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AEROPORTO - Exercício de memória: em 2009, quando na campanha eleitoral para as autárquicas desse ano foi proposta a urgente construção de um novo aeroporto de Lisboa, na carreira de tiro da Força Aérea em Alcochete, António Costa (que venceu essas eleições), tomou posição contra a ideia e contra a urgência da decisão. Pedro Santana Lopes, que havia apresentado e defendido a proposta, perdeu as eleições, Costa venceu, e os trabalhos preparatórios do aeroporto não se iniciaram - em Alcochete ou em outra localização. Já lá vão nove anos - o tempo que os especialistas consideram razoável para a preparação, planeamento e construção de uma infraestrutura como um aeroporto moderno, feito de raiz. E que se passa agora? O aeroporto da Portela está caótico, as previsões de que ficaria saturado confirmaram-se devido ao enorme afluxo de visitantes, a solução do Montijo, que não resolve o problema de fundo, está atrasada. As queixas dos utilizadores do aeroporto aumentam, os atrasos nos voos também, as demoras na entrada e saída de passageiros atingem níveis brutais. Pelo meio a TAP e a Ana-Da Vinci estão em guerra permanente, atirando uns para cima dos outros culpas pelos atrasos.  As companhias aéreas queixam-se que a concessionária do aeroporto aumenta os preços sem prestar melhor serviço ( e foi anunciado novo aumento para o final do ano) e o membro do Governo que tutela a área limita-se a dizer que é difícil negociar com a Da Vinci. O país continua entregue ao improviso, só depois da casa roubada é que se colocam trancas na porta. Por este andar os turistas vão aborrecer-se de passar mais tempo no aeroporto e nos vôos atrasados do que a ver a cidade. E lá encontrarão outro destino mais confortável, por muitas fotos que Madonna coloque no Instagram. Lembram-se como começava “Airport”, uma canção dos Motors, em 1978? - So many destination faces going to so many places/ Where the weather is much better/ And the food is so much cheaper.”

 

SEMANADA - O Estado português tem a terceira dívida pública mais elevada do Mundo; pela primeira vez desde 2007, no ano passado, os hotéis de Lisboa ultrapassaram em receitas os do Algarve, por uma diferença de €36,2 milhões; no ranking da pontualidade do mercado da aviação a Portela ocupa a sexta pior posição num conjunto de 513 aeroportos a nível mundial; as reclamações dos utentes do aeroporto de Lisboa aumentaram 14% este ano; a frota da CP está envelhecida, há demasiados comboios avariados, as oficinas têm falta de pessoal e o concurso para compra de novo material circulante, identificado em Fevereiro do ano passado,  ainda não tem caderno de encargos; em 2017 o número de trabalhadores do Estado a recibo verde aumentou 14,6%; seis dos eurodeputados portugueses, quase um terço dos eleitos nacionais, acumula actividades paralelas com o exercício da actividade no Parlamento Europeu; os preços da habitação na União Europeia cresceram 4,7% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, com Portugal a apresentar a quarta maior subida com 12,2%; no espaço de cinco anos a receita fiscal com a compra e venda de imóveis duplicou e a receita do IMT em 2017 aumentou 24% em relação à obtida no ano anterior.

 

ARCO DA VELHA - O Ministério da Saúde fez promoção nas redes sociais a uma aplicação para smartphone com a frase “tenha o cartão de atividade física da MySNS Carteira e seja tão forte como os jovens da Tailândia“.

 

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FOLHEAR - Uma das coisas de que gosto é olhar para a estante à procura de um livro que ainda não tenha lido. Esta semana dei com “Descalços em Tempos de Botas” - um título que vale tudo porque evoca uma época, não demasiado distante, em que ter sapatos, em muitos sítios de Portugal, era ainda uma miragem. O seu autor é um homem que adora escrever e que pratica outra profissão. Chama-se João Ferreira de Almeida, nasceu na aldeia de Souto de Lafões em 1955, concelho de Oliveira de Frades. Começou a trabalhar aos 12 anos, em Lisboa e aqui cresceu. Desde 1976 está todos os dias num dos restaurantes mais tradicionais da zona da Avenida de Roma e Areeiro, O Pote. Completou o ensino secundário aos 50 anos e este livro, editado em 2014, é a sua segunda obra, depois da estreia em 2007. Na introdução o autor sublinha: “Não é possível construir um futuro melhor sem conhecer o passado, as raízes de onde viemos, nem é possível avaliar o presente sem sabermos o que já fomos, o que tivemos, o que em tempos vivemos”. “Descalço em Tempos de Botas” é um testemunho do que era a vida no pós guerra, quase uma reportagem no passado, onde as histórias do dia a dia de então se cruzam com relatos de aventuras, encantos e seduções. É uma escrita sem época, sem artifícios nem condicionada por modas de estilo: faz-nos parar no retrato que desenha deste país onde afinal muitas coisas só mudaram à superfície.

