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ACTIVISMO FRACTURANTE  - Nos últimos anos tudo mudou: a forma como vemos o que se passa à nossa volta, o que utilizamos para nos mantermos informados, a maneira de expormos os nossos pontos de vista, até o modo como as pessoas protestam, defendem e propagandeiam causas. A evolução digital tornou qualquer acto instantaneamente visível de forma global. Uma imagem forte nas redes sociais é mais impactante que um discurso. Um protesto com dez segundos de fama é mais eficaz que um cartaz. Vem tudo isto a propósito de dois factos ocorridos na semana passada, duas chamadas de atenção para a questão incontornável da crise climática. Nos dois casos, grupos de activistas, atacaram obras de arte expostas em museus. O primeiro caso ocorreu na Austrália, com uma obra de Picasso, à qual dois activistas colaram as suas mãos; e o segundo aconteceu em Londres quando duas activistas também ambientais atiraram com o conteúdo de latas de tomate para cima de uma das obras mais conhecidas de Van Gogh. Nos dois casos as pinturas estavam protegidas e não sofreram danos, mas o sucedido leva a uma questão: os grupos que usam estes métodos, justificando-os como o seu direito à desobediência civil, têm o direito de atentar contra bens culturais? Até onde vai o que os activistas podem fazer para propagandear as suas causas? É lógico apelar à protecção do ambiente enquanto se finge destruir um património cultural universal? Por muito que custe a alguns estas formas de activismo são uma nova forma de terrorismo, e baseiam-se no mesmo princípio, que é chamar a atenção através do choque que causam às pessoas e do impacto que conseguem ter em termos de comunicação. Este não é o caminho para um mundo melhor, por mais simpáticas que as ideias possam parecer. Quando estas acções são encaradas como um direito, alguma coisa está muito mal.

 

SEMANADA - A produção de azeite em Portugal este ano tem uma quebra superior a 60%; um estudo europeu indica que cerca de 16% das famílias portuguesas não conseguem aquecer a casa convenientemente no Inverno; com a pandemia a facturação dos bingos passou de 56 milhões para 13 milhões de euros por ano; o uso de drones para captar imagens subiu mais de 123 vezes em seis anos; foram autorizados mais de 420 voos nocturnos em Lisboa entre 18 de Outubro e 28 de Novembro; segundo o Banco de Portugal a subida da inflação nos seis primeiros meses do ano provocou uma queda de 1% no rendimento real disponível das famílias; segundo a Direcção Geral da Saúde 11,4% da mortalidade em Portugal deve-se a alimentação inadequada; até ao final de Setembro os portugueses gastaram em supermercados cerca de oito mil milhões de euros; os bebés de mães portuguesas no estrangeiro equivalem a 20% dos nascidos em Portugal; mais de um quinto dos portugueses entre os 15 e os 39 anos vivem fora do país, revela um estudo do investigador Rui Pena; 44% das  albufeiras portuguesas que estão com um nível de disponibilidade de água abaixo dos 40%; o crescimento médio de altura que os homens nascidos na década de 90 tiveram em relação aos seus pais foi de 3 cms; há 40 clubes de futebol investigados por tráfico humano e imigração ilegal; em Portugal o YouTube tem cerca de 700 canais com mais de 100.000 subscritores cada e 60 canais com mais de um milhão de subscritores cada e 72% dos criadores portugueses no YouTube conseguem exportar conteúdo para audiências internacionais ;

 

O ARCO DA VELHA - Só um terço dos condenados por abuso de menores cumpre pena de prisão, a maioria fica em liberdade com pena suspensa.

 

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DESENHOS ILIMITADOS - A Festa da Ilustração decorre mais uma vez em Setúbal até ao fim do corrente mês. Com curadoria de José Teófilo Duarte a edição deste ano, a oitava, é dedicada a João Paulo Cotrim, que esteve ligado ao evento e que foi um dos grandes divulgadores e editores da ilustração em Portugal. A Festa decorre em mais de uma dezena de locais e com um total de quase três dezenas de actividades, entre exposições, concertos e lançamentos de livros. De entre a programação destacam.-se as exposições de André Letria, , Alain Corbel, José de Lemos, Luís Cavaco, André Ruivo, Pedro Vieira, João Francisco Vilhena (com um projecto criado em parceria com João Paulo Cotrim) e Luís Miguel Gaspar, entre outros. A Festa tem um magnífico jornal com toda a agenda de eventos e sua localização e a imagem, que aqui se reproduz, é da autoria de André Letria.

 

