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VAI SER UMA BELA RENTRÉE - Nestes dias tenho encontrado em várias publicações inquéritos a políticos da nossa praça sobre as leituras que pensam fazer em férias. Analisadas as respostas concluí que vamos ter uma rentrée animada com retórica eloquente, pensamentos profundos, muito conhecimento adquirido. Praticamente todos os inquiridos anunciaram que em férias, para aliviar dos trabalhos parlamentares e partidários, vão estudar: filosofia, economia, gestão, religião, história e mais algumas coisas de que certamente me estou a esquecer. Poucos foram os que admitiram ler algo mais leve - Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, foi a única a confessar que estava com vontade de ler um bom policial. Não partilhamos as mesmas ideias, mas pelos vistos partilhamos os mesmos gostos. E confesso que gostei desta franqueza da líder bloquista que não se armou em devotada fã de manuais e reconheceu aquela coisa básica: férias é tempo para sair dos hábitos de trabalho, espairecer a cabeça, procurar outros interesses. Acredito pouco em quem diz levar calhamaços teóricos para o areal. E tenho alguma dificuldade em perceber porque é que responsáveis políticos se querem distanciar das pessoas com as listas de leituras que dizem ir fazer e que, sinceramente, duvido muito que concretizem. Nesse inquérito alguns diziam que levariam na bagagem meia dúzia de livros de alguma complexidade e dimensão. Imagino que terão umas férias bastante grandes para conseguirem ler tudo o que dizem ir colocar na mala. Mas lá vou aguardar pelo reinício dos trabalhos parlamentares para perceber o que as meninges dos nossos políticos apreenderam no seu tempo de descanso.

 

SEMANADA - A inflação em Portugal voltou a acelerar e ultrapassou os 9% em Junho; o preço dos bens alimentares essenciais subiu 13% nos últimos 12 meses; um estudo divulgado esta semana indica que cada família gastou em média 1069 euros em alimentação nos primeiros seis meses, mais 77 euros do que no mesmo período antes da pandemia; a venda de vinho do Porto no mercado nacional aumentou 50% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado; no primeiro semestre deste ano as vendas de vinho de mesa no mercado nacional cresceram 14.3% em volume e 52,8% em valor e a restauração foi o sector que mais cresceu; nos últimos cinco anos a colecta do IMT, o imposto municipal sobre transacções de imóveis, disparou quase 60% e em 2021 o Estado arrecadou 1428 milhões de euros; em 2021 mais de um milhão de pessoas vive em casas sobrelotadas, um número acima do verificado nos três anos anteriores; a emigração portuguesa para o Canadá em 2021 foi a mais alta deste século; os automóveis híbridos e eléctricos já significam 38% do total das vendas de carros em Portugal; no primeiro semestre deste ano o número de espectadores nas salas de cinema esteve 39% abaixo dos valores de 2019, antes da pandemia; quase seis mil lisboetas com mais de 65 anos aderiram ao passe de transportes gratuito na primeira semana do seu lançamento.

 

O ARCO DA VELHA - Segundo o Tribunal de Contas um em cada três computadores e sistemas de ligação à internet entregues às escolas continuam guardados, por distribuir.

 

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VISÕES DE AGOSTO - Com grande parte das galerias privadas encerradas em Agosto a atenção vira-se para museus e galerias públicas. E não falta oferta. Começo por Algés, no Palácio Anjos. “Amor Veneris” combina a componente científica com a artística e propõe-se promover “uma experiência pedagógica, provocadora e irreverente que questiona e mobiliza para a importância do prazer sexual feminino e de assuntos fundamentais para o seu entendimento, como o consentimento e não consentimento, violência sexual sobre as mulheres e a resposta sexual feminina”. Os dois núcleos - “Com Consentimento” e “Sem Consentimento” proporcionam o enquadramento para a apresentação de obras de três dezenas de artistas plásticos e de alguns criadores de conteúdos audiovisuais. Entre os artistas contam-se nomes como Ana Pérez-Quiroga (com uma obra inédita), Clara Menéres, Ernesto de Sousa, Fernanda Fragateiro, Julião Sarmento, Laure Prouvost, Louise Bourgeois, Lourdes Castro, Maria Beatriz, Noé Sendas, Paula Rego e Sara Maia (na imagem), entre outros. “Amor Veneris” está no Palácio Anjos até 30 de Dezembro, tem  curadoria de Marta Crawford e Fabrícia Valente e foi concebida com rigor científico e uma criteriosa escolha artística. A outra sugestão que hoje deixo é “Europa Oxalá”. Até 22 de Agosto e integrada na temporada Portugal-França, é apresentado na Fundação Gulbenkian o trabalho de 21 artistas afrodescendentes de segunda e terceira geração que reflectem sobre o racismo, a descolonização das artes, o estatuto da mulher na sociedade contemporânea ou ainda a desconstrução do pensamento colonial. A curadoria é de António Pinto Ribeiro, Katia Kameli e Aimé Mpane, e “Europa Oxalá” testemunha o poder criativo da diversidade cultural europeia contemporânea, ao mesmo tempo que  abre novas perspetivas à própria noção de Europa.

