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CONTRADIÇÕES & DESCUIDOS- No passado dia 10 de Abril António Costa afirmou: “seguramente vai surgir uma segunda vaga Covid no Outono/Inverno”; no dia 15 de Maio a Organização Mundial de Saúde alertou: “Europa pode enfrentar uma segunda vaga letal de Covid-19 a partir do Outono”; no dia 10 de Julho o grupo de peritos que trabalha com a Direcção Geral de Saúde avisou para uma situação de alto risco no Outono; no dia 9 de Novembro António Costa afirmou: ”Ninguém estava à espera que a segunda vaga chegasse tão cedo”. Isto não é ficção nem fake news, encontra-se facilmente quando se faz uma busca no google. A pandemia é um gravíssimo problema de saúde pública, a má comunicação em torno da situação tem complicado as coisas, dificultando o seu combate. O pior começou com a euforia de Junho quando as mais altas figuras do Estado deram o exemplo de participar em espectáculos, quando dirigentes partidários promoveram eventos para multidões, quando o Governo autorizou público numeroso em muitas ocasiões. Os comportamentos contraditórios com as precauções exigidas pela situação motivaram o desleixo. Tiago Correia, investigador na área da saúde defende que o governo “ficou deslumbrado” e preparou mal a segunda vaga. José Manuel Mendes, coordenador do Observatório de Risco, recorda que “na primavera confinámos e no verão fomos mandados de forma eufórica para a praia”. Nas últimas duas semanas morreram em média 43 pessoas por dia, o registo mais alto desde o início da pandemia. Em 20 dias duplicou o número dos internados por Covid nos hospitais do SNS. Têm razão aqueles que afirmam que o Governo baixou os braços no Verão, não previu mecanismos para prevenir a esperada segunda vaga, tomou demasiado tarde a decisão de obrigatoriedade de máscaras, demorou tempo a implementar testes rápidos e quando tudo se agravou de repente andou a correr atrás do prejuízo. Portugal é um dos países europeus em que a população tem maior ileteracia em matérias relacionadas com a saúde. Sabendo tudo isto os responsáveis deviam olhar para a frente, procurar prevenir em vez de remediar. Mas Costa, que finalmente agiu esta semana, mostrou mais uma vez que quando descontrai facilita e falha e acaba por decidir sob pressão - o que causa quase sempre excessos que, se houvesse uma estratégia em vez de um improviso, talvez pudessem ter sido evitados.

 

SEMANADA - Apesar da crise na aviação os cursos para piloto mantêm uma alta procura em Portugal, embora o seu custo oscile entre os 60 e os 115 mil euros; a venda de computadores portáteis aumentou 29% no terceiro trimestre do ano, reflexo do aumento do teletrabalho; as principais empresas de vendas pela internet em Portugal estimam que poderão ter até final do ano um crescimento de 30 a 50% de encomendas; um estudo recente aponta para que o valor de ouro, prata, paládio, platina e cobre existente nos 12,2 milhões de telemóveis que já não são usados e não foram reciclados existentes em Portugal atinge o total de 31 milhões de euros;  no setor da restauração e bebidas, 41% das empresas admitem avançar para a insolvência; a organização Refood está a receber menos donativos de comida devido à situação dos restaurantes e similares e tem praticamente o dobro dos beneficiários que procuram ajuda alimentar; nos últimos seis anos mais de 100 mulheres foram mortas, vítimas de violência doméstica; existem indícios de que o Presidente do Instituto do Desporto terá tentado bloquear a investigação a uma claque do Benfica; a diferença salarial entre homens e mulheres representa 52 dias de trabalho pago; um antigo subchefe dos Bombeiros Voluntários de Alfândega da Fé está a ser julgado sob a acusação de ter ateado 18 incêndios florestais em 2019; a Direção-Geral da Saúde não divulga o número de casos de Covid por concelho desde 26 de outubro, nem mesmo para os 121 concelhos abrangidos por medidas mais restritivas.  

 

ARCO DA VELHA - Um homem de 82 anos arrastou a sua mulher, de 79 anos, para o posto da GNR para a acusar de infidelidade e veio-se a descobrir que ela era vítima de violência doméstica há décadas sempre sob o pretexto de ciúmes.

 

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ARTE POPULAR -  Em semana de inaugurações, em que vejo as novidades na internet no site das galerias, destaco a nova exposição de Mário Belém na Underdogs - “That Moment Between Birth And Death”. O artista trabalha sobre uma base de madeira, obras frequentemente a meio caminho entre a pintura e a escultura, criando uma linguagem visual próxima da cultura popular mas com uma forte componente de reflexão sobre a condição humana nesta época. Esta exposição (na imagem) inclui trabalhos que radicam na observação da realidade vivida este ano e nos efeitos que tem na vida de todos nós. Belém cita uma frase de Mário de Sá-Carneiro como introdução ao seu trabaalho - “Ah! se eu fosse quem sou… Que triunfo!”. Numa outra área da galeria, o espaço Underdogs Capsule, apresenta-se o trabalho de duas artistas convidadas por Mário Belém - Ana+Betânia, que mostram “Wild Fire”. Ana Cruz e Maria de Betânia são duas ceramistas radicadas nas Caldas da Rainha e o seu trabalho é influenciado pela cerâmica popular portuguesa. As exposições ficam até 19 de Dezembro na Underdogs, de segunda a sexta, das 14 às 19h00, na Rua Fernando Palha, Armazém 56, em Marvila. 

