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GEPETTO, PINÓQUIO E O GRILO FALANTE  - A fábula de Pinóquio está cheia de ensinamentos políticos nestes tempos das fake news. Sonhei que Marcelo era o carpinteiro Gepetto, que Costa era Pinóquio e que o papel de Grilo falante estava reservado para José Magalhães. Cá para mim o Gepetto da actualidade portuguesa deixa Pinóquio à vontade nas suas brincadeiras: o Governo prometeu que os contribuintes não iriam pagar mais para salvar bancos e está-se a ver o que acontece; Pedro Marques, que era mesmo o maior descendente de  Pinóquio do Governo, foi mandado espalhar mentiras no território natural da ilusão que é a União Europeia; João Galamba, seu rival directo no campeonato dos jovens Pinóquios, já está num Ministério. E Costa superintende em tudo, sempre com transbordante imaginação e uma cativação orçamental na mão. Para a história ficar completa José de Magalhães, assume com galhardia o papel de Grilo falante. Magalhães descobriu que o maior perigo das campanhas eleitorais que se sucedem este ano reside no proliferar das fake news e propõe-se, no Parlamento,  tomar medidas para as combater. Aguardo ver como irá  ensinar Costa, Marques e Galamba a evitarem que os narizes lhes cresçam. Este Grilo vai ter muito que fazer com Pinóquios assim debaixo da sua alçada, à solta pelos ministérios e pela sua própria bancada parlamentar. É que, em matéria de fake news, o Governo não tem rival.

 

SEMANADA - No Porto há senhorios que pressionam os inquilinos, sobretudo os mais idosos, para abandonarem as suas casas, usando métodos que vão de ameaças até cortes de água; o juiz Neto de Moura anunciou ir processar os seus críticos aproveitando a isenção de taxas de justiça de que pode beneficiar; Tomás Correia pôs em acta que será o Montepio a pagar as multas que lhe foram aplicadas pelo Banco de Portugal, no valor de 1,25 milhões de euros; o Palácio Foz foi utilizado gratuitamente pela Secretaria Geral da Presidência do Conselho para uma festa de Carnaval onde colaboradores do Primeiro Ministro usaram disfarces - uma mascarou-se de Che Guevara e outro de Donald Trump; no ano passado o PIB cresceu 2,1% quando a estimativa do governo era 2,3%; em 2017 a produtividade caíu 0,2%; nos primeiros dois meses do ano foi apreendida quase tanta cocaína como no total do ano passado e Portugal está a tornar-se numa das portas de entrada da droga na Europa; os apoios dados pelo Estado aos bancos já atingem um montante de 1800 euros por cada português; a escola básica Patrício Prazeres, em Lisboa, tem 29% de alunos estrangeiros de 22 nacionalidades e há turmas onde são a maioria e os com melhores notas; um coronel que liderou os comandos na altura em que morreram dois instruendos, em 2017, é arguido por falsificação de provas relacionadas com o caso; até à data não houve ninguém a pedir apoio à linha de crédito criada pelo Governo para ajudar na limpeza de matas e o prazo termina no próximo dia 15.

 

PERGUNTAR NÃO OFENDE - Que terá acontecido na  vida do juiz Neto de Moura que o levou a fazer as considerações que fez e a tomar as decisões que tomou? Com que situações marcantes terá sido pessoalmente confrontado? Em que é que um trauma psicológico pode condicionar a decisão de um juiz?

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A PAIXÃO DAS VIAGENS - Tenho um fascínio por literatura de viagens e um dos livros que mais me marcou foi “O Grande Bazar Ferroviário”, de Paul Theroux, originalmente editado em 1975 e que, por cá, foi editado em 2008. A Quetzal, que já havia feito a primeira edição portuguesa, lançou agora uma nova colecção “Terra Incógnita” e escolheu reeditar a obra de Theroux. O formato é próximo do livro de bolso, bom para levar em viagem. O bom livro de viagens não é um roteiro turístico, esse é o princípio inspirador do escritor. Num segundo prefácio a esta sua obra,  publicado nesta edição, Theroux conta como o livro nasceu e demarca-se de uma escrita sobre férias e confortos, preferindo contar verdadeiras viagens e relatando o passar do tempo, incluindo os atrasos e os transtornos. O Grande Bazar Ferroviário, é o relato emocionante que Paul Theroux faz da sua viagem de comboio entre a Europa e a Ásia: “O livro de viagens em que estava vagamente a pensar tinha algo a ver com comboios, mas não fazia ideia de para onde queria ir - a minha ideia era simplesmente uma longa viagem solitária”. Partiu de Londres a 19 de setembro de 1973 e lá regressou quatro meses depois, tendo viajado no Expresso do Oriente, ido até Teerão, depois Deli, Kuala Lumpur ou o Transiberiano. Uma aventura que Theroux partilha, descrevendo lugares, culturas e as pessoas que conheceu ao longo dos milhares de quilómetros que percorreu. Como diz Francisco José Viegas na introdução a esta nova edição, “num mundo assim, como ele está, os livros de Theroux continuam a expor o mistério prodigioso de conhecer os outros”.

