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ADORMECIDO - Em Portugal há dois mundos: o das pessoas e o dos políticos e dos partidos. As pessoas são destratadas pelo Estado; os políticos e os partidos comportam-se acima da Lei e fazem o que bem lhes apetece. Vejam bem: vá-se lá saber a rogo de quem, o Tribunal Constitucional deixou prescrever processos contra irregularidades nas contas de partidos, na Assembleia da República um ex-ministro do PS, Manuel Pinho,  comportou-se de forma “despudoradamente anormal”, para citar as palavras da também socialista Ana Gomes. Já nem falo das gentilezas do fisco em relação aos partidos... É raro o dia em que os jornais não relatam novos casos de corrupções maiores ou menores, de suspeitas que envolvem os dois maiores partidos portugueses. No Parlamento os votos dos deputados oscilam como um pêndulo avariado e já não se consegue perceber quem defende o quê. O espectro partidário actual está esgotado - a continuar assim a abstenção só vai aumentar. Nada de novo se desenha no horizonte - apenas umas vagas imitações de réplicas do sebastianismo ou de, como ouvi dizer esta semana, políticos que parecem Paul McCartney a querer manter a fama fora de prazo. Ouço falar de regressos, mas não vislumbro novidades. O país está conformado, adormecido, anestesiado. Isto assim não vai lá: falta uma visão ambiciosa e realista, falta capacidade de mobilizar pessoas que estão fugidas da participação cívica, falta voltar a trazer emoção à política. O pior é que não se vê quem possa fazer isto.

 

SEMANADA - Segundo um estudo da Universidade de Coimbra a população idosa portuguesa tem baixos níveis de saúde, em comparação com a de outros países europeus; as refeições escolares servidas aos alunos, este ano letivo, motivaram 854 queixas, sendo as principais causas de reclamação a qualidade e quantidade dos alimentos e a falta de pessoal; mais de 300 mil portugueses têm autorização para ter armas em casa; o Ministro da Defesa foi ao Parlamento dizer que não sabia o que se passava com o armamento desaparecido em Tancos e disse desconhecer o que falta recuperar; PCP, Bloco e PS votaram contra a descida do preço dos combustíveis; Clemente Pedro  Nunes, professor do Instituto Superior Técnico, afirmou na comissão parlamentar de economia que as tarifas de apoio específico às renováveis lançadas nos governos de Guterres e Sócrates foram a “subversão do sistema” que levou ao disparar dos preços da electricidade; segundo a Marktest, no primeiro semestre de 2018, Marcelo Rebelo de Sousa foi a personalidade que mais tempo de informação protagonizou nos noticiários dos principais canais de televisão, tendo intervido em 946 notícias de 40 horas e 15 minutos, enquanto António Costa totalizou 39 horas e 10 minutos e Rui Rio ficou na terceira posição com 19 horas e 22 minutos de cobertura televisiva.

 

ARCO DA VELHA -  O Tribunal Constitucional deixou prescrever as multas que devia aplicar a partidos políticos, estimadas em 400 mil euros, referentes a irregularidades nas contas de 2009 dos partidos e assim ilibou 24 dirigentes partidários com responsabilidade financeiras.

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FOLHEAR - O Fogo é o tema central da nova edição da revista Egoísta, agora distribuída. No editorial Mário Assis Ferreira, depois de evocar a tragédia dos incêndios, recentra a questão, sublinhando que “no domínio das ignições existe um outro fogo, esse sem labaredas visíveis, tal como o cinta Camões: o amor é um fogo que arde sem se ver”. O grafismo de Joana Miguéis é logo, desde as primeiras páginas, absolutamente deslumbrante. Nesta edição destaco as ilustrações de Rodrigo Saias para um texto de Stieg Larsson adaptado por Patrícia Reis, e também os textos “Não Há Inferno” de José Eduardo Agualusa e “Cinza Que Arde Sem Se Ver” de Alexandra Lucas Coelho. O ensaio “Política a Ferro e Fogo” de Filipe Santos Costa, com fotografia de Alfredo Cunha, é uma visão diferente e inesperada de episódios e protagonistas do Portugal pós 25 de Abril. Mas o ponto alto desta edição é um texto extraordinário de Paulo Moura, que evoca os dias de 15 a 18 de Junho do ano passado, quando decorreram os grandes incêndios, um texto centrado nas vidas e esperanças de alguns dos que morreram e de outros que sobreviveram em três casas da aldeia de Pobrais - acompanhado por fotografias de João Porfírio trazem de regresso à memória esses dias terríveis.

