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NA VERDADE, QUEM VÊ TV E COMO?

por falcao, em 09.02.24

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A TV QUE TEMOS - Na semana do arranque dos debates eleitorais proponho um passeio pelo país televisivo, com base nesta pergunta: como são vistos os vários canais nas diversas zonas do país? Em média, a norte, é a TVI a liderar, enquanto no centro e na região de Lisboa lidera a SIC, embora a TVI seja  frequentemente líder na zona da grande Lisboa. A sul a RTP1 lidera quase sempre. Sugiro agora outra pergunta: como se comporta o conjunto dos canais generalistas nas mesmas zonas? - a resposta vai permitir-nos perceber o peso conjunto dos canais de cabo e das plataformas de streaming nessas regiões. Em semanas recentes, na região norte, a RTP1, SIC e TVI, em conjunto, foram vistas por 44,6% dos espectadores;  na região Centro por 46,7% , na região de Lisboa surge o resultado mais baixo, com 34,5%, e na região sul alcançaram 44,3%. Estes números não são estáticos, os valores aqui indicados referem-se a uma recente semana de janeiro. Mas, por exemplo, na semana passada, em termos nacionais, o conjunto de canais de cabo e das plataformas de streaming alcançou um total de 58,2%, deixando apenas 41,8% para os canais generalistas. Isto dá uma ideia da evolução do consumo de televisão e da quebra progressiva dos generalistas (RTP1 e RTP2, SIC e TVI). Vamos agora ver a posição relativa dos canais, os generalistas e alguns do cabo, no mês de janeiro. A SIC liderou com 15% de share médio, a TVI ficou em segundo com 14,7%, a RTP1 com 11,5% e a RTP2 com 0,8%; no cabo liderou a CMTV com 5,7%, seguida da CNN com 2,2%, a Fox com 2,1%, Hollywood com 2% e SIC Notícias com 1,9%. Já agora a RTP3, que além do cabo é transmitida em TDT, obteve apenas 1,1%. A realidade dos números é bem diferente da percepção que algumas pessoas têm.

 

SEMANADA - O presidente do Sindicato Nacional da Polícia admitiu a possibilidade de as forças de segurança realizarem um boicote à realização das legislativas;  seis das nove ilhas dos Açores trocaram de partido vencedor face às eleições de 2020, dando a vitória da AD sobre o PS; na campanha para as legislativas, para além de entrevistas a líderes partidários, estão previstos três dezenas de debates em estações de televisão além de alguns outros em estações de rádio;  o primeiro debate, entre Rui Rocha e Pedro Nuno Santos, na SIC Notícias, foi visto por cerca de 210 mil pessoas, mais do dobro da audiência habitual da estação nesse horario; as eleições legislativas vão levar os partidos políticos a gastar 8,2 milhões de euros na campanha e dois terços dessa verba serão gastos por PS e PSD; uma sondagem recente indica que 64% dos eleitores do PSD rejeitam um acordo com o Chega; mais de um terço do movimento global da economia portuguesa já vem das pessoas com mais de 60 anos e há indicadores de que em breve esse valor ultrapassará os 50%; nalgumas áreas da economia mais de 40% dos trabalhadores são estrangeiros; segundo a Autoridade da Concorrência na última década 40 empresas já confessaram a sua participação em cartéis, acordos proibidos com outras sociedades com o objectivo de manipular os preços; segundo o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge entre 18 de dezembro e 21 de janeiro registaram-se 3290 mortes além do esperado; quase 250 menores entre os 12 e os 16 anos foram obrigados pelos tribunais a cumprir medidas de acompanhamento ou internamento e 30% dos crimes graves ocorreram dentro da escola.

 

O ARCO DA VELHA -  Desde 2010 foram registados em média 174 casos de ofensas sexuais em escolas por ano, ou seja um caso por cada dia de aulas do ano lectivo.

