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A MINISTRA SOBRESSALENTE - Nos últimos tempos tivemos um Ministro da Cultura que entrava mudo e saía calado; agora temos uma Ministra da Cultura que sofre de incontinência verbal. Em comum têm, entre eles, o facto de não dizerem uma palavra sobre política cultural. Acresce que esta Ministra da Cultura dá sinais de ser defensora de algo perigoso para quem ocupa o cargo onde foi colocada: uma política determinada pelo seu gosto pessoal - considera-se uma iluminada, coisa sempre perigosa em geral e, em especial, na área que tutela A isto junta um desprezo acentuado pela opinião dos outros - evidenciado nas suas declarações sobre o enfado que lhe causa seguir o que se escreve em Portugal, afirmação cinicamente proferida num certame literário, a Feira Internacional do Livro, de Guadalajara. Arrogante, a senhora prefere não ser incomodada e muito menos recordada de episódios desagradáveis - na sua auto-suficiência parte do princípio que relatos da  realidade são fake news. Graça Fonseca, um dos expoentes da mentalidade politicamente correcta na área do Governo, está a dar mostras de gostar de secar as ideias à sua volta e tem mostrado um assinalável vazio e desconhecimento sobre questões de política cultural. É uma Ministra sobressalente, calhou estar à mão quando foi preciso mudar as peças do tabuleiro. Está a revelar-se um problema de casting.

 

SEMANADA - Há dez anos que cada português anda a dar 15 euros por mês para salvar bancos; entre janeiro e outubro 2 milhões e 226 mil pessoas já recorreram ao crédito ao consumo, cerca de 26%  da população; um novo estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos indica que mais de 60% dos contratos das câmaras municipais são feitos por ajuste direto sem concurso; entre 2013 e 2017 dez câmaras municipais não fizeram qualquer concurso público; 51 câmaras têm taxas de endividamento superiores a 100% ; 45 câmaras municipais não disponibilizam publicamente qualquer informação documental sobre as suas contas; no ano passado o número de greves em empresas cresceu 39% e o número de trabalhadores envolvidos em greves quase triplicou em relação ao ano anterior; no primeiro semestre o preço médio da electricidade em Portugal era a sexto mais caro da União Europeia e no gás o país ficou no quarto lugar; a carga fiscal representa 55% da fatura da luz, o triplo do que se passa em Espanha; o deputado Feliciano Barreiras Duarte, um fiel de Rui Rio, apareceu registado na votação do orçamento de Estado por a sua password ter sido utilizada, apesar de ter estado ausente do plenário; Portugal tem mais de mil novos casos de VIH registados no ano passado e a taxa de diagnóstico mais elevada regista-se nos jovens entre os 25 e os 29 anos.

ARCO DA VELHA - Em Braga um homem foi condenado a prisão efectiva por ter roubado seis euros; também em Braga um Tribunal libertou o núcleo duro de um gang violento relacionado com tráfico de droga e uma vaga de assaltos violentos, apesar de terem sido presos em flagrante delito.

 

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UMA VISÃO DO NOVO PODER EM ANGOLA - O que tem acontecido em Angola desde que João Lourenço se tornou Presidente, em finais de Setembro de 2017? O que mudou no dia-a-dia do país, dos bastidores, do próprio Palácio que é o símbolo do poder presidencial? O jornalista Luís Fernando, hoje secretário para os Assuntos de Comunicação Institucional e Imprensa do Presidente da República de Angola, faz um relato de tudo o que se foi passando desde então, entre a crónica e a reportagem, em “Notícias do Palácio” -  que relata o primeiro ano do mandato de João Lourenço. O livro, agora editado em Portugal, começa nos dias da transição de poder de Eduardo dos Santos para o novo Presidente, passando pelo primeiro Conselho de Ministros, descrições de viagens e visitas oficiais ou a primeira entrevista coletiva do novo Presidente a jornalistas nos jardins do Palácio. Mas também relata a presença de João Lourenço no encontro de Davos, a ida ao Parlamento Europeu, o encontro com Macron, a reunião com Putin, a visita à China e até a recente visita de António Costa a Luanda, relatos enquadrados nas suas circunstâncias, a partir do ponto de vista privilegiado de um colaborador próximo de João Lourenço. É uma visão necessariamente comprometida e parcelar, mas é um testemunho destes tempos de mudança, uma observação particularmente interessante para todos os que seguem o que se passa em Angola - uma viagem ao processo de tomada de decisão do novo poder de Luanda.

