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Esta semana destaco dois factos políticos. O primeiro é apenas curioso - o Bloco de Esquerda anunciou querer ser Governo, com o PS, claro, e apontou até nomes ministeriáveis. A partir de agora o suspense não é saber quem serão os próximos ministros após as eleições legislativas do próximo ano; o suspense é saber o que o PCP fará se o Bloco, ou alguma das suas margens, entrar para um futuro Governo de António Costa. O segundo facto político é importante, bem mais importante, e decorre de uma intervenção doutrinal do Presidente da República sob o tema “Portugal Independente - A partir da sua história, que futuro desejável para Portugal?”. Tratava-se o primeiro Encontro de reflexão promovido pela Fundação Batalha de Aljubarrota e nele Marcelo Rebelo de Sousa fez uma intervenção, escrita, cheia de alusões ao presente e carregada  de recados diversos virados para o futuro próximo. Numa alusão concreta a factos recentes o Presidente da República, no contexto do enquadramento dos actos eleitorais de 2019 (Europeias e Legislativas), pediu aos partidos “clareza dos propósitos” e “verosimilhança da solidez da sua base de apoio político  - para que as propostas não fiquem apenas como meras intenções sem capacidade de ser poder”. Depois fez uma alusão a alguns protagonistas políticos que têm estado, digamos, apagados, numa frase que parece destinada a alguma oposição:  “Quem se atrasar ou faltar mesmo à chamada para o encontro com os portugueses não se poderá queixar do destino nem da penosidade do recomeço da caminhada nos idos mais próximos”. Mas o Presidente não se ficou por aqui: reconheceu que existe um debate a aprofundar sobre o sistema eleitoral e aconselhou os partidos parlamentares a terem em conta o debate que sobre o tema já começou fora do Parlamento, na Sociedade Civil - uma discreta referência às ideias de um recente encontro da SEDES e da Associação Por Uma Democracia de Qualidade, onde Marcelo aliás esteve, e em que o tema central foi a revisão da Lei Eleitoral. E, finalmente, referindo-se à necessidade de manter a coesão do território, o Presidente da República foi claro a elogiar o trabalho desenvolvido nas Regiões Autónomas da Madeira e Açores, mas também claríssimo a deixar no ar que não será a criar novas regiões que o problema do desenvolvimento do país se resolverá. Sumário da lição parlamentar: partidos deixem-se de fantasias e sejam realistas, oposição faça o favor de trabalhar, Assembleia da República assuma a questão da revisão da Lei Eleitoral e senhores políticos desenvolvam a descentralização mas não fragmentem o país. Marcelo pegou na pá da padeira de Aljubarrota e não foi brando.

 

SEMANADA - 32% das crianças portuguesas entre os 2 e os 10 anos têm excesso de peso; o movimento de passageiros nos aeroportos portugueses atingiu os 52,7 milhões em 2017 e Lisboa destacou-se com o maior número,  26,6 milhões; de acordo com os dados de 2018 do Bareme Internet da Marktest, 526 mil lares de Portugal Continental possuem televisão com acesso à internet (smart TV) e a penetração deste equipamento duplicou nos últimos 3 anos; segundo a Marktest,  em termos musicais, em Portugal, as mulheres preferem o pop e os homens preferem o rock; durante a Web Summit deste ano registou-se, em Lisboa, um aumento de 20,5 por cento no número de compras e levantamentos nas redes de caixas automáticas e terminais de pagamento; os visitantes do Reino Unido ) foram os que mais operações efectuaram, seguidos dos cidadãos provenientes de França , Estados Unidos, Espanha e Alemanha; efeito colateral da  Web Summit: Lisboa foi citada em 8.195 notícias em meios online de mais de 110 países e segundo um estudo da Cision, os Estados Unidos foram o país que mais destaque deu ao evento seguido da Espanha, Reino Unido, França e Alemanha; a greve dos estivadores do porto de Setúbal está  a pôr em causa a capacidade de escoamento da produção  Auto-Europa ; no terceiro trimestre a economia portuguesa cresceu ao ritmo mais baixo do ano; a diminuição das exportações é a explicação avançada pelo INE para explicar os sinais de abrandamento que a economia portuguesa está a dar; na PSP há sindicatos com mais dirigentes que sócios.

 

ESTATÍSTICAS LISBOETAS - Lisboa tem actualmente 7230 edifícios “em mau ou péssimo estado de conservação”, a par de um total de 2626 imóveis total ou parcialmente devolutos.

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UMA HISTÓRIA DE ANGOLA - Aí está a nova edição de “Teoria Geral do Esquecimento”, um dos mais aclamados livros de José Eduardo Agualusa, editado originalmente em 2012, e que foi distinguido com o Prémio Literário Fernando Namora em 2013, finalista do Man Booker International em 2016 e vencedor do International Dublin Literary Award em 2017. “Teoria Geral do Esquecimento” relata, na personagem de Ludo - Ludovica Fernandes Mano - a história de uma Angola sem rumo no fim da época colonial e nos primeiros anos da independência. No meio de tumultos generalizados Ludo, uma portuguesa assustada pelo que vê passar-se à sua volta, decide proteger-se e isolar-se no seu apartamento, em Luanda, erguendo uma parede que separa o seu apartamento do restante edifício e do resto do mundo e assim vive num universo só seu durante quase trinta anos, costas viradas à realidade que se desenha à sua volta e a tudo o que nessa época se passou - das lutas internas pelo poder à guerra civil, passando por negócios pouco limpos . A ficção desenvolve-se a partir de um imaginário de notas, poemas, desenhos e prosa que Ludo escreveu nesse período, conhecidos depois da sua morte, num hospital, aos 85 anos. Este é um exercício de ficção que se confronta com o recordar de uma dura realidade da Luanda desses tempos, assim evocada por José Eduardo Agualusa.

