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OS TEMAS MARGINAIS - De acordo com sondagens recentes um quinto dos portugueses declara não saber ainda em quem votará nas eleições de 10 de Março. Os debates praticamente terminaram e um estudo publicado esta semana pela Universal Media indica que existe uma diminuição de audiência dos debates eleitorais face aos números registados nas legislativas de 2022, nomeadamente nos canais generalistas - RTP1, SIC e TVI, embora nos canais informativos do cabo haja um ligeiro aumento. Isto pode querer dizer que a grande massa de espectadores se interessou menos em ouvir os líderes partidários, mas que os maiores consumidores de informação lhes dedicaram maior atenção. A ver vamos  o que isto significa em termos de abstenção. Acredito que é em tempo de campanha que se pode ver a atenção que os políticos dão a temas correntes.  Fora da agenda dos grandes tópicos da propaganda, que são a saúde, a educação, a habitação, os pensionistas e os impostos, pouco se discutiu. A justiça, ausente durante o início dos debates, foi para lá empurrada pelo que aconteceu na Madeira e a segurança entrou na liça pelos protestos das forças policiais. Da posição de Portugal face à situação internacional, particularmente na Europa, não se fala (e seria curioso atendendo ao carinho que algumas das forças concorrentes dedicam à Rússia e a Putin), a Cultura, como já aqui escrevi, é tema desinteressante para os políticos salvo na altura de uns convívios e jantares com artistas. Mas há outro tema, que antes do início da campanha andou nas bocas do mundo, e que agora desapareceu - a situação de crise profunda na imprensa e na comunicação social. Todos se mostraram muito preocupados e agora o tema está desaparecido. Também ninguém fala  do serviço público audiovisual - a RTP está bem assim, que entendem os partidos que deve ser melhorado no funcionamento, papel e missão do serviço público?  Como deve ser revisto o contrato de concessão e a sua governança? Justifica-se um Conselho Geral Independente cuja actividade e competência é um mistério? Quais as obrigações que a RTP deve cumprir e qual o seu enquadramento na estratégia audiovisual da língua e cultura portuguesas? Pensar nestes assuntos é uma maçada para os políticos, não é?

 

SEMANADA - O Governo estima que há 300 mil registos de utentes nas listas dos médicos de família que correspondem a pessoas que já não residem em Portugal ou que já não deveriam estar registados; mais de 80% dos médicos dos hospitais privados mantêm um posto de trabalho no SNS, numa situação de duplo emprego; o actual ciclo de subida do desemprego é o maior dos últimos 8 anos; o valor médio, bruto, da hora de trabalho pago em Portugal é de 4,65 euros; segundo a Caritas, no período 2019-2023 não se registaram progressos significativos no combate à pobreza mais extrema em Portugal; os empréstimos ao consumo estão a subir há 12 meses; o preço do azeite subiu 69% num ano; nas legislativas de 2019 e 2022 cinco em cada dez portugueses não foram votar e Portugal está entre os países da UE onde menos se vota em eleições para formar Governo; a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima registou nos últimos cinco anos 6776 crimes sexuais contra crianças; em 2023 a mesma Associação registou 23.465 crimes de violência doméstica; o governo  transformou a Parque Escolar em Construção Pública para acelerar os projectos nesta área, mas mais de oito meses depois, a empresa ainda só lançou um concurso na área da habitação; o Estado ainda deixa fugir 713 milhões de euros de IVA por ano;  em 2022, as escolas do território continental eram frequentadas por 105.855 crianças e jovens de nacionalidade estrangeira, oriundos de mais de 200 países, menos de 10% do total de alunos inscritos.



O ARCO DA VELHA - O SNS gastou 37 milhões de euros com um medicamento originalmente destinado a diabéticos, mas que é também usado para perder peso.

 

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SERRALVES AUMENTADA - Desde a semana passada há um novo espaço para visitar em Serralves, a Ala Álvaro Siza, dedicada a acolher no futuro todas as exposições de obras da coleção, ou as dedicadas à arquitetura e aos vários arquivos depositados na Fundação de Serralves. Recordo que Álvaro Siza foi o arquitecto do Museu de Serralves, inaugurado há 25 anos. Para estreia do novo espaço foi criada a exposição “Anagramas Improváveis”, que reúne mais de 160 obras de 80 artistas, todas da colecção de Serralves,  e também a exposição C.A.S.A.- Colecção Álvaro Siza Arquivo, baseada em projectos de Álvaro Siza, contemplando diversas fases da sua carreira. Em “Anagramas Improváveis” cruzam-se obras de artistas de diferentes gerações e nacionalidades, com curadoria de Marta Almeida, Isabel Braga, Inês Grosso, Ricardo Nicolau, Joana Valsassina e Philippe Vergne. A exposição sublinha a ligação da Coleção de Serralves aos  movimentos artístico-literários dos anos 1960–70, recorda a exposição portuguesa Alternativa Zero (1977) e a exposição-manifesto que inaugurou o Museu de Serralves, Circa 1968 (1999), proporcionando diálogos entre obras produzidas em tempos e geografias muito distantes. A exposição apresenta também uma peça sonora de Luísa Cunha, criada especificamente para o novo edifício, e uma série de aquisições recentes de artistas jovens, ao lado de obras de artistas pertencentes a gerações mais antigas, como, entre outros, Joan Jonas, Lourdes Castro, Lothar Baumgarten, Cabrita, Julião Sarmento, Paula Rego, Lygia Pape, Ana Jotta ou Helena Almeida (na imagem a obra “Pintura Habitada, de 1975, fotografada por Filipe Braga). Para terminar a Fundação de Serralves anunciou entretanto que acolherá em depósito a importante colecção do galerista Mário Teixeira da Silva (Módulo - Centro Difusor de Arte), que morreu no ano passado.

