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UM POUCO DE FICÇÃO POLÍTICA - Imaginemos que Marcelo Rebelo de Sousa não se recandidata. Ou seja, imaginemos que, quem neste momento lidera as sondagens de intenção de voto para as próximas presidenciais, decide não ir a jogo. Nos últimos dias ficaram a conhecer-se as declarações de candidatura de Marisa Matias e de Ana Gomes. André Ventura já anda em campanha há um tempo e o PCP deverá anunciar o seu candidato nos próximos dias. Marcelo Rebelo de Sousa continua a reservar a sua decisão para mais tarde. Chegaremos a segunda feira, a menos que Marcelo tenha entretanto um sobressalto, com quatro candidatos certos - Ventura, Gomes, Matias e quem o PCP decidir indicar. Gostava de ver uma sondagem de intenções de voto para as presidenciais apenas com estes quatro candidatos que já estão certos, ou seja, sem a inclusão do actual Presidente - que por enquanto não é candidato. Quem venceria? Conseguiria Ana Gomes recolher mais votos que Ventura ou Marisa Matias? Ou será que Marisa Matias conseguia vencer Gomes e Ventura? Ou será que, na ausência de Marcelo, Ventura conseguia ter mais votos que os outros? Imaginemos agora por um breve momento que o horizonte das próximas presidenciais seria assim, apenas com estes quatro candidatos. Qual deles se iria sentar na reunião semanal com António Costa em Belém? Se porventura Marcelo decidir que não vai a votos, que fará Costa? Irá levar Ana Gomes às cavalitas até Belém? Às vezes é engraçado imaginar a política como se fosse uma ficção, ainda mais absurda do que ela já é nestes dias.

 

SEMANADA - Portugal está entre os sete países europeus com piores resultados em relação à pandemia de Covid-19; a diretora geral da saúde, Graça Freitas admitiu que, a informação proveniente dos dados recolhidos nos inquéritos epidemiológicos que fazem aos pacientes, não é tratada; de acordo com um estudo publicado no início do verão mais de metade dos jovens com 18 anos afirmou que a sua saúde mental “piorou” desde o início da pandemia e que o facto de não irem à escola agravou esse estado;  um estudo da OCDE revela que os cursos profissionais têm maior saída no mercado de emprego que as licenciaturas; segundo a Marktest 76% dos portugueses têm já acesso à Internet ; o mesmo estudo indica que o smartphone lidera como forma de acesso à internet, sendo já mais utilizado para navegar na web que o computador; a CP perdeu 26 milhões de passageiros durante os primeiros seis meses deste ano; 48% dos europeus afirmam que seu bem-estar financeiro diminuiu nos últimos 6 meses; quase 4 em cada 10 europeus viram o emprego afetado pela pandemia, enquanto mais da metade (54%) viu uma queda no seu rendimento;  um em cada cinco consumidores endividou-se para cobrir as despesas diárias durante o período Covid-19 e essa taxa aumenta para 24% quando se analisa a geração “Millennials”; segundo o Banco de Portugal é preciso recuar a 1928 para encontrar uma contracção da economia superior aos 9,5% previstos para 2020.

 

ARCO DA VELHA -  O célebre relatório da Deloitte detectou 140 falhas nas regras de concessão de crédito desde a venda do Novo Banco à Lone Star.

 

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AGENDA VISUAL  -  JonOne é um artista norte-americano, de origem dominicana  que actualmente divide o seu tempo entre Paris e Nova Iorque. A sua actividade começou como graffiter de rua em Nova Iorque, a partir do Harlem, onde vivia, desenvolveu a sua obra de rua na segunda metade dos anos 80 e daí evoluíu para a pintura, utilizando na tela um sistema de cores e uma técnica que provêm do próprio graffiti. No dia 11 inaugura a sua primeira exposição em Portugal, “The Border” (na imagem). A exposição, na galeria Underdogs ( Rua Fernando Palha, Armazém 56, a Marvila) inclui pinturas e instalações, e foi propositadamente concebida para o espaço desta galeria. Entretanto as próximas semanas são animadas em termos do recomeço de actividade das galerias de arte e existem até duas novidades - a abertura de duas novas galerias em Lisboa nestes tempos de pandemia: a Muñoz Carmona Art & Gallery abre dia 15 de Setembro com a exposição “Natureza Morta” de André Ribeiro e Juan Carmona, na Rua do Alecrim 109, ao Chiado; e a No-No contemporary art gallery (Rua de Santo António à Estrela 39A) que dia 12 inaugura com obras de “Um Tempo Sem Medida”, de Carlos Mensil. 

 