 

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MEMÓRIAS LISBOETAS - Luis Pavão, um dos mais relevantes fotógrafos portugueses e porventura o que melhor viu Lisboa, dedicou-se, nas últimas décadas do século passado, desde finais dos anos 70 até ao início dos anos 2000,  a recolher ensaios fotográficos, documentais, sobre locais e tradições, alguns em extinção,  num trabalho persistente e único nesta cidade. Além de fotógrafo, Luis Pavão tem mantido uma actividade de referência na conservação e restauro do património de imagem depositado no Arquivo Fotográfico Municipal, situado na Rua da Palma. Agora e em nome próprio,  Luis Pavão apresenta “Lisboa Frágil”, que ficará no Pavilhão Preto do Museu de Lisboa - Palácio Pimenta (Campo Grande) até 31 de Março. A exposição, que inclui cerca de uma centena de imagens, integra sete núcleos. O primeiro, “Tabernas de Lisboa” (na imagem) é de 1981 e recupera um trabalho na época editado em livro. “Lisboa à Noite” é de 1983 e “Lisboa Tal Como a Vimos” é de 1985.”Bailes e colectividades” é de 1988, “Ensaios das Marchas” é de 1992, “Na Pista do Fado” é de 1993 e “Vésperas do Terceiro Milénio” é de 2000. Todos estes núcleos integram provas originais de época e outras actuais, e são mostradas em diversas vitrinas elementos informativos adicionais, bibliográficos, recortes de imprensa  e outros que ajudam a ter uma leitura mais pormenorizada do trabalho de Luís Pavão. “Neste estudo da cidade o fotógrafo mostra-nos lugares que oscilam entre o passado e o presente, testemunhos que nos ajudam a compreender a Lisboa que vivemos hoje. Uma cidade entre o pós-Expo e o pós-pandemia, onde a perda de identidade chegou de mãos dadas com a gentrificação” - sublinha a curadora Luisa Covarsi.

 

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ROTEIRO DAS BOAS VISTAS - “Não Ria. O Humor É Um Assunto Muito Sério: 100 anos de Sam” é a exposição organizada pelo Museu Bordalo Pinheiro, no Campo Grande, para assinalar o centenário do nascimento do cartoonista que fica em exibição até 19 de Maio; até 28 de Abril, no Museu Soares dos Reis, Porto, obras de Teresa Gonçalves Lobo em diálogo com obras de Domingos Sequeira; na Galeria Bruno Múrias (Rua Capitão Leitão 16), a exposição “One Second Plan” apresenta pinturas de Teresa Murtas; na galeria Nuno Centeno (Rua da Alegria 598, Porto ) Maria Capelo apresenta a até 24 de Fevereiro a série de pinturas intitulada “Maio neste Inverno” (na imagem); na Fonseca Macedo-Arte Contemporânea (Rua Guilherme Poças Falcão 23, Ponta Delgada), Beatriz Brum apresenta até 16 de Março  um conjunto de desenhos sob o título “Luz-Própria, Tudo O Que Existe” ; até 8 de Março a Galeria da Casa A. Molder apresenta “Waiting Around To Die”, de Henrique Pavão; na Galeria Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18B), Isa Toledo apresenta “Casa Commedia” até 8 de Março, um conjunto de peças com materiais diversos, cada uma assinalada de forma especial pela artista; e finalmente a Galeria 111 celebra os seus 60 anos de actividade com uma dupla exposição: no Centro de Arte Manuel de Brito (Campo Grande 113), até 3 de Agosto, podem ser vistas cerca de 120 obras do seu acervo, representativa de artistas que lá expuseram; e na Galeria 111 (Rua Dr. João Soares 5B), está até 13 de Abril uma mostra de desenhos de Lourdes Castro e Paula Rego.

