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O PROFISSIONAL - No seu comentário habitual aos domingos, na SIC, Marques Mendes, com base num estudo das sondagens realizadas no último mês, sublinhou o crescimento do Chega em Lisboa, Setúbal e Alentejo e afirmou que se o Chega tiver 15% ou mais dos votos a AD não ganha as eleições e será Pedro Nuno Santos a ser chamado a formar Governo. Não me espanto se isso acontecer. O Chega está a encarar estas eleições de forma diferente - como se viu na Convenção que realizou no fim de semana passado. No “Público” Bárbara Reis descreve assim o que se passou na Convenção: “Preparem-se: o Chega já não é só gritos e jantares, ao quinto ano de vida, o esforço para melhorar a imagem resultou. O discurso populista radical está intacto. Mas o embrulho é de maturidade.” A isto acresce a máquina de propaganda montada, de forma muito eficaz, e que promete fazer mossa na campanha eleitoral com videos de rua feitos propositadamente para a ocasião. Basta fazer uma pesquisa na internet para se perceber a capacidade de penetração do partido de André Ventura no mundo digital - tem cerca de 150 mil subscritores no Canal Chega do YouTube, uma presença assídua no TikTok, no Facebook e no Instagram, totalizando varias dezenas de milhares de seguidores. Não é exagero afirmar que hoje o Chega, nas várias plataformas digitais, incluindo a da sua organização de juventude é já provavelmente o partido mais activo e com maior penetração. O resultado está à vista - nas sondagens recentes o Chega é o partido mais nomeado por eleitores dos 18 aos 34 anos, à frente do PS e do PSD e Ventura é ele próprio o motor de toda a actividade de propaganda do Partido. E a verdade é que ele é melhor propagandista que qualquer dos seus rivais no Parlamento e aproveita qualquer oportunidade para se mostrar. Se aliarmos esta capacidade com a exploração da insatisfação de largas fatias do eleitorado percebemos qual a razão do crescimento do Chega. E, não é demais recordar, o êxito do Chega é o maior sintoma da degradação da política, da falência do sistema e do descrédito dos partidos. Foi isto que PS e PSD não quiseram perceber. 

 

SEMANADA - A maioria dos jovens portugueses passa quatro ou mais horas por dia ligados à internet; mais de 300 mil utentes inscritos no SNS já não vivem em Portugal; Portugal é o país da Europa com  mais emigração e nos últimos 20 anos 15% da população emigrou; o número de pessoas em lay-off duplicou em 2023; 30% dos jovens nascidos em Portugal já vivem fora do país, com os países baixos a cativar o maior número destes novos emigrantes qualificados; quase um terço das mulheres portuguesas em idade fértil saíu do país; 75 mil portugueses deixaram o país por ano, em média, entre 2001 e 2020, e 2023 foi o ano que registou maior número de saídas, cerca de 130 mil; 70 por cento dos novos  emigrantes, 850 mil pessoas, têm entre 15 e 19 anos; no princípio deste século, cerca de 6% dos nossos emigrantes tinham formação superior e actualmente, quase 50% dos que emigram têm um curso superior; as remessas dos emigrantes portugueses em 2021 atingiram os 3,6 mil milhões de euros, quase tanto como os fundos europeus que vem anualmente para o país; em 2023 foram criadas em Portugal cerca de 51 mil novas empresas, o registo mais elevado de sempre; segundo dados do BCE, a riqueza das famílias em Portugal aumentou 24% à valorização dos bens imóveis (+40%), já que a riqueza dos restantes ativos cresceu apenas 6%; segundo a Marktest cerca de sete milhões de portugueses ouvem rádio regularmente e a maior parte tem entre 35 e 44 anos; as salas de cinema acolheram 12,3 milhões de espectadores em 2023, o que representa um aumento de 27,8% face ao ano anterior.

 

O ARCO DA VELHA - O centro de alto rendimento desportivo no Jamor teve infestações de baratas e de percevejos e houve atletas que desmaiaram ou tiveram de ir ao hospital com intoxicações alimentares depois de terem comido no refeitório do local. 

 

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SÓ FOTOGRAFIA - Esta semana todo o destaque vai para a fotografia e começo por uma exposição que abriu na galeria Narrativa, “Jamaika” de José Sarmento de Matos (na imagem). A exposição mostra um trabalho feito ao longo de três anos que, sublinha o autor, “ parte da história do Bairro da Jamaica – uma comunidade no Seixal composta por cerca de 700 habitantes, frequentemente racializada e marginalizada –, contando a luta dos moradores por habitação condigna. O trabalho retrata, de um modo íntimo, a vida de uma comunidade composta maioritariamente por imigrantes de ex-colónias portuguesas – Angola, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe – e por afro descendentes portugueses”. Na mesma ocasião foi lançado JAMAIKA,  o primeiro livro do autor, que reúne o trabalho efectuado por José Sarmento de Matos naquele bairro, também à venda na galeria (Rua Dr. Gama Barros 60). Também por iniciativa da Narrativa, em conjugação com o 5º Congresso dos Jornalistas,  está patente na Praça dos Restauradores até 15 de Fevereiro a exposição “Portugal Livre 1974-2024” que junta fotojornalistas de diferentes gerações - desde os que testemunharam e fotografaram o que se passou em 25 de Abril de 1974, até 14 novos fotógrafos nascidos após 1974 e que reflectem, em imagens, sobre o país democrático de hoje através das suas imagens. Em Setúbal, na Casa da Cultura, um outro fotojornalista, Luís Ramos, mostra até final de Fevereiro a exposição “Margem Sul”, que reúne o trabalho realizado ao longo de um ano em toda a zona que ficou conhecida por Margem Sul. São de José Teófilo Duarte, da Casa da Cultura de Setúbal, estas palavras: “Era o outro lado. O lado dos outros. Os do lado de lá. Percebia-se alguma distância, mas também compreensão. Do outro lado estavam os que não chegaram a este lado. Vieram de vários lados em busca de uma vida melhor. Este sítio onde viviam uns e outros era um sítio de lado nenhum.” E, finalmente, para encerrar as recomendações da semana, ainda na fotografia, destaque para “Terra Livre”, a exposição de Diogo Simões na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa (rua da Barroca 59), que resulta do trabalho entre o artista e os curadores Natxo Checa e António Júlio Duarte. Os trabalhos expostos foram realizados entre 2011 e 2020, também sempre na Margem Sul “repleta de contrastes que preservam os diálogos entre os ritmos do campo e os da urbanidade”.