 

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VER - A exposição 289, que abriu sábado passado em Faro, foi pensada por Pedro Cabrita Reis para juntar artistas, cruzando várias gerações e experiências. Ao todo são oito dezenas de artistas - uns estiveram presentes no projecto @British Bar, que decorreu desde Abril de 2017, nas 3 montras do British Bar, em Lisboa, por iniciativa também de Pedro Cabrita Reis e os outros integram os artistas e outros convidados do colectivo algarvio 289, em cujas instalações decorre a exposição. A todos juntaram-se ainda artistas que Cabrita Reis foi convidando ao longo do processo. Desde Abril passado começaram a ser feitos convites, começou a desenhar-se a exposição e, nas últimas semanas começaram a chegar as obras e os seus autores para acompanhar a montagem. O local da Associação 289 é uma antiga quinta, que durante uns anos serviu de sede à Associação de Comandos, que entretanto a desocupou. O sítio chama-se Pontes de Marchil e é aí que estão ateliers de artistas que integram esta associação cultural 289. Até 15b de Setembro, de quarta a domingo, entre as 17 e as 21 horas podem ser vistos trabalhos de Cristina Ataíde, Manuel Baptista, Xana, Pedro Calapez, Rui Chafes, Ângela Ferreira, Alexandra C., Rui Sanches, Patrícia Garrido, Vasco Futscher, Maria José Oliveira, Miguel Palma, Julião Sarmento, Ana Vidigal e Luis Campos, para só citar alguns. Esta exposição - um evento único na paisagem algarvia deste verão - é um exemplo de vontade, de querer fazer a diferença utilizando o empenho e a imaginação - e tudo gravitou em torno da energia com que Pedro Cabrita Reis se tem dedicado a desenhar projectos que são montras de divulgação de artistas de muitas proveniências.

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OUVIR - Um novo triplo CD, “Amália É Ou Não É” recolhe quase sete dezenas de canções e fados de Amália Rodrigues, em grande parte originalmente editados como EP’s de 45 rotações entre 1968 e 1975. Destes, 13 são versões inéditas de temas como ”Lá Na Minha Aldeia” a “A Rita Yé Yé”, passando por “Oiça Lá ó Senhor Vinho”, “O Cochicho” ou “Lavadeiras de Caneças”. Existe ainda um inédito, “Raminho de Loureiro” e quatro registos até aqui n\ao editados, gravados ao vivo em 1969, nos claustros do Mosteiro dos Jerónimos: “Havemos de Ir A Viana”, “Povo Que Lavas No Rio”, “Formiga Bossa Nova” e “Vou Dar de Beber à Dor”. Este triplo CD é um exemplo da versatilidade e da capacidade interpretativa de Amália Rodrigues e também da diversidade dos géneros que abordou. Na nota introdutória, Frederico Santiago, que coordenou esta edição e que se tem dedicado a recuperar o arquivo de gravações de Amália na Valentim de Carvalho, sublinha: “Em 1968, com o êxito extraordinário de “Vou dar de beber à Dor”, de Alberto Janes, eclodem no repertório algumas cantigas, por alguns ditas “folcloristas” ou de natureza brejeira, mas que na voz de Amália, sempre segura da sua matriz popular e do seu erudito fraseado musical, nunca caem na vulgaridade”. O livro que acompanha o triplo álbum enumera os 45 RPM editados de 1968 a 1975, mostra fotografias da época (várias de Augusto Cabrita), evoca a relação de trabalho entre Amália e Alberto Janes (que conheceu quando ele lhe veio mostrar o fado “Foi Deus”), mas também o trabalho desenvolvido com Nóbrega e Sousa e Arlindo de Carvalho.

 

PROVAR -  O hábito de pedir um cocktail num bar ainda não é uma coisa vulgarizada entre nós, com o mercado dominado pelo Gin tónico. Constança Cordeiro, que aprendeu a arte do cocktail em Londres, apostou que conseguia mudar a falta de hábito com a “Toca da Raposa”, que criou há menos de um mês, entre o Carmo e o Chiado, perto das Escadinhas do Duque. Depois de ter regressado de Londres, andou meses a pesquisar ervas aromáticas a plantas nos campos alentejanos e criou as suas próprias receitas que geraram uma dezena de cocktails que estão na sua carta, todos a 11 euros, todos com o nome de bichos. O espaço pode acolher cerca de 30 pessoas - algumas em mesas, cadeiras e sofás e o resto, uma dúzia de convivas,  à volta de um grande balcão quadrado de bom mármore português. Nas receitas da Toca da Raposa entram ingredientes como o azeite, a meloa ou a flor do eucalipto. Além dos cocktails há alguns snacks ligeiros, de base vegetariana, criados por  António Galapito, o chef do Prado, com quem Constança Cordeiro trabalhou em Londres: grão frito com especiarias, vegetais da época crus com maionese de ervas, salada de pickles caseiros e piri piri e tosta de rabanetes com queijo da ilha de São Jorge com cura de 24 meses. A acompanhar precisamente uma destas tostas provei a sardinha, um cocktail de tequilla, manjericão, limão e cerveja, ideal para os dias mais quentes e, a conselho de Constança, rematei com um lobo - que leva whisky de 12 anos, flor de eucalipto e meloa. A Toca da Raposa fica na   Rua da Condessa 45 e está aberto de terça a domingo das 18.00 às 02.00.

 

DIXIT - “Estamos abaixo da linha de água há anos, é muito desmoralizante” - António Filipe Pimentel, director do Museu Nacional de Arte Antiga

 

GOSTO - Está em curso um plano para a valorização do carapau, como alternativa à sardinha.

 

NÃO GOSTO - O Museu Nacional de Arte Antiga funciona há anos com um terço dos vigilantes necessários, o que leva a encerrar ao público várias salas de exposição.

 

BACK TO BASICS - Para prevermos o que será a actuação futura das pessoas devemos assumir que tentarão sempre escapar-se a situações desagradáveis utilizado o menos possível a inteligência - Friedrich Nietzsche

 

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