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LIVRE, O OUTRO CHEGA - A deputada Joacine Katar Moreira, eleita pelo Livre, mas que depois se aborreceu com o partido que a indicou, deu uma entrevista há dias onde arrasou Eusébio, dizendo em tom de crítica que ele “não era a pessoa mais revolucionária” e acusando-o de “nunca ter lutado contra as estruturas”. Como Manuel S. Fonseca bem escreveu na sua “Bica Curta”, da última página do “Correio da Manhã”, “o que subjaz ao que disse Joacine é que só há uma forma, unilateral, de ser negro. Joacine condena o negro a ser revolucionário, a estar contra e de fora.” Para mim Joacine é um Ventura do outro lado do espectro político e o Livre tem momentos em que se lhe assemelha. E é com o Livre que o PS estabeleceu acordos eleitorais autárquicos. Da mesma maneira que há quem se indigne contra alianças com o Chega, que eu condeno, também me indigno com alianças com o Livre, um albergue de teses nascidas de modas ideológicas que no essencial acusam a Europa de todos os desmandos do mundo, incluindo os pilares da civilização. A sua acção quotidiana ignora um princípio que continuo a achar fundamental seguir: a liberdade de cada um acaba onde a de outra pessoa começa. O facto de em Lisboa o PS se ter aliado ao Livre é um sinal destes tempos. O facto de o representante deste partido na lista de Medina, Rui Tavares, estar indigitado como vereador da Cultura caso o PS vença, é dos piores sinais que podia haver. Em múltiplas ocasiões Tavares subscreveu textos onde fez eco e defendeu as teses actualmente politicamente correctas sobre a civilização ocidental. Para essa zona do pensamento político actual há uma arte que deve ser condenada e se possível derrubada. Não é um bom cartão de visita. Quando se vota para a Presidência de uma Câmara, no nosso sistema eleitoral, vota-se também na constituição da vereação que constitui o executivo da autarquia. Assim sendo, convém olhar com atenção para quem está na lista, que experiência tem das áreas que poderá vir a tutelar, que opiniões tem manifestado sobre o assunto. Eu não gostaria que a Cultura na cidade de Lisboa estivesse nas mãos do homem que escolheu Joacine para estar no Parlamento, sabendo muito bem qual era o seu pensamento, que aliás ela nunca escondeu. 

 

SEMANADA - Analisando a crise no PSD, Marques Mendes afirmou que “o mais bem posicionado” como alternativa a Rui Rio, é Paulo Rangel; apenas 36% dos técnicos do Estado recrutados em 2019 têm contrato de trabalho; a Câmara Municipal de Castelo Branco já gastou perto de meio milhão de euros com uma associação de produtores de figo da Índia que apenas teve escassa actividade em 2016 e 2017, empresa que foi criada e dirigida por altos funcionários da autarquia e outras pessoas afectas ao PS local; durante o ano de 2021 e até ao fim do 1º semestre, o actual Presidente da Câmara Municipal de Lisboa compareceu a apenas quatro sessões plenárias da Assembleia Municipal, quer presenciais, quer online, num total de 22;  há mais de três dezenas de concelhos que desde 1976 são geridos pelo mesmo partido, 11 do PSD e PS e 9 do PCP; desde que existem recenseamentos da população, ou seja desde 1864, apenas se registaram quebras populacionais duas vezes; de 1960 para 1970 nos fluxos migratórios para a Europa e agora entre 2011 e 2021, quando se perderam cerca de 200 mil habitantes; há 136 mil desempregados sem subsídio; entre 2019 e 2020 o investimento em investigação e desenvolvimento nas empresas privadas aumentou enquanto caíu no sector público, nomeadamente no ensino superior; metade das queixas feitas à inspecção das polícias é contra agentes da PSP e os casos de agressões têm peso significativo;  Portugal e Lituânia são os únicos países da União Europeia onde ainda não foi implementada a rede 5G.

 

O ARCO DA VELHA - Apesar da existência de uma nova ETAR que custou cinco milhões de euros, os esgotos produzidos por cerca de metade dos habitantes de Beja foram lançados durante dois meses na bacia do Roxo, que abastece de água potável cinco concelhos da região.

 

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O FOGO DE CHAFES - Na Casa das Artes, de Tavira, até 20 de Agosto, Rui Chafes apresenta “Travessia”, uma exposição pensada expressamente para o local. Ali está um conjunto de cinco esculturas, realizadas nos últimos  três anos, incluindo uma, a mais recente (pormenor na imagem), contemporânea da nova série de trabalhos que serão apresentados dia 11 de Setembro na próxima exposição de Chafes, “Nada Existe”, que vai decorrer na Galeria Filomena Soares, em Lisboa. Também na Casa das Artes de Tavira, e igualmente até 20 de Agosto, pode também ver  pintura de Ana Vieira Ribeiro e uma muito interessante série de fotografias de Tomás Vieira intitulada “Hedonismo Zero”. Outras sugestões: voltando a Lisboa, até 9 de Setembro, entre a Rua do Açúcar e a Rua do Amorim, passando pelo Largo do Poço do Bispo,  Marvila é uma galeria ao ar livre, com a exposição de obras de artistas plásticos, fotógrafos, ilustradores, designers e músicos, na sexta edição da Poster Mostra que exibe trabalhos de cerca de três dezenas de autores, entre os quais Adolfo Luxúria Canibal, Samuel Úria, Nuno Saraiva, André Carrilho e Ricardo Quaresma, entre outros. A norte a  exposição “Materiais Inflamáveis” mergulha no mundo dos fanzines portugueses para analisar o papel desempenhado pelo punk nas transformações sociais e políticas do Portugal pós-25 de Abril. Está patente no gabinete gráfico do Museu da Cidade do Porto, na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, até 15 de Agosto. 

