Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



ENGANARAM-SE NOS CARRIS?

por falcao, em 07.10.22

DSCF1648 (1).jpg

POUCA TERRA  - Hoje vou fazer uma redacção: eu gosto muito de comboios. Quando era pequenino gostava de brincar com o comboio eléctrico do meu amigo João, que tinha montanhas e lagos e passagens de nível. O meu comboio era mais pequeno e não tinha montanhas. Mas os dois tinham a mesma linha, da Marklin. E, por isso, podíamos  trocar de locomotivas e carruagens. Na altura havia comboios eléctricos de outras marcas com linhas diferentes e cada locomotiva só andava nas linhas da sua marca. Depois, durante alguns anos, andei sempre de comboio para ir para a aldeia dos meus avós, na linha da Beira Baixa. Gostava muito, passava pelo Entroncamento e durante um grande bocado da viagem via o rio Tejo, ali à beira dos carris. Já andei de comboios noutros países e uma vez até fui de comboio de Lisboa a Paris e voltei. Eu gosto de andar de comboio e tenho pena que em Portugal se ligue tão pouco a eles. Tenho simpatia pelo ministro dos comboios, um Pedro Nuno dos Santos. Parece um bocado precipitado, mas se calhar é porque quer fazer coisas e não o deixam. Agora diz que vamos ter a viagem Lisboa-Porto mais rápida. Parece que vão fazer uma linha de alta velocidade mas eu tenho medo que se tenham enganado na marca dos carris. É que quando o comboio começou em Portugal, em 1856, alguém decidiu que íamos ter carris iguais aos espanhóis para andarmos todos de um lado para o outro, com facilidade. Mas o resto da Europa fez carris diferentes. É como nos comboios eléctricos, com a Marklin e as outras marcas. Só que os espanhóis já perceberam que nas linhas novas de alta velocidade que vão fazendo o melhor é usar linhas iguais ao resto da Europa para ficarem todos ligados. Por isso é que não percebo porque é que o Ministro dos Comboios quer fazer as novas linhas iguais a umas que os espanhóis já estão a deixar de usar. Alguém me pode explicar porque é que vão fazer as coisas assim e porque é que o Ministro dos Comboios se ri quando lhe fazem esta pergunta?

 

SEMANADA - Os crimes contra os idosos triplicaram desde 2017; o governo espanhol anunciou um pacote fiscal que inclui reduções no IRS para rendimentos baixos e médios e um imposto temporário sobre as grandes fortunas; entre Março e Setembro deste ano a Câmara Municipal de Lisboa plantou 1198 aŕvores na cidade; Lisboa produz 900 toneladas de lixo por dia; as rendas de casa aumentaram  mais de 40% em cinco anos; quase um quinto do IRS está a ser retido em excesso pelo Estado; no último ano o valor dos carros em segunda mão subiu 25%; o sistema de Defesa Nacional foi alvo de dois ciberataques de larga dimensão no espaço de um mês; este ano, no ensino superior, há cerca de 76 mil candidatos a bolsas de estudos, o maior número de sempre; segundo a Marktest os  serviços de streaming de televisão são já utilizados por 44,1% dos portugueses, com a Netflix em primeiro lugar, seguida pela Disney+ e a HBO Max; de acordo com o relatório anual da OCDE sobre a Educação Portugal é dos países que menos investe no Ensino Superior; o preço do metro quadrado de imobliário em Lisboa, para arrendar ou vender, é superior aos preços praticados em Madrid e Milão; os juros dos novos créditos à habitação atingiram em Agosto o valor mais alto desde 2016; desde que António Costa chegou ao poder a despesa pública aumentou 19,5 mil milhões de euros e a receita fiscal 22,4 mil milhões de euros; os Bancos já custaram ao Estado mais de 22 mil milhões de euros desde 2008.

 

O ARCO DA VELHA - Os impostos directos, indirectos e descontos para a segurança social representam hoje mais de 50% do que os portugueses ganham.