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ARTES DE TODOS OS TEMPOS - Até dia 18 a Sociedade Nacional de Belas Artes acolhe pela primeira vez a nova Feira da Associação Portuguesa de Antiquários, que passa a coexistir, naquele espaço e nesta época, com a outra Feira da Associação, que decorre em Abril na Cordoaria e que ali se realiza há mais de duas décadas. No novo espaço estão presentes 15 expositores (na Cordoaria este ano estiveram 25). A ideia é proporcionar uma maior selecção das peças expostas, condições de montagem e iluminação mais interessantes e um espaço mais contido. O resultado é bom e a opção de incluir expositores de várias áreas cria um contraste interessante proporcionando a descoberta de peças de todo o mundo representativas de diferentes épocas, países e correntes artísticas, desde a arte antiga à contemporânea, passando pela moderna. Destaco a presença da Galeria Bessa Pereira com peças de mobiliário moderno de referência, nomeadamente as desenhadas por Le Corbusier para alguns dos edifícios do seu plano de criação da nova Chandigarh, a capital do Punjabe na Índia,  no início dos anos 50, em colaboração com Pierre Jeanneret. Mas existem outras peças , como as que estão na fotografia - uma magnífica secretária do arquitecto e designer brasileiro Sérgio Rodrigues, acompanhada por uma cadeira original de Gerrit Rietveld, da segunda metade dos anos 60. Destaque também para as peças de decoração e jóias expostas por Isabel Lopes da Silva, para as obras mostradas pela Galeria S. Mamede e para as preciosidades mostradas por Manuel Castilho. Esta nova Feira de Arte e Antiguidades da APA ficará na Sociedade Nacional de Belas Artes até dia 18 - hoje das 16 às 21h00, sábado das 14 às 21H e domingo das 12 às 19h00. Rua Barata Salgueiro 36.

 

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REVISITAR A SOUL - O cantor de jazz norte-americano José James tem feito carreira introduzindo alguma inovação em repertórios antigos de grandes nomes - a sua reinterpretação de temas de Billie Holiday editada em 2015 sob o título “Yesterday I Had The Blues” passou com distinção na sempre difícil tarefa de fazer versões de obra alheia. Mas é precisamente esse o território onde José James se sente mais à vontade. Reincidiu agora com “Lean On Me”, que pega nos grandes clássicos de Bill Withers, um nome da soul music injustamente pouco recordado. Withers, que ainda vive, gravou entre 1971 e 1985, ano em que se retirou de cena, desgostoso com o caminho que a indústria discográfica levava. Pelo meio ficaram temas como “Ain’t No Sunshine”, “Grandma’s Hands”, “Lean On Me”, “Use Me”, todos retomados neste  novo disco onde José James consegue duas coisas: prestar uma homenagem e, sobretudo, mostrar o talento de Bill Withers, bem exemplificado nas suas 12 canções aqui recriadas. Para além dos temas já citados, destaque para as interpretações de “Who Is He” ou “Hope She’ll Be Happier” e para os arranjos de “Better Off Dead” e de “The Same Love That Made Me Laugh” que são especialmente interessantes, assim como um dos pontos altos deste disco, o dueto de James com Lalah Hathaway em “Lovely Day”.

 

TINTO OUTONAL -  À medida que o Outono entra pelo calendário apetece comida de conforto, acompanhada por um vinho honesto. Esta semana recomendo um vinho facilmente disponível e com uma boa relação de qualidade/preço (cerca de 5 euros)  - o Marquês de Borba Colheita, 2017, feito por João Portugal Ramos a partir das castas Alicante Bouschet, Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional, Petit Verdot e Merlot, fermentação dividida por lagar de mármore e cuba de inox, com controle de temperatura e estágio de seis meses em meias pipas de carvalho francês. É um vinho tinto jovem e suave, recomenda-se que seja servido a uma temperatura entre os 14°C e os 16°C. Tem uma bom aroma, com destaque para os frutos vermelhos, com equilíbrio entre fruta, acidez e taninos suaves. Acompanha bem carnes vermelhas, queijos intensos, pratos de bacalhau ou o tradicional cozido à portuguesa. João Portugal Ramos produz seis milhões de garrafas por ano de várias regiões do país, que têm como destino o Brasil, Estados Unidos, China e Suécia, além de Portugal e o Marquês de Borba é uma das suas marcas mais antigas e mais vendidas.

 

DIXIT - “Estaremos  no Governo quando o povo quiser” - Catarina Martins

 

BOLSA DE VALORES - Hoje, amanhã e Domingo são as últimas oportunidades para ver o magnífico “Worst Of” da companhia Teatro de Praga na sala Garrett do Teatro Nacional D. Maria II, uma revisitação do teatro português feita com humor  e uma encenação invulgar - bilhetes de 10 a 17 euros.

 

BACK TO BASICS - “Não há regras absolutas de conduta, quer na paz, quer na guerra. Tudo depende das circunstâncias” - Leon Trotsky

 

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