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Juntaram-se os três à esquina a atirar água e a soprar forte. Deram cabo do que lhes apareceu pela frente. Chamam-se Ingrid, que foi a que chegou mais cedo, logo a seguir veio o Joseph e, como era muito brincalhão, chamou a Kristin, que desembarcou com a promessa de ser a mais azougada. É um trio declaradamente cinematográfico, como veremos adiante. Este trio tem-nos atormentado, andou a soprar forte por estas terras, regando-as copiosamente e salpicando-as dessa raridade nacional que é a neve. Dizem os meteorologistas que o trio, Ingrid, Joseph e Kristin, nasceu de uma depressão. Deve ter sido coisa de monta porque da forma como descarregaram em cima de nós as suas ansiedades parecia que estávamos sob ataque. Houve momentos, no início, em que a Ingrid e o Joseph mais pareciam Bonnie & Clyde, a rebentar tudo o que podiam à sua volta. Na altura pensei que este tempestuoso casal se deve ter inspirado num dos casais mais afectuosos do cinema: Gomez e Morticia Adams, da família Adams. O filme tem uma das falas mais fantásticas das fitas, quando Morticia se volta para Gomez e lhe diz: “Whenever we’re together darling, every night is Halloween”. A realidade, estamos nós a perceber, é que se sentiam sozinhos e chamaram Kristin para passar o Halloween a seu lado. Se eu fosse dado a maus pensamentos diria que estavam com vontade de um encontro a três. Os nomes são extraordinários. Um evoca Ingrid Bergman a estrela de Casablanca”, oscarizada em “À Meia Luz”, outro o realizador Joseph Losey, o genial criador do picante “Eva” e de “O Criado”, e por fim o terceiro nome faz-me lembrar Kristin Davis, a Charlotte de “Sex In The City”. Assim se vê como as tempestades provocaram cinematográficos encontros.
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