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DOIS PARTIDOS SEM IDEIAS -  Há mais de 120 anos um dos grandes escritores portugueses do século XIX traçava um retrato do país que tem estranhas semelhanças em relação ao que se passa hoje. É certo que somos menos resignados, mas continuamos macambúzios, burros de carga de impostos, feixes de misérias na cativada degradação dos serviços públicos. Passava o ano de 1896, Guerra Junqueiro escrevia em “A Pátria” e analisava a paisagem partidária. Se pensarmos que podemos considerar os dois partidos que o escritor referia os actuais PS e o PSD o retrato ainda fica mais certeiro. É impressionante como o texto, nas suas linhas gerais, mantém actualidade.  Ora leiam: “Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. (...) Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.  Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.“ 

 

SEMANADA - Das 375 empresas afectadas pelos incêndios de 2017 na região centro, cerca de uma centena ainda não receberam qualquer valor dos apoios prometidos pelo Estado; foram constituídos 44 arguidos na investigação à atribuição de subsídios para a reconstrução ou reabilitação das casas afetadas pelo incêndio de Pedrógão Grande; a dívida pública portuguesa atingiu em Maio o valor mais alto de sempre, 252,5 mil milhões de euros, mais 200 milhões que em Abril; devido à falta de operadores as chamadas para o INEM chegam a demorar oito minutos a serem atendidas, quando a recomendação é de sete segundos; desde 2000 os partos em hospitais privados passaram de 5,7% para quase 15% do total; há 20 concelhos sem centros de saúde, mas só 12 não têm lojas da grande distribuição; o número de cirurgias em atraso duplicou nos últimos quatro anos; quatro das maternidades que estão em risco fazem um quinto das urgências do país; num inquérito realizado na região de Lisboa 35% das pessoas declararam não pertencer a uma religião e 13,1% afirmaram ser crentes mas sem religião; em 2018 a carga fiscal foi de 35,4% do PIB, a mais elevada desde 1995; a falta de guardas deixa a A1 sem patrulhas da GNR; em seis meses morreram 224 pessoas na estrada, um aumento em relação a igual período do ano passado; Marcelo Rebelo de Sousa foi aos bastidores do concerto de Rod Stewart para fazer uma selfie com o músico; Pedro Silva Pereira, braço direito de Sócrates, foi eleito vice-presidente do Parlamento Europeu numa candidatura que contou com o apoio de António Costa.

 

CONFUSÕES DO ESTADO - O novo Inspector-Geral da Defesa Nacional é membro da Comissão Política do PS. A Defesa Nacional é auditada por um dirigente partidário...

 

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ROTEIRO DE ARTES  - No Museu Nacional de Arte Antiga a “Obra Convidada” em exposição actualmente é o conjunto dos quatro desenhos preparatórios para o São Jerónimo de Durer, pertencentes à Galeria Albertina, de Viena. Ali  se confrontam com a obra final, aqui reproduzida, e que faz parte da colecção do MNAA. São Jerónimo é um pequeno painel a óleo pintado por Albrecht Dürer em 1521, durante a sua viagem à Flandres e Países Baixos , e então oferecido ao secretário da feitoria portuguesa, Rui Fernandes de Almada, com quem manteve relações de amizade. Pela primeira vez, mostram-se entre nós estes quatro desenhos preparatórios, notáveis na técnica utilizada por Durer para o estudo da figura humana. Esta exposição está na sala 50 do piso 1 do Museu até 11 de Agosto. Outras sugestões: na Nanogaleria! (Rua do Centro Cultural 11), Ana Vidigal apresenta Quebra Gesso;  no Espaço Cultural Mercês está a  a exposição coletiva "estoutro" ,  a propósito do Dia Mundial do Refugiado com obras de 12 artistas, entre os quais Bárbara Bulhão, Beatriz Coelho, Joana Galego, Nádia Duvall e Tiago Mourão; na Giefarte está Red As Scarlet, White As Snow de Manuel Caldeira; na fotografia, e até 19 de Julho, na MUTE (Rua Cecílio de Sousa 20), Rudolfo Gil e Rafael Raposo Pires apresentam “Outubro” e “Espaço/ Marca”, um conjunto de imagens com o título genérico de “Grau de Semelhança” que abordam a maneira de ver espaços; para terminar o destaque da semana vai para os novos trabalhos de Daniel Blaufuks. Não há cópias sem originais e vice-versa - no tempo das imagens digitais, o que é a cópia e o que é o original e qual o papel e lugar de cada um deles? - é daqui que parte a nova exposição de Daniel Blaufuks, “Cópia Original”, na Galeria Vera Cortês (Rua João Saraiva 16-1º, até 14 de Setembro.

