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ELEIÇÕES À VISTA

por falcao, em 12.01.24

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O PROMESSASEm meados de Novembro de 2022, Pedro Nuno Santos, então Ministro das Infraestruturas e da Habitação, apresentou o Plano Ferroviário Nacional, classificando-o como “o documento que faltava ao país”, que colocava a ferrovia “no centro do debate nacional”. E desde então, que se tem passado? Segundo a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes a coisa não tem melhorado. Num relatório publicado no final de 2023, aquele organismo chamava atenção para a deterioração do transporte ferroviário desde 2019 e concluía que há cada vez menos comboios e que estão cada vez mais atrasados. Os resultados do relatório não serão uma surpresa para os utentes de comboios. Mas são o espelho do que tem sido a carreira política de Pedro Nuno Santos: promete muito, concretiza pouco. No comício sob a forma de Congresso que o PS realizou no passado fim de semana, Pedro Nuno Santos, candidatando-se ao lugar de Primeiro-Ministro, apresentou um programa: quer um país solidário, ambicioso e acima da média europeia, se possível governado por uma nova geringonça. A imagem que traçou de Portugal esquece como os anos mais recentes de governação do PS relegaram Portugal para a cauda da Europa em vários indicadores, menos na carga fiscal, onde ocupa lugar destacado. Luciano Amaral, escrevendo sobre o panorama eleitoral, deixou estas palavras no “Correio da Manhã”, que aqui reproduzo com a devida vénia: “O PSD concorre contra um PS que esteve quase uma década no poder, no fim da qual o que consegue apresentar é uma degradação dos serviços públicos, da educação à saúde, pior do que no tempo da troika. Um PS que teve à disposição dinheiro da UE como nunca e o malbaratou. Que se afundou em casos, casinhos e casões revelando um uso do poder, no mínimo, pouco transparente. Que enterrou fortunas a brincar às privatizações e nacionalizações, como já se tinha visto no caso da TAP e se voltou a ver agora no dos CTT. A quem foi dada uma rara maioria absoluta e desperdiçou as condições de estabilidade auto-destruindo-se. Que continuou a deixar Portugal ser ultrapassado na riqueza por país de Leste atrás de país de Leste. Concorre até contra um candidato a PM que, apesar de se apresentar como pura vestal, esteve em tudo: aeroporto, TAP, CTT, os comboios que nunca saíram do apeadeiro, podendo até dizer-se que o Governo começou a cair por sua causa, no caso Alexandra Reis. Que isto tudo não dê uma deslocação maciça de votos para o PSD é algo que deveria pôr o PSD a pensar bem o que anda cá a fazer. Mas o povo, na sua infinita sabedoria, deve estar certo: de facto, é capaz de não haver por ali grande alternativa.”

 

SEMANADA - As insolvências em Portugal aumentaram 18% em 2023, face ao ano anterior, com 1.917 empresas a entrarem em processo de insolvência e o sector das indústrias foi o mais afetado, sendo responsável por mais de metade do aumento total registado no último ano; em 2023 foram inaugurados 60 novos hotéis em Portugal e haverá quase mais 100 a caminho até 2026; o número de passageiros nos aeroportos portugueses atingiu máximos históricos em 2023 e até setembro, movimentaram-se 52 milhões de pessoas em Porto, Lisboa e Faro, sendo este o melhor valor de sempre desde 2012; a riqueza média líquida das famílias portuguesas é a sexta mais baixa da Zona Euro, segundo os dados do Banco Central Europeu, está 30% abaixo da média da zona Euro e estamos apenas à frente da apenas à frente da Estónia, Eslováquia, Grécia, Lituânia e Letónia; as previsões oficiais apontam para que em 2024 se reformem 4705 professores, o número mais alto de aposentações desde 2012; segundo a Federação Nacional dos Médicos a “esmagadora maioria” das quatro centenas de médicos de Saúde Pública já recuaram a adesão à dedicação plena, o que vai agravar o funcionamento dos centros de saúde; entre janeiro e dezembro de 2023 houve um aumento de 154 841 utentes sem médico de família, fazendo crescer para 1,7 milhões o total de pessoas que não têm médico de família atribuído; nas duas ultimas semanas do ano ocorreram 1048 mortes acima do esperado e o diagnóstico elevado de infeções respiratórias pode estar na origem do excesso de mortalidade; as previsões oficiais apontam para que em 2024 se reformem 4705 professores, o número mais alto de aposentações desde 2012.

 

O ARCO DA VELHA - Segundo uma auditoria do Tribunal de Contas há um baixo nível de execução e pouca fiabilidade na informação disponibilizada pelo Governo sobre o Plano de Recuperação e Resiliência; no mesmo documento o TC  alerta para o risco da perda de fundos da UE se a situação persistir.

 

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ESCULTURA BRITÂNICA - Enquanto as galerias privadas não mostram a sua nova programação de início de ano proponho uma visita ao Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), no Chiado, à exposição “Rare Earth”, do escultor britânico Tony Cragg, que inclui cerca de cinco dezenas das suas obras, entre esculturas e desenho, criadas entre 1979 e 2023 Tony Cragg (Liverpool, 1949) é considerado  um dos mais inovadores escultores dos últimos 50 anos. Radicado na Alemanha desde 1977, tem o seu atelier em Wuppertal, de onde estabeleceu a base da sua carreira internacional que se desdobra entre o desenho e a escultura, tendo diversa obra pública em todo o mundo. A exposição “Rare Earth”, de Tony Cragg, traz, pela primeira vez, a Lisboa, um conjunto significativo de cerca de 5 dezenas de obras do artista, entre escultura e desenho, de 1979 a 2023, numa mostra reveladora da sua obra. Esta exposição, com curadoria de Emília Ferreira, resulta de uma parceria do MNAC com a Galeria Breckner e com o estúdio do artista, tendo sido concebida para o espaço do  museu e incluíu também a apresentação de obras no espaço público, em ligação com a Câmara Municipal de Lisboa.  A exposição  pode ser vista no MNAC, ao Chiado,  até 25 de Fevereiro.

