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UM MENOS UM - A decisão de integrar a programação artística da Fundação EDP (MAAT e da Central Tejo) na esfera da Fundação de Serralves é uma daquelas operações em que o resultado é inferior à soma das partes. Serralves é fruto de uma parceria organizada pelo Estado com empresas privadas do norte do país e a sua actividade conta com uma participação financeira regular e importante de fundos públicos. A Fundação EDP, por outro lado, é um dos raros casos de aposta de uma empresa privada numa obra de responsabilidade social, com diversas esferas de influência e acção, sendo uma delas no domínio da arte e da cultura. A importante intervenção cultural que a Fundação EDP tem mantido deve-se em muito ao perfil que lhe foi desenhado por António Mexia, enquanto dirigiu a EDP. Depois da sua saída cedo se começaram a ouvir vozes, na direcção da empresa, clamando por um foco maior na esfera de apoios sociais e menor na esfera cultural - como se a responsabilidade social das empresas não se devesse também fazer sentir no desenvolvimento do acesso a formas de criação artística. Tudo culminou agora com a entrega da direcção da programação do MAAT e Central Tejo a Serralves. Assim se diminui a diversidade de critérios, escolhas, programações e se reduz a importância que o MAAT tem tido e a sua repercussão positiva na marca EDP. A administração de Serralves regozijou-se com o facto e os actuais dirigentes da EDP mostraram-se conformados, senão mesmo aliviados. Vem a propósito recordar que Ana Pinho liderava já a Administração de Serralves no incidente ocorrido em 2018 com a exposição do fotógrafo Robert Mapplethorpe e que levou à demissão do então director do Museu, João Ribas, por não concordar com a forma como a administração condicionou a montagem da exposição, chegando inclusivamente a preconizar que algumas das obras não fossem incluídas. Estamos pois perante a junção de uma Fundação fortemente participada pelo Estado, e que tem no currículo recente um incidente censório, com uma Fundação privada que tem sido um território de grande liberdade criativa. Ora isto não é uma boa notícia. O melhor resumo da situação criada veio de João Fernandes, que dirigiu Serralves entre 2003 e 2012 e que, do Brasil, onde dirige o Instituto Moreira Sales, rompeu o seu silêncio sobre a instituição a que esteve ligado, afirmando ao “Público” : “Sendo tão poucas as instituições de arte em Portugal, preferiria também aqui a diversidade, por contraponto à concentração de responsabilidades e de poderes de programação”.



SEMANADA - O Governo quer autorizar a plantação de mais 37 mil hectares de eucaliptos em 126 concelhos, contrariando compromissos anteriores; Portugal é o país com mais área plantada de eucaliptos na Europa e o quinto a nível mundial; se o plano for para a frente Portugal terá 10% da superfície de Portugal continental plantada com eucaliptos; as autoridades reconhecem que não é possível saber se a legislação sobre os prazos máximos de resposta do Serviço Nacional de Saúde estão a ser cumprdios nos hospitais públicos, nomeadamente a realização de meios auxiliares de diagnóstico; no ano passado apenas um terço das crianças em condições de serem adoptadas ganharam uma nova família e muitas já passaram mais de seis anos nos lares;  nos últimos cinco anos foram feitas 300 queixas sobre a qualidade das refeições escolares; segundo a Marktest, os resultados de 2021 do estudo “Os Portugueses e as Redes Sociais” revelam que um em cada cinco utilizadores abandonou alguma rede social no último ano e que o Facebook foi a mais mencionada; Rui Rio deve estar à procura do tempo perdido:  anunciou que, até às Directas do PSD, se vai dedicar exclusivamente a acções políticas de oposição ao PS”, coisa que não fez ao longo dos últimos anos; soube-se que no caso Rendeiro a Justiça andou a investigar as viagens de um João Rendeiro que não tinha nada a ver com o ex-banqueiro.

 

O ARCO DA VELHA - Seis meses de uma operação exemplar de vacinação e não se aprendeu nada? Saíu a equipa liderada pelo vice-almirante Gouveia e Melo,  o caos voltou e a incerteza instalou-se de novo.

 

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IMAGENS NÓMADAS - No Museu Municipal de Faro Pauliana Valente Pimentel apresenta as suas fotografias de uma comunidade cigana sob o título “Faro-Oeste” (na imagem). O trabalho de Pauliana Valente Pimentel foi efectuado ao longo de um ano, em 2019, com algumas famílias ciganas na zona de Castro Marim e Vila Real de Santo António, nos acampamentos Cerro do Bruxo, Horta da Areia, Alto do Relógio e Monte João Preto.  A fotógrafa foi movida pelo seu interesse em mostrar a forma como as famílias ciganas preservaram as suas tradições, mantendo-se num registo nómada. O trabalho pretende, nas palavras da autora, “mostrar o dia a dia destas famílias, dando ênfase às suas tradições, com o intuito de combater preconceitos e estereótipos racistas e xenófobos de que são constantemente alvos”.  “Faro-Oeste” é um bom exemplo da forma de trabalhar de Pauliana Valente Pimentel, entrando dentro dos temas que aborda, criando uma narrativa através de imagens, na realidade um ensaio fotográfico que consegue simultaneamente documentar a realidade e interpretá-la com o seu olhar pessoal. A exposição está inserida na programação do Verão Azul, Festival Transdisciplinar de Artes Contemporâneas, que vai na sua décima edição e estará patente até 19 de Dezembro.

