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Quando passeio a pé gosto de olhar à volta, seja onde estiver. Delicio–me com os pormenores, as coisas aparentemente escondidas que, de repente, me saltam à vista. A verdade é que passamos todos muito tempo a olhar para ecrãs, a atenção dirigida para um rectângulo luminoso, e a maioria das coisas que vemos são-nos dadas por algum intermediário: temos quem nos dê notícias, quem nos mostre filmes, quem nos faça descobrir novas músicas, quem nos proponha viagens e até quem nos explique alguma coisa que pretendamos querer saber. Mas nada disto substitui o prazer de olhar à nossa volta, seja numa rua ou num caminho no meio do campo. Olhar com atenção desperta a imaginação, olhar para o que está à nossa frente, ver as coisas bem de perto, sentir a sua forma e textura, leva-nos a descobertas . A beleza que desafia as convenções nasce onde menos se espera. Uma das coisas que me fascina é olhar bem de perto para um cacto, daqueles carnudos que se encontram à beira de um caminho. Muita gente não liga a estes cactos selvagens, mas eu gosto deles. São resistentes, marcam a paisagem, estão com bom ar todo o ano, sobrevivem às chuvas, ao vento e ao calor. E, parecendo iguais, são todos diferentes. Os seus caules carnudos são voluptuosos, têm forma e volume, enquanto os espinhos são as suas folhas, que servem para os proteger. São umas plantas sábias, imprevistas, não há caules iguais. Este que hoje vos trago tem uma pequena janela aberta, circular, por onde se pode espreitar o que se passa do outro lado. Combina a aparência opaca com transparência q.b. Se calhar tinha futuro na política.
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