 

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FOTOGRAFIAS DE UMA VIDA - Uma das mais interessantes exposições de fotografia que podem ser vistas neste momento está no Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa (Rua da Palma 246). Trata-se de uma mostra representativa do trabalho de Guilherme Silva ao longo dos anos - as fotografias mais antigas datam de meados do início dos anos 70 e as mais recentes são de 2015. “No Planeta Onde Vivo” é o título da exposição deste fotógrafo que realizou ensaios fotográficos sobre diversos temas - desde um hospital psiquiátrico e uma unidade industrial. Com um rigor de enquadramento obsessivo, uma técnica apurada e um cuidado extremo no processo de revelação e ampliação, que ele próprio executou ao longo dos anos, Guilherme Silva é um nome pouco conhecido do grande público mas é indiscutivelmente uma referência na fotografia portuguesa do último quarto do século passado. Trabalhando como free-lancer na maior parte do tempo para publicações nacionais e estrangeiras,  Guilherme Silva tem também uma componente de autor de photobooks, antes de estes se tornarem uma forma corrente de divulgação da fotografia. Nesta exposição, para além das imagens, podemos testemunhar o processo de trabalho de Guilherme Silva, na selecção das fotografias a ampliar, na concepção dos livros, na planificação da forma como avança para fotografar um tema e , depois, para o editar. Guilherme Silva é, como esta exposição demonstra, uma referência importante na mediação entre a reportagem, o ensaio e o projecto fotográfico - numa época em que raros eram os que se dedicavam a estas áreas em conjunto. A exposição evoca as grandes influências de Guilherme Silva - Robert Doisneau e Robert Frank -  mostra uma fábrica de cimento da CIMPOR em Alhandra, o trabalho “Seres de Palha”, feito sob encomenda do Museu Zoológico da Universidade de Coimbra, uma viagem com pescadores portugueses à Mauritânia e ao sul de Marrocos, uma série de imagens sobre Fátima feitas ao longo dos anos e que depois deram um livro, um ensaio fotográfico sobre o Hospital Psiquiátrico do Lorvão, e uma série de retratos a músicos, e actores, como José Viana, que aqui se mostra.

 

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UMA LEITURA INVULGAR - Fátima Mariano é uma historiadora que se dedica a escrever sobre factos, episódios e pessoas menos conhecidas da nossa História. Depois de ter publicado em 2019 “Grandes Mistérios da História de Portugal”, Fátima Mariano regressa agora com “Grandes Figuras Excêntricas da História de Portugal”.  Neste novo livro, ficamos a conhecer algumas das figuras mais excêntricas e bizarras que viveram no final do século XIX e início do século XX e que foram alvo de grande atenção da imprensa da época, a grande fonte consultada pela autora nas dez personagens que destacou - desde pessoas com malformações até outras com profissões invulgares. Gigantes, pessoas com anomalias anatómicas e aspecto invulgar eram muitas vezes exibidas em feiras e assim ganhavam a vida. Um dos casos que relata é o de um homem que ficou conhecido como a tripeça humana: tinha três pernas, quatro pés, dois pénis e dois ânus, era considerado  muito activo sexualmente desde a adolescência, e uma das suas parceiras foi uma mulher de nacionalidade francesa que tinha três pernas, quatro mamas , duas vulvas e duas vaginas. Outra das figuras é o comilão de Almada que ganhou uma aposta ao ingerir, do nascer ao pôr do sol, quinze quilos de batatas, dois quilos de bacalhau e três pães, tudo ensopado em cinco litros de vinho. Fátima Mariano conta também a história de Luciano das ratas, que tinha como profissão ser caçador de ratos - havendo quem lhe atribua a proeza de,  em sete anos, ter morto mais de cem mil roedores, livrando Lisboa de uma praga e contribuindo para combater a peste bubónica. Outra figura era o Rei do Lixo,  responsável pela recolha de lixos em Lisboa no início do século XX e que assim fez fortuna, que depois aplicou em outros negócios, nomeadamente como fornecedor de carne aos talhos da capital. O livro alia um grande rigor histórico com uma narrativa que quase se assemelha a uma ficção. A edição é da Contraponto.


UMA ESPÉCIE DE AÇORDA, MAS ITALIANA - Chama-se Panzanella e é uma receita da Toscana. A base é o pão, como a açorda e o azeite também é chamado à festa. Mas a semelhança acaba aí porque nesta receita o forno tem um papel fulcral. Primeiro corte algum tomate maduro aos pedaços e leve ao forno aquecido, polvilhado de sal, durante uns dez minutos - tire e reserve. A seguir coloque no forno um tabuleiro com o pão de véspera, de boa qualidade, cortado grosseiramente aos pedaços, regue com um fio de azeite e leve ao forno até ficar um pouco tostado - outros dez minutos. Retire, deixe arrefecer. Enquanto isso numa taça grande coloque uma chalota pequena cortada muito fina, tempere com azeite e vinagre de vinho tinto, misture tudo bem. Adicione o tomate, o pão, uma lata pequena de anchovas cortadas em pedaços, folhas de manjericão, uma dúzia de azeitonas pretas às rodelas, envolva tudo muito bem e no fim coloque por cima mais umas folhas de manjericão. E pronto - aí tem um prato de verão cheio de côr e sabor.

 

DIXIT - “O Governo revela cansaço de ideias e vacuidade de projectos. Anda à procura de segundo fôlego quando nem sequer mostrou o primeiro” - António Barreto.

 

BACK TO BASICS - “A verdade pode ser a anedota mais divertida que existe”- George Bernard Shaw



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