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PEDRO NUNO SANTOS GANHOU - O silêncio às vezes compensa e, num Congresso que mais pareceu uma convenção autárquica, o recato de Pedro Nuno Santos pode ter valido pontos. Se durante o Congresso do PS ele não foi confrontado com críticas, bastaram dois dias para Medina começar a desempenhar o papel de batedor ao serviço de António Costa. O  pretexto foi a apresentação do seu programa eleitoral em Lisboa onde não faltaram críticas indirectas a Pedro Nuno Santos, nomeadamente na questão do aeroporto. Medina, nas autárquicas anteriores, apresentou um programa que não cumpriu; um programa em que há quatro anos não mencionou medidas que depois tomou, sem terem sido votadas, e que se tornaram no inferno dos lisboetas - como a perseguição à circulação automóvel sem a criação de medidas alternativas nos transportes públicos. Esta semana Fernando Medina fez um dos mais extraordinários exercícios de demagogia de que há memória. Por um lado a querer convencer que é um reivindicativo crítico do Governo, coisa que não se viu ao longo da sua permanência nos Paços do Concelho, e, depois, ao lançar acusações sobre o seu rival eleitoral que só fanáticos desinformados podem subscrever. Este é no entanto o estilo habitual de Medina, tem sido assim ao longo do tempo, desde a sua ausência no início da pandemia, que provocou atrasos consideráveis na região de Lisboa, ao contrário do que acontecia noutros concelhos limítrofes. Este sobressalto de Medina em relação ao Governo é também a constatação de que o jogo de sombras chinesas que António Costa tão bem pratica, patente quando avançou com Marta Temido para a lista de possíveis sucessores, está a causar mossa nos outros pretendentes. Medina quer continuar a ser Presidente da Câmara para manter o protagonismo político de que necessita se quiser suceder a Costa.  É sempre alguém apenas em trânsito face às suas ambições pessoais. Termino com um exemplo recente: durante anos Medina rejeitou críticas à forma como autorizava e fomentava uma avalanche de alojamentos locais que ajudaram a descaracterizar a cidade, mas agora aparece a querer limitá-los face aos perversos efeitos que já são evidentes. Esta semana apresentou um programa de promessas que contrasta com o que não fez durante os mais de seis anos que leva como Presidente da Câmara.  Como se pode acreditar num homem com este desempenho? Medina não é mais que um político cínico, sem ética, que não olha a meios para atingir os seus objetivos pessoais. Lisboa merece melhor. Pedro Nuno Santos deve olhar para tudo isto com um sorriso. Silencioso.



SEMANADA-  Durante a pandemia os portugueses duplicaram as suas poupanças e os depósitos de particulares nos bancos atingem agora 22,7 mil milhões de euros; Portugal está em vigésimo lugar no ranking dos investimentos dos Estados europeus em Cultura, atrás da Roménia, Eslováquia, Hungria e República Checa; segundo dados do INE o preço médio do metro quadrado de habitação em Portugal é de 1241 euros e há 25 concelhos onde o preço da habitação custa menos de metade da média nacional; em Lisboa há mais agências bancárias que em 16 distritos portugueses; em 2001 havia 206 milhões de cheques a circular e em 2020 o número ficou perto dos 15 milhões; Portugal e a Lituânia são os únicos dois países da UE sem uma oferta comercial de redes de telecomunicações 5G; Paul Milgrom, prémio nobel da economia em 2010, afirmou que o “leilão de 5G em Portugal segue regras que eram usadas há 20 anos”;  o preço dos bens alimentares subiu entre 10 a 20% no último ano devido à escassez de alguns produtos, ao aumento das rações, da  logística e dos transportes; José Sócrates esteve de férias no Brasil e encontrou.se com Lula e Dilma Rousseff; PS, PCP e PEV aprovaram no Parlamento uma lei, em vésperas das autárquicas, para amnistiar autarcas que não cumpriram regras financeiras -  a lei foi feita à medida de cinco autarcas do PS e um do PCP que têm processos na Inspecção Geral de Finanças; as despesas de consumo das famílias e das Administrações Públicas já ultrapassaram o patamar pré-crise, tal como o investimento, mas as exportações, penalizadas pelo turismo, ainda contabilizam uma quebra superior a 15%.



O ARCO DA VELHA- Em 2020 e 2021 o Governo não aprovou o Decreto Lei de Execução Orçamental, e em vez disso emitiu as instruções de execução orçamental através de uma mera  Circular da Direcção Geral do Orçamento. Marques Mendes defende que esta actuação é inconstitucional e tem como consequência que a Assembleia da República não tem informação nem capacidade de fiscalizar o que se passa com a execução orçamental.

 

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LER -   Nas páginas de ”O Sonho de Amadeo”, mergulhamos numa história em que a realidade e o sonho se confundem. O protagonista, Amadeo, acorda esbaforido após sonhar que foi assassinado, mas não se lembra do mais importante: o rosto do assassino. Tenta recordar-se dos pormenores do sonho, transportando-os para os quadros que pinta, ao mesmo tempo que inicia a procura de respostas nas noites mal dormidas, depois de receber um postal ilustrado que lhe lembra um dos seus sonhos.  “O Sonho de Amadeo”, é uma obra de Leonardo Costa de Oliveira, vencedora da última edição do Prémio Revelação Literária UCCLA-CMLisboa: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa. Leonardo Costa de Oliveira, de 38 anos, natural de Paracambi, no interior do Rio de Janeiro, é doutorado em Geociências, é geofísico na petrolífera brasileira Petrobras e estreia-se como autor com este livro. São dele estas palavras:  «Será que eu também poderia escrever um livro? Criar uma história que pudesse interessar outras pessoas? Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade trabalhavam como funcionários públicos... Talvez, a partir de hoje, eu possa ser geólogo e também escrever... Por que não?» A edição é da editora “Guerra & Paz”.

