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UM EXEMPLO QUE VEM DOS ANTÍPODAS - Uma das séries da Netflix que mais me interessou nos últimos tempos foi “Secret City”, um thriller político passado na Austrália e onde, ao longo das duas temporadas já disponíveis, o centro da história é a forma como membros do Governo tentam iludir os eleitores, com a ajuda das agências de informação e serviços secretos, que repetidamente abusam do seu poder e violam direitos dos cidadãos. A série é uma crítica dura ao funcionamento do Estado. Acontece que a produção desta série foi financiada por um conjunto de entidades governamentais e departamentos oficiais da Austrália, uma política integrado de financiamentos e benefícios que são o elemento chave da reviravolta que o audiovisual australiano sofreu nas últimas duas décadas e meia. Desde meados dos anos 90 a Austrália implementou, sem recuos, uma política e mecanismos de desenvolvimento da produção local que foi dando os seus frutos e agora está madura. O facto de uma série tão crítica em relação ao funcionamento dos responsáveis do Estado ser fortemente financiada por esse mesmo Estado mostra apenas que o sistema funciona muito bem. Em Portugal infelizmente passou-se o contrário e a cedência a lobbies diversos, acompanhada por uma sistemática falta de empenho no desenvolvimento continuado e coerente de uma indústria audiovisual, tem os resultados que estão à vista. Por cá raramente se leva um plano até ao fim. E, como esta semana se viu no parlamento, o debate sobre o audiovisual preocupa-se mais com futebóis do que com outras coisas...

SEMANADA - As Câmaras Municipais de Lisboa e Porto realizaram cerca de mil despejos de habitação social ao longo da ultima década a maior parte por rendas em falta; o Governo anunciou redução dos preços dos transportes públicos para 85% dos eleitores; o presidente do Supremo Tribunal de Justiça reconheceu numa entrevista que não foi possível promover um pacto para a reforma da justiça entre os partidos parlamentares; o Conselho Geral da ADSE acusou a instituição que fiscaliza de não dar suficiente importância à situação dos beneficiários nas zonas mais desfavorecidas; segundo o Presidente da República “não há instituições europeias fortes com líderes fracos e não há líderes europeus fortes com líderes nacionais fracos”; no Hospital de Santa Maria a falta de enfermeiros reduziu o serviço de neonatologia a metade; nos últimos dois anos, o número de pedidos de nacionalidade portuguesa aumentou cerca de 50%, atingindo 176.285 em 2018;  Esta legislatura os pedidos de levantamento da imunidade parlamentar aos deputados quase duplicaram em relação à anterior; Portugal continua bem acima da média europeia na incidência de casos de tuberculose; 1,9 milhões de portugueses têm o hábito de fazer apostas em jogos online.

PENSAMENTOS ACERTADOS - “Fingir que a União Europeia é democrática, com aquele patético Parlamento e estas eleições, ou é inútil, ou é prejudicial”- António Barreto

 

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AS OPORTUNIDADES E AMEAÇAS DO FUTURO - Editada pelo Copenhagen Institute for Futures Studies, a “Scenario” é uma revista sobre tendências, ideias e perspectivas de futuro, publicada seis vezes por ano. A primeira edição de 2019 dedica a capa a Martin Rees, que criou e coordena um grupo de investigadores da Universidade de Cambridge no Centre for the Study of Existencial Risk (CSER). Este centro dedica-se a estudar as ameaças globais que podem colocar a humanidade e a civilização em risco. A entrevista com Martin Rees surge a propósito do seu novo livro, “On The Future: Prospects For Humanity”, uma abordagem aos grandes desafios e oportunidades que irão moldar o nosso futuro colectivo. Outros temas de interesse nesta edição são um artigo sobre a quarta revolução industrial, caracterizada pela ascensão da inteligência artificial e da robótica. O impacto da inovação social na organização das empresas, desde os recursos humanos ao local de trabalho, é um dos temas abordados nesta área. A robótica e a inteligência artificial, sublinha a revista,  colocarão cenários inesperados, muito para além do trabalho, entrando na vida de cada um - a nível do comportamento e até da sexualidade. No entretanto, algumas casas de alta costura, como a Balmain e a Fenty começaram a utilizar modelos virtuais digitais em 3D em vez de pessoas nas suas campanhas publicitárias. Cameron James Wilson criou Shudu, o primeiro supermodelo digital e a Scenario entrevistou-o. A revista está à venda na Under The Cover, Rua Marquês Sá da Bandeira 88b.

