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Deve existir um problema no edifício da Assembleia da República: diversas mentes brilhantes, ou pelo menos tidas como tal, quando lá se deslocam para uma Comissão Parlamentar de Inquérito, têm ataques súbitos de falta de memória. O que se passou nos últimos dias com o depoimento de responsáveis do Banco de Portugal, nomeadamente de Vitor Constâncio, é um triste exemplo desta aflitiva mas muito conveniente amnésia. Em contraste, um antigo  revisor oficial de contas da CGD recordou-se de muita coisa, disse que oportunamente detectou problemas e alertou para eles e afirmou que governos e o Banco de Portugal nada fizeram na sequência da denúncia desses problemas - o que aliás coincide com as versões do “não me lembro de nada disso”. Também Eduardo Paz Ferreira, ex presidente do Conselho Fiscal e da Comissão de Auditoria da CGD, disse que fez avisos nos sucessivos relatórios que enviou ao Governo e ao Banco de Portugal. Aquilo a que assistimos nas Comissões Parlamentares é uma sucessão de instantâneos de um país desregulado, onde as instituições que são supostas vigiar situações concretas assobiam para o ar ao mínimo sinal de problema, optando por deixar correr em nome das conveniências políticas. Estas audições parlamentares são, também, uma imagem do que tem sido a degradação do sistema político, que premeia a irresponsabilidade e protege a submissão aos poderes. Nada disto espanta quando olhamos à nossa volta e vemos deputados do PS e PSD a negociarem um arranjinho que lhes permite estar com um pé no Parlamento e outro em escritórios de advogados, muitos deles frequentes fornecedores de serviços ao Estado ou seus oponentes nos tribunais. Em S.Bento a imagem que se reflecte nos espelhos é a da decadência política. Um triste espectáculo.

 

SEMANADA - Há 692 mil pedidos de indicação de médico de família por resolver;  quase 2,2 milhões de doentes que foram às urgências nos hospitais públicos no ano passado foram considerados pouco ou nada urgentes, o que significa 40% do total das urgências registadas; o combate às infecções hospitalares podia evitar mais de 800 mortes por ano; mais de um terço do país está em seca severa; Portugal é o segundo país da União Europeia onde a população mais come fruta diariamente, ocupando também o quarto lugar no que toca ao consumo diário de legumes, acima da média comunitária; em Portugal vivem 4268 pessoas com cem anos ou mais; diversos autarcas da região de Castelo Branco, ligados ao PS, inventaram uma ONG que não tem qualquer actividade, e obtiveram subsídios de 350 mil euros; o fisco pediu ao hacker Rui Pinto dados sobre o agente desportivo Jorge Mendes; a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas denunciou existirem turmas sem professores desde o primeiro período; um relatório do Conselho da Europa afirma que em Portugal são aplicadas penas mais longas que noutros países e que nas prisões portuguesas ocorrem mais mortes; a linha SOS Criança recebe mais de mil chamadas por ano; em Lisboa, no ano passado, foram comprados 1592 imóveis por compradores estrangeiros de 80 países; a ASAE tem um inspector para cada 10.324 alojamentos locais.

 

ARCO DA VELHA - Joaquim de Sousa, um professor da Madeira, que transformou uma das piores escolas do país, em Curral das Freiras, numa das melhores, foi alvo de um processo disciplinar, a seguir foi despromovido e ficou sem salário durante seis meses num processo kafkiano com contornos políticos.

 

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A PROPÓSITO DO DESTINO  - A nova edição da revista “Egoísta”, publicada em Março, tem por tema o destino e a forma como ele se cruza com o Fado - se calhar como o Fado se tornou Destino. A evocação de Amália cruza-se com esta relação com o destino por exemplo nos retratos que Augusto Brázio fez a novos intérpretes do fado, no texto que Aldina Duarte escreveu “quem diz fado diz vida” ou para as belíssimas ilustrações de Miguel San Payo que acompanham a publicação de “A Fadista”, uma letra escrita por Ana Moura. Um dos  pontos altos desta edição é um portfolio de Daniel Blaufuks intitulado “de destino em destino” - fotografias acompanhadas por pequenos textos manuscritos pelo autor, frases que são mais que legendas, formando uma narrativa que acompanha as imagens. Se outra razão não houvesse, este conjunto de fotografias bastava para guardar esta edição. Mas há mais: as fotografias de Cláudio Garrudo que evocam uma sua recente exposição na Galeria das Salgadeiras, “Trinus”, uma história ilustrada e ficcionada por Pedro Proença, “Chamavam-lhe Wittgenstein, Gertrude Wittgeinstein”, a propósito da sua recente exposição “O Riso dos Outros” na Fundação Eugénio de Almeida” e mais um portfolio fotográfico, de Helena Gonçalves, “Raiz” são boas razões para descobrir mais esta edição da “Egoísta”.

