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E SE OLHÁSSEMOS PARA O FUTURO?

por falcao, em 03.05.24

 

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TRUQUES & FALSIDADES - A próxima campanha eleitoral já começou. A arrancada pré-eleitoral é notória na forma de actuação quer de governo quer da oposição. Qualquer situação transforma-se num caso, o que ontem se disse esquece-se hoje e amanhã é contrariado. Trabalha-se para a urna de voto , o que é bem diferente de trabalhar para o futuro do país e dos portugueses. Vivemos demais em função da propaganda e de menos em função dos resultados. Este país é avesso a reformas e sobressaltos quando se mexe na situação instalada. As reivindicações, por mais justas que sejam, fazem ressaltar o que ficou por fazer para trás - o eterno adiar de resolução de problemas e ausência de planos de futuro. Empurrar com a barriga foi o mantra de António Costa e do seu executivo durante a quase década em que brincou aos governos. Fez um primeiro ciclo de reversão de medidas do Governo anterior - o que é sempre uma característica dos anti-reformistas - e um segundo de inacção, outra marca genética do exercício de poder pelo PS. Resultado: noves fora nada. As sondagens feitas a propósito dos 50 anos do 25 de Abril mostram preocupações de grande parte dos portugueses sobre a situação em que estamos e as perspectivas de futuro. E mostram uma ainda maior preocupação pelo comportamento dos políticos, a corrupção que permitem, a mentira que praticam, o cinismo que ostentam, a falsidade que mostram, a vaidade e a presunção  que exibem- enfim o leque de características que infelizmente se tornou no emblema de boa parte da classe política e que é o alimento dos populistas. Pensar no futuro é um programa que ninguém quer, entretidos que andam na futura caça ao voto.

 

SEMANADA - A oferta de casas novas só cobre 17% da procura e essa é uma das razões dos preços do imobiliário; em 130 dos 308 concelhos portugueses o preço das casas aumentou mais de 10% em 2023; o Relatório Anual de Segurança Interna de 2023 registou uma subida de 67% nas queixas do crime de furto e uso abusivo de cartões bancários de débito e crédito, com um total de 10 386 ocorrências, face às 6219 de 202; na criminalidade escolar registou-se uma subida de 16% face a 2022, tendo sido registadas 5380 ocorrências; a violência praticada por gangues juvenis teve  6756 ocorrências e 2048 detenções, os números mais altos da última década; no ano passado o número de portugueses que viajou para o estrangeiro cresceu 21,5% e ao todo foram feitos por portugueses noutros países  pagamentos com cartões bancários  no valor de 6,4 mil milhões de euros; 35% do milhão de estrangeiros residentes em Portugal são brasileiros, o que os torna na principal comunidade imigrante; no indicador da OCDE que tem como referência a carga fiscal aplicada a um trabalhador solteiro e sem filhos, a ganhar o salário médio, Portugal subiu um lugar e ocupa agora a oitava posição nas três dezenas dos países da lista; as exportações portuguesas no primeiro trimestre caíram 4,2% em termos homólogos; em fevereiro os proveitos gerados pelo turismo em Portugal aumentaram 13% face ao mesmo período do ano passado, atingindo 276,4 milhões de euros; em 2023 Portugal foi o país que perdeu mais área de cultivo de vinha, uma diminuição de 11 mil hectares, tendo agora 182 mil hectares de área vitícola.



O ARCO DA VELHA - A segurança social tem 50 inspectores para fiscalizar 2606 lares de idosos registados, e existem para realizar as inspecções 22 viaturas, das quais 17 têm uma média de 24 anos de utilização e nunca estão todas operacionais.

 

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O OLHAR DE PAULA REGO - Até 6 de Outubro a Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, apresenta “Manifesto”, uma exposição que evoca a primeira mostra individual de Paula Rego, realizada em 1965 na SNBA. O título da exposição baseia-se na obra “Manifesto (for a lost cause)”, que era reproduzida na capa do desdobrável dessa primeira exposição individual da artista (e na imagem nestas páginas). A exposição original incluía 19 obras, criadas entre 1961 e 1965, mas agora estão apenas expostas 18, porque uma das pinturas, "Cães de Barcelona", pintada em 1964, uma peça preferida da artista, fazia parte da colecção pessoal de João Rendeiro e está desaparecida desde 2008 - mas na exposição está patente uma reprodução dessa obra. Para além da peça que dá o título à exposição são apresentadas outras obras de referência da exposição original, como “Cães famintos” (1963), "Alegoria Britânica" (1962-63), "Tarde de Verão" (1961) e "Fevereiro 1907 (O Regicídio)” (1965). A exposição“Paula Rego: Manifesto” tem curadoria de Catarina Alfaro e Leonor de Oliveira e, para ressaltar a importância daquela exposição no panorama cultural português da época, integra documentos daquele período relacionados com a organização e a recepção crítica da mostra de 1965. Algumas das obras desta exposição foram localizadas apenas recentemente, depois de anos em paradeiro incerto. As obras em empréstimo são provenientes das coleções de instituições nacionais como a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação de Serralves, além de coleções particulares portuguesas, inglesas e francesas. A recriação da exposição original ocupa apenas 1 das 8 salas da Casa das Histórias Paula Rego e a segunda parte da exposição apresenta cerca de 60 obras que mostram o olhar de Paula Rego, sobre temas como o contexto pós-revolucionário, assim como a intervenção cívica da artista no seu país de origem. 