 

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ONDE ESTÁ O LÍDER? - Prometo que não vou falar da situação de nenhum partido político. O tema é outro e tem a ver com o que se passa nas empresas. A pandemia provocou a alteração de hábitos, a mudança de rotinas e de ferramentas de trabalho. A importância de uma liderança eficaz nas empresas tornou-se cada vez maior. A pandemia desestabilizou equipas criou receios, colocou desafios. Neste contexto a capacidade de liderança é cada vez mais importante  não só para mobilizar os colaboradores, mas sobretudo para tornar as empresas mais fortes e eficazes.  “Onde Está O Líder” é um livro que evoca o período antes da pandemia e vai até ao tempo presente, passando por temas como a cultura de empresa, a gestão de talento, o recrutamento e, claro, a liderança. E, no pós-pandemia, aborda o regresso aos locais de trabalho, a vida no mundo digital e dos dados  ou a resiliência. Luis Cervantes, Presidente da Caravela Seguros, que prefacia o livro, diz que ele se insere “na categoria que classifica de “manual de cabeceira”, ou seja, sublinha, “o companheiro que está sempre à mão e a que recorremos frequentemente quando somos defrontados com desafios difíceis”. Mesmo no final do livro a autora, Dalila Pinto de Almeida, deixa um alerta: “A época em que vivemos exige de um líder o que sempre exigiu: que saiba conduzir as pessoas até ao ponto que só ele ainda viu, através de um caminho desenhado por todos, mesmo se depois alguns escolhem atalhos para lá chegar”. Aqui chegado devo fazer  uma declaração de interesse: a minha proximidade com a autora levou-me a conhecer todo o livro antes de ele ser editado. Mas o que aqui deixei escrito não é um favorecimento, é uma apreciação genuína.

 

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O FADISTA - “Aves Agoirentas” é um fado de David Mourão Ferreira e Alain Oulman gravado por Amália para o histórico álbum “Busto”, um dos mais importantes e surpreendentes da sua carreira - e que em breve vai ter nova edição. Nunca tinha ouvido “Aves Agoirentas” por outra voz - ainda por cima por uma voz de homem. É como se, sendo o mesmo fado, fosse outro, com um sentido de respeito e homenagem a Amália. Este novo álbum “Horas Vazias”, de Camané, é um reforço da sua crença no Fado. Por isso gravou o “Fado Rosa” de João David Rosa com um poema de Sebastião Cerqueira, “As Vezes Há Um Silêncio” de Jaime Santos,  “Amar Não Custa”, também com um poema de Sebastião Cerqueira; e destaco o  atrevimento mostrado na abordagem de “As Ilhas Afortunadas” de Fernando Pessoa, aqui dedicado a José Pracana. Camané é um fadista de palavras - sabe-as sentir e cantar como mais nenhum da sua geração - é esse talvez o maior testemunho que guardou do seu trabalho com José Mário Branco, que produziu todos os seus discos até ter morrido. Para produzir este novo álbum, Camané foi buscar um homem do jazz, Pedro Moreira que trabalhou com habituais parceiros de Camané: José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola de fado e Carlos Bica no contrabaixo, que tiveram a companhia ocasional do saxofone de Ricardo Toscano, o acordeão de João Barradas e um sexteto de cordas. José Mário Branco continua no entanto presente, com uma música que fez para o poema  inédito de Amália Rodrigues “Tenho Dois Corações”. Além dos nomes já referidos há outros nestes 16 temas, como Amélia Muge, Maria do Rosário Pedreira, João Monge, Jorge Palma,  Sérgio Godinho, Vitorino Salomé e Pedro Abrunhosa - a quem coube o primeiro tema do álbum, “Que Flor Se Abre No Peito”, onde Camané mostra logo tudo o que o torna único.

 

A MORCELA - Ora bem, hoje vou escrever sobre comida de conforto, alimentos que nos façam aquecer o corpo e a alma. Registo com agrado que recomeçou a época do cozido à portuguesa. Por mais paradoxal que pareça, uma das coisas de que mais gosto no cozido não tem a ver com carne. Para eventual espanto de alguns defendo a essência vegetariana do cozido à portuguesa: a cabeça de nabo, as cenouras, a couve, um arrozinho aprimorado dentro da tradicional bola de cozedura que mergulha no panelão e ganha o sabor das carnes, sabor que se estende ao molho que há-de regar os legumes. No cozido, em matéria carnívora, sou um morceleiro. Sem boa morcela o cozido não é a mesma coisa e um pedaço de toucinho rico também acompanha a preceito. Uma boa amiga que festeja sempre o aniversário com um belo cozido faz questão lembrar a assistência que há reforço de morcela em minha honra - por uma vez há mais morcela que farinheira, digo eu sorrindo para dentro. Ainda tenho na memória o sabor de infância da morcela fresca, larga, cortada sem ser muito grossa, em cima de uma fatia de bom pão alentejano. Para mim era um lanche, sentado nas escadas de granito dos meus avós. Não é fácil arranjar boa morcela, mas naqueles aniversários ela é sempre de boa qualidade e a que mais me lembra a minha infância.

 

DIXIT - “É este o grande princípio das democracias liberais: limitar o poder político de modo a garantir que ninguém, seja por via do Estado ou das grandes empresas, controle ou condicione a vida dos cidadãos” - André Abrantes Amaral

 

BACK TO BASICS - “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada” -  Otto von Bismark

 







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