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NÃS SE DEVE GASTAR O QUE NÃO SE TEM

por falcao, em 22.10.21

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A CRISE - Pierre Moscovici, ex-comissário europeu para os Assuntos Económicos e Financeiros, deu uma entrevista ao Jornal de Negócios, publicada quarta-feira passada, onde defende a necessidade de cortar despesa e baixar a dívida pública, recorda que pagar a dívida pública não deve ser feito à custa do investimento, sublinha que é necessário estar atento às finanças públicas, as quais devem ter regras. Lembra ainda que não basta ter políticas orçamentais e monetárias e que é fundamental fazer mudanças estruturais, investir na indústria e aumentar a capacidade de produzir. Pois bem, é neste cenário que o Governo apresenta um Orçamento de Estado que não estimula as empresas, ao mesmo tempo que se prepara para fazer cedências, em nome da estabilidade, às exigências do PCP e do Bloco de Esquerda em matérias como a Lei Laboral e outras com consequências directas no funcionamento da economia. A ameaça de crise política que estamos a viver deve-se a um dado simples: aumentou-se a despesa de forma enorme à custa da carga fiscal e não se estimulou o aumento da criação de riqueza através do desenvolvimento da economia e da capacidade de produção. Assim continuaremos a ter números assustadores nos indicadores de pobreza, continuaremos a perder competitividade e consolidaremos a triste posição que nos está a colocar na cauda da Europa. O legado do Governo da geringonça, até agora, é este. O Presidente da República, que quer a todo o custo evitar uma crise política, bem que podia, pelo menos para ser lembrado por alguma coisa além dos seus sorrisos e consensos, ser o promotor da reforma da Lei Eleitoral que permita eleições mais participadas, onde se crie maior proximidade com os eleitores através da criação, constitucionalmente prevista, de círculos uninominais e a com a criação de um círculo nacional de compensação que recupere os votos desperdiçados e garanta efectivamente a proporcionalidade eleitoral. Se não vamos ter eleições antecipadas, ao menos que se aproveite este tempo para melhorar o sistema político. 

 

SEMANADA - Depois de ter sido detectado que os dados da contratação pública disponíveis no Portal Base violam o RGPD a sua consulta foi suspensa até pelo menos a segunda semana de Dezembro; Ricardo Salgado passou um recibo verde de 8,5 milhões de euros como rendimento de trabalho independente, para resolver a existência do donativo do construtor José Guilherme;  a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos duplicou a previsão de custo médio da electricidade para 2022; na segunda fase de acesso ao ensino superior houve nove cursos onde a média de entrada foi superior a 19 valores; em ano recorde de produção de cereais o preço do trigo no mercado mundial aumentou 41%; as greves efetuadas na CP entre Junho e Setembro suprimiram 4000 comboios e o serviço assegurado pelos Alfa Pendular e Intercidades foi o mais afectado; um estudo de investigadores do ISCTE indica que um quarto dos trabalhadores é sobre-qualificado para o emprego que tem; o mesmo estudo indica que a falta de capacidade do mercado de trabalho em absorver jovens que saíram das universidades nos últimos anos se deve ao peso reduzido das indústrias e dos serviços de alta tecnologia; em 2020 cerca de 40% dos jovens entre os 25 e os 34 anos tinham o ensino superior; segundo o INE mais de 1,6 milhões de portugueses vivem abaixo do limiar de pobreza, ou seja com menos de 540 euros por mês; o Governo está desde há três anos a seleccionar 40 psicólogos para o Serviço Nacional de Saúde e ainda não conseguiu chegar a uma decisão; cerca de seis milhões de portugueses acedem regularmente a redes sociais, indica um estudo da Marktest.

 

O ARCO DA VELHA - Esta semana fui comprar laranjas a um supermercado. Havia laranjas a granel importadas da África do Sul e laranjas bem nossas, das boas do Algarve, que só se vendiam em embalagens grandes. Isto faz algum sentido?

 

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DE QUE É FEITA A LUZ? -  “Mais Tarde” é a nova exposição de Jorge Molder, na Galeria Belo-Galsterer que até 15 de Janeiro apresenta 19 das 21 fotografias criadas para a revista Granta, um pedido editorial que tinha por base a criação de imagens em torno do sono e do sonho. Aqui estão expostos em conjunto, pela primeira vez,  19 trabalhos de grande dimensão, 150 x 100 cm, a maioria a preto e branco, três deles com côr. Jorge Molder fotografa-se maioritariamente a si próprio, quer expondo-se fisicamente, quer mostrando o que imagina e concretiza em fotografia, geralmente já na fase de manipulação digital da imagem e da sua impressão. É um lento e laborioso trabalho aquele que Jorge Molder empreende depois da captura da imagem pela câmera fotográfica. A sua expressão facial ou a sua mão (na imagem) ganham outra dimensão e outro significado quando ele dá a obra por terminada. A realidade não é o que parece, é o que queremos que ela seja - tem sido assim que Jorge Molder pratica a fotografia. O contraste acentuado a preto e branco é propositado e cria um clima que segue à risca a frase do poeta  Walt Whitman que Molder escolheu para o texto de apresentação da exposição: “Every moment of light and dark is a miracle”. A Belo-Galsterer fica na Rua Castilho 71 r/c esq.

