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FIM DE TEMPORADA  - Esta semana nasceu um novo folhetim: um Conselho de Estado em episódios. No primeiro episódio um dos protagonistas, António Costa, chegou tarde e já tinha avisado que teria de sair cedo, já que teria de apanhar o avião para ir ver um jogo de futebol à Nova Zelândia, no caso a estreia da Selecção portuguesa de futebol feminino no Campeonato do Mundo. Simpatizo com a ideia de o Governo acompanhar as selecções nacionais - mas não bastaria o Secretário de Estado da Juventude e Desportos para representar o país? Fica a parecer que o Primeiro-Ministro aproveitou o pretexto para não ter que dar a atenção devida ao Conselho de Estado, onde várias vozes iriam criticar a acção do seu Governo. O resultado é que face à pressa de António Costa, Marcelo Rebello de Sousa adiou a sua própria intervenção, para a qual, rezam as notícias entretanto surgidas, desejava uma resposta desenvolvida de António Costa e agendou novo episódio do Conselho de Estado para Setembro, colocando em banho maria um debate sobre o estado da nação mais sério, e menos demagógico, do que aquele que Costa protagonizou no Parlamento, perante a fraqueza das oposições. Costa, já se sabe, é bom orador, bom tribuno, e não hesita em torcer a verdade e os factos por forma a que tudo pareça estar pelo melhor. Mas arranjou forma de se escapulir quando tinha pela frente uma mesa onde estavam analistas e políticos com experiência. O Conselho de Estado tinha sido marcado pelo Presidente da República numa data posterior ao debate sobre o Estado da Nação, não certamente por acaso. O súbito interesse de António Costa pelo futebol feminino veio baralhar as coisas e esvaziar o que Marcelo pretendia. Um artista.

 

SEMANADA - Rui Rio disse que não abriu a porta à PJ porque dorme com tampões nos ouvidos e não ouviu nada; a filha diz que ouviu, mas não abriu a porta porque não permite a entrada a estranhos; as subvenções aos grupos parlamentares aumentaram 16% nas últimas cinco legislaturas; um sondagem do DN indica que 54% dos jovens portugueses admite sair do país num futuro próximo por falta de perspectivas de trabalho, a maioria não participa em actividades de partidos ou sindicatos e não faz voluntariado; a Presidência da República ainda não criou um inventário único de bens como recomendado pelo tribunal de contas desde 2019; 255 pessoas fizeram cirurgias para mudança de sexo nos últimos cinco anos e em Coimbra a lista de espera para essa intervenção ultrapassa 18 meses; 36% do solo em Portugal continental, cerca de três milhões de hectares, é ocupado por floresta; o PIB per capita de Portugal é o oitavo mais baixo da Europa e já está atrás da Lituânia, Estónia e Roménia; O filme “Barbie”, de Greta Gerwig, foi o mais visto em Portugal no fim de semana de estreia, com 189.709 espectadores e mais de 1,1 milhões de euros de bilheteira, revelou o Instituto do Cinema e Audiovisual; o endividamento de Portugal atingiu o valor mais alto de sempre, 804,4 mil milhões de euros o que significa que cada português deve em média mais de 77 mil euros; em junho a procura por Certificados de Aforro caíu 70% depois da diminuição das taxas de juros; em 2022, no hospital de S. José, foram tratados 995 feridos em acidentes com trotinetas.

 

O ARCO DA VELHA - As contas dos partidos e dos grupos parlamentares não são fiscalizadas desde 2018.

 

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VISÕES DE FOTOGRAFIA - Até Janeiro, no Museu de Arte Contemporânea de Elvas, MACE, está patente a segunda parte de “Contravisões”, a mostra das obras de fotografia na colecção de António Cachola: A exposição tem curadoria de Sérgio Mah, que, num texto sobre a exposição, assinala a importância do núcleo de fotografia da colecção, “que cobre diversos géneros e tipologias, e onde coexistem predisposições que apontam para um campo mais estritamente fotográfico com inúmeros exemplos de articulação e de hibridação da fotografia com outras artes visuais”. Ao todo, nas duas partes de “Contravisões” estão representados cerca de 50 artistas. Nesta segunda parte existem obras de, entre outros,  André Gomes, André Romão, António Júlio Duarte, Augusto Alves da Silva, Cristina Ataíde, Edgar Martins, Gabriel Abrantes, Henrique Pavão, Igor Jesus, João Tabarra, Jorge Molder, Julião Sarmento, Luís Palma, Manuel Botelho, Paulo Catrica, Rita GT, Rui Toscano e Mónica De Miranda, que aliás é a autora da imagem aqui reproduzida,Twins”, da série Cinema Karl Marx, 2017. Entretanto a primeira parte de “Contravisões”, pode ser vista até 29 de Setembro no átrio principal do edifício sede da Caixa Geral de Depósitos em Lisboa e inclui obras de André Cepeda, Nuno Cera, João Paulo Serafim, Daniel Blaufuks, Patrícia Garrido, José Maçãs de Carvalho ou Salomé Lamas entre outros. Ainda em Elvas, na Cisterna, e no âmbito das actividades do MACE, podem ser vistas até 30 de Setembro duas obras de Rui Sanches, uma de 2016 e outra de 2018. Permanecendo no Alentejo,  em Évora, na Fundação Eugénio de Almeida pode ver até final de Dezembro, fotografias e videos de Paulo Catrica, Rita Barros e Virgílio Ferreira na exposição “No Tempo dos Dias Lentos”.