 

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O TEATRO DE REVISTA - O Parque Mayer hoje em dia diz muito pouco ou mesmo nada a quem tiver menos de 40 anos. Digamos que era a coisa mais parecida com a Broadway que por cá havia, tendo em consideração todas as diferenças de escala. Tinha quatro teatros construídos entre os anos 20 e os anos 50 do século passado (Maria Vitória de 1922, Variedades de 1926, Capitólio de 1931 e ABC de 1956). Além dos teatros, havia restaurantes, esplanadas, casas de fado, barracas de tiro, e até luta livre e boxe - era um local de boémia por excelência. Muitas das peças levadas à cena eram musicais e ali nasceram algumas das grandes canções populares e ali artistas ganharam fama e reconhecimento. O Teatro de Revista, assim ficou conhecido o género ali encenado,  tinha antes de 1974 alusões e indirectas à situação política que se vivia, num permanente jogo do gato e do rato com a censura. Local de muitas histórias o Parque Mayer marcou uma época de Lisboa e passou agora do teatro ao cinema, pela mão do realizador António-Pedro Vasconcelos e do produtor Tino Navarro. “Parque Mayer”, que estreia a 6 de Dezembro, mostra a cidade -  e através dela o país - no início do salazarismo. O filme, escrito por Tiago Santos, decorre em 1933, numa altura em que o Estado Novo começava a formar-se. A história segue a preparação de uma nova revista, os ensaios onde há de tudo: amores não correspondidos, dramas pessoais e tentativas de contornar a censura - no fundo a luta pela liberdade de criação numa altura em que as palavras e atitudes começavam a ser rigorosamente vigiadas. O engraçado é como o realizador, a partir da evocação daquele espaço entre a Avenida da Liberdade e a Praça da Alegria, faz um retrato de Portugal inteiro naquela época e da nascente resistência ao regime, com base num quadro da revista que é o centro de toda a acção. António-Pedro Vasconcelos continua  a ser um grande contador de histórias, o argumento de Tiago Santos cria momentos emocionantes e destacam-se grandes interpretações da estreante Daniela Melchior, de Francisco Froes, Diogo Morgado, Miguel Guilherme e Carla Maciel.

 

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O PODER DO SAXOFONE - Ricardo Toscano tem 25 anos e desde os 15 que estuda e toca jazz, tendo escolhido o saxofone alto como forma de expressão. O seu primeiro álbum de originais saíu agora na editora Cleanfeed - o disco é sobriamente intitulado Ricardo Toscano Quartet. Além do próprio, aqui estão João Pedro Coelho no piano, Romeu Tristão no contrabaixo e João Lopes Pereira na bateria. Dos seus temas, cinco são originais de Ricardo Toscano e um, “The Sorcerer”,  é a recriação de um original de Herbie Hancock. Numa recente entrevista Ricardo Toscano afirmou que o verdadeiro virtuosismo de um músico reside na sua capacidade de expressão e isso sente-se neste disco. Como Ricardo Toscano também reconhece uma das suas maiores influências é Coltrane e percebe-se ao longo deste álbum que o território musical dos blues é algo que o atrai e onde se sente à vontade - o tema “Lament” é prova disso mesmo. Ao longo de todo o disco Ricardo Toscano destaca-se como o pólo agregador, fomentando um diálogo permanente com os outros músicos do quarteto, por vezes até de forma inesperada. Por exemplo no tema final, “Grito Mudo”, é o saxofone que fala com a bateria, em paralelo com a relação que se cria entre o piano e contrabaixo. Destaco ainda a balada “Song Of Hope” e a declaração de intenções inicial, do tema de abertura, “Almeria”, onde o saxofone de Ricardo Toscano mostra o que vale. Em virtuosismo e em expressão.

 

COZIDO ILIMITADO -  Lembro-me que há uns anos tinha o hábito dominical de frequentar o cozido à portuguesa que nessa altura era servido na “Doca do Espanhol”, cuja cozinha era supervisionada por Justa Nobre ainda antes de ela ser conhecida por força da TV. Várias voltas da vida depois Justa e José Nobre estabeleceram-se no Campo Pequeno, no Spazio Buondi-Nobre e ali retomaram o buffet de cozido à portuguesa ao almoço de domingo. Claro que existe a lista habitual (que inclui até uma opção vegetariana), mas aquilo que os clientes procuram nesse dia é mesmo o cozido - abundante em tudo e como mandam as regras - carnes diversas de boa qualidade, legumes em fartura e cozidos no ponto, arroz do dito confeccionado como deve ser, enchidos das espécies requeridas e de boa qualidade. Tudo é permanentemente reabastecido e, no final, ainda existe uma sopa de cozido para quem quiser acabar de confortar o estômago. A acompanhar o cozido (25 euros por pessoa, bebidas à parte), veio o honesto vinho da casa, um Douro, da região de Mesão Frio, o “Consensual Justa Nobre”. Embora Justa e José Nobre façam questão de verificar como vão as coisas em todas as mesas, por vezes o serviço deixa a desejar, sobretudo nas zonas mais esconsas do restaurante. É o único senão.

 

DIXIT - “No país ideal de Graça Fonseca não havia notícias, havia comunicados” -  Pedro Santos Guerreiro

 

BOLSA DE VALORES - “Stardust”, a nova exposição de Nuno Gil tem 14 obras, reunindo um grupo de pinturas sobre tela e um conjunto de trabalhos em papel. Os valores de venda vão dos  1800 aos 8000 euros. A que aqui é reproduzida tem um preço de 3000 euros. Está na Módulo - Centro Difusor de Arte, Calçada dos Mestres 34, em Lisboa, até 29 de Dezembro.

 

BACK TO BASICS - “O mundo é um palco, só que a peça está pessimamente encenada” - Oscar Wilde

 

 

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