 

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O OLHAR DE LUÍSA - Uma das pessoas que melhor tem fotografado os protagonistas das noites lisboetas, nas mais diversas áreas, ao longo das últimas décadas, é Luísa Ferreira. O seu trabalho no entanto vai muito para além disto - como se viu recentemente na Galeria Monumental com a exposição “Branco” ou, noutro género, em “Há Quanto Tempo Trabalha Aqui?”, sobre lojas históricas de Lisboa. Mas voltando às pessoas e às noites, Luísa Ferreira tem sido sempre uma persistente observadora de quem foi passando em casas como o Frágil e o Lux, com o acesso que Manuel Reis lhe proporcionou e que ela soube sempre respeitar e enquadrar - são imagens que retratam o espírito do tempo e as mudanças que o mesmo tempo provoca. Desta vez  Luísa Ferreira veio mostrar como olha para quem habita os palcos e, para assinalar o aniversário do Teatro do Bairro (Rua Luz Soriano 63), montou uma mostra de imagens que fez ao longo dos anos e que animaram a festa do referido aniversário. mas vão poder ser vistas por todos quantos a partir de dia 20 lá forem ver a nova produção da companhia, “Terror E Miséria no III Reich”, de Bertolt Brecht, que estreia no próximo dia 20 - uma escolha aliás oportuna para os tempos que correm. As imagens da Luisa Ferreira que encontrarão nas paredes do Teatro do Bairro integraram a exposição “Ouro Azul”, que Luisa Ferreira teve em 1996 na Mitra e também uma outra que mostrou no Teatro Viriato, em Viseu, em 2002 e incluem um conjunto de provas de contacto de trabalhos que fez à volta do teatro e da noite onde ele se desenha.

 

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O NOVO PIMBA- Nunca fui fã do Festival da Eurovisão e não sou dos que acham que aquilo é coisa que valha a pena. Sou mais do que acham que aquilo tudo é uma foleirice que raras vezes adiantou alguma coisa à música e deixou sons que perdurassem. Também não embandeirei em arco com a cosmética aplicada ao Festival RTP da Canção há uns anos e dedico-lhe pensamentos idênticos aos que acima escrevi sobre a Eurovisão. No caso português reconheço alguns méritos, sobretudo a Simone de Oliveira há uns anos largos e a Salvador Sobral há pouco tempo. Na generalidade, nestes certames, pratica-se má música, péssima música pop sem imaginação e cheia de pastiches. Este ano já percebi que existe alguma emoção em torno de Conan Osiris e pessoas que estimo até o acham semelhante a António Variações. Para mim este novo cançonetista é o contrário do que Variações foi: é um amalgamado de cópias provenientes de diversas origens, é uma construção plastificada, é uma demonstração de falta de talento e de originalidade construída sobre um cenário falso. Fala-se muito de fake news - Conan Osiris é fake music making fake news, uma espécie de banda sonora da mentira. E é a prova de que na vida tudo se transforma - o pimba também.  

 

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O OLHAR DE ÁFRICA - Uma das melhores exposições que podem ser vistas em Lisboa está na Galeria Underdogs (Rua Fernando Palha, Armazém 56, em Marvila). “Nha Fala” é o título da exposição que integra 19 marcantes fotografias do guineense Abdel Queta Tavares - onde a influência de nomes incontornáveis da fotografia africana como Seydou Keita ou Malick Sidibé são notórias.  “Nha Fala” significa “Minha Voz” em crioulo - e neste caso significa a forma como Abdel Queta Tavares encena o que vê, interpretando personagens e tornando o vulgar em único e indo além das influências onde se poderá ter inspirado. Os preços das obras expostas variam entre os 600 e os 5000 euros. Outras sugestões: no Pavilhão 31, localizado no parque da saúde que funciona onde era o Hospital Júlio de Matos, vive um espaço que concilia a mostra de obras de artistas consagrados, com aulas de artes plásticas aos utentes do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. “Arte de Furtar/ Furto na Arte” inclui obras de Ana Pérez Quiroga, João Louro, José Luis Neto, José Maçãs de Carvalho, Claudia Fischer, Pedro Cabral Santo e Sara e André, entre outros. Na Pequena Galeria (Avenida 24 de Julho 4C) Pauliana Valente Pimentel mostra “A Vida É Feita de Likes”, um mero registo do seu quotidiano pessoal feito em instagram.

 

DIXIT - “Ele tinha imensas namoradas” - Fernanda Tadeu, mulher de António Costa, falando sobre ele, enquanto o marido cozinhava cataplana de peixe no programa de Cristina Ferreira.

 

BACK TO BASICS - Nunca confio numa pessoa por aquilo que ela proclama, mas sim pelos actos que pratica - Ann Radcliffe

 




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