 

IMG_7338.jpg

A PINTURA - As novas obras de Paulo Brighenti agora  apresentadas na sua segunda exposição na Galeria Belo Galsterer impressionam pela força que transmitem e o impacto que produzem. Em “Sopro” estão em confronto dois momentos de um dia ou dois momentos de dias diversos -  é essa ambiguidade que chama ainda mais a atenção, proporcionando diferentes leituras até entre as duas salas onde as obras de maior dimensão estão colocadas, uma em frente da outra. Cada uma dessas obras  (uma delas na imagem) é uma explosão de sentimentos, um manifesto de homenagem à pintura, que merece ser vista. Paulo Brighenti tem feito um crescente percurso artístico, que passa pelo seu envolvimento num projecto em Maceira, uma freguesia rural de Torres Vedras onde acolhe outros artistas em residência, organiza exposições e dinamiza os laços com a comunidade local.  Na Galeria Belo Galsterer Brighenti apresenta uma série de pinturas inéditas, utilizando pigmentos venezianos e encáustica, uma técnica de pintura que aglutina esses pigmentos através de uma cera que depois pode ser aplicada a pincel ou espátula, criando um efeito surpreendente. Na mesma Galeria (Rua Castilho 71 r/c) está também patente, igualmente até 12 de Novembro, o projeto “Flores” do artista italiano Renzo Marasca que trabalha em Lisboa há uns anos. Outras sugestões:  no museu de Aveiro Pedro Calapez apresenta até 15 de Janeiro a exposição  “Deste espaço iluminado e obscuro”, mostra concebida expressamente para o local e que reúne uma seleção de obras da Coleção de Serralves, da Coleção do Município de Aveiro e da Coleção do artista. Em Coimbra decorrem em vários pontos da cidade, até 16 de Novembro, as exposições de fotografia da Estação Imagem 22, destacando-se as imagens da guerra da Ucrânia feitas por um dos grandes repórteres de guerra, James Nachtwey. E por fim, no MAAT, que esta semana completou seis anos de existência, estão duas novas exposições: “Exist/Resist” de Didier Fiúza Faustino, e a 14ª edição do Prémio EDP Novos Artistas, um bem conseguido conjunto de obras de Adriana Proganó, Andreia Santana, Bruno Zhu, Maria Trabulo, René Tavares e Rita Ferreira.

 

Intimidades.jpg

A INTÉRPRETE - Ao princípio parece uma história banal. Uma mulher, cujo nome desconhecemos até ao final do livro, encontra colocação temporária como intérprete no Tribunal Internacional de Haia e o primeiro grande trabalho que lhe foi atribuído é acompanhar o julgamento de um ex-Presidente de um estado africano, acusado de cometer crimes de guerra. Pelo meio conhece um homem, casado, em processo de divórcio, por quem se apaixona, mas que subitamente parte para Lisboa onde a sua ex-mulher vive uma nova relação. Enquanto ele parte, inicialmente por uma semana, deixa-a ficar a viver na sua casa. Adriaan, assim se chama o homem, aos poucos deixa de lhe responder às mensagens, continua em Lisboa ao fim de meses e a intérprete vê-se em Haia, entre a solidão, a dúvida sobre a relação que vive e os relatos de atrocidades que traduz diariamente no seu emprego. “Intimidades” , assim se chama o livro, foi escrito pela norte-americana Katie Kitamura e lê-se como um thriller psicológico. Poliglota com raízes familiares em vários continentes, a intérprete vive entre o edifício do Tribunal, o apartamento do amante que partiu, e do qual nada sabe, e as conversas com uma amiga que testemunhou um acto de violência. A intérprete gosta do trabalho que faz, estabelece uma relação de proximidade com o Presidente que está a ser julgado enquanto traduz as intermináveis intervenções de advogados , do Procurador e de testemunhas. A qualidade do trabalho de tradução leva a que seja convidada a trabalhar permanentemente no Tribunal, um convite que ambicionava , mas que recusa porque não quer ficar amarrada a Haia. É nesse momento que descobre outro sentido para a sua vida e reencontra Adriaan. E acaba por ficar em Haia, não pelo trabalho, mas por ele. É, no fundo, uma curiosa história de amor nascido do conflito interior de uma pessoa.  O Washington Post sublinhou que ”a incongruência entre a vida doméstica e a vida profissional da narradora é o que faz com que o romance seja fascinante”. “Intimidades”, editado originalmente em 2021, foi lançado agora em Portugal pela Quetzal.

