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CONSEGUIRÁ COSTA SER UM REFORMISTA? - Das duas uma: ou o próximo Governo fica sentado num banco de jardim a ver para onde sopra o vento, e vai navegando à bolina dos acontecimentos, como aconteceu nestes anos de pandemia, ou então traça um plano, vê o que é preciso fazer para tirar o país praticamente da cauda da Europa  e mete mãos à obra. Na situação conturbada em que vivemos, em termos europeus e mundiais, o bom senso aconselha estabilidade, mas recomenda também que se tomem medidas para evitar a degradação da crise económica, ainda para mais num cenário de inflação. Neste momento, e por mais uns largos meses, a oposição está de baixa. A verdade é que completaremos 48 anos sobre o 25 de Abril de 1974 com o principal partido da oposição paralisado, com uma reconfiguração da composição parlamentar que tirou o CDS da Assembleia da República e reduziu em muito a presença do PCP e do Bloco de Esquerda. Há um ano ninguém se atreveria a adivinhar o que agora se passa. A situação coloca responsabilidades a quem tem de formar Governo e a quem aceitar integrá-lo. Não vale a pena olhar para erros recentes de vários governantes, o essencial é que a situação saída das mais recentes eleições legislativas, com uma maioria absoluta do PS, permite fazer reformas importantes, se para isso existir vontade e empenho. Não vai ser por culpa de nenhuma oposição que elas não se farão. Se daqui a quatro anos as coisas estiverem piores e não se tiver mudado nada de fundamental, se os nossos indicadores comparativos com o resto da União Europeia não derem sinais de melhoria, então é porque o Governo falhou, o PS foi incapaz de aproveitar a sua maioria absoluta e o país ficou, mais uma vez adiado. À hora a que escrevo não se conhece a composição do novo governo. Cada um dos seus membros terá uma responsabilidade pesada. É um desafio, mas também pode ser uma oportunidade.

 

SEMANADA - A PSP detectou no ano passado 42 mil veículos a circular sem a inspecção periódica obrigatória, o dobro do que foi verificado no ano anterior: o valor dos empréstimos concedidos pelos bancos a particulares cresceu, no espaço de um ano, cerca de cinco mil milhões de euros, o equivalente à média diária de 14 milhões de euros;  o total da dívida à Banca por parte das famílias e empresários em nome individual atingiu em janeiro deste ano mais de 148 mil milhões de euros; a totalidade dos empréstimos a particulares acumulados em janeiro de 2022 corresponde ao montante mais elevado nos últimos oito anos; os empréstimos destinados à compra de casa são responsáveis pela principal fatia do crédito bancário concedido às famílias;  segundo um estudo da Marktest no ano de 2021 cerca de 1,2 milhões de portugueses acederam mensalmente a sites de imobiliário; as exportações de cannabis cresceram 600% em 2021; devido à falta de verba para comprar consumíveis, os tribunais portugueses receberam instruções para racionarem papel e usarem mais documentos electrónicos, mas a lentidão da ligação à internet em muitos tribunais impossibilita que isso aconteça; o Tribunal de Contas considerou que não é controlada a forma como os financiamentos das autarquias às corporações de bombeiros são gastos; segundo a ONU cada pessoa precisa de 110 litros de água por dia para as suas necessidades básicas e em Portugal cada habitante gasta em média 190 litros de água por dia. 

 

O ARCO DA VELHA - Uma unidade de cuidados paliativos , em Leiria, inaugurada em 2021, já tem problemas de funcionamento por falta de pessoal.