 

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O ENSAIO FOTOGRÁFICO - Mário Cruz é um fotojornalista da agência Lusa, já duas vezes nomeado para o World Press Photo - em 2016 ganhou na categoria temas contemporâneos com a reportagem “Talibes, Modern Day Slaves” e este ano volta a estar nomeado na categoria Ambiente com um trabalho sobre a poluição extrema do Rio Pasig, nas Filipinas. Para além do dia-a-dia de cobertura de actualidade da agência, Mário Cruz realiza projectos pessoais, ensaios fotográficos de onde saíu o seu trabalho anteriormente premiado e este “Living Among What’s Left Behind”. As fotografias deste projecto deram origem a um livro e a uma exposição que está patente a partir deste sábado no Palácio Anjos, em Algés. Ao todo, estarão expostas 40 imagens “que retratam o perigoso caminho que a humanidade enfrenta, quando descura os direitos fundamentais e abandona a preservação do meio ambiente”. A fotografia distinguida pelo World Press Photo mostra uma criança que recolhe materiais recicláveis, para obter algum tipo de rendimento que lhe permita ajudar a família, deitada num colchão rodeado por lixo que flutua no rio Pasig, que já foi declarado biologicamente morto na década de 1990. O livro “Living Among What’s Left Behind”  contém 70 fotografias, umas a preto e branco e outras a cores, que retratam a realidade que Mário Cruz encontrou em Manila. Nesta edição, da iniciativa do próprio autor, a capa foi produzida através do processamento de 160 kg de resíduos industriais e desperdícios de uso doméstico. Cada capa é criada individualmante e à mão, resultando em exemplares com capas únicas, que simbolizam a abundância de lixo que deixamos para trás. A exposição estará patente até 26 de Maio de 2019 (erça a sexta das 10h às 18h, sábados e domingos das 12h às 18h, encerra segundas e feriados, entrada gratuita). Permanecendo na fotografia, o Arquivo Municipal de Fotografia de Lisboa (Rua da Palma 246) apresenta 96 imagens de Jorge Guerra, todas realizadas na cidade, entre o final de 1966 e o início de 1967, num registo de “street photography” que constitui um documento sobre aquela época.

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SONORIDADES HISTÓRICAS  - Quem quiser ficar com uma discoteca básica que lhe permita descobrir alguns dos melhores discos de jazz de sempre tem agora à sua disposição a uma série “3 Essential Albuns”, que reúne gravações históricas dos catálogos da Verve e Impulse. Estão já disponíveis oito caixas com três CD’s cada uma, com álbuns essenciais de alguns dos nomes mais importantes da história do jazz e a preços especiais. Da caixa do pianista Keith Jarrett fazem parte os álbuns “Treasure Island”, “Death and the Flower” e “Fort Yawuth”. A caixa do saxofonista John Coltrane inclui os álbuns “Coltrane Time”, “Blue Train” e “John Coltrane - The Paris Concert”. A caixa de Chet Baker conta com os discos “Stan meets Chet”, “You Can’t Go Home” e “Baby Breeze”. De Duke Ellington são reunidos os discos “Play the Blues Back to Back”, “Live at the Whitney” e “Soul Call”. De Charlie Parker são reunidos os discos “Charlie Parker Jam Session”, “South of the Border” e “With Strings: The Master Takes”. De Michel Petrucciani são reunidos os discos “Michel Petrucciani”, “Notes’N’ Notes” e “Oracle Destiny”. Na caixa de Herbie Hancock estão os discos “Maiden Voyage”, “Speak Like a Child” e “Empyrean Isles”. Wayne Shorter está representado com os discos “JuJu”, “Speak No Evil” e “The All Seeing Eye”. Ao todo 24 álbuns incontornáveis. Como diria o outro, “a splendid time is guaranteed for all”.

 

VENTO DE LESTE - No local onde em tempos existiu um apreciado restaurante de cozinha alentejana, no Beato, abriu agora um restaurante de inspiração oriental. Chama-se Tarara e à sua frente tem João Duarte, que passou pelas cozinhas  do Eleven, do Arola, do Midori e  Bica do Sapato . A sua aposta é baseada na cozinha asiática, com algumas incursões sul-americanas por vezes com toques de cozinha portuguesa. A decoração é simples mas confortável, o serviço é atencioso e a casa tem dupla personalidade : à hora de almoço propõe um menu fixo com entrada, prato, sobremesa e uma bebida a 12 euros numa proposta imbatível de qualidade-preço e ao jantar funciona com um menu normal, excepto às quartas , noite dedicada ao sushi. O menu de almoço inclui um couvert sazonal (no caso pepino cortado em finíssimas fatias e  bem temperado e uma sopa miso) e depois as escolhas como gyosas de frango, um yakitori de corvina com batata doce assada e molho algarvia e um gelado de sésamo a rematar. Há sempre propostas vegetarianas. Às quartas-feiras à noite o menu muda de figura e quem reina é o sushi, feito à frente do cliente, ao balcão – há combinados (a partir dos 17,50€) mas também peças à carta, dos rolos hosomaki, uramakis ao peixe fresco fatiado, gunkans e temakis. Da carta fixa fazem parte entradas como Miso à Bulhão Pato, tacos de atum picante, porco preto ou caranguejo e ceviches de peixe branco ou de polvo e marisco por exemplo. O Tarara fica na Rua do Grilo 98, junto à Igreja de São Bartolomeu do Beato, telefone 218680041.

 

DIXIT - “A maior frustração que tenho na minha vida política é nunca ter sido secretário de Estado dos Transportes” - António Costa na sessão de propaganda dos novos passes sociais.

 

BACK TO BASICS - “Qualquer moção a propôr um adiamento é sempre oportuna” - Robert Heilein

 

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