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Quando este artigo foi escrito a crise gerada pelo COVID 19 só se desenhava. Não retiro uma linha do que escrevi. Mas reforço aqui o apelo a que todos colaboremos para diminuir os riscos de propagação e para aumentarmos o apoio que podemos dar uns aos outros. Reforço aqui a citação da grande investigadora que foi Marie Curie e que é hoje o Back To Basics:  “Nada na vida é para ser temido, mas sim para ser compreendido”.

 

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UM PAÍS DESIGUAL - As palavras que se seguem não são minhas, são de uma intervenção de Carlos Guimarães Pinto, ex-líder da Iniciativa Liberal, numa conferência recente sobre “Novas Desigualdades”.  É uma análise poucas vezes feita. E certeira. Excertos: “Há uma opção política clara de concentrar o poder político em Lisboa, de concentrar os negócios do estado na capital. Tendo o estado um peso tão grande na economia, esta concentração arrasta inevitavelmente o poder económico, e ambos arrastam o poder mediático. O centralismo garante que o poder no país está concentrado num pequeno círculo de pessoas distante do escrutínio da maioria, facilitando redes de nepotismo e corrupção. (...)  Cada vez mais a elite é um círculo fechado controlado por meia dúzia de famílias e dois ou três grupos mais ou menos secretos. A esmagadora maioria das pessoas neste país, por muito bons que sejam, não podem aspirar a chegar a altos cargos na política ou nas empresas. Esta ausência de meritocracia tem implicações graves na forma como o país e as grandes empresas são geridas. Para termos os melhores no topo, o acesso a esses lugares não pode estar restrito a quem tem o apelido certo ou pertence a uma qualquer organização secreta. Para além de aprofundar desigualdades, a concentração de poder faz com que se desperdice muito capital humano. Há um eixo de Braga a Coimbra onde se concentra muita da criação de conhecimento do país e, acima de tudo, onde ainda se vai concentrando uma boa parte da população jovem. Mas nesse eixo, onde se formam os jovens da geração mais bem preparada de sempre escasseiam as oportunidades de crescimento profissional. (...) Mais 5 anos e podemos ser o país mais pobre da Zona Euro. Daqui a 10 ou 15 anos poderemos ser o país mais pobre não só da Zona Euro como da União Europeia. Estamos num país centralista, com elevada carga fiscal onde redes de compadrio e nepotismo se substituem aos mecanismos de concorrência e mercado que deveriam guiar uma economia desenvolvida.”  É isto. É este o estado da Nação. 

 

SEMANADA - Mais de 60% dos hotéis do Algarve registam cancelamento de reservas; um quarto dos membros do Governo têm participações directas ou indirectas no capital de empresas e alguns dos casos não foram declarados no registo de interesses; a procura de cursos superiores de curta duração aumentou 21%; a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil emitiu um parecer desfavorável sobre o projecto do aeroporto do Montijo devido ao risco de acidentes com aves e aeronaves; os tempos de espera para marcações de exames e intervenções cirúrgicas levou mais de 700 mil portugueses a escolherem ser tratados em hospitais fora da sua área de residência; em Penamacor o presidente da Câmara forjou contrato com pais e irmãos da sua chefe de gabinete, e ex-vereadora, para dar cobertura a uma obra de quase 150 mil euros feita ilegalmente três anos antes; Portugal é o país da OCDE onde os custos com a habitação mais subiram; a maternidade depois dos 40 anos duplicou entre 2011 e 2018 devido à precaridade laboral; mais de metade dos bebés são filhos de mães solteiras; em Lisboa a esquadra de Turismo da PSP é a que tem mais denúncias de crimes; os transportes públicos de Lisboa são o serviço com os clientes mais insatisfeitos pelo sétimo ano seguido; nos últimos 15 anos centenas de processos da Relação de Lisboa foram distribuídos manualmente, o que agrava as suspeitas de viciação.

 

ARCO DA VELHA -  Segundo o “Correio da Manhã” a PSP está sem dinheiro para reparar viaturas e há agentes do Corpo de Intervenção que trazem papel higiénico de casa já que o mesmo não está por vezes disponível no local de trabalho.

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NORTE-SUL - Ana Vidigal faz uma incursão na pintura sobre papel, pouco frequente na sua obra mais recente onde a colagem tem estado mais presente. O resultado é a exposição “amor-próprio” que abre sábado no Porto, no espaço 531 do galerista Fernando Santos. A história é simples - Ana Vidigal aceitou o desafio do galerista e de Pedro Quintas para realizar uma série de trabalhos em pequenos formatos para esta exposição (na imagem). Vidigal não utiliza geralmente esse formato com dimensões de cerca de 100 X 70. Mas desta vez estabeleceu uma dimensão e forçou-se a esse exercício de atelier que pode agora ser visto nesta exposição intitulada “amor-próprio” constituída por 16 pinturas sobre papel de 14 de Março a 02 de Maio de 2020 no espaço 531 da Galeria Fernando Santos, no Porto. Outra sugestão é a exposição de José Pedro Croft, “1 nova, 2 nem tanto” que apresenta três esculturas, todas obras inéditas. A peça central é composta por camadas, evocando a imagem de uma cabana, uma espécie de abrigo primitivo constituído por  placas de ferro unidas duas a duas, juntas num ponto, e pintadas. No meio das placas, um conjunto de duas grelhas, recorda os desenhos de Croft e reforça a luz como parte da obra. As outras duas esculturas —uma em madeira, mármore e gesso e a outra em madeira e gesso— são ambas feitas a partir de portas reutilizadas que perderam a sua função original. De 12 de Março a 2 de Maio, na Galeria Vera Cortês, em Lisboa, de terça a sexta das duas às sete e no sábado entre as dez e a uma e dentre as duas e as sete.