 

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CRIME NO ÁRTICO - Com o verão frescote que temos tido, uns policiais nórdicos vêm mesmo a calhar. Hoje destaco “À Flor das Águas”, de Christoffer Petersen, pseudónimo de um autor que vive no sul da Dinamarca e que durante sete anos esteve na Groenlândia, a maior ilha do mundo, com cerca de 56 mil habitantes, onde se apaixonou pelos costumes e hábitos locais, nessa terra onde o sol é raro, os cães ainda puxam trenós. Há uns anos li um outro romance seu, passado também na Gronelândia, “Um Inverno, Sete Sepulturas”, uma história envolvente. Petersen desenha mistérios e ficamos muitas vezes na dúvida sobre o que é ficção e o que pode ter sido realidade. O herói da nova história continua a ser David Maratse, um detective reformado que arranja maneira de estar sempre por perto quando acontece um crime mais estranho, embora tivesse a ambição de passar uma vida calma e simples, caçando e passeando com os seus cães e trenós pelas estepes geladas. O livro relata o que se passou num barco atracado num fiorde remoto.  Ninguém responde quando Maratse sobe a bordo e começa a chamar por alguém que esteja na embarcação. Uma vez dentro do barco, encontra cinco pessoas, duas mortas e três inconscientes. Enquanto isso, algures numa cabana de montanha, o sexto tripulante procura desesperadamente os diários desaparecidos da expedição a Svartenhuk do famoso meteorologista alemão Alfred Wegener  que podem ser a chave para a exploração de um minério raro e valioso e que está no meio de uma luta pelo controlo de uma empresa mineira. “À Flor da Água” há-de ter continuação - termina com o rapto de uma amiga especial do detective. E uma nova investigação começará. Como diz o autor, “quando a noite do Ártico dura quatro meses, o crime não conhece a sombra”.

 

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MANUAL POP - Jack Antonoff é um produtor com pergaminhos na música norte-americana, premiado com vários Grammys e que trabalhou com nomes como Taylor Swift, Lana D’El Rey, St. Vincent e  Clairo, entre outros. Além desta actividade, Antonoff criou os Bleachers, o nome de uma banda virtual que na realidade é o disfarce para a sua carreira a solo. Jack Antonoff é um praticante exímio do pop com sofisticação e este terceiro álbum que assina sob o nome Bleachers, Take the Sadness Out of Saturday Night”, é prova disso mesmo. Admirador confesso de Springsteen, o Boss faz uma breve aparição na faixa “Chinatown” e um pouco mais adiante é a vez de Lana d’El Rey aparecer em “Secret Life”. Ao todo são dez faixas onde não cabe a monotonia, com arranjos por vezes surpreendentes, cordas abundantes que se entrelaçam com guitarra acústica. “Stop Making This Hurt,” “Don’t Go Dark” and “How Dare You Want More?” , “I Wanna Get Better” e “Don’t Take the Money”. O disco, o terceiro sob o nome Bleachers, é uma demonstração de composição e produção pop. Disponível em streaming.

 

UMA DESCOBERTA EM TAVIRA -  Perto da Igreja do Carmo, na Rua dos Fumeiros de Trás, na parte alta de Tavira, junto ao centro da cidade, fica o restaurante Ti Maria, uma casa de petiscos bem algarvios e com incursões noutras regiões portuguesas. A casa é simpática, o interior está decorado a partir de caixas de madeira de muitas marcas de bons vinhos e objectos diversos - nos períodos de confinamento o proprietário aproveitou para remodelar e melhorar o interior. À chegada, na mesa, estão umas boas azeitonas e um pão que podia ser mais tradicional e guloso. Na lista estão petiscos como cogumelos recheados com alheira de caça e linguiça picante, há um apreciado folhado de queijo de cabra, nozes, espinafres e mel, uma Tapinha do alto de São Brás que consiste em farinheira panada com espinafres, tomate  e maionese de pimentos ou ainda uma tábua de queijos. Este é um sítio para petiscar e foi o que fizémos: muxama da boa para começar, tempura de polvo bem temperada e para rematar atum braseado, envolvido em sementes de sésamo, peça de bom calibre, cozinhado no ponto certo e bem cortado, acompanhado por batata doce frita aos palitos. Dizem que a tempura de biqueirão também dá que falar. Aberto há pouco mais de três anos, o Ti Maria aproveitou - e bem - a situação actual para alargar a esplanada ao longo da parede do restaurante e, em frente, junto à Igreja do Carmo. Mas no interior também se está bem, o serviço é atento e simpático, equipa jovem atenta, eficaz e simpática, excelente lista de vinhos a preços decentes. Reservas pelo telefone 281 403 268.

 

DIXIT - “Não nascem portugueses em número suficiente, os imigrantes não querem cá ficar e os jovens portugueses sonham em ir-se embora” - João Miguel Tavares sobre os resultados do Censos 2021.


BACK TO BASICS - “Tacto é a forma de conseguir fazer vingar uma opinião sem criar inimigos” - Isaac Newton.

 







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