa, há precisamente dois anos e é um testemunho de um tempo onde tudo mudou e as pessoas pareciam ter desaparecido. A exposição pode ser vista de segunda-feira a sábado, entre as 15 e as 20h.  Em Lisboa, na Gulbenkian, pode ainda ver até dia 25 “As Bravas”, de Paulo Pimenta. As Bravas são mulheres das montanhas do Marão, nas palavras do autor,  “guardiãs de pés descalços e de lembranças de tempos duros, de histórias e cantigas do passado mas com o futuro no olhar”. 

 

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BANDA DESENHADA - Nestes tempos dramáticos que vivemos, onde os ditadores lançam de novo o seu espectro sobre a Europa, não é demais recordar o passado. A história de Anne Frank, relatada no seu diário, torna-se actual com o drama vivido por tantas crianças ucranianas. Vem isto a propósito de “À Procura De Anne Frank”, obra simultaneamente lançada como banda desenhada e filme de animação. No seu famoso diário, Anne Frank criou uma amiga imaginária, Kitty. Ari Folman, realizador e autor trabalhou com a ilustradora Lena Guberman e  deram uma volta à história, movendo-a para o tempo presente: em Amsterdão, uma violenta tempestade quebra o vidro que protege o Diário, guardado na Casa de Anne Frank. E é Kitty que salta daquelas páginas e se lança numa aventura à procura da sua amiga. Acompanhada pela memória dos dias passados, Kitty percorre as ruas da capital holandesa de hoje na companhia de amigos e juntos vão descobrir o que foi o Holocausto, o que significou para Anne e o que o seu Diário continua a significar para as crianças de todo o mundo. “À procura de Anne Frank”tem por base os textos originais do Diário, publicado há 75 anos. Como Ari Folman escreve no posfácio do livro, “as aventuras de Kitty têm lugar na Europa, mas as verdades que ela descobre reflectem a dura realidade em muitas partes do mundo: as crianças em zonas de guerra correm perigo constante”. 

 

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A MÚSICA FILMADA -  Há filmes com bandas sonoras e agora há bandas sonoras sem filme. Confuso? Então a história é esta: Bruno de Almeida, realizador de cinema e de documentários, anda sempre com os seus filmes de mão dada com a música. Ele é o realizador de um magnífico documentário sobre Amália Rodrigues e do belo “Cabaret Maxime”, onde a música está sempre presente. Agora, pegou na sua guitarra, e voltou às música por onde já tinha andado nos anos 80. O resultado é um álbum,”Cinema Imaginado”,  que além de Bruno de Almeida inclui músicos como o cornetista Graham Haynes, o saxofonista Ricardo Toscano, o baixista Mário Franco e o trompetista Frank London. O disco é um híbrido de jazz, funk e spoken word. O  disco envolveu três dezenas de pessoas e tem 11 temas, todos da autoria de Bruno de Almeida, nas palavras e na música, excepto “Downtown 85”, em que a música foi composta por Mário Franco, Ricardo Toscano e André Sousa Machado,  e “Film Noir”, em que a música é de Graham Haynes, com Bruno de Almeida. O tema inicial, “Between Crazy And Dead”, parte de uma malha de guitarra que Bruno de Almeida descobriu em gravações suas dos anos 80 em Nova Iorque. A partir daí, dessa malha de guitarra, nasceu a banda sonora do filme que não existe. A obra é também uma execução singular de possibilidades tecnológicas: os músicos gravaram não só em estúdios de Lisboa mas também em New Orleans, Nova Iorque e Bahia, os seus sons convergindo num trabalho de produção em Portugal. Cada canção é um plano desse filme imaginado, os planos vão-se ligando entre si e acabam por contar uma história, utilizando a voz de Bruno de Almeida, o narrador. Fechamos os olhos e parece uma banda sonora, as imagens começam a desfilar. Fascinante. Disponível em CD e nas plataformas de streaming.

 

DIXIT - “O falhanço de Rio no PSD deveu se, em grande parte, às ambiguidades face ao Chega” - José Pacheco Pereira


BACK TO BASICS -” Quando os mentirosos falam verdade nunca são acreditados” - Aristóteles

 




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