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A INJUSTIÇA - O Presidente da República tomou esta semana uma forte posição denunciando a lentidão da Justiça: “Se renunciarmos a uma Justiça em tempo, renunciamos ao Estado de direito”. Marcelo falava sobretudo dos crimes de corrupção e de colarinho branco, nas relações entre a economia e a política. Mas a lentidão na justiça, que atinge toda a sociedade, tem um lado ainda mais perverso quando envolve os direitos dos cidadãos face ao abuso de autoridade do Estado. O tempo que demora a resolver um processo entre um cidadão e o Estado é incompatível, por vezes, com o tempo de vida das pessoas. Todos sabemos o que se passa em matéria da justiça tributária, em que as decisões se arrastam anos, por vezes décadas, com evidente prejuízo para cidadãos que, por força de ausência de decisão, ficam manietados de direitos. Existe portanto um outro lado da lentidão do funcionamento dos tribunais, muito cruel, que tem a ver com a defesa dos direitos dos cidadãos que se consideram perseguidos ou injustiçados pelo Estado. O pior dos atrasos da Justiça é aquele que destrói e mina o dia-a-dia dos cidadãos anónimos. É também nesses que é preciso pensar quando se fala da necessidade de uma reforma profunda da Justiça. Em Portugal vive-se uma situação em que o Estado, directamente pelos seus organismos administrativos, ou através dos Tribunais, paralisa a sociedade, destrói empresas e prejudica a economia. Neste contexto, a Ministra da Justiça, Francisca Van Dunen veio dizer, em resposta ao Presidente,  que "na generalidade, a resposta da justiça é positiva". É uma afirmação intolerável de uma governante, uma ofensa aos cidadãos e um insulto à inteligência dos portugueses. A lentidão da justiça é uma das mais sólidas bases do abuso de poder do Estado sobre os cidadãos.

 

SEMANADA - A maioria das Câmaras Municipais não tem planos de acção contra tragédias, em particular incêndios florestais; ao contrário do previsto o Governo  não penalizou as câmaras sem planos anti fogos; desde 2006 que Portugal não tem em Maio tão poucos aviões contratados e disponíveis para combate a incêndios; o Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS), um grupo especial de ataque a fogos que foi anunciado por António Costa como a sua aposta, não tem ainda luvas, fatos, telemóveis, computadores, carros e camas de campanha para as suas brigadas; o respectivo comandante admite que será difícil este GIPS estar preparado e operacional na data definida, 1 de Junho; o presidente do INEM denunciou  que em 2017 um "número significativo" de turnos e vários meios de emergência não foram assegurados porque os trabalhadores tiveram de combater incêndios ao abrigo da lei; aumentaram as tensões entre a Autoridade Nacional da Protecção Civil e a Liga dos Bombeiros Portugueses, o que motivou a demissão do comandante da Protecção Civil; a nova Lei Orgânica da Protecção Civil continua atrasada por responsabilidade do Governo; as estruturas de gestão e o comando operacional da protecção civil já mudaram várias vezes no decurso do último ano; Marcelo Rebelo de Sousa avisou que tirará consequências se voltar a ocorrer nova tragédia nos incêndios.

 

ARCO DA VELHA - Nos últimos dias, para parte do PS, José Sócrates passou de vítima a ser considerado um carrasco que fez dos outros vítimas e entretanto apoiantes seus estão a organizar um  almoço de confraternização e desagravo que decorrerá uma semana antes do Congresso do PS.

 

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FOLHEAR - Paulo Nozolino foi o autor bem escolhido para o segundo volume de Ph., a colecção dedicada à fotografia criada pela Imprensa Nacional. Nozolino é o fotógrafo português com maior visibilidade internacional e com uma carreira feita entre várias áreas da fotografia, incluindo imprensa e a publicidade, e em diversos países. Na introdução ao livro Sérgio Mah escreve que para Nozolino “a fotografia é assumida como um meio privilegiado de exprimir e organizar a sua visão inquieta e dramática do mundo” e evoca uma frase de Nozolino: “A fotografia permitiu-me viajar e ver a diferença entre o possível e o impossível. Podia guardar sem possuir, lembrar-me sem preocupação de esquecer, sobreviver em vez de viver. Sobretudo saber que tudo tem uma história, cada história duas versões, cada versão o seu passado”. São mais de oito dezenas de imagens, desde aquela que Paulo Nozolino considera a sua primeira fotografia, feita em 1972 na Acrópole, até à mais recente, de 2013, feita em Berlim. No percurso, que no livro não é apresentado por ordem cronológica mas por opção do autor, Paulo Nozolino mostra-nos as suas histórias de dezenas de cidades e lugares, de países em vários continentes, sempre a preto e branco, com uma dimensão do equilíbrio entre intensas tonalidades e a utilização da luz que são a sua imagem de marca. Em tempos Nozolino definiu assim a sua prática fotográfica: “Eu não estou aqui para mudar o mundo mas para ver como é que ele evolui”. A colecção Ph. tem curadoria de Cláudio Garrudo.