 

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POP ROCK - Hoje o tema é música pop, de inspiração electrónica, feita por um duo originário de Brooklyn e que dá pelo nome de Overcoats. O seu segundo álbum  é “The Fight”, acabado de publicar e disponível no Spotify. Hana Elion and JJ Mitchell são as duas compositoras e intérpretes que constituem o duo, cuja estreia foi em 2017 com o álbum “Young”. No início basearam-se na conjugação de um pop de instrumentação electrónica com algumas influências do folk, sobretudo na forma de cantar. Neste novo disco os arranjos são bem diferentes, entram guitarras e bateria e sente-se uma produção onde o rock se faz sentir mais presente, como no no tema “The Fool”, que foi o primeiro single Os dez temas do álbum são bastante diversos entre si, incluem uma balada acústica como”New Shoes”, a encerrar o disco, e um envolvente “I’ll Be There”, onde os arranjos vão crescendo ao lado das vozes. Outros temas em destaque: “Apathetic Boys”, “Leave If You Wanna” e “Fire And Fury”.

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EPISÓDIOS DA JUSTIÇA - Nos últimos anos ouvi numerosas crónicas de rádio de António Canêdo Berenguel, que, na TSF, contava episódios curiosos e algo rocambolescos da justiça portuguesa ao longo dos séculos. Berenguel é advogado em Portalegre e tem-se cruzado com muitas histórias no exercício da sua profissão - mas foi nos fundos dos arquivos judiciais que encontrou algumas das mais incríveis e surpreendentes, ocorridas nos finais do século XIX e início do século XX. Com o título “Histórias da Justiça”, essa sua rubrica da TSF contava coisas que vão da passagem de notas falsas em ceroulas até casos de  barbeiros abortadeiros, passando por furtos de galinha, queijos ou presuntos. Há histórias inacreditáveis como a de um político local que mudou a hora nacional, ou de ex- namorados que foram parar ao tribunal por uma disputa de sabonetes. Os títulos das histórias narradas são por si só um episódio: “A açorda e a morte suspeita”, “O tigre chamado Porfírio vivia no Rossio da vila”, “O porco comeu-lhe a merenda”, “O oficial de justiça apaixonado”, “As cartas da mulher do juiz”, “as mãos por baixo das saias” ou “mordeu a sogra junto à virilha” são alguns deles. O mais delicioso de tudo está nas citações dos registos dos julgamentos, a transcrição de sentenças  ou de boletins do registo criminal. É um retrato de Portugal num determinado tempo - mas em muitos momentos estes parecem ser casos de sempre, que se vão repetindo. Na introdução o autor constata que olhando para o país de então e para o país de hoje, muito mudou e interroga-se: O que mudou no essencial? Que povo fomos e somos? Que justiça é esta e foi a outra? Que valores cimentavam os laços sociais? Segundo o autor, «as respostas estão nos processos, um acervo documental único e o retrato fiel do país ao longo de séculos”. Edição Guerra & Paz.

 

PETISCO - O Folar Limiano é o meu tema desta semana depois de ter levado um que fez sucesso num lanche de amigos há uns dias. Elaborado com carnes seleccionadas e enchidos tradicionais, como o lombo do cachaço, o chouriço de carne, a barriga fumada e o chouriço para grelhar, o seu maior segredo está na massa, regada com vinho verde de Ponte do Lima, que lhe confere um sabor e uma textura inesperados. Este Folar Limiano tem um peso aproximado de 650 gramas, é uma óptima ideia para um petisco de fim de tarde e mantém-se fresco alguns dias. As carnes têm um sabor intenso, a massa tem um paladar delicado numa consistência suave. A receita deste Folar foi criada pelo chef Vitor Lima, que está à frente da Casa do Folar Limiano, em Ponte de Lima. Outra das suas especialidades são os bombons limianos, elaborados a partir de chocolate belga, com recheio de vinho verde, aguardente velha. A casa do Folar Limiano fica na Rua Salvato Feijó em Ponte de Lima mas pode comprar o Folar em Lisboa na Garrafeira Néctar das Avenidas, Rua Pinheiro Chagas 50, nas Avenidas Novas em Lisboa. Aproveite que além do Folar tem lá bons queijos e uma excelente selecção de vinhos.

 

DIXIT - “O coronavírus vai ser a prova de algodão do Governo de António Costa. Pela qualidade do combate à epidemia se verá se ele é um político de mão cheia” - João Miguel Tavares

 

BACK TO BASICS - “Nada na vida é para ser temido, mas sim para ser compreendido” - Marie Curie



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publicado às 12:02


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