 

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O LADO LUNAR DA METADE DO CÉU - Qual é a metade do céu? Segundo Mao Tsé-Tung é aquela que toda e qualquer mulher sustenta. Este foi o ponto de partida assumido por Pedro Cabrita Reis para criar a exposição que assinala os 25 anos de actividade do Museu Arpad Szenes - Vieira da Silva, escolhendo obras de 60 mulheres artistas portuguesas, simbolicamente com início numa natureza morta de Josefa D’Óbidos, do século XVII, até à maioria das obras apresentadas, produzidas entre meados do século XX e a actualidade. “A metade do céu” é pois um projecto de Pedro Cabrita Reis que decorre entre 21 de Março e 23 de Junho e que, nas suas próprias palavras, é uma exposição que procura “trazer ao encontro de Vieira da Silva uma perspectiva singular – pessoal, afectiva, decerto apaixonada” de obras de outras artistas. E ainda: “esta exposição perscruta o lado lunar de cada artista, dando a ver, sempre que possível, o que menos se espera dela – uma ou outra obra não tão frequentemente mostrada, talvez até desfasada, de algum modo inusitada”. Uma outra sugestão adicional: por iniciativa do Sindicato dos Pintores Pedro Calapez aceitou a ideia de por em contacto dois artistas de gerações diferentes e escolheu Carlos Correia. Sob o título “Sem Fim/Endless”, apresentam-se cerca de 50 trabalhos sobre papel de Carlos Correia e um video de Pedro Calapez. Na Box da Appleton, Rua Acácio Paiva 27, entre 23 a 30 de Março. E no dia 29, pelas 18h, uma conversa junta Pedro Calapez com Alberto Caetano e Joaquim Sapinho, numa abordagem à obra de Carlos Correia, morto no ano passado.

 

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UM PIANO ENCANTADO - O trio clássico de jazz (piano, bateria e contrabaixo) é uma das minhas formações preferidas e o piano é claramente o instrumento que muitas vezes move a escolha do que quero ouvir. Aaron Goldberg é um pianista de jazz norte-americano que ao longo da sua carreira, iniciada em finais dos anos 90, trabalhou com nomes como Joshua Redman ou Wynton Marsalis. O novo disco do trio do pianista norte-americano Aaron Goldberg, o seu sexto, chama-se  “At The Edge Of The World” e foi editado no final do ano passado. Alem de Goldberg tocam o baterista Leon Parker e o baixista Matt Penman. O disco começa com uma versão de “Poinciana”, um standard composto por Nat Simon no final dos anos 30, que teve numerosas versões, uma das mais conhecidas sendo a de Ahamad Jamal - aqui recriada de forma marcante, com uma intervenção vocal de Parker que ajuda a criar todo o ambiente do disco. O segundo tema, “Luaty” é um original de Goldberg dedicado ao activista angolano “Luaty Beirão”, composto enquanto ele esteve em greve da fome.  Destaque também para o clássico brasileiro “Manhã de Carnaval”, e sobretudo para a versão de um tema de McToyTyner (“Effendi”) e para as duas homenagens ao vibrafonista Bobby Hutcherson, “Isn’t This My Sound Around Me” e “When You Are Near”. “En La Orilla Del Mundo”, do cubano Gonzalo Rubalcaba, popularizado por Charlie Haden, é o único tema onde Goldberg toca sózinho, ao piano. E a finalizar “Tokyo Dream” é uma abordagem do próprio Aaron Goldberd a um blues, proporcionando um dos pontos altos da participação do baterista Leon Parker. Disco Sunnyside, disponível no Spotify

IGUARIAS FLUVIAIS DA ESTAÇÃO - Todos os anos por esta altura combino com um dos meus melhores amigos a estreia da época da lampreia. Às vezes a partir de finais de Fevereiro já se consegue uma lampreia decente -  mas este ano a falta de chuva não ajudou os rios e ainda menos as lampreias, que precisaram de mais algum tempo para estarem em boa forma. A estreia de 2019 ocorreu na semana passada num dos locais da minha confiança quando se trata de cozinha portuguesa - o Apuradinho, na Rua de Campolide. A lampreia que ali se serve é de confiança, não é importada nem congelada, como já me aconteceu nalguns locais. Além disso a casa sabe preparar bem o ciclóstomo para que ele não fique contaminado com nenhum sabor estranho. Aquele arroz de lampreia é temperado no ponto, leva a dose certa de vinagre, retém o sabor do bicho e o preparo é feito de forma a que os nacos surjam no ponto de consistência. Convém  encomendar o petisco e acertar uma data. Para quem goste há vinho verde tinto,mas eu geralmente passo nesse capítulo. Se tudo correr como previsto ainda há -de haver segunda lampreia este ano e pelo meio estou certo que terei ocasião para provar o outro petisco da época - o sável frito em fatias finíssimas, acompanhado por uma açorda genuína - que no Apuradinho também é excelente. Apuradinho, Rua de Campolide 209, telefone 213 880 501.

DIXIT - “A democracia portuguesa está a tornar-se um asilo de loucos” - Vasco Pulido Valente

BACK TO BASICS - “A aritmética consiste em saber contar até 20 sem ter que tirar os sapatos dos pés” - Rato Mickey



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