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A PEDRA DE TOQUE - O novo Governo tomou posse esta semana. Recebe um país, governado pelo PS desde 2015, e cujo quadro geral, segundo o Eurostat, se resume assim: Portugal ficou, em 2021, com o sétimo PIB per capita mais baixo da União Europeia, o produto per capita em Portugal está 26% abaixo da média da União Europeia, apenas à frente da Roménia, Lituânia, Croácia, Eslováquia, Grécia e Bulgária. Acresce que, no tempo em que os juros não eram um problema, a dívida pública aumentou  e está nos 127,5% do PIB - e, agora com a inflação a mexer-se e os juros a começarem a pesar, ninguém em seu perfeito juízo consegue medir o que pode acontecer às finanças do país. As finanças do país, aliás, caracterizam-se por um aumento constante da carga fiscal directa e indirecta e por um fraco crescimento económico. Neste quadro não se vislumbra como, além de gastar a bazuka europeia, o Governo pretende actuar. Como vai o novo Governo, e o tentacular Ministério das Finanças, comportar-se num cenário em que o Plano de Recuperação e Resiliência, atribui a maior fatia dos fundos europeus ao Estado, potenciando o aumento da despesa estrutural, enquanto para o desenvolvimento da economia, das empresas e da reestruturação dos sectores produtivos vai uma minoria? Há um ano um grupo dos mais importantes empresários portugueses elaborou um documento de análise do PRR que, em jeito de conclusão, afirmava:  “A fórmula do PRR corresponde a um modelo de aplicação de fundos externos similar ao verificado nas últimas quatro décadas, um modelo que nos deixou como um dos países mais pobres da União Europeia.”. O cerne da questão é saber o que tenciona o Governo fazer para alterar este panorama - ou, se sequer encara que vale a pena ser alterado. Vai ser interessante seguir como será a relação entre o Ministério da Economia e o Ministério das Finanças, o duelo inevitável do novo executivo.

 

SEMANADA -  Apesar de agora considerar Putin um capitalista desenfreado, o PCP tinha programado para este ano uma série de  excursões políticas à Rússia e à Bielorússia; várias comunidades intermunicipais gastaram mais de 100 mil euros em viagens de dirigentes autárquicos à expo do Dubai; o imposto sobre produtos petrolíferos rende 9,7 milhões de euros por dia ao Estado; o valor médio das rendas de habitação em Lisboa e no Porto aumentou 20% em 2021; a quantidade de azeite produzido em Portugal no ano 2021, a maior produção de sempre, foi de 180 mil toneladas; o aumento das reservas de voos para Abril deste ano, com destino a Portugal, foi de 500% face ao período homólogo do ano passado; cinco anos depois dos incêndios de Pedrógão a zona florestal ardida não teve intervenção e está invadida por acácias, espécie perigosa em termos de combustão; uma ex-governante e deputada socialista, Constança Urbano de Sousa, afirma que figuras de topo do PS a pressionaram no sentido de evitar a alteração da lei da nacionalidade que favorece os descendentes de judeus sefarditas; o processo de contratação pelo Estado de psicólogos e nutricionistas, iniciado em 2018, ainda não está concluído; um estudo recente indica que pelo menos 100 mil alunos do terceiro ciclo e secundário não terão professor a uma das cadeiras no próximo ano lectivo; no novo parlamento, que tomou posse 153 dias depois do chumbo do Orçamento de Estado,  há 80 caras novas e menos mulheres; nenhum Ministro do primeiro governo de Costa em 2025 se mantém no novo Governo; 

 

O ARCO DA VELHA - Fernando Medina foi a uma estação de televisão comentar a composição do governo de que faz parte

 

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IMAGENS DOS TEMPOS - Esta semana destaco duas exposições de fotografia. A primeira leva-nos à Itália do pós-guerra e nasceu de um trabalho efectuado pelo fotógrafo Paolo Di Paolo e o escritor e realizador Pier Paolo Pasolini. Tudo nasceu como uma uma reportagem sobre as férias de Verão dos italianos, que viria a ser publicada numa revista, em três capítulos, em 1959. Vivia-se o tempo em que a Itália procurava sair da miséria causada pela II Grande Guerra, novas indústrias surgiam e um novo conceito de vida se desenhava. O escritor e o fotógrafo partiram para uma longa viagem de carro, com a ideia de atravessar a Itália ao longo da costa, de norte a sul, para testemunhar a sociedade italiana da época. Agora as imagens e alguns dos textos desse trabalho foram reunidos numa exposição, “La lunga strada di sabbia” (A longa estrada de areia), de Paolo di Paolo, presente desde a semana passada na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa. Com curadoria de Silvia de Paolo, que mergulhou nos arquivos do seu pai, Paolo di Paolo, a exposição mostra fotografias a preto e branco, algumas inéditas, vídeos, material de arquivo e também excertos de textos de Pier Paolo Pasolini. As imagens (como esta aqui reproduzida) deixam o testemunho do contraste, então ainda existente, entre a pobreza e o início da recuperação económica.  A outra exposição de fotografia que destaco é “Portugal/Saudade” do fotógrafo norte-americano Neil Slavin e que agrupa 100 fotografias que fez em Portugal, em dois ciclos temporais. O primeiro inclui 50 fotografias feitas em 1968 e que mostravam instantes da vida dos portugueses, por exemplo em Coimbra, no Portugal dos Pequenitos, no Santuário de Fátima, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, ou nos areais da Praia da Nazaré. Mais tarde, entre 2016 e 2019, Slavin regressou a Portugal e procurou mostrar as diferenças em relação ao que havia fotografado cinco décadas antes em mais 50 fotografias. A exposição de Neil Slavin está em Vila Nova de Gaia, na galeria do espaço WOW-World Of Wine, até 31 de Outubro.

