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GOVERNO COM FALTA DE SAÚDE

por falcao, em 02.09.22

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A DOENÇA DA SAÚDE - Quem pensar que é o Ministério da Saúde quem manda no SNS está muito enganado. Quem manda é o Ministério das Finanças, de braço dado com o Primeiro-Ministro, aliás como em muitos outros sectores. O grande problema do SNS vem da falta de condições para médicos e enfermeiros, vem da dificuldade em fazer novas admissões, em preencher os quadros, em pagar condignamente às pessoas e em ter equipas em número suficiente. Quem está a dar cabo do SNS é quem está sentado no Terreiro do Paço, a conversar com S. Bento -  quem está sentado no Ministério da Saúde apenas faz figura de corpo presente e não consegue ter autonomia para nada. Quando uma Ministra emite um comunicado a demitir-se de madrugada, e o Primeiro Ministro só se pronuncia sobre o sucedido muitas horas depois, torna-se evidente que  alguma coisa não está a correr bem para os lados do Governo. Com nem sequer meia dúzia de meses de vida, esta maioria absoluta mostrou mais um sinal de desorganização, cansaço, problemas de comunicação. O que levou Marta Temido a demitir-se é a falta de condições para conseguir reformar o funcionamento do sector e, como se tem visto, este é o problema central do Governo: não consegue reformar o funcionamento do que está mal. Em Janeiro de 2015, antes de chegar ao Governo, António Costa acusou o PSD de ter rompido com o estado social e permitido o caos nas urgências hospitalares. Mais de sete anos depois vê-se o efeito da governação do PS: agravou ainda mais os indicadores do Serviço Nacional de Saúde. Costa diz que quer  “prosseguir as reformas em curso tendo em vista fortalecer o SNS” mas os seus anos de governo demonstram o contrário. 

 

SEMANADA - Segundo a  Direção-Geral de Orçamento até Julho o Estado amealhou 28.156,1 milhões de euros em receita fiscal, quase mais 5 mil milhões de euros do que no mesmo período do ano passado; a inflação em Agosto foi de 9%; a taxa de referência para a atualização das rendas em 2023 já está nos 5,43%; a Pordata recordou que, com a inflação neste nivel, quem recebe um salário de mil euros tem um poder de compra de apenas 910€; 90% dos terrenos rurais das regiões norte e centro não estão cadastrados; o Presidente da Liga de Bombeiros criticou a forma como foi combatido o incêndio na Serra da Estrela e afirmou que houve grupos de bombeiros que estiverem 12 horas sem missão atribuída; a quantidade de lixo recolhido por dia em Lisboa tem vindo a aumentar a atinge já as 990 toneladas; em 2021 os partidos declaram ter 532 funcionários no total e os seus gastos com pessoal foram de cerca de oito milhões de euros; o PCP é o partido com maior número de funcionários, mais de 300, o PS tem 110 e o PSD declarou 70; o Bloco despediu metade dos que tinha antes da derrocada eleitoral que sofreu; o número de motoristas TVDE activos durante este verão aumentou 30% em relação ao início do ano; segundo a Pordata Portugal é o 2º país da União Europeia com o índice de envelhecimento dos professores dos ensinos básico e secundário mais elevado; Portugal é o 21º país da UE em termos de PIB per capita da União Europeia, mas em 2000 estava no 15º lugar; em 2021 as autoridades policiais registaram cerca de 300 mil crimes, 31 mil dos quais identificados como violência doméstica e 82 crimes de homicídio.

 

O ARCO DA VELHA - O Instituto Nacional de Estatística (INE) e o regulador da energia têm leituras distintas sobre a evolução dos preços da electricidade, em Julho: o INE identificou um aumento de 10,3%, a ERSE diz que os tarifários baixaram.

 

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IDEIAS VISUAIS - Até 10 de Setembro ainda pode ver na Galeria Vera Cortês a mais recente exposição de João Louro, “Thylacinus Cynocephalus”, que agrupa um conjunto de obras recentes do artista, abrindo novos caminhos na sua abordagem pessoal da pintura (na imagem). João Louro nasceu em Lisboa em 1963, onde vive e trabalha. Estudou arquitetura na Faculdade de Arquitetura de Lisboa e Pintura na Escola Ar.Co. O seu trabalho engloba pintura, escultura, fotografia e vídeo. Foi o representante de Portugal na Bienal de Veneza de 2015, com a exposição “I Will Be Your Mirror | Poems and Problems”. Na folha de sala desta exposição Joshua Dekter, um historiador de arte, sublinha: “O trabalho de João Louro, e as muitas formas que pode tomar – pinturas, esculturas, instalações, objetos, livros –, está impregnado de ideias e referências da história da arte, do cinema, da literatura, da filosofia, da linguística, da política, e da ciência. Louro aborda a arte como uma plataforma através da qual é possível explorar aquilo que existe para além do universo da arte. Desta maneira, ele participa numa longa tradição de artistas que procuraram reinventar a linguagem das artes visuais minando outras disciplinas culturais.” . Outra sugestão: no espaço Fidelidade Arte, no Chiado, está patente até 16 de Setembro a exposição “Limiar da Trilogia - Ato 3”, com trabalhos em vídeo, instalação e desenho de Joana Ramalho, Filipe Cerqueira e Zé dos Castelos. A exposição está centrada na ideia de Limiar: o limiar social, o limiar criativo, o limiar da percepção humana, todos eles presentes na relação do indivíduo consigo mesmo ou com o outro. A curadoria de “Limiar da Trilogia” é do Manicómio, um espaço de criação e galeria de Arte em Portugal dedicada exclusivamente a artistas que experienciam ou já experienciaram doença mental. 

