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O CAMINHO DAS PEDRAS

por falcao, em 21.06.24

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O DESCONFORTO DE LISBOA - Terça-feira passada o jornal “Público” noticiava o desagrado dos moradores da Graça com os problemas causados pelo excesso de tuk-tuks nos miradouros e na zona . Há duas semanas tive de me deslocar lá e o que vi é ainda pior do que aquilo que a notícia relata. Já não é só no Chiado e São Pedro de Alcântara, nem no Castelo e na Sé ou em Belém que isto se passa. Lisboa está convertida num tukódromo insuportável. Mas há mais: quem descer a avenida da Liberdade, a quase qualquer hora do dia, constatará que a maioria dos veículos, numa avaliação a olho nu, ostenta a placa TVDE, contribuindo para a poluição na cidade. Bem sei que a estratégia de converter Lisboa numa gigantesca feira para turistas foi obra de Costa e Medina, quando estiveram à frente da CML e impulsionaram o abandono da cidade pelos seus moradores, substituindo-os por turistas. Durante anos escrevi aqui contra os desmandos de Costa e Medina na cidade. Votei contra Medina, na esperança de que Carlos Moedas devolvesse a cidade aos Lisboetas. Infelizmente isso não está a acontecer e seria interessante saber qual o aumento de TVDEs e tuk-tuks em circulação em Lisboa nos últimos dois anos. Arrisco  dizer que o número cresceu. Na semana passada estive uns dias no Funchal, outro destino turístico português por excelência. Praticamente não vi tuk-tuks, TVDEs nem um para amostra, mas vi imensos turistas, quer na cidade, quer nas zonas dos passeios no interior. Estava tudo limpo, sem confusões. O contrário daquilo que infelizmente se passa em Lisboa, onde o excesso de veículos para turistas, o lixo nas ruas e o caos de obras diversas e constantes são problemas reais. Também eu, que aqui nasci e sempre vivi, começo a estar farto disto tudo e, sempre que posso, saio. É importante ter uma política social para os mais idosos na área da saúde e dos transportes. Mas é também importante ter em conta os lisboetas que querem continuar a viver em Lisboa e não querem sentir-se estrangeiros na sua terra. O conforto, o combate ao ruído, a limpeza, a qualidade dos passeios e pavimentos das ruas fazem parte do bem estar. A cidade onde tudo possa estar a 15 minutos, uma das bandeiras de Carlos Moedas, é uma mera ficção com mais de metade do seu mandato percorrido. Lisboa está ainda menos confortável que no tempo de Costa e Medina e viver nela é, muitas vezes, percorrer um doloroso caminho das pedras. Recordo que nas próximas autárquicas quem vota em Lisboa são os incomodados, não os passantes ocasionais.

 

SEMANADA - Nos primeiros quatro meses do ano nasceram menos 246 bebés do que no mesmo período do ano passado, ou seja, uma média de menos dois por dia; em 2023 o número médio mensal de imigrantes registados na Segurança Social e a trabalhar por conta de outrem superou os 495 mil, um acréscimo de 35,5% face ao ano anterior; em 10 anos, de 2014 a 2023, o número de trabalhadores estrangeiros cresceu nove vezes  e são já mais de 20% as empresas que recorrem a imigrantes;  os três sectores mais dependentes de imigrantes são a agricultura, o turismo e a construção; os imigrantes em Portugal são sobretudo jovens com a média de 33 anos, 63% são homens, 37% são mulheres e estão sobretudo concentrados nas áreas metropolitanas de  Lisboa e  Porto, Algarve e Litoral Alentejano; recebem salários 15% mais baixos que os dos portugueses; a população residente em Portugal aumentou em 2023, pelo quinto ano consecutivo, ultrapassando 10,6 milhões,e segundo o INE o acréscimo populacional resultou de um saldo migratório de 155.701 pessoas; Portugal recebeu 2600 novos pedidos de asilo no ano passado, sendo as principais nacionalidades a Gâmbia, o Afeganistão e a Colômbia: o estatuto de criança vítima de violência foi acionado em 10.300 casos num só ano; em Portugal realizam-se cerca de 80 Feiras Medievais; mais de 46 mil professores efectivos querem mudar de escola no próximo ano lectivo, um aumento de 37% face ao verificado no ano passado; a feira do livro de Lisboa foi visitada por mais de um milhão de pessoas; mais de 70% dos portugueses estão preocupados em distinguir notícias verdadeiras e falsas na internet.

 

O ARCO DA VELHASegundo o INE a vinda de Taylor Swift a Portugal em maio teve um impacto nos preços da restauração e alojamento muito maior do que o das Jornadas Mundiais da Juventude.

 

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UM GRANDE POLICIAL - Tornei-me fã de David Lagercrantz quando assumiu a sucessão de Stieg Larsson e escreveu três obras que continuaram a série “Millennium”. Depois descobri o seu romance policial a solo, “Obscuritas”, baseada no trabalho da dupla de investigadores Hans Rekke e Micaela Vargas. E agora deliciei-me com “Memória”, o novo romance com essa dupla. Já que estamos em época de futebol, recordo que David Lagercrantz é o jornalista e escritor sueco que publicou a biografia de Zlatan Ibrahimovic, uma das estrelas do futebol sueco. Adiante na história, e vamos a este “Memória”. O Professor Hanks Rekke é um especialista em psicologia e técnicas de interrogatório, de grande  inteligência  mas de empatia social muito pouco apurada, e trabalha de novo com  Micaela Vargas, uma corajosa agente policial que quer fazer frente às atividades criminosas do irmão. A trama de “Memória” começa quando surge uma fotografia, feita por um turista em Veneza, onde está visível uma mulher que era considerada morta há catorze anos, Claire Lidman. O seu marido vê nesta fotografia a confirmação da convicção que tinha de que Claire não tinha morrido, contrariando o reconhecimento do corpo feito por familiares. É este caso que Hans Rekke e Micaela Vargas vão investigar, revisitando o passado e reconstituindo memórias da crise bancária dos anos 90, os conflitos entre oligarcas russos, o confronto com um perigoso inimigo de Rekke ou os crimes do irmão de Vargas. Mais não conto. o livro já está nas livrarias, pela mão da Porto Editora.