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VER - Frida Kahlo nasceu no México em 6 de Julho de 1907, há 111 anos portanto. Morreu em 1954, aos 47 anos, depois de ter passado a vida adulta com sérias limitações físicas, provenientes de um gravíssimo acidente que teve aos 18 anos. Na morte de Frida Kahlo o seu marido, Diego Rivera, decidiu doar ao Estado mexicano a Casa Azul, onde Frida nascera e viveu, assim como o seu espólio de desenhos, pinturas, livros, objectos diversos e uma colecção de fotografias que ela recolheu ao longo da vida. O arquivo pessoal, onde estavam seis mil fotografias, só poderia ser aberto anos mais tarde - e o prazo dilatou-se tanto no meio de diversos incidentes que só ao fim de 50 anos ele foi tornado público. Foi a partir desse acervo que a Directora do Museu Frihda Kalo, instalado na Casa Azul, organizou e seleccionou as imagens que agora se apresentam, até 4 de Novembro, no Centro Português de Fotografia, instalado na Cadeia da Relação do Porto. “Frida Kahlo - As Suas Fotografias” apresenta  241 imagens, que a mostram à frente ou por detrás da câmara, evidenciam o seu olhar mas também a sua intimidade - Frida era uma apaixonada por fotografia, o seu pai e o seu avô eram fotógrafos profissionais. Ao longo da sua vida Frida Kahlo foi fotografada por grandes fotógrafos do século XX, como Imogen Cunningham, Edward Weston, Man Ray, ou Lola Alvarez Bravo. São fotografias que mostram a intimidade e os interesses da pintora ao longo da sua vida atribulada - a família, o fascínio por Diego Rivera, os múltiplos amores, os amigos e alguns inimigos, o corpo acidentado e a ciência médica, a luta política e a arte.

 

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OUVIR - Ao contrário do que se podia pensar este “Live In Europe” do trio de Fred Hirsch, não é o resultado de registos de uma série de concertos, mas sim uma gravação realizada no final do ano passado num espaço de acústica exemplar, um auditório do Instituto que tutela a  rádio pública Belga, perante uma audiência atenta. O CD começa e acaba com versões de composições de Thelonius Monk - a faixa de abertura é “We See”, um tema pouco conhecido de Monk, onde o piano de Hirsch, o baixo de John Hébert e a bateria de Eric McPherson improvisam e interagem de forma invulgarmente conseguida - com uma intensidade que se repete na faixa final, “Blue Monk”. Destaque também para as interpretações de dois temas de Wayne Shorter, “Miyako” e “Black Nile”. Os outros temas são da autoria do próprio Fred Hirsch, incluindo três homenagens - “Newklypso” (um tributo a Sonny Rollins), o bluesy “The Big Easy” ( em homenagem ao jornalista e escritor de Nova Orleães Tom Piazza) e “Bristol Fog”, uma balada onde o baixo de Hébert se destaca (dedicada ao compositor britãnico John Taylor). As restantes faixas mostram a boa forma deste trio e uma versão de”Skipping”  um dos temas do álbum de estreia da formação, datado de 2009, que é uma prova da evolução e progresso no entendimento entre os músicos. Disponível no Spotify.

 

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PROVAR -  Ao princípio era uma vez uma amêndoa que sonhava ser tarte. Agora a tarte teve uma mutação genética e virou bolacha - mas continua com a amêndoa. Segundo a Wikipedia o  termo bolacha deriva da fusão de bolo (bulla, objeto esférico em latim) com o sufixo diminutivo "acha". A primeira ocorrência do termo encontrada na língua portuguesa remonta a 1543. E assim, aquela tarte - A Tarte -  com massa crocante e um recheio carregado de boa amêndoa, passou a existir também como bolacha.  Em geral sou moderado no açúcar e não sou consumidor de sobremesas doces. Mas confesso, nesta matéria, um vício: um bom biscoito tira-me do sério, sobretudo se vier ao lado de um café. O caso agravou-se recentemente quando descobri estes novos biscoitos da Tarte. Feitos com a massa que serve de base à referida tarte, estas bolachas são produzidas à mão, com massa muito fina, areada e estaladiça, com o sabor da manteiga presente na proporção certa e com uma amêndoa cravada a meio do biscoito antes de ir ao forno ganhar côr. Este novo petisco da Tarte vem em embalagens com 10 bolachas e tem um preço de três euros e meio. O grande problema é que são tão boas que complicado mesmo é comer só uma.

 

DIXIT - “Temos a mania de avaliar as políticas pelas suas motivações e não pelos seus resultados” - Adolfo Mesquita Nunes

 

GOSTO - Do programa “Siga o Coelho Branco”, um novo magazine da RTP2 sobre cultura urbana, da autoria de Joana Stichini Vilela.

 

NÃO GOSTO - A Basílica Real de Castro Verde está em avançado estado de degradação, colocando em risco os 60.000 azulejos do século XVIII que forram as suas paredes.

 

BACK TO BASICS - Aquilo que é escrito sem esforço é geralmente lido sem prazer - Samuel Johnson.

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publicado às 13:15



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