 

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A GUERRA FRIA  - A complexa situação internacional em que vivemos desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, há mais de um mês, evoca memórias do período que ficou conhecido como “Guerra Fria” e que, de uma forma genérica,  se desenvolveu entre 1947 e 1990. Por isso é especialmente oportuna a publicação do “Atlas da Guerra Fria – 1947-1990: Um Conflito Global e Multiforme”, da autoria dos historiadores franceses Sabine Dullin, Stanislas Jeannesson e Jérémie Tamiatto. Esta obra de divulgação histórica está dividida em cinco principais períodos. As duas primeiras partes pretendem mostrar como o conflito Leste-Oeste, entre a democracia liberal dos Estados Unidos e o comunismo da União Soviética, gerado a partir da divisão da Alemanha, no pós-Segunda Guerra Mundial, degenerou numa Guerra Fria global. Foi um conflito ideológico e político inédito da História, que não acarretou nenhum confronto físico directo entre os seus principais oponentes, mas que precipitou conflitos armados periféricos, como a Guerra da Coreia e a Guerra do Vietname. A terceira parte é dedicada à apresentação das crises e das contestações, como a construção do Muro de Berlim, a crise de Cuba e o conflito israelo-árabe, mas também às resistências nos dois campos. Na quarta parte, os autores focam-se na Détente e na dimensão cultural do conflito: a propaganda anti-imperialista da URSS, a rivalidade das agências espaciais e das competições desportivas e a disseminação do modo de vida ocidental. A quinta e última parte expõe a forma como a Guerra Fria chegou ao fim, com os desafios regionais da Guerra do Afeganistão, o desmantelamento do bloco comunista e o apaziguamento nuclear.  Quando se percorre este livro percebe-se melhor como o mundo actual não pode ser compreendido, em todos os pontos de vista, sem se ter em conta os 45 anos de tensões e conflitos pós-Segunda Guerra Mundial.

 

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O TRIO - Volta e meia, neste rectângulo à beira-mar plantado, ainda há lugar para boas surpresas musicais. Para além da espuma dos dias e daquilo que normalmente se ouve na rádio há todo um conjunto de músicos que trabalha e se exprime em terrenos pouco explorados. É o caso do Indra Trio: Luís Barriga no piano, João Custódio no contrabaixo e Jorge Moniz na bateria. O Indra Trio editou agora o seu segundo disco, “Shiva”, um trabalho que agrupa nove composições originais, onde se sente a relação profunda existente entre os três músicos. Embora o piano seja a força central, que marca de forma clara a maioria das composições, a essência de um trio de jazz, que é a diversidade e cumplicidade entre os músicos, está aqui exemplarmente retratada. A maioria das composições é de Luís Barriga, mas Jorge Moniz assina igualmente dois dos temas. Em todos é evidente a capacidade de improvisação dos músicos e a sua cumplicidade. Segundo os próprios músicos, o trabalho deste trio caracteriza-se pela simplicidade e pela procura do encontro com a natureza e a ligação profunda dos sons. No Hinduísmo, Indra é o deus do céu e rei dos deuses da natureza.  “Shiva” é o segundo álbum do trio e o título evoca um dos principais deuses do Hinduísmo, conhecido também como o Transformador. Os nove temas que integram “Shiva” são de uma elegância extrema, um exercício de criatividade musical e uma boa surpresa na paisagem do jazz português.



UMA DESCOBERTA ROMANA - A primeira vez que ouvi falar de pinsa romana achei que era uma graçola à volta da palavra pizza, afinal trata-se de uma reinterpretação de uma antiga receita criada no Império Romano. O formato é irregular, mais oval que circular, mas a verdadeira diferença reside na massa - a Pinsa Romana é feita de uma massa leve e crocante, macia em seu interior, tostada por fora. O segredo da massa da Pinsa moderna reside na utilização de três farinhas diferentes - soja, trigo e arroz, mais hidratadas que as massas  de pizza, e com uma fermentação natural, lenta e longa, a partir de massa mãe, o que tem como consequência uma base de massa com menos glúten, mais saborosa e mais fácil de digerir. Em Portugal descobri recentemente as pinsas da  “Ammazza!” e fiquei fã. A lista, além de entradas e saladas propõe pinsas em dois tamanhos, individual e dupla, e variedades como a marguerita, amatriciana, diávola (com um picante salame ventricina), funghi (com pecorino romano), acciughe (com anchovas) uma vegetarianas sem queijo e com creme de abóbora e outra com berinjela, tomate confitado e mozarella. Nas sobremesas há pinsas de Nutella ou de pêra e chocolate. A Ammazza! está na Infante Santo 66D, funciona todos os dias da semana e pode levantar na loja ou encomendar entrega em casa. Mais informações em ammazza.pt .

 

DIXIT - “Costa pôs a carne toda no assador. Está lá o PS inteiro e o Largo do Rato em força” - José Adelino Maltês, sobre o novo Governo

 

BACK TO BASICS - “Se quiserem conhecer o verdadeiro carácter de alguém, dêem-lhe poder” - Abraham Lincoln

 




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publicado às 11:00


1 comentário

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De Toranja Mecânica a 08.04.2022 às 02:13

Hu Xijin - "A Rússia Não Precisa da Força Militar Chinesa, Mas Nós Não Vamos Prometer Que Não a Iremos Fornecer":

https://toranja-mecanica.blogspot.com/2022/04/hu-xijin-russia-nao-precisa-da-forca.html

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