 

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RIVALIDADES PERIGOSAS - Bem sei que não está muito calor ainda, mas venho recomendar uma leitura gelada. Melhor dizendo, o relato de uma disputa passada numa região rural da Suécia, entre duas aldeias separadas por uma floresta e por uma rivalidade feroz entre as respectivas equipas de hóquei no gelo, Björnstad e Hed. “Nós Contra os Outros” é uma história que envolve as dificuldades das regiões do interior, a ameaça de encerramento de uma fábrica com as consequentes repercussões na economia local, as ligações que se tecem entre a política, o desporto e as empresas. Mas também a forma como as populações reagem a quem foge à norma, como reagem a que uma equipa de hóquei no gelo masculina seja treinada por uma mulher, o que acontece quando descobrem que o capitão da equipa e um dos seus melhores jogadores  é homossexual. Pelo meio há ameaças, agressões, mortes, sempre com o hóquei no gelo como pano de fundo. Há frases ao longo do livro que são lições de vida: “o poder é a capacidade de levar os outros a fazer aquilo que queremos”; ou, “ser líder é tomar decisões difíceis, desagradáveis e impopulares”; e também: “o problema, tanto com as pessoas boas como as más, é que a maior parte de nós é as duas coisas ao mesmo tempo”. E esta, na última página do livro e que resume o que é o hóquei no gelo: “ é um jogo simples se tirarmos todas as porcarias que o rodeiam e guardarmos apenas aquilo que nos faz amá-lo ao princípio. Toda a gente tem um stick. Duas balizas. Duas equipas. Nós contra os outros”.  Fredrik Beckman, o autor, escreveu já sete romances, duas novelas e um livro de não ficção. É o autor de “Um Homem Chamado Ove”, que já elogiei nestas páginas e ao todo as suas obras já venderam mais de 19 milhões de exemplares, traduzidos em 46 línguas. “Nós Contra os Outros” foi publicado pela Porto Editora.

 

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NINA AO VIVO - Sabem quem é Eunice Kathleen Waymon? Este nome não vos dirá nada, mas se souberem que se tornou conhecida sob o nome artístico de Nina Simone o caso mudará de figura. Nascida em 1933, tornou-se uma das grandes cantoras da América e o seu repertório passeou-se entre os blues e o jazz, com incursões na soul e no gospel. Pianista, compositora, cantora, o nome Simone veio da sua admiração pela actriz francesa Simone Signoret. O seu primeiro álbum data de 1958, “Little Girl Blue” e o derradeiro “A Single Blue”, de 1993. Morreu em 2003 e, de então para cá, têm sido reeditados vários dos seus êxitos. Ao todo gravou quatro dezenas de álbuns e deu material para dezenas de colectâneas. Interpretou temas seus e de outros compositores. Pelo meio foram também descobertas várias das suas gravações ao vivo, a mais recente das quais, editada pela primeira vez, é um registo inédito de uma actuação no Festival de Newport em Julho de 1966, um momento alto da sua carreira. “You’ve Got To Learn - Live” é o nome desse disco, que inclui seis temas gravados ao vivo nessa ocasião: “You’ve Got To Learn”, “I Love You Porgy”, “Blues For Mama”, “Be My Husband”, “Mississippi Goddam” e “Music For Lovers”. O organizador do festival de Newport, George Wein, doou as fitas da gravação do concerto de Nina Simone à Library Of Congress dos Estados Unidos, onde estiveram esquecidas até há pouco tempo, tendo sido descobertas por uma das pessoas que se têm estudado a carreira de Nina Simone,  Nadine Cohodas. Nestas gravações, com boa qualidade, Nina Simone é acompanhada pelo guitarrista Rudy Stevenson, o baixista Lisle Atkinson e o baterista Bobby Hamilton. O disco está disponível nas plataformas de streaming e constitui uma homenagem editada este ano, quando Nina Simone completaria 90 anos.

 

PROVAR - Em Alfarim, quase a chegar a Aldeia do Meco, na Avenida José Carlos Ezequiel, junto ao largo da Igreja, encontra-se uma bela esplanada, colorida e festiva que dá pelo nome de “Muito Espalhafato”. Trata-se de uma petiscaria onde também se pode agora pedir algo mais substancial que as tábuas de queijo e enchidos que têm feito a fama da casa. No comando das operações está um casal que é uma garantia de hospitalidade: a Lai e o Francisco Completo. Antes de entrar nas comidas deixem-me dizer que para além da esplanada o interior oferece um mundo de artigos de decoração, móveis e até roupa. Nas refeições têm feito sucesso as bochechas de porco preto, tenríssimas, e o pica pau de lombo. Por vezes há ostras, por vezes há peixinhos da horta, quase sempre a entrada pode ser um cogumelo portobello de bom porte recheado de alheira e doce de abóbora ou um carpaccio temperado com maracujá. Enquanto a comida chega há pão da região com um azeite delicado de Proença-A-Nova, de onde vem também, na época apropriada, um bucho de alta qualidade. Numa recente visita a mesa experimentou, além das entradas, um tártaro de atum fresco envolvido em abacate e um vol au vent de pato confitado, acompanhado de endívia aos pedaços. Para o fim veio um arroz doce de tangerina e uma boa sobremesa de chocolate. Quanto ao vinho, deixem a escolha na mão do Francisco que as suas recomendações são boas e honestas no preço - no caso foi um branco Sem Segredos, do Douro. Reservas e Informações, ligue 962 902 234

 

DIXIT - “Saíram 13, por mim tinham saído mais” - Carlos César, Presidente do PS, sobre o número de membros do Governo que já se demitiram.

 

BACK TO BASICS - “O mistério de qualquer Governo não é saber como funciona e sim como se pode parar” - P. J. O’Rourke




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