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VER - A exposição da semana, e uma das mais marcantes que vi nos últimos tempos, é “Nowhere Fast”, que reúne três obras de Teresa Gonçalves Lobo e  uma escultura de Thomas Mendonça que é também uma fonte de sensações olfactivas do perfumista Sven Pritzkoleit. A curadoria é de Miguel Matos, fundador da revista “Umbigo”. Os três desenhos de grandes dimensões, a pastel e carvão sobre papel, de Teresa Gonçalves Lobo (na imagem) são peças intensas, a negro e vermelho, com um traço forte e incisivo bem marcado no papel, obras com um lado orgânico e visceral, que criam um ambiente especial na Ermida - até 20 de Junho (Travessa do Marta Pinto 21). Outras sugestões: "O que pode ser a arte? 50 anos de Maio de 68" é o título da exposição com curadoria de Nuno Crespo e Hugo Dinis, reunindo obras de Júlio Pomar e de Ana Vidigal, Carla Filipe, João Louro, Jorge Queiroz, Ramiro Guerreiro e Tomás da Cunha Ferreira - até 29 de setembro, no Atelier-Museu Júlio Pomar (Rua do Vale 7). Na Galeria Quadrado Azul (Rua Reinaldo Ferreira 20A, até 23 de Junho, uma evocação das obras dos anos 70 de Zulmiro de Carvalho, Ângelo de Sousa e José de Guimarães. Ângela Ferreira apresenta “Diamantes, Obelisco e Outros” na Galeria João Esteves de Oliveira até 15 de Junho (Rua Ivens 38). “For us a book is a small building” é o título da exposição que Fernanda Fragateiro apresenta na Galeria Baginski (Rua Capitão leitão 51) até 15 de Julho.

 

 

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OUVIR - O que são os Thirdstory? Um trio vocal. Ponto. São as vozes dos seus três membros, Elliott Skinner, Ben Lusher and Richard Saunders, que constituem a diferença em relação à paisagem musical contemporânea. Algures entre a pop e o folk , Thirdstory vale mais pelas harmonias das vozes que pela execução instrumental ou a composição musical. É, a nível vocal, um caso raro na música que se faz hoje em dia. Musicalmente são deste tempo, os seus ritmos são actuais, mas sozinhos passariam quase despercebidos se não fossem as vozes. Nascidos em Nova Iorque em 2014, com um EP editado em 2016, o seu álbum de estreia saíu já este ano e chama-se “Cold Heart”. Foi editado na prestigiada e histórica etiqueta de jazz Verve. Destaques para “Hit The Ceiling” e para “G Train”, que tem a colaboração de Pusha T e a correspondente influência de hip hop - os Thirdstory não são estranhos a este território, integraram a banda de digressão de Chance The Rapper. Outros bons temas deste disco de estreia: “On And On”, “Still In Love”, “Over (When We Say Goodbye)” e sobretudo “I’m Coming ‘Round”, que é o melhor de todos os exemplos da capacidade e versatilidade das vozes deste trio. Malay, um premiado com os Grammy, assina a discreta mas eficaz produção musical.

 

PROVAR - Houve um tempo, não distante, em que a maioria dos vinhos da casta Alvarinho estagiava apenas em cubas de inox. Poucos produtores se atreviam a colocar o vinho em contacto com a madeira. Aos poucos foram feitas experiências, por exemplo com uma primeiras fase de fermentação em barricas e finalização feita em inox. Daí evoluíu-se para a fermentação e estágio em barrica - e desse método nasceram alguns dos melhores vinhos brancos portugueses. É este precisamente o método que João Portugal Ramos seguiu para a sua colheita de Alvarinho feita em 2015. O resultado é um branco da casta Alvarinho, cultivada na região de Monção e Melgaço, em solos de origem granítica. A fermentação decorreu a temperatura controlada de 16º C, durante duas a três semanas, sendo que 10% do mosto fermentou em barricas novas de carvalho francês. O resultado é este Alvarinho Reserva de 2015, um vinho verde elegante, com aroma cítrico e floral que termina com um longo final de boca. O carácter fresco e exuberante da casta Alvarinho mostra-se envolto pelo toque da madeira, embora muito ligeiro, contribuindo para a personalidade inesperada deste vinho.Graduação de 13,5º.

 

DIXIT - “O mais provável é que o PS esteja a caminho do fim. Não por causa da adesão ao mercado nem pelo seu entusiasmo com a frente de esquerda. Mas sim por causa da corrupção, que o PS nunca condenou claramente, sobretudo a sua e a dos seus amigos” - António Barreto

 

GOSTO - Das palavras claras do Presidente da República sobre o combate à corrupção, sobre as demoras da justiça e sobre as condições de combate aos incêndios florestais.

 

NÃO GOSTO - O socorro urgente do INEM em zonas rurais demora o dobro do tempo do que nas zonas urbanas.

 

BACK TO BASICS -  “Dois homens espreitam pela janela; um vê lama, o outro olha para as estrelas” - Oscar Wilde.

 

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