 

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MUITO QUE VER - Na Galeria 111 (Rua Dr. João Soares 5b), até 21 de Maio, quatro artistas expõem obras em diferentes suportes. Rui Chafes apresenta trabalhos em ferro, como esta “Lição de História” reproduzida na foto, enquanto Pedro Paixão mostra desenhos a grafite e lápis de cor sobre papel, Rui Moreira apresenta obras em papel com guache e tinta sobre papel e Alexandre Conefrey, que comissaria a exposição, tem obras a pastel seco sobre papel. Na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, até 2 de Outubro, está uma exposição que apresenta 29 trabalhos de Menez, feitos ao longo de 40 anos. Além da pintura, que é o seu lado mais conhecido, estão expostos um objecto tridimensional, uma tapeçaria e um painel de azulejo. Na Galeria Vera Cortês (Rua João Saraiva 16-1º) Céline Condorelli apresenta até 7 de Maio “Diversions” uma exposição sobre a segregação e a posterior integração da mulher em alguns desportos. Outras sugestões: na Galeria Francisco Fino está a segunda exposição individual de Diogo Evangelista “Campos Magnéticos”; na Galeria Carlos Carvalho abriu a exposição”Seres Imaginários” de Carla Cabanas,; na Galeria Bruno Múrias “A Gravidade E a Graça” é a proposta apresentada por Isabel Simões. E no Centro de Artes Visuais (Coimbra) CAV, duas novas exposições do ciclo “Museu das Obsessões”, concebido e programado por Ana Anacleto, com “For the eyes that never blink ” de Christian Andersson e “Ensaio sobre a Gordura” de Ana de Almeida.

 

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UMA LEITURA RUSSA - Uma edição demora sempre algum tempo a ser preparada. Por isso, esta nova edição de “Um Dia na Vida de Ivan Deníssovitch”, um dos clássicos de Aleksander Soljenítsin, estava a ser preparada muito antes da invasão russa da Ucrânia. É aquilo a que se pode chamar uma oportuna edição. O livro relata o que era a vida na União Soviética sob Stalin, percorrendo as experiências da jornada de um prisioneiro num gulag no Cazaquistão. A obra, que ganha agora nova relevância à luz dos actos de Putin, foi expressamente citada pela Academia Sueca no momento da atribuição do Prémio Nobel de Literatura a Aleksandr Soljenítsin. Recordo que este foi o primeiro romance publicado na União Soviética revelando a vida nos campos de trabalho dos prisioneiros políticos e a repressão estalinista. Editado originalmente em 1962, com largos excertos censurados, o livro foi escrito durante um período de trabalhos forçados de Soljenítsin no inverno de 1950-1951, e terminado em 1959. A primeira edição não censurada data de 1973, nela se encontrando em todo o seu esplendor a desventura do protagonista, cuja figura foi inspirada no soldado Chúkhov, um companheiro de combate do autor na guerra soviético-alemã. Todas as outras personagens são reais, recolhidas da vida no campo, e as suas biografias são autênticas. É de uma leitura apaixonante, e muito educativa, nos dias que correm. Aleksander Soljenítsin nasceu em 1918, combateu na Segunda Guerra Mundial e esteve preso e internado em campos de trabalho forçado de 1945 a 1953. Recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1970 e foi expulso da União Soviética em 1974, pouco depois da publicação de “O Arquipélago Gulag”.

 

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O PODER DO FADO -  Aldina Duarte é uma voz sem época, o seu talento ultrapassa os tempos, as modas, as novidades. Talvez por isso “Tudo Recomeça”, o seu novo álbum, é um disco de memórias onde a única novidade é a mais rara: descobrir-se ainda mais o sentimento de quem canta assim. Como se pode resistir à voz de Aldina a cantar “Sem Cal Nem Lei” de Maria do Rosário Pedreira, “Uma Outra Nuvem” de José Mário Branco,”Antes de Quê” de Manuela de Freitas ou “Cachecol de Fadista” de João Monge? O único fado novo na sua voz, dos 12 que estão neste disco, é um que Manel Cruz fez propositadamente para Aldina - “Ela”. Por acaso este fado complementa-se com o “Auto-Retrato”, escrito também para Aldina por João Ferreira Rosa. Aldina Duarte tem um canto desprendido, uma coisa que só conseguem os que têm o talento natural das grandes vozes do Fado. Não faz trinados, não complica, antes pelo contrário simplifica e concentra-se nas palavras. Por isso é tão bom ouvi-la - porque sentimos o que ela diz e como o faz. O disco tem fados compostos por nomes como Carlos da Maia, Armando Machado, Alfredo Duarte ou Francisco Viana, entre outros. Na guitarra Paulo Parreira e na viola Rogério Ferreira souberam ser criativos, mas rigorosos, deixando o primeiro plano para a voz, mérito também de Joaquim Monte, que gravou e co-produziu o disco. O disco termina com uma homenagem da voz a quem lhe fornece a paisagem por onde canta: quatro minutos de uma guitarrada, “Improviso em Ré” onde se percebe bem o talento e cumplicidade entre Paulo Parreira e Rogério Ferreira. A capa, que não passa despercebida, transmite a emoção e o calor destes fados e é da autoria de Pedro Cabrita Reis.