 

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MANUAL DE PERSONAGENS TRAIÇOEIRAS - Aqui está um livro muito adequado aos tempos em que estamos -  “História Universal da Infâmia”, de Jorge Luis Borges. Tudo se passa em Buenos Aires, mas alguns personagens podiam estar aqui ao nosso lado. Jorge Luis Borges trabalha com biografias de ladrões e rufiões, personagens traiçoeiras e heróicas. Por estas páginas passam algumas das suas criações mais inesquecíveis em torno da vida e da morte em Buenos Aires: a viúva Ching, intrépida e sanguinária pirata; o inverosímil impostor Tom Castro; o atroz redentor Lazarus Morell ou «o homem da esquina rosada», gente que fala uma linguagem perigosa e que vivem à beira do abismo. Publicada pela primeira vez em 1935, a “História Universal da Infâmia” foi posteriormente revista pelo autor e aumentada em quatro textos, o que deu origem a todas as edições a partir de 1954. «O homem que o executou era bastante infeliz, mas divertiu-se a escrevê-lo; oxalá algum reflexo daquele prazer alcance os leitores», escreve o autor no prólogo da edição desse ano. A “História Universal da Infâmia” é considerada uma das suas obras mais importantes, quer do ponto de vista temático, quer do ponto de vista formal, misturando literatura, ficção pura, fontes clássicas, e até factos reais. Esta nova edição da Quetzal tem tradução de José Bento. Jorge Luis Borges nasceu em Buenos Aires, em 1899 e em 1923, publicou o seu primeiro livro – “Fervor de Buenos Aires”, dois anos antes da edição original desta “História Universal da Infâmia”.

 

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MÚSICA DA VIDA -  Rodrigo Leão às vezes compõe bandas sonoras para filmes, mas o mais frequente é que os seus discos sejam bandas sonoras para o nosso dia-a-dia. É o que acontece com o seu novo álbum, “A Estranha Beleza da Vida”, o nome que deu a este trabalho pensado durante os meses do primeiro confinamento, e concretizado a partir do Outono do ano passado, faz agora um ano. O seu álbum anterior, “O Método” foi publicado no início de 2020 mas a pandemia acabou por impossibilitar a digressão que estava prevista. “A Estranha Beleza da Vida” é o retrato sonoro do “ténue espaço entre a vida e a morte”, como afirma o próprio Rodrigo Leão. E o novo disco acaba por ser uma celebração da vida e da liberdade criativa, onde surgem canções de ambientes sonoros diversos, arranjos por vezes surpreendentes.  Rodrigo Leão  contou na gravação com os seus cúmplices habituais na produção e arranjos - Pedro Oliveira, João Eleutério, Pedro Moreira e Carlos Tony Gomes. E convidou um para esta aventura a canadiana Michelle Gurevich (que canta em “Friend of a Friend”, o primeiro tema do álbum),  Kurt Wagner, dos Lambchop, (que interpreta “Who Can Resist”), a espanhola Martirio (que emociona com o seu cantar em “Voz de Sal”), a portuguesa Surma (que participa em “O Ovo do Tempo”)  e ainda o instrumentista e produtor espanhol Suso Sáiz no tema que é o último dos 14 do álbum e que lhe dá o título  “A Estranha Beleza da Vida” . Rodrigo Leão, pelo seu lado, percorre os outros nove temas com os seus músicos - e destaco “Sibila”, “A Valsa de Petra” e “O Maestro”. Há muito a descobrir neste disco onde se cruzam ritmos de vários continentes e sons de diversas épocas.



É A PASTA, GULOSO! - Quando o restaurante italiano Il Mercato abriu no Páteo Bagatela, em Lisboa, tive uma má experiência. Fui vencido pela curiosidade e quis ir conhecer um restaurante que estava então aberto há poucos dias. Aprendi entretanto que o melhor é só visitar novos restaurantes passados uns tempos da abertura. E assim, sucederam-se várias visitas. E humildemente tenho que reconhecer que o Il Mercato vale a pena, é um sítio onde se come bem, onde a confecção é cuidada e os produtos genuínos e onde o serviço é impecável. Além da  esplanada e da ampla sala existe um balcão onde se podem comprar produtos certificados italianos, de queijos a fumados. A cozinha é inspirada na gastronomia do sul da Itália com umas incursões pela Sicília. O Il Mercato faz parte dos restaurantes criados por Tanka Sapkota, que tem também a seu cargo o Come Prima, outro templo italiano. As entradas têm uma ampla escolha de presuntos, salames e mortadelas e além disso uma burrata artesanal que pode vir servida com anchovas - e que recomendo. As pastas são frescas e feitas na casa e a minha preferida são os raviolis de abóbora com trufa negra ou os bucatini com gambas , alcachofras grelhadas e bottarga, uma especialidade feita a partir de ovas de taínha. Do outro lado da mesa é muito apreciada a dourada, filetada, temperada com ervas e vinho branco e acompanhada por salada de rúcula. Nas sobremesas os mais gulosos dispõem de cheesecake de nutella. O vinho da casa  cumpre, idem o prosecco, a lista tem boas propostas italianas e portuguesas a preço decente. Telefone 211930941.

 

DIXIT - “O OE 2022 mostra, na Cultura como noutras áreas, que o Governo não tem qualquer intenção de fazer políticas específicas para corrigir os impactos desiguais da crise da pandemia” - Maria João Marques

 

BACK TO BASICS - “A coisa mais importante é nunca deixarmos de nos questionarmos “ - Albert Einstein

 

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