 

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ROTEIRO DAS BOAS VISTAS - Na próxima semana uma considerável parte das galerias e colecionadores de arte rumará a Madrid para mais uma edição da ARCO, entre 6 e 10 de Março. Entretanto, na semana passada, Pedro Cabrita Reis inaugurou em Madrid, na Galeria Albarran - Bourdais (Barquillo 13, Madrid) a sua exposição “Museum”, para a qual o artista criou um conjunto de instalações no local, combinando escultura com pintura (na imagem). A Galeria editou um jornal da exposição que inclui uma conversa entre Pedro Cabrita Reis e Hans Ulrich Obrist. Voltando à ARCO, parabeńs à Fundação PLMJ, que recebe este ano da organização o prémio  atribuído pela ARCO Madrid à sua actividade enquanto promotor da colecção de arte, que tem curadoria de João Silvério e que esteve recentemente exposta em Lisboa, no Torreão Nascente da Cordoaria Nacional. Outras sugestões: em Lisboa, na Galeria da Boavista (Rua da Boavista 50) poderá ver “Babuíno Talismã”, uma exposição de imagens fotográficas de Daniela Ângelo que ficará patente até 31 de Março; no Centro Cultural de Cascais pode ver até 14 de abril de 2024, “QUID”, uma exposição de pinturas inéditas da artista portuguesa Isabel Sabino, que reúne cerca de 60 pinturas selecionadas pela artista e produzidas desde 2018.

 

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BLUES INESPERADOS - Quando penso em vibrafones vem-me logo à memória a forma como Lionel Hampton ou Gary Burton tocavam. Actualmente não é muito frequente ouvir o trabalho de vibrafonistas na nova geração de músicos de jazz. Há no entanto uma excepção, a de Joel Ross. No seu novo disco este músico norte-americano, que grava para a Blue Note, inspirou-se numa das mais tradicionais e marcantes  músicas da américa  e assim juntou vibrafone e blues, numa combinação perfeita. O disco chama-se “Nublues”, inclui dez temas ao longo de pouco mais de uma hora de boa música. Joel Rosso trabalhou neste disco com um quinteto que, além dele próprio, inclui o saxofonista Immanuel Wilkins, o pianista Jeremy Corren, o baixista Kanoa Mendenhall e o baterista Jeremy Dutton. A flautista Gabrielle Garo aparece em três faixas. Dos dez temas do disco sete são originais compostos por Ross e há três versões: “Equinox e “Central Park West” de John Coltrane e “Evidence” de Thelonius Monk. A maior parte dos solos é assegurada por Ross e Wilkins, mas Corren faz em “Ya Know?” um solo de piano que merece ser ouvido com atenção. Outros temas que merecem destaque são “Bach (God The Father in Eternity)” e “Mellowdee”, uma balada que é o ponto onde a inspiração dos blues é mais marcada. “Nublues” está disponível nas plataformas de streaming.

 

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UMA HISTÓRIA MISTERIOSA - July e September são as duas irmãs adolescentes que protagonizam uma história misteriosa e intrigante. Nascidas com dez meses de diferença, são como que gémeas e são elas as protagonistas de “Irmãs”, uma novela de Daisy Johnson editada originalmente em 2020. A história começa com a fuga das duas, levadas pela sua mãe, Sheela, de Oxford para Yorkshire, para uma casa perto do mar, emprestada pela irmã do pai das raparigas, que entretanto morreu e que abandonara a família quando elas eram muito pequenas. As três fogem de uma situação nunca claramente explicada, e a novela é uma espécie de viagem ao passado da família. A tragédia que envolve esse passado, e que é verdadeiramente o centro a partir do qual se desenvolve toda a história, vai sendo revelada aos poucos, de forma por vezes assustadora. A história é contada por July e é comentada pela mãe, Sheela. Ao longo do livro descobre-se a relação perturbantemente íntima entre as duas irmãs, que partilham o mesmo telemóvel e cujos corpos parecem ligados, mesmo nos momentos mais privados. Os momentos de grande tensão sucedem-se ao longo das páginas e a história acaba por dar uma reviravolta inesperada no final, que leva a querer rever o que até então escapara a quem estava a ler. Daisy Johnson é uma escritora britânica que em 2028 foi seleccionada para a shortlist do Man Booker Prize com a sua novela “Everything Under”. “Irmãs” foi considerado na lista dos melhores livros de 2020 pelo “New York Times” e é agora lançado em Portugal pela Euforia, uma chancela editorial dedicada a romances estrangeiros. A tradução é de Inês  Montenegro

 

DIXIT - “Se as contas externas são hoje mais positivas em Portugal, é porque voltámos a ser um país de emigrantes e porque estamos ainda mais dependentes do turismo para compensar o desempenho insuficiente dos restantes sectores exportadores no seu conjunto. Isto é bom para as