 

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O NOVO POP - De certa forma o jazz vocal é o novo pop da geração Y, ou millenials, como lhes quiserem chamar - aqueles que nasceram nos anos 80 e 90. Jamie Cullum, pianista e cantor britânico faz parte da nova geração de jazz vocal que vale a pena ouvir. O seu novo álbum, o primeiro em cinco anos, “Taller”, é um bom exemplo do cruzamento com pop e blues, com passagens pelo funk - através de uma série de dez canções, ecléticas do ponto de vista musical, todas compostas pelo próprio Collum e que são uma espécie de carta de amor dirigida à sua mulher, a modelo e escritora Sophie Dahl - com destaque para aquilo que na pop se chamariam dois hinos:  “For The Love” e “Endings And Beginnings”. No disco, com arranjos orquestrais e vocais por vezes surpreendentes, participam um quarteto de cordas, a London Symphony Orchestra, um côro e o grupo de músicos que normalmente colabora com Jamie Cullum, com destaque para Troy Miller, que aliás é co-produtor e fez os arranjos e misturas.

 

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MANUAL SNOB - W. M. Thackeray nasceu em 1811, em Calcutá, e estudou em Cambridge. Fez carreira no jornalismo, antes de se tornar o reconhecido autor de “As Aventuras de Barry Lyndon”, transposto para o cinema por Stanley Kubrick e de “A Feira das Vaidades”. “O Livro dos Snobs”, agora publicado entre nós, é uma das suas obras marcantes e tem origem numa coluna que escreveu para a revista britânica Punch entre 1846 e 1847, na coluna «The Snobs of England, by one of themselves». Quase dois séculos depois, a crítica social, política e comportamental de Thackeray continua com uma actualidade impressionante, que pode encontrar paralelos evidentes com o que se passa nos meandros dos poderes. Este é um livro de humor devastador onde ninguém é poupado, dos mais poderosos monarcas às anfitriãs de banquetes, dos clérigos emproados aos turistas britânicos. Partindo da Inglaterra vitoriana, nem Portugal escapa, muito snobemente representado, de passagem, pela caricatura de Fernando II, marido de D. Maria II, nas suas peripécias de caça. Thackeray faz um retrato pormenorizado de cada tipo de snob, traçando-lhes o jeito e o estilo com uma fina ironia. Segundo as palavras de W. M. Thackeray, um snob pode estar em qualquer parte. E depois de ler este livro começamos a ver o que se passa à nossa volta com um novo olhar...

 

A CASSATA CREMOSA - Se não fossem as amígdalas e os gelados, que na convalescença da sua extracção constituíram a minha alimentação, provavelmente não tinha desenvolvido um gosto especial  pela cassata italiana. Nem sempre é fácil encontrar em Lisboa uma boa cassata, quer à fatia, quer cremosa. Devo aliás dizer que a descoberta da cassata cremosa se deve a uma nova casa de gelados italiana que abriu em Lisboa, no Princípe Real. Trata-se da Casa Nivà- Gelateria Tradizionale, que tem lojas em Turim (de onde é originária), em Cannes e, agora também em Lisboa, na Rua da Escola Politécnica 41. Os gelados Nivà são uma história de família, que começou em 1988, na região de Turim, utilizando apenas produtos naturais e técnicas artesanais. Os gelados são feitos diariamente e podem ser consumidos na loja em cone ou copo ou vendidos em embalagens para serem levadas para casa. A Nivà usa apenas produtos locais e de época e o método de elaboração respeita a tradição italiana. Na circunstância, além da descoberta da cassata cremosa, ela foi combinada com um gelado de pistácio, numa bela harmonia de sabores. O melhor é passarem na loja e fazerem umas experiências - provar a textura cremosa da Nivà é uma experiência que vale a pena ter.

 

DIXIT - “Preciso muitas vezes de legendas para entender Rui Rio” - Sonia Sapage

 

BACK TO BASICS - “A fúria do inferno não é nada comparada com a de um burocrata desprezado” - Milton Friedman.

 



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