 

NA CHAMA E NO FORNO - Um dos meus instrumentos de cozinha preferidos é uma frigideira de ferro fundido, já com uns anos, que vai à chama e ao forno com tudo e mais alguma coisa lá dentro. É de uma das marcas tradicionais destes utensílios, a norte-americana Lodge. Com 26 cm de diâmetro está à venda na Amazon Espanha por 45 euros e dura uma vida. Aviso já que é pesada e tem uma qualidade única: distribui o calor de forma uniforme - fica a escaldar, a pega é também de ferro fundido, há que ter cuidado ao manuseá-la. Mas o resultado é fantástico. Torna-se muito útil quando se quer por exemplo cozinhar alguma coisa que tem de ser começada na chama, sobre o fogão, para depois passar ao forno, destapada. Ou então para coisas tão simples como um dos petiscos que fiz esta semana: alcachofras assadas no forno, bem tostadas. Como o calor na base da Lodge é intenso, ao colocar no forno os alimentos eles ficam tostados a gosto por cima e por baixo - foi o que aconteceu a estas alcachofras que foram um óptimo acompanhamento de um atum braseado. Outra boa utilidade das frigideiras de ferro fundido é cozinhar frango assado. Por exemplo, experimente pernas de frango temperadas com uma mistura de mel, mostarda, sal, pimenta e vinagre balsâmico. Primeiro cozinham-se, na frigideira com um pouco de azeite durante uns minutos em chama alta de um lado e outro e depois levam-se ao forno já aquecido. Pelo meio das pernas de frango coloque umas batatas cortadas aos pedaços, salpicadas com rosmaninho, sal e pimenta e deite um fio de azeite por cima. Deixe assar durante uns 25 minutos. Experimente que não se vai arrepender….

 

DIXIT -  “ A comunicação social, principalmente a televisão, comunica facilmente a emoção e com 24 horas em cima, com uma repetição sistemática de imagens fortes, esmaga a razão” - José Pacheco Pereira

 

BACK TO BASICS - “Em política o absurdo não é um defeito” - Napoleão Bonaparte.

 





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publicado às 11:00


1 comentário

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De Mosaicos em Português a 25.03.2022 às 13:50

Traçar um plano? Mas, quem? Para planear, é necessário saber. Para governar, é necessário saber gerir.
Ora, os mais 'destacados' membros desta potencialmente perdedora equipa parecem outra coisa não ter feito na vida, além de aprender a arte da politiquice, tema que, em https://mosaicosemportugues.blogspot.com/2022/03/o-impeto-reformador-do-pentavirato.html, há dias desenvolvi.
Não creio, porém, que a maioria absoluta dada nas urnas seja a principal culpada: com ou sem oposição de jeito, o atual e futuro Selecionador já deu mostras mais do que eloquentes e suficientes de notória incapacidade para, de forma consistente, recrutar um conjunto capaz de se 'entrosar', de se articular em torno do objetivo comum do bem público, esquecendo, completamente, as lutas intestinas no eterno Partido pela sucessão.
'Cada um por si e todos nós por eles todos' parece ser o mote, o lastimável refrão.

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