 

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HOMENAGEM A SARAH VAUGHAN - Zara McFarlane, 41 anos, é uma cantora e compositora britânica de jazz, de ascendência jamaicana. Com vários álbuns editados,  em 2014 foi considerada nos MOBO Awards a melhor artista de jazz em Inglaterra. Zara McFarlane até agora gravou sobretudo as suas próprias composições num ambiente sonoro ligado ao jazz britânico. Em “Sweet Whispers: celebrating Sarah Vaughan”, o seu novo disco, o quinto da sua carreira, ela muda de Roma e salta de Londres para os sons de Nova Iorque. O novo álbum é uma homenagem, no ano do centenário de Vaughan, à lendária cantora norte-americana de jazz, que morreu em 1990. Neste disco Zara McFarlane retoma 10 temas originais de Vaughan e apresenta um original que compôs. A acompanhá-la está um quarteto de músicos que normalmente trabalham com ela, sob a direcção do saxofonista Giacomo Smith, que produziu o álbum, fez os arranjos e tem uma participação musical relevante. O disco começa por dois temas clássicos de Vaughan, “Tenderly” e “Mean To Me”, inclui versões notáveis de  “Inner City Blues”, “September Song” e “If You Could See Me Now”. Inclui também “Obsession”, um tema de “Brazilian Romance”, de 1987, o derradeiro registo de Sarah Vaughan e termina com uma composição original,  “Sweet Whispers”. McFarlane não é uma mera imitadora e este álbum mostra a sua grande capacidade vocal e interpretativa. Disponível nas plataformas de streaming.

 

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UMA GRANDE COLECÇÃO DE FOTOGRAFIA  - Desde 2019 o Museu do Neo Realismo tem vindo a desenvolver uma importante colecção de fotografia, sob a orientação de Jorge Calado, sob o título “A Família Humana”, que evoca a histórica exposição “The Family of Man” organizada por  Edward Steichen no MoMA, Nova Iorque, em 1955. Em Vila Franca de Xira Jorge Calado constituíu uma coleção fotográfica internacional, com cerca de oitocentas imagens de mais de 350 fotógrafos de meia-centena de nacionalidades,  realizadas em quase uma centena de países. São fotografias que mostram todas as dimensões da vida, do trabalho ao lazer, que conjugam olhares de autores famosos com outros desconhecidos, do fotojornalismo à arte fotográfica, numa montagem rigorosa. Nos últimos quatro anos, a Coleção A Família Humana foi objeto de quatro exposições e em cada uma foi colocado em destaque um artista:  Otto Karminski, Claude Jacoby, Erika Stone e Ingeborg Lippmann. Agora, na nova montagem sob o título “Paralelos e Contrapontos”, Jorge Calado escolheu o neerlandês Kees Scherer, co-fundador da World Press Photo, que fotografou várias vezes em Portugal – nomeadamente em Vila Franca de Xira – nos anos 1959-1963. Esta montagem inclui novas aquisições da colecção e apresenta um novo olhar. A exposição, no piso 1 do Museu do Neo-Realismo em Vila Franca de Xira,  tem entrada gratuita, de terça a domingo, das 10h00 às 18h00, e fica patente até 20 de outubro de 2024. 

 

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ROTEIRO - Esta semana proponho uma deslocação a Viseu onde, na Casa d’Artes e Ofícios, CAOS, mesmo perto do museu Grão Vasco, José Maçãs de Carvalho apresenta  “Dispositivo”, uma exposição que mostra quatro das suas fotografias e que estará patente até 17 de Agosto, entre elas a imagem aqui reproduzida e que foi efectuada em Bratislava em 1991. José Maçãs de Carvalho é um importante fotógrafo português com um percurso singular  e é também Professor no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. Para esta exposição foi buscar fotografias das séries “Arquivo e Domicílio” (2014)  e “Arquivo e Dispositivo” (2016), mostras organizadas com imagens nas quais a forma de visão ocupa lugar central, seja com câmaras fotográficas, pinturas, ecrãs ou janelas. No mesmo espaço existe uma zona de atelier destinado à descoberta da Arte por crianças.  Na Sociedade Nacional de Belas Artes Renée Gagnon apresenta até 20 de Julho “Mu Seke 75”, uma exposição de fotografia com curadoria de Paula Nascimento, que apresenta  um conjunto de quatro dezenas de fotografias de Gagnon, tiradas durante o período de 1972 a 1976,  em Luanda, num interessante registo que combina o documental com a descoberta dos jogos de formas e materiais que são a base das construções dos musseques. E na Galeria Monitor continua até dia 22 a exposição “Release The Chicken!”, de Eugénia Mussa (Rua da Páscoa 91).

 

DIXIT - “O combate ao populismo de esquerda e de direita é o grande desafio dos próximos anos. Da imigração à transição ecológica, dos nacionalismos ao federalismo europeu, do egoísmo à solidariedade” - Luís Marques

 

BACK TO BASICS - “Por todo o lado as pessoas confundem o que lêem nos jornais com notícias” - A.J. Liebling






A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS

 

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