 

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ROTEIRO - O Padrão dos Descobrimentos tem produzido interessantes exposições, suportadas em trabalhos de investigação. Até 30 de Novembro poderá agora ver Álbuns de Família: fotografias da Diáspora Africana na Grande Lisboa”, com curadoria científica de Filipa Lowndes Vicente e Inocência Mata (na imagem). São “álbuns de família” com as imagens que os portugueses afrodescendentes e os africanos registaram de si próprios e das suas comunidades desde 1975, data das independências dos países africanos de colonização portuguesa. No edifício do Antigo Recolhimento das Merceeiras, na rua Augusto Rosa, 15, em Lisboa, o fotojornalista Mário Cruz, duas vezes premiado no World Press Photo e fundador da galeria Narrativa, apresenta “Roof” que resulta de uma investigação feita ao longo últimos dez anos, em que fotografou com regularidade prédios, fábricas, escolas que têm em comum o facto de estarem devolutos há muito tempo e que por vezes servem de abrigo a pessoas num contexto de falta de habitação condigna. Este trabalho deu origem a um livro e a esta exposição. Em Setúbal e até final de Maio a Casa da Cultura em Setúbal apresenta uma exposição de pinturas de Pedro Chorão. E por fim, por convite das Galerias Municipais de Lisboa e do Atelier-Museu Júlio Pomar, a artista Luisa Cunha realizou uma peça de som para as entradas dos seis Espaços de Arte Contemporânea da EGEAC: Galeria Avenida da Índia, Torreão Nascente da Cordoaria Nacional, Galeria da Boavista, Galeria Quadrum, Pavilhão Branco e Atelier Museu Júlio Pomar. A instalação desenvolve-se em seis andamentos, e o usufruto completo da obra só é possível com a deslocação aos seis espaços onde se encontra instalada.

 

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POLÍTICA MODERNA - Rui Calafate deu os primeiros passos no jornalismo em 1995, começou a comentar a actualidade no extinto “Semanário”, a cuja redacção pertenceu, em 1996. Depois criou e dirigiu a revista “Política Moderna” entre 1998 e 2001. Mais recentemente fez comentário político, escrito, no jornal digital “ECO”, escreve actualmente no semanário “Económico” e, em televisão, é comentador na CNN desde o início de 2021. Além disso é um dos pioneiros de podcasts com  “Maquiavel para Principantes”, que continua a gravar. O seu primeiro livro foi publicado no final do mês passado, “10 Mandamentos da Política”. Nas palavras do autor o livro é sobre “luzes e sombras, verdade e mentiras, mitos e caricaturas” e aborda “casos lapidares sobre imagem, comunicação e poder”. Ao longo do livro combinam-se as observações sobre política, com evocações de filmes ou livros, mostrando o fascínio que o autor tem pelo cinema  e pela literatura. Não é por acaso que Calafate evoca uma cena de “Pedro, o Louco”, de Godard, na qual Samuel Fuller afirma: “O cinema é como um campo de batalha. Amor, ódio, acção, violência, morte. Numa palavra: emoção”. E Calafate acrescenta: “Troquem a palavra emoção por política e vão ver que é exactamente a mesma coisa”. Neste tempo em que o comentário político é omnipresente (segundo um estudo do Media Lab do ISCTE o número dos comentadores políticos nas televisões aumentou 47% nos últimos oito anos, de 53 para 78) , os “10 Mandamentos da Política” mostram como “o poder e a política continuam a ser fascinantes demais para impedir a ambição humana”. Uma leitura especialmente recomendável nestes atribulados tempos que vivemos. Muitos dos políticos no activo fariam bem em ler com atenção o que vem nestas páginas. Edição Oficina do Livro.

 

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UM OUTRO PIANO  - “Silent Listening”, o primeiro álbum a solo do pianista Fred Hersch para a editora ECM, foi gravado em Maio do ano passado e publicado já neste mês. Ao longo de 50 minutos e 11 temas, Hersch percorre um repertório diversificado de originais seus mas também de versões de clássicos, que mostram uma vontade de experimentar novas sonoridades e de estender os limites do piano solo. Entre os temas clássicos estão logo a faixa de entrada, popularizada por Duke Ellington, “Star Crossed Lovers”, The Wind” de Russ Freeman, “Winter of my Discontent” de Alec Wilder e, sobretudo, “Softly as in a Morning Sunrise”, uma balada escrita para a opereta “New Moon” e que teve dezenas de interpretações de nomes que vão de John Coltrane a Miles Davis, passando por Sonny Rollins, Chet Baker ou o Modern Jazz Quartet. A interpretação de Hersch desta balada é um exemplo de como se pode recriar um tema clássico sem o trair. As sete composições originais mostram o interesse que o pianista tem na improvisação, que se ouve na faixa-título “Silent, Listening”, mas também contida dentro de um conceito pré-estabelecido, como é tão bem mostrado na deliciosa “Little Song” que já tinha gravado anteriormente com o trompetista Enrico Rava. O álbum está disponível em CD, vinil e streaming. 

 

DIXIT - “Quem quer julgar, hoje, os reis e os escravos de há séculos, quer hoje qualquer coisa. E não se trata apenas de bons sentimentos; quer poder, bens e poleiro” - António Barreto

 

BACK TO BASICS - “Saber esperar só custa a primeira vez” - Miguel Esteves Cardoso


A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS

 

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