 

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VER-  No Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado, está patente até 3 de Outubro a exposição “Em Busca do Tempo Perdido”, de Francis Smith. Nascido em Lisboa em 1881, filho de pais ingleses, Francis Smith trabalhou grande parte da sua vida em França para onde cedo foi estudar pintura. No início do século XX foi contemporâneo, em Paris, da primeira geração modernista de artistas portugueses, como José-Augusto França lhe chamou, e que incluía Eduardo Viana, Manuel Jardim, Manuel Bentes, Amadeo de Souza-Cardoso, Emmerico Nunes e Domingos Rebelo. Quando Francis Smith morreu em Paris, em 1961, o pintor era unanimemente reconhecido como uma figura essencial da chamada Escola de Paris, da primeira metade do século XX. Com curadoria de Jorge Costa esta exposição da obra de Francis Smith apresenta a primeira investigação de fundo sobre a vida e obra desse artista modernista. Em França Francis Smith era reconhecido e teve uma carreira com reconhecimento da crítica, valorizada por colecionadores, participando nas mais importantes exposições do seu tempo. Pode dizer-se que ele foi o artista português que em vida obteve maior sucesso no panorama cultural francês. No entanto em Portugal a sua obra foi frequentemente menorizada. Foi Eduardo Viana quem em 1925 convidou Francis Smith a participar com várias obras no Salão de Outono, da Sociedade Nacional de Belas Artes. Mas foi em  seguiu em 1934, numa exposição no Salão Bobone, organizada pelo Secretariado Nacional da Propaganda, dirigido por António Ferro, que verdadeiramente Francis Smith foi reconhecido pela crítica local e obteve sucesso comercial - duas das suas obras existentes no Museu Nacional de Arte Contemporânea foram compradas nessa altura.



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OUVIR- ​​Um dos instrumentos cuja sonoridade mais me agrada é o baixo - seja o eléctrico, seja o contrabaixo. A editora ECM tem um histórico raro no registo de discos onde o baixo é predominante e um dos músicos que grava para a ECM é Marc Johnson. O seu mais recente álbum é “Overpass” onde ele aparece sózinho com o seu contrabaixo, acústico, dedilhado, por vezes com arco, não amplificado, ao longo de oito temas e quase 45 minutos. Johnson é um músico criativo que mesmo a solo e com um único instrumento consegue uma diversidade de ritmos e melodias. Marc Johnson nasceu no Nebraska em 1953, estudou música  na North Texas State University e começou a tocar aos 19 anos com a Fort Worth Symphony. Desde cedo trabalhou ao lado de nomes como Woody Herman, aos 25 anos era o baixista do trio de Bill Evans e a sua carreira cruza-se com a de nomes como Gary Peacock, Gary Burton, Jack DeJohnette, Bill Frisell, John Scofield, Stan Getz, Joe Lovano ou Paul Motian, entre outros. Um dos temas incluídos neste novo disco é “Nardis”, um original de Miles Davis que Johnson já tinha gravado com o trio de Bill Evans nos anos 70 e que agora surge reinterpretado. Outra nova versão é “Love Theme From Spartacus”, de Alex North e “Freedom Jazz Dance” de Eddie Harris. Os outros cinco temas são composições originais de Marc Johnson. “Overpass” está disponível nas plataformas de streaming.



PROVAR- Quem anda pelo lado da Praia do Meco tem agora um local onde pode comprar iguarias às vezes nada fáceis de encontrar naquelas redondezas. Trata-se da loja “Muito Espalhafato”, bem no centro de Alfarim, onde estão à venda bons vinhos, bons queijos (incluindo alguns estrangeiros como um pecorino siciliano de boa memória) e bons enchidos de produtores seleccionados - além de algumas outras iguarias como, inesperadamente, Dim Sums. O curioso é que além de poder comprar, pode ali provar alguns dos produtos num copo ao fim de tarde numa pequena esplanada no exterior. Este espaço de comidas e bebidas é sucessor do “Veneno”, que em tempos existiu em Alvalade pela mão de Francisco Ferrão Completo, homem de sete instrumentos sempre à volta da comida - desde restaurantes até serviços de entrega de comida como o Despacha-te Xico! Já aqui em tempos louvado. O Muito Espalhafato tem além das comidas e bebidas espaços onde se vendem livros em segunda mão, peças de joalharia artesanal, acessórios diversos e moda, velharias e peças de design.  Fica na Avenida José Carlos Ezequiel 44A, Alfarim.

 

DIXIT- “ Mais do que vistos gold para estrangeiros com dinheiro, devíamos ter um visto gold para imigrantes qualificados” - Maria João Valente Rosa, demógrafa, professora na Universidade Nova de Lisboa

 

BACK TO BASICS - Um clássico é um livro que toda a gente quer poder dizer que leu mas que ninguém quer ler - Mark Twain



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publicado às 11:00


1 comentário

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De Anónimo a 04.09.2021 às 10:35

Seria excelente que o Amigo Manuel tivesse razão no quadrante político que evidenciou!!!!
Abraço. João

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