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A LIDERANÇA - A crise que vivemos é um desafio à capacidade de nos organizarmos, lutarmos e mudarmos, para garantir um novo futuro. Este não é tempo de profetas, mas é tempo para pensarmos pelas nossas próprias cabeças e vermos onde líderes políticos actuais nos levaram. Esta é a fase em que devemos pensar e preparar a resposta - a resposta que garanta a sobrevivência de pessoas, da economia, da sociedade. Por estes dias li uma entrevista do historiador e filósofo israelita Yuval Noah Harari, autor de “Sapiens: Uma breve história da humanidade”, de “Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã” e de “21 Lições para o Século 21”. Dessa entrevista retive dois parágrafos - o que reproduzo no Back To Basics e este, que creio resumir o que se passa: “Devido à falta de liderança, não estamos a tirar o máximo partido da nossa capacidade de cooperação. Nos últimos anos, políticos irresponsáveis têm deliberadamente minado a confiança na ciência e na cooperação internacional. Estamos agora a pagar o preço por isso.”  Claro que há mais temas para analisar e reflectir sobre a situação actual, mas a verdade é que o que hoje se passa mostra o desfasamento entre os líderes políticos e as necessidades da sociedade - em termos de estabelecimento de prioridades de investimento em áreas como a ciência e a saúde. Passámos de uma fase em que os Ministros das Finanças faziam com que não houvesse dinheiro para nada, para a fase em que os governos disponibilizam milhões e milhões - esperemos que não seja tarde demais. A situação actual evidencia que é sempre melhor prevenir do que remediar. O remédio, como estamos a ver, é sempre mais caro que a prevenção. Esta é apenas uma das etapas - mas importante - da mudança global de estratégias que tem de ser feita. Fala-se muito de mudança e liderança nas empresas. Aquilo que hoje vivemos mostra que o sentido da mudança e um novo estilo de liderança são também fundamentais na sociedade e na política que é suposto governá-la. O fundamental é melhorar o sistema, e não abandoná- lo.

 

SEMANADA - O preço da carne subiu;  nas lotas os pescadores vendem peixe a metade do preço; foram detectados casos de especulação na venda de produtos como gel desinfectante, máscaras, luvas e até paracetamol; com o fecho dos parques de campismo 13 mil caravanistas ficaram desalojados; um estudo europeu revela que Portugal não tem habitação social suficiente para as necessidades; o mesmo estudo do Conselho da Europa aponta falhas graves na protecção de crianças e jovens; sem o retomar das competições à vista os responsáveis dos jornais desportivos portugueses estão apreensivos quanto ao futuro; 43,7% dos portugueses considera a actuação do governo na pandemia como “pouco eficaz”, 40,9% como eficaz e apenas 5,4% como “muito eficaz”; uma sondagem divulgada esta semana revela um reforço da imagem de António Costa, algum desgaste de Marcelo Rebelo de Sousa, e subidas assinaláveis do Bloco de Esquerda e Chega que ficam, respectivamente, na terceira e quarta posição, logo atrás do PSD e à frente da CDU, PAN e CDS; se a pandemia durar três meses o PIB português pode ter uma quebra de 10%; o valor médio das casas em Portugal subiu 21% em cinco anos; os preços da habitação em Lisboa são 35% superiores à média nacional; o preço de venda das novas habitações subiu cinco vezes mais que o da construção;  o Facebook registou esta semana um aumento exponencial de utilização mas as suas receitas publicitárias diminuíram e o maior aumento de utilização verifica-se nas áreas de mensagens da rede social e do whatsapp.

 

ARCO DA VELHA - Segundo informações da Ordem dos Solicitadores a venda de bens penhorados rendeu 1,6 mil milhões de euros em menos de quatro anos. 

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ARTES - Desde que as medidas de contenção do Covid 19 foram tomadas todos os espaços públicos foram sendo progressivamente fechados. Entre eles estão as galerias de arte privadas, local de eleição de apresentação de obras de artistas contemporâneos, novos ou consagrados. De um modo geral uma série de actividades culturais que por definição implicam a presença de públicos têm as portas fechadas. Muitos  artistas plásticos portugueses preparavam exposições para os próximos meses, em Portugal ou no estrangeiro. Algumas já não se poderão fazer, pelo menos nas datas indicadas. Os artistas plásticos vivem das suas obras que vendem. Se os locais onde as podem mostrar e vender estão encerrados, não há vendas, não há receitas. Não vai ser fácil para muitos. Independentemente das medidas conjunturais que estão a ser tomadas esta é uma boa oportunidade para pensar o que se pode fazer no futuro. E uma das mais simples e evidentes ajudas que o Estado pode dar é criar uma nova Lei do Mecenato , que seja mais fácil de usar para criadores, entidades e mecenas - privados ou empresariais. Há muitos modelos dignos de estudo no mundo e todos passam por uma mesma coisa - incentivos fiscais para os mecenas, taxas reduzidas para os criadores. No caso das artes plásticas há coisas tão absurdas como a dificuldade que é uma empresa comprar obras de arte, podendo considerá~las como custo - tal como outras partes do seu imobilizado. O efeito na receita fiscal do Estado é ridículo, mas esta medida, por si só, permitiria alargar o mercado. É nestas questões que vale a pena pensar para o futuro. Na imagem que acompanha estas palavras está a exposição de Sara Bichão na Galeria Filomena Soares, que foi montada mas nem sequer chegou a ser inaugurada. Podem ver mais em http://gfilomenasoares.com/