 

image.png

O PIANO -  Em 2016 Keith Jarrett fez a sua derradeira digressão europeia, dois anos antes de ter ficado impossibilitado de continuar a tocar devido a um problema de saúde que o deixou paralisado do lado esquerdo do corpo. Os seus concertos nessa digressão de Julho de 2016 fizeram história e as gravações então realizadas têm dado origem a alguns discos, como por exemplo os que registaram o concerto realizado em Munique ou um outro realizado em Budapeste. Agora ficou disponível mais uma dessas gravações, realizada  também em Julho, mas em Bordeaux. Todos os concertos desta digressão foram a solo e seguem uma mesma lógica de apresentação de uma peça dividida em diversas partes.  A gravação deste concerto em Bordéus tem 13 temas, que no fundo constituem uma peça única. As gravações dos concertos não são iguais, a improvisação é uma constante. No Bordeaux Concert alguns momentos fazem reviver a memória auditiva de passagens do histórico Koln Concert. O jornal Le Monde escreveu a propósito que a actuação de Keith Jarrett criou um ambiente que superou o ruído e a confusão que existe no mundo. Disponível em streaming.


A COMIDA - Foi por puro acaso que vi um post de um amigo no Facebook sobre um restaurante especializado em comida moçambicana, inevitavelmente com uma influência indiana. Tentado pela ideia de viver esses sabores lá fui eu direito ao  Oliveira’s Moçambique. Passemos ao que interessa: o acolhimento pelo Rui é sempre caloroso e na mesa estão uns paparis, que rapidamente recebem a companhia de umas estaladiças e muito honestas chamuças. Na lista há especialidades como o caril de caranguejo ou o caril de camarão com amendoim. No dia da visita o caranguejo tinha acabado mas experimentei o caril de camarão com amendoim, acompanhado com arroz de côco, e fiquei cliente. O outro lado da mesa rejubilou com os camarões fritos. Nas carnes há o célebre frango à moda da Zambézia e uns elogiados chacuti com frango e sarapatel - que aliás é a grande recomendação do meu amigo acima citado. O Oliveira’s é uma história familiar, que evoca memórias de Quelimane e receitas caseiras. A cerveja moçambicana é a magnífica 2M, a selecção musical é boa, a puxar até para um pé de dança, e ao fim de semana volta e meia há música ao vivo. Para sobremesa não percam a babinka, muito boa. O Oliveira’s Moçambique fica na Rua Dr. António Cândido 15, perto de S. Sebastião, telefone 213570159

 

DIXIT - “Temos gerações de técnicos, políticos, empresas do sector público e privado, que viveram, compraram casas, sustentaram as famílias, a fazerem estudos sobre o comboio e o aeroporto” - Inês Teotónio Pereira

 

BACK TO BASICS - “A ignorância é a noite do espírito, uma noite sem lua nem estrelas” - Confúcio

 



Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:00



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2023
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2022
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2021
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2020
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2019
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2018
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2017
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2016
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2015
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2014
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2013
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2012
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2011
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2010
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2009
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2008
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2007
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2006
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2005
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D
  248. 2004
  249. J
  250. F
  251. M
  252. A
  253. M
  254. J
  255. J
  256. A
  257. S
  258. O
  259. N
  260. D
  261. 2003
  262. J
  263. F
  264. M
  265. A
  266. M
  267. J
  268. J
  269. A
  270. S
  271. O
  272. N
  273. D