 

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MÚSICA DAS RUAS - Moondog foi uma figura incontornável de Nova Iorque, em cujas ruas viveu durante 20 dos 30 anos passados na cidade, entre finais dos anos 40 até 1972. O seu verdadeiro nome era Louis  Hardin, nasceu no Kansas em 1916 e morreu na Alemanha em 1999 . Invisual desde o final da adolescência, usava roupas que ele próprio fazia, baseadas na tradição do deus nórdico Odin - daí ter ficado conhecido como o Viking da 6ª avenida, onde tocava as suas canções e recitava poesia. Foi a música que lhe deu mais visibilidade, além das peças de artesanato que criou e de instrumentos musicais que ele próprio concebeu e fez. Auto-didacta, Moondog compôs dezenas de canções de vários géneros musicais e até madrigais e sinfonias. Inspirava-se na música clássica, no jazz, na música nativa da América e nas músicas da América Latina e Índia. Acabou por se tornar uma lenda entre os músicos folk americanos e Janis Joplin chegou a interpretar uma das suas canções, “All is Loneliness”. Em 1969 a Columbia Records editou o seu primeiro disco, “Moondog”, disponível no Spotify. Nos anos 70 mudou-se para a Alemanha, onde viveu até à sua morte. O Kronos Quartet, que em 2023 completou 50 anos de existência, resolveu homenageá-lo com “Songs and Symphoniques, The Music of Moondog”, um álbum feito em colaboração com a Ghost Train Orchestra, de Brooklyn, que assegurou os arranjos dos 17 temas do disco. As vozes das canções são de Rufus Wainwright, Jarvis Cocker, Petra Haden e Joan Wasser, conhecida como Joan As Police Woman,  que interpretou o tema que havia sido gravado por Janis Joplin. O trabalho de todos tentou aproximar-se da composição original de Moondog, quer nos temas instrumentais quer nos cantados, e o resultado é um disco que mostra todo o talento desse homem que se passeava nas ruas de Manhattan com um capacete Viking e que era apenas tomado como um excêntrico. Disponível em streaming.



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BUENOS AIRES  - O meu primeiro livro do ano é uma viagem aos subúrbios de Buenos Aires, pela mão de Jorge Luis Borges. É nesses subúrbios que Borges evoca Evaristo Carriego, figura que frequentou a casa de seus pais, quando ele era ainda criança e não o grande escritor em que se tornou. Alguns anos depois da morte prematura de Carriego, aos 29 anos, Borges dedicou-lhe este livro, na realidade um estudo sobre a obra e o mundo, que se diz, ligado ao tango e à literatura dos bairros pobres da Argentina. Este livro mostra como Borges era um exímio escritor de contos e pequenas novelas, misturando a realidade com a ficção - como acontece neste caso.  Evaristo Carriego fez-se poeta no bairro de Palermo, nos arrabaldes de Buenos Aires, terreno de brigas e boémia de facas na liga, de milongas e tangos dançados por homens. Publicou, durante a sua curta vida, um único livro de poemas, “ Misas Herejes” (1908). Em 1932 Borges publicou esta história de Carriego, agora editada pela primeira vez em Portugal. Figura maior da literatura mundial, Jorge Luis Borges (Buenos Aires, 1899- Genebra ,1986) cresceu ele próprio no Bairro de Palermo, viajou na Europa entre 1914 e 1921, ano em que regressou a Buenos Aires, e em 1923 publicou o seu primeiro livro. O reconhecimento internacional só aconteceu em 1961, ao longo da sua vida escreveu ficção, crítica e ensaio. Foi professor de literatura e dirigiu a Biblioteca Nacional de Buenos Aires entre 1955 e 1973. “Evaristo Carriego” foi editado pela Quetzal, com tradução de José Colaço Barreiros.



SOPA ITALIANA - Nestes dias frios deixo aqui uma receita que em Itália é um clássico desta época do ano - uma sopa de tortellinis em caldo de legumes. A preparação é simples, comece por um refogado leve em azeite com meia cebola roxa cortada em rodelas finas,  uma cenoura cortada em pedaços pequenos e um tomate maduro cortado em cubos com o seu sumo e duas colheres de sopa de pasta de tomate. Depois adicione meio litro de um caldo de legumes que preparou antes e espere que levante fervura. Quando estiver a ferver coloque um pacote de tortellini para duas pessoas, com o sabor que preferir (eu uso os da marca Rana e neste caso os de ricotta e espinafres ou o de cogumelos), e deixe-os cozer durante três minutos. Tempere a gosto com um pouco de vinagre balsâmico, sal e pimenta, adicione uma mão cheia de folhas de espinafre fresco,  sirva para uma tigela funda e junte queijo parmesão ralado na altura. Bom apetite, vai ver como é um prato reconfortante nestes dias frios.

 

DIXIT - “Parte da nossa esquerda abandonou a luta social em nome das modas fracturantes, deixando os milhões de portugueses pobres excluídos e explorados fora de moda “ - José Pacheco Pereira

 

BACK TO BASICS - “Justiça adiada é justiça negada” - William Gladstone



 



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