 

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UM CATÁLOGO EXEMPLAR - Até 28 de Maio, na Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian pode ser vista a exposição “As Mulheres de Maria Lamas” que, com curadoria de Jorge Calado, apresenta uma seleção de 67 das suas fotografias, maioritariamente provas vintage (da época), de pequenas dimensões, entre 8 x 6 cm e 14 x 18 cm, mas também algumas ampliações. Além destas, estão expostas provas da época de outros fotógrafos incluídas na obra “Mulheres do Meu País”, um livro de referência na fotografia portuguesa, há muito fora do mercado. Por ocasião desta exposição a Fundação Gulbenkian editou um catálogo que é ele próprio uma obra de referência, não só sobre a obra de Maria Lamas, mas também sobre a fotografia em Portugal, com textos de Jorge Calado, Alexandre Pomar, Raquel Henriques da Silva e Alice Vieira. Há dois textos que merecem particular destaque - um deles é  “Pistas Para Um Mapa - Fotógrafos e fotografias nos meados do século XX”, de Alexandre Pomar, um valioso contributo para entendermos a história da fotografia portuguesa na segunda metade do século XX; e outro é “A Tripla Missão de Maria Lamas-Para uma análise da sua obra fotográfica”, de Jorge Calado, um belíssimo ensaio sobre a obra de Maria Lamas. Raquel Henriques da Silva escreve sobre “Além da fotografia - A Obra Artística em As Mulheres do Meu País” e “Alice Vieira” fala da sua relação próxima, pessoal e familiar com Maria Lamas em “A Minha Prima Maria”. Jorge Calado assina também um outro texto “Inteligentemente Mulher”, que traça o percurso de vida e trabalho de Maria Lamas, situando-o no seu tempo. O catálogo inclui ainda as fotografias apresentadas na exposição, com informação sobre cada uma delas, assim como diversas ilustrações de época e reproduções de páginas da edição original do livro.

 

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RITMOS ARREBATADORES - Club Makumba é um quarteto composto pelo  guitarrista Tó Trips, o baterista João Doce, o contrabaixista Gonçalo Leonardo e o saxofonista Gonçalo Prazeres. São todos eles músicos notáveis e, em conjunto, conseguem uma harmonia rara. Se me permitem, no caso de Tó Trips ele está naquele grupo muito restrito de talentos musicais que se destacam por uma sonoridade própria que é seu som de marca e que o distingue de todos os outros guitarristas, marca que vem do tempo dos Lulu Blind nos anos 90 e, mais tarde, dos Dead Combo. Regresso ao Club Makumba, que lançou agora o seu segundo disco, “Sulitânia Beat”, mais uma explosão de ritmos, banda sonora capaz de alegrar qualquer dia. “Sulitânia Beat” traz 13 canções que desfilam ao longo de 45 minutos com algumas novidades - nomeadamente maior e merecido protagonismo ao saxofone de Gonçalo Prazeres, aliás audível logo no primeiro tema, “Janaina Calling”. Este é um disco que evoca sons de outros continentes, passeando-se livremente nas águas do mediterrânio e no calor do norte de África, como se constata em “Baía das Negras” e “Black Berbere”. Os sons tropicais são evocados em “Samba Catano”, o fascínio do oriente é trazido por “Golden Shangai” , os ritmos trepidantes em “Maragato” ou “Joça”, onde mais uma vez o saxofone ganha asas ou nos ares do deserto que encerram o disco em “Quibir”. Um grande disco, do melhor que a música portuguesa tem para mostrar actualmente. Disponível nas plataformas de streaming.

 

DIXIT - “A democracia portuguesa comemora os 50 anos do 25 de Abril, os 50 anos das eleições livres e os 50 anos da Constituição numa desordem institucional jamais vista. Festejam-se com quatro eleições, três dissoluções de parlamentos e assembleias legislativas, três governos demitidos” - António Barreto

 

BACK TO BASICS - “A questão não é o que queremos saber sobre as pessoas, é sim o que é que as pessoas estão dispostas a revelar sobre si próprias” - Mark Zuckerberg, que fundou o Facebook há 20 anos






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