 

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A HISTÓRIA DE UM RAPAZ SONHADOR - Carlos Alberto Gomes Monteiro é mais conhecido pelo nome de Carlos Tê, com que assinou grande parte das letras das melhores canções de Rui Veloso. Na época, início dos anos 80,  conseguiu introduzir o relato do quotidiano e o retrato de uma época na música popular portuguesa - e isso não é coisa pouca. Escreveu para muitos outros artistas, assinou colunas em jornais, escreveu uma peça de teatro, romances e contos. E agora volta de novo ao romance com “Arquibaldo”, Carlos Tê fala sobre uma sociedade apressada, sem memória, num livro em que sublinha precisamente a necessidade de lembrar e recordar. Depois de em 1999 ter lançado “O Vôo Melancólico do Melro” Carlos Tê dá a conhecer nestas páginas um protagonista, Francisco Frade,  que é uma mistura de «cavalheiro e impostor», cujos sonhos eram escrever banda desenhada e tocar saxofone, mas que acabou por ser tornar assistente social. Francisco Frade trabalha então como assistente social em bairros difíceis, na periferia do Porto. Rodeado de pessoas com quem trabalha e de mulheres com quem fugazmente se relaciona, ele sente abrir-se aquilo que o próprio designa buraco da realidade que, pouco a pouco, o vai consumindo. Enquanto o seu alter ego Arquibaldo – um super-herói da infância – se mantém à espreita, os fantasmas que o perseguem não lhe dão descanso. Arquibaldo tem existência numa realidade paralela e Francisco Frade, acossado, faz uma peregrinação interior que o levará às suas raízes, em busca das respostas que não encontra no seu dia-a-dia. É uma personagem - e uma história - que parece saída de uma das suas canções. No fim, Frade  conclui a páginas tantas, que  «confundir as coisas é o maior problema do nosso tempo». Edição Porto Editora.

 

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JAZZ EM QUARTETO - Julia Hulsmann é uma pianista de jazz alemã muito marcada por uma adolescência a ouvir música pop e a ler poesia. A pop abriu-lhe o caminho para descobrir o jazz e depressa começou a tocar o que ouvia nos discos de Chick Corea, Bill Evans e muitos outros. Estudou piano e começou a compôr, fortemente inspirada pela poesia que foi lendo - a influência da poesia e da literatura nas suas composições é uma característica que é sempre ressaltada por quem analisa a sua obra. A gravar para a ECM, Julia Hulsmann lançou agora “The Next Door”, em que surge com o mesmo quarteto que já gravara, em 2019, “Not Far From Here”, e que além da pianista inclui o saxofonista Uli Kempendorff, Marc Muellbauer no baixo e Heinrich Köbberling na bateria. Os temas são quase todos originais, compostos por Julia Hulsmann e pelos seus companheiros de quarteto. A excepção é uma versão arrebatadora de um tema de Prince, “Sometimes It Snows In April”. Este álbum é demonstrativo da influência que o jazz dos anos 60 continua a exercer nestes músicos, dando-lhes terreno para uma grande unidade musical, ao mesmo tempo que possibilita solos onde o talento de cada um encontra expressão. E assim este quarteto é uma das melhores formações actuais do jazz europeu.


TAPEAR - Uma semana por terras da Andaluzia resulta em boas experiências gastronómicas, desde os sítios mais simples até aos restaurantes mais elaborados. Em todos encontrei sorrisos, casas cheias e animadas, na maioria por espanhóis, boa confecção, bom serviço e preço que não é muito diferente do que encontramos em Portugal. Os destaques vão para as mil formas de tratar a beringela, desde cortada em finos troços bem fritos, às supremas berenjenas califales, provadas em Córdoba, pedaços largos cobertos de delicada polme com uma redução de vinho doce de Pedro Ximénez e sementes de sésamo. Em Málaga  descobri ricas saladas russas bem diferentes das portuguesas, mais ricas, com menos batatas, mais legumes abundantes pedaços de gambas e os incontornáveis pimentos. Mas também reinvenções de tapas com coisas tão simples como lombos de sardinha fumada sobre um pão tostado barrado a tomate, filetes de biquerones anchovados saborosíssimos,  uma salada de vieiras e lagostins salpicada de caju ou almôndegas de rabo de boi guisadas e, por todo o lado, deliciosos croquetes de presunto para entreter  a fome no início da jornada. Na memória ficou-me também a simplicidade de cogumelos (setas) grelhados, servidos com pedaço de excelente presunto cortado fino e pimentos padrón. E sempre, ao chegar á mesa, as azeitonas - que boas e bem temperadas…

 

DIXIT - "Gorbachev foi um dos principais responsáveis pela destruição da União Soviética e a restauração do capitalismo na Rússia, quando o que se impunha era o aperfeiçoamento do socialismo" - comunicado do PCP sobre a morte do ex-líder soviético.

 

BACK TO BASICS - “Há quem acredite que a parte mais difícil desta profissão é derrotar a página em branco, quando o que aterroriza é defender a página escrita contra quem quer apagá-la” - Sergio del Molino no El País

 




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