 

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PLAYLISTS - Embora em casa, não temos que ficar confinados nem aos nossos discos nem ao que o Spotify nos quiser dar . Sugiro-vos que naveguem pela plataforma Mixcloud, onde DJ’s de todo o lado (incluindo muitos portugueses) e algumas entidades ligadas à música fazem autênticos programas de rádio. A ideia é ouvirem selecções musicais, de vários géneros, playlists bem elaboradas. As possibilidades são imensas, por isso vale a pena explorar bem a plataforma - tem uma aplicação que funciona muito bem em smartphones. Lá poderá descobrir por exemplo o Ronnie Scott Radio Show, preparado pelo lendário clube de jazz de Londres, ou listas de DJ’s portugueses, como a Mixtape Nação Valente de MdeMonica Mendes, ou as Sleeping Dogs Lie de Miguel Santos, a Eclética de Lucinda Sebastião, a Estrada do Guincho de Lucio (José Lucio Duarte) ou ainda as Dance Sessions de João Vaz. Algumas destas listas têm dezenas e até centenas de emissões diferentes, muito moldadas obviamente aos gostos dos seus autores. Em todos estes exemplos a música é boa e as sequências apresentadas são muito bem pensadas. São programas de autor como já é raro ouvir hoje em dia na rádio. Nestes dias tenho acompanhado o trabalho diário de um DJ do Porto, há muito ligado à música e à descoberta de músicos, Pedro Tenreiro. A sua Quarentena Funky tem sempre capas bem escolhidas (como esta que aqui se reproduz) e o que ele propõe é soul e funk do melhor. Muito bom para animar o ritmo destes dias - uma sempre renovada pista de dança em casa.

 

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MISTÉRIOS NÓRDICOS - Bem sei que estes tempos já são bastante misteriosos. Mas por isso mesmo pode ser boa ideia pegar numa boa história dos tempos de guerra, ainda por cima baseada em factos reais. Henry Rinnan é a personagem central de “Léxico da Luz e da Escuridão” e torna-se odiado por ser um agente duplo que mata noruegueses para os nazis. O seu autor, Simon Stranger, é um prestigiado escritor norueguês e o presente livro, agora editado pela Quetzal, com boa tradução de João Reis,  foi galardoado com o Prémio dos Livreiros Noruegueses. A história desenrola-se a partir de uma acaso: a família da mulher do escritor, depois da guerra, vai morar para a casa que serviu de quartel general a Rinnan, onde ele próprio vivia e onde os resistentes noruegueses que ele entregava eram torturados. É uma visita a um passado sombrio, um retrato duplo de um traidor criminoso e de uma família que havia sido devastada pela guerra - o bisavô da mulher de Stranger morreu depois de ter sido entregue pelo próprio Rinnan. A família acaba por descobrir a história terrível da casa para onde foi morar, o que cria tensões enormes. Muito bem escrito, o livro é passado na cidade de Trondheim, que quase ficamos a conhecer pela minuciosa descrição dos locais. Envolvente do princípio ao fim, este é um daqueles livros que não se consegue largar até terminar.

 

OS MERCADOS - Na maior parte dos supermercados e nas grandes superfícies há filas e muitas vezes há falta de produtos, nomeadamente frescos. Nesta semana entrei num mercado tradicional e quase ninguém lá estava, além dos vendedores nas suas bancas. E as bancas estavam bem fornecidas - de peixe, de carne, de fruta, de legumes e até de alguns produtos regionais. Alguém me explicava que muitos restaurantes abastecem-se nos mercados e agora, com o encerramento dos restaurantes, os mercados tradicionais tiveram um decréscimo de actividade. Vale a pena lá ir - comprei peras como ainda não tinha provado este ano e tomate coração de boi absolutamente fantástico. O tomate, maduro, temperado com um pouco de flor de sal fez as minhas delícias e foi um acompanhamento fantástico do peito de frango no forno, temperado com mel. A entrada consistiu nuns bons rabanetes cortados em fatias finas e temperados só com sal. Na mesma ocasião comprei também umas sumarentas laranjas que foram a base de uma salada que brilhou noutra refeição. Por cima das rodelas de laranja descascada coloquei filetes de cavala de conserva a que escorri o azeite. A coisa foi acompanhada por uma boa fatia de pão de mistura cozido em forno de lenha, que também veio do mercado. E as peras garantiram a sobremesa. O regresso aos mercados vale a pena. E quem os mantém vivos bem merece.

 

DIXIT -  “É preciso investir mais. Agilizar mais os procedimentos. É preciso uma estratégia clara a nível europeu, que oriente, apoie e reforce as respostas que estão a ser dadas pelos diferentes países. Temos de subir a parada à escala da ameaça que enfrentamos” - Maria da Graça Carvalho, eurodeputada.

 

BACK TO BASICS - “A crise realça a fragilidade do nosso sistema global, mas a reacção correcta é melhorar o sistema em vez de abandoná-lo”- Yuval Noah Harari.

 

 

 

 

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