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GUITARRADA - Uma das coisas boas de Janeiro é olhar para as diversas listas dos discos que são considerados os melhores dos anos anteriores. Foi assim que há dias descobri um duplo-álbum do guitarrista John Scofield que me tinha passado despercebido quando saíu em finais de Outubro passado - ora, ainda por cima, eu sou fã de discos de jazz em que a guitarra tem um papel predominante. O disco chama-se”Uncle John's Band”, uma referência a uma canção os Grateful Dead incluída neste disco, cheio de versões como “Mr. Tambourine Man” de Bob Dylan, “Old Man” de Neil Young, “Somewhere” de Leonard Bernstein, “Back In Time” de Huey Lewis & The News ou temas Bud Powell ou Miles Davis. Mas também poderá encontrar clássicos do jazz como “Ray’s Idea”, “How Deep Is The Ocean” ou “Stairway To The Stars”, além de sete originais do próprio Scofield. O título é também uma referência aos músicos presentes - além de Scofield, Vicente Archer no baixo e Bill Stewart na bateria, dois músicos com quem trabalha regularmente e que fazem um grande trabalho neste disco. O duplo álbum, que inclui ao todo 14 temas ao longo de hora e meia de boa música, foi gravado em Agosto de 2022 no Clubhouse Studio, de Nova Iorque e editado pela ECM. Disponível nas plataformas de streaming.

 

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IR AO FUNDO DA HISTÓRIA - Michael Scott-Baumann estudou em Cambridge e depois fez um mestrado na School of Oriental and African Studies,em Londres. Professor de História há mais de 35 anos, fez frequentes viagens no Médio Oriente, cuja situação tem acompanhado. “A Mais Breve História de Israel e da Palestina é um livro que descreve o conflito israelo-palestiniano desde as suas origens, até aos mais recentes acontecimentos, de 2023. Muito documentado, o livro inclui uma cronologia que começa em 1882 com a primeira migração de judeus para a Palestina. Ao longo de dez capítulos o autor percorre as diversas etapas do conflito e relata os principais acontecimentos que ocorreram ao longo do tempo. Cada capítulo apresenta uma explicação das políticas implementadas e termina com testemunhos de palestinianos e israelitas cujas vidas foram marcadas pela violência contínua. Scott-Baumann  analisa também os principais acontecimentos, incluindo o papel dos britânicos após o fim da Primeira Guerra Mundial, o estabelecimento do Estado de Israel (1948) e a crescente ocupação de territórios, a resistência palestiniana, os extremismos e os diversos planos de paz, e até os atuais confrontos, desencadeados pelos ataques surpresa do Hamas a Israel, em outubro de 2023. Em resumo, o livro proporciona dados e uma análise histórica indispensável, assim como a interpretação do autor sobre  as razões pelas quais os esforços para alcançar a paz falham continuamente . Edição  Ideias de Ler, tradução de Artur Lopes Cardoso.

 

UM CLÁSSICO REVISITADO  - Aqui há uns anos Assunção Cristas ressuscitou essa velha tradição de desenrasca culinário que é arroz de atum. Hoje trago uma variante inspirada na receita de uma newsletter americana sobre receitas de cozinha que vejo com frequência. A base é a mesma - uma lata de atum e arroz já cozido. Vamos a isto. Em primeiro lugar escolha um bom atum em azeite, escorra bem,  coloque numa tigela e desfaça-o grosseiramente com um garfo. Adicione duas colheres de sopa de maionese, ajuda a ligar o atum, acrescente uma colher de óleo de sésamo e um pouco de molho de soja. Numa outra tigela coloque o arroz já cozido (eu usei basmati), espalhe-o bem para ficar solto e depois, por cima, coloque o atum. Para rematar espalhe sementes de sésamo previamente tostadas numa frigideira sem óleo e polvilhe tudo com cebolinho fresco acabado de cortar. Acompanhe com um copo de vinho branco seco. Para sobremesa fruta da época - laranjas fatiadas. Bom apetite.

 

DIXIT - “Já vi tantas eleições, que olho para estas e desânimo. Há uma sensação no ar de que nada ficará resolvido, de que tudo será inútil.” - Manuel Soares de Oliveira

 

BACK TO BASICS - “O burocrata perfeito é aquela pessoa que evita tomar qualquer decisão e assim consegue escapar a todas as responsabilidades” - Brooks Atkinson

 



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