 

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O PIANO - Dave Brubeck tinha 90 anos quando gravou este “Lullabies”, dedicado aos seus netos, muito baseado em temas clássicos e em canções populares junto de crianças. Reeditado agora, este não é um disco de easy-listening, é uma demonstração da capacidade de interpretação de um dos grandes pianistas de jazz, autor de numerosos temas que ficaram para a história da música como “In Your Own Sweet Way” ou “The Duke” ou intérprete de versões de temas como “Take Five” ou “Blue Rondo A La Turk”, ambos originais de Desmond, que com ele manteve uma longa colaboração. Estes grandes êxitos de Brubeck não fazem parte destas “Lullabies”, que percorrem um outro território, apenas com piano. Ao gravar o disco Brubeck recordou que o seu amor pela música e pelo piano veio da sua mãe, que frequentemente tocava para ele desde bebé. O disco começa com uma versão da famosa “lullaby” de Brahms e inclui tradicionais como “When It’s Sleepy Time Down South”, de clássicos como “Over The Rainbow” ou “Summertime”, a inspiração oriental de “Koto Song” e um “Briar Bush” arrebatador. Os fãs de Brubeck têm também um outro recente lançamento, a compilação “Brubeck Standard Time”, que inclui sete dos seus temas mais conhecidos, vários deles gravados ao vivo. Ambos estão disponíveis no Spotify.

 

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PORTO NO TOPO - “The Forecast” é uma publicação anual da revista “Monocle” que chega sempre às bancas nesta altura e se destina a perspectivar o novo ano que se avizinha. Economia, turismo, segurança, urbanismo, e, inevitavelmente, pandemia são alguns dos temas de uma edição que aponta também as melhores cidades para acolher startups e o tipo de arte em que pode valer a pena investir. No seu editorial Tyler Brulé, o fundador da “Monocle” apela à responsabilidade dos mídia nestes tempos em que vivemos, ao apoio dos estados aos serviços públicos de comunicação e informação e à necessidade de reforçar a imprensa livre que promova debates e a mobilização cívica das comunidades a que está ligada. 2020, afirma, foi o ano em que se perceberam mais claramente o tipo de problemas que surgem com o tipo de informação que se apresenta gratuita, como a que surge nas redes sociais, e que mostra visões deformadas e não escrutinadas da verdade - um preço terrível a pagar. “Os responsáveis por esses negócios que se disfarçam como informação devem ser responsabilizados pelos efeitos que as redes sociais geram”, afirma Brulé, que conclui assim:  “Muitas coisas boas acontecem com a digitalização mas não devemos ter receio de denunciar outras que nos são apresentadas como progresso e que no fundo provocam retrocessos na economia, nas pessoas e nas sociedades”. A terminar uma boa notícia: no artigo sobre as melhores pequenas cidades o Porto surge em primeiro lugar da lista.

 

RECEITAS DO CONFINAMENTO - Hoje proponho uma maneira diferente de preparar lombos de salmão. Coloque o forno a aquecer a 200 graus e num recipiente adequado disponha os lombos de salmão com a pele para baixo e tempere-os com azeite de boa qualidade (meia colher de sopa por lombo), sal a gosto e pimenta preta moída na altura. Reserve. A novidade vem no molho que vamos usar para dar um toque especial ao salmão. Numa pequena tigela dissolva uma colher de chá de açafrão moído de boa qualidade em duas colheres de sopa de água morna e mexa bem até o líquido ficar homogéneo com a cor alaranjada. Esprema para o mesmo recipiente o sumo de limão e meio e mexa bem de novo. Deite todo o conteúdo da tigela por cima das postas de salmão e depois disso vire-as, para a pele ficar para cima. Reserve durante quinze minutos enquanto começa a preparar o arroz. Volte a virar os lombos colocando de novo a pele para baixo e coloque no forno durante cerca de 15 minutos. Entretanto comece o arroz, de preferência um basmati de boa qualidade. Meça uma chávena de arroz, lave-o bem em água corrente até ela sair transparente e deixe-o escorrer. Coloque-o numa panela, deite duas colheres de bom azeite, sal a gosto e duas chávenas de água à temperatura ambiente. Mexa bem e espere que comece a ferver. Nessa altura reduza o calor e  misture uma quantidade generosa de endro picado, umas duas ou três colheres de sopa. Vá mexendo de vez em quando até a maior parte da água se ter evaporado, o que deve demorar uns cinco minutos. Só então o tapa da forma mais hermética possível e deixa-o em lume brando uns dez minutos, sempre coberto. Ao fim desse tempo tire-o do lume, mexa bem com um garfo para separar os bagos de arroz, volte a tapá-lo e espere cinco minutos. Ajuste a entrada do salmão no forno ao tempo do arroz para que tudo fique pronto na mesma altura - o salmão deve ficar opaco em cima e levemente rosado no interior. Divida o arroz pelos pratos e coloque os lombos dos salmão por cima, regando com o molho que tenha sobrado. Sirva com um quarto de limão a guarnecer o prato. Bom apetite.

 

DIXIT - “O espaço do centro direita e da direita portuguesa não é o do extremismo, seja esse extremismo convicto ou oportunista” - do texto do manifesto “a clareza que defendemos”.

 

BACK TO BASICS - “Não são aqueles que criaram os problemas que os poderão resolver” - Albert Einstein

 




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