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JUNTOS OUTRA VEZ - Em 1994 saíu o disco MoodSwing, assinado pelo Joshua Redman Quartet - um grupo de jovens músicos, então no início de carreira mas já com créditos firmados e com colaborações com nomes importantes do jazz de então. O quarteto integrava Redman no saxofone, Brad Mehldau no piano, Christian McBride no baixo e Brian Blade na bateria. A formação fez uma digressão e durou ano e meio. Depois cada um seguiu a sua vida e cada um construiu a sua própria carreira. Agora, um quarto de século depois, os mesmos músicos voltaram a juntar-se no quarteto de Joshua Redman e gravaram RoundAgain, o álbum que saíu há semanas e que inclui sete temas inéditos compostos pelos vários músicos - três de Redman, dois de Mehldau e um de McBride e outro de Blade - um contraste com MoodSwing que era integralmente composto por Redman. Agora os quatro já não são talentos promissores, são músicos conceituados. Os três temas compostos por Redman são muito marcantes, assim como o é o seu saxofone ao longo de todo o disco. Os três temas de que falo, “Silly Love Song”, “Right Back Round Again” e “Undertow” são bem diferentes entre si, mas todas proporcionam espaço para qualquer dos músicos do quarteto, sobretudo a última, que aliás abre o discos, e que é a mais ousada das composições do saxofonista. Outros temas interessantes são “Your Part To Play”, de Blade e “Father” e “Moe Holde” de Mehldau. Nestes temas sente-se como o quarteto está vivo e os músicos continuam a procurar novas soluções. Os solos de todos os participantes equilibram-se e o sentido de grupo é forte, esbatendo protagonismos individuais. Se querem um resumo, este “RoundAgain” é o registo do estado do jazz da geração que no final dos anos 90 refrescou a música e lhe trouxe novos públicos. Disponível no Spotify.

 

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O SEM FIM DA HISTÓRIA - A ideia central é esta: “os sistemas políticos baseados em crenças radicalmente simples são mais cativantes, em especial quando recompensam e beneficiam os verdadeiros crentes, os soldados leais e os amigos e familiares do líder - e mais ninguém.”. Quem o escreve é Anne Applebaum, jornalista galardoada com o Pulitzer, e que escreveu para a revista The Atlantic o artigo “A Warning For Europe” onde falava da interferência russa nas eleições dos Estados Unidos que deram a vitória a Trump. O artigo foi o ponto de partida para o livro “O Crepúsculo da Democracia - O fracasso da política e o apelo sedutor do autoritarismo”, agora editado em Portugal. Applebaum é professora no Institute Of Global Affairs da London School Of Economics e cofundadora do Democracy Lab, uma parceria que envolve a revista Foreign Affairs. Neste livro Anne Applebaum faz uma análise histórica da  transformação política e social que está a deformar as nossas sociedades. A autora analisa como  as sociedades estão em mutação e as tendências antidemocráticas estão a crescer, tendo por consequência deste fracasso da política tradicional o facto de  os sistemas autoritários e radicais estarem a ganhar terreno em todo o mundo. Applebaum sustenta que as teorias da conspiração, a polarização da opinião pública, as redes sociais e a nostalgia por um passado idealizado são armas utilizadas pelos adeptos do iliberalismo, com enorme sucesso, para obter seguidores, conquistar votos e tomar o poder. A leitura do livro é particularmente oportuna neste momento, não só no contexto, mas também proporcionando-nos dados para olharmos de forma mais abrangente para o que se passa agora em Portugal. No capítulo final, “O Sem Fim Da História”, escrito já com a pandemia em pano de fundo, ela termina assim: “Sempre soubemos, ou deveríamos ter sabido, que a história poderia, mais uma vez, entrar pelas nossas vidas e reorganizá-las. Sempre soubemos, ou deveríamos ter sabido, que as visões alternativas acerca das nossas nações nos tentam cativar. Contudo, ao escolhermos o nosso caminho através da escuridão, talvez possamos ver que, juntos, lhes conseguiremos resistir”.

 

QUI QUÊ? - Tenho encarado a quinoa como algo sensaborão, fruto de modas em matéria de nutrição e confesso que nem vontade tinha em experimentar. Mas recordando-me do velho princípio de que não se deve dizer que não se gosta do que ainda não se provou, lá me dediquei ao assunto. O racional foi este: há alimentos que por si sós não têm grande graça e é a arte do bem temperar e combinar sabores que os pode salvar. Em vez de fazer uma preparação neutra, optei por inventar, baseado noutras experiências com outros alimentos. Assim comecei por cortar lâminas finas de gengibre fresco e rodelas igualmente finas de funcho, a que adicionei um pouco de azeite no fundo do tacho para fazer uma espécie de refogado base pouco puxado. Adicionei a dose pretendida de quinoa, depois de muito bem lavada em água corrente e convenientemente escorrida. Depois de um minuto a tostar no azeite temperado adicionei água já a ferver na proporção de um pouco menos do que o dobro da quantidade de quinoa utilizada. Entretanto escaldei abóbora e courgette  cortadas em pequenos cubos e após muito breve cozedura, reservei. Por volta dos dez minutos de cozedura da quinoa, tapada, adicionei a abóbora e a courgette e mexi bem. Voltei a tapar e deixei mais cinco minutos. Nessa altura deitei para o tacho o conteúdo de uma lata de atum Tenório em azeite temperado com tomate seco e manjericão, desfiz e misturei tudo  bem com um garfo, e deixei tapado mais cinco minutos. No fim temperei com pimenta preta acabada de moer e cebolinho picado e servi. Só posso dizer que a experiência foi bem recebida e que volta e meia vou recorrer à quinoa para fazer uns jantares leves...

 

DIXIT - “Para evitar que a escola seja um território de disputas e polémicas que nela não deveriam entrar, impor-se-ia mais bom senso da parte de quem fez a lei, de quem a aplica agora e, naturalmente, dos pais e encarregados de educação destas e de todas as outras crianças portuguesas, que não mereciam ser tratadas como soldados involuntários de guerras que não são delas.” - Vasco M. Barreto e António Araújo.

 

BACK TO BASICS - “Os fins não justificam os meios, mas os meios acabam, quase sempre, por triunfar sobre os fins” - Vicente Jorge Silva

 



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