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AS PLANTAS E A GEOMETRIA - Semana cheia de novas exposições. A Galeria Miguel Nabinho apresenta até final de Novembro onze aguarelas de Pedro Proença onde o tema são as plantas, e que leva um título completamente adequado: “História Natural”. Estas aguarelas, técnica muito usada por Proença, usam cores intensas e começam por encarar a realidade para depois percorrerem a fantasia, aquilo que Proença imagina ser o seu jardim muito particular onde as plantas ganham vida própria - uma visita à natureza que, de múltiplos modos, imita. Como ele próprio afirma, “às vezes faço flores como se fossem budas, ou budas como se fossem flores” (na imagem). Uma outra exposição que abriu na semana passada é “Achadouros”, de Bettina Vaz Guimarães, que fica na Galeria Cisterna (Rua António Maria Cardoso 27) até 29 de Dezembro. João Silvério, o curador da exposição, salienta que a artista trabalha a abstracção geométrica de tal maneira que as formas dos desenhos se unem umas às outras, como se fosse uma série que estabelece uma evolução. “A cor é uma matéria e simultaneamente uma ferramenta para desenvolver um processo de construção e, num mesmo momento, de desconstrução de formas abstratas e referências arquitectónicas” - sublinha João Silvério.  Entre os pequenos desenhos em papel, pinturas de maiores dimensões e objectos tridimensionais, aqui pode ver o trabalho de Bettina Vaz Guimarães, uma artista brasileira que divide a sua actividade entre S. Paulo e Lisboa. E, por último, na Galeria Ratton, por ocasião do centenário de Nuno Teotónio Pereira, Irene Buarque mostra a interpretação que fez, em painéis de azulejos, de desenhos feitos pelo arquitecto um edifício que então projectava  - esboços feitos durante um período em que Teotónio Pereira esteve preso em Caxias, devido à sua oposição ao regime que caíu em Abril de 1974.

 

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OS OUTROS EVANGELHOS  - Frederico Lourenço é um dos mais activos nomes entre os autores portugueses: ensaísta, tradutor, ficcionista e poeta, tornou-se notado pelo seu trabalho em torno de obras clássicas, com traduções a partir do grego e do latim. Assim, traduziu, nomeadamente, a Ilíada, a Odisseia de Homero, tragédias de Sófocles e Eurípides e, noutra área, peças de Goethe, Schiller e Arthur Schnitzler. O seu trabalho de tradução da Bíblia, em seis volumes, é hoje em dia incontornável. Agora, regressa com os “Evangelhos Apócrifos”, gregos e latinos, numa edição com a sua tradução e também comentários. Combatidos a partir do século IV e excluídos a partir do século XVI, os evangelhos apócrifos foram traduzidos para português por Frederico Lourenço a partir das línguas originais – latim e grego e reunidos numa edição bilingue já disponível nas livrarias.  «Para lá da minha admiração pessoal por Jesus, posso garantir que me esforcei por apresentar estes textos de maneira objetiva (para que cada pessoa forme a sua opinião), ao mesmo tempo que procurei respeitar a sensibilidade de leitores religiosos», escreve Frederico Lourenço na nota introdutória. Segundo o tradutor, “antes da imposição de uma doutrina única no século IV, o cristianismo caracterizou-se pela diversidade de pensamento. A par dos evangelhos tornados canónicos, circulavam também outros, atribuídos a nomes como Pedro, Tomé e Filipe, que davam a ver a figura de Jesus Cristo sob prismas diferenciados. O Evangelho de Pedro emprega uma palavra que nunca ocorre nos evangelhos canónicos: «discípula». No único evangelho cuja autoria é atribuída a uma mulher (o Evangelho de Maria), a pessoa a quem Jesus confia a sua doutrina não é Pedro nem João, mas sim Maria Madalena. Muitos destes textos permaneceram desconhecidos até à segunda metade do século xx e o seu conteúdo ainda suscita controvérsia. No entanto, os evangelhos apócrifos constituem um estímulo para repensarmos, hoje, o cristianismo de forma menos dogmática e com mais espírito de inclusão.” Edição de capa dura da Quetzal.

 

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MÚSICA & AMBIENTE - Brian Eno, 74 anos, quase três dezenas de álbuns, produtor, compositor, músico, defensor de causas ambientais. O seu novo disco chama-se “ForeverAndEverNoMore” e tem 10 canções em que podemos ouvir a voz de Eno - uma raridade. A sua anterior incursão pelo território da canção tinha sido há quase dez anos no álbum “Another Day On Earth” onde evidenciava já então as suas preocupações ambientais. “ForeverAndEverNoMore”  não é no entanto um manifesto político, é mais uma reflexão individual de Eno, através de palavras e música, construindo com os seus sintetizadores camadas de sonoridades que criam uma atmosfera que é ao mesmo tempo complexa e bela. Há um momento no disco onde se cruzam épocas, lenda e realidade: “Icarus or Bleriot”, onde Eno evoca o herói grego que voou demasiado perto do sol e queimou as asas, precipitando-se para a morte, e o sucesso de Louis Bleriot, o primeiro aviador a conseguir atravessar o canal da mancha de avião, em 1909. Mais do que um grito, o novo disco é uma contemplação dos problemas ambientais com que o planeta se debate.Mais do que peças de música ambiental estas canções são desabafos vocalizados, como “These Were Bells”, a voz de Brian Eno mais forte que o habitual, deixando perceber a indignação que sente pelo que vê à sua volta.  Numa das canções, “We Let It In”, uma canção marcada pelo aquecimento global e onde aparece a voz da filha de Eno, Darla, repetindo “Deep Sun”. Outra peça fundamental do disco é o guitarrista Leo Abrahams. Todas estas canções têm um sentimento de urgência e intimidade. Em Garden of Stars” Eno aborda o que vê à sua frente:  “These billion years will end/They end in me.”

 

DIXIT - “ Os socialistas têm diante de si um daqueles raros momentos da história em que não é difícil saber o que se deve fazer, em que se tem tempo para a obra, em que se possuem os meios indispensáveis. Será quase criminoso não aproveitar esse momento” - António Barreto

 

BACK TO BASICS - Estou perfeitamente convencido que existe algures no Ministério dos Negócios Estrangeiros um sótão, escondido, onde os aprendizes de diplomatas  são ensinados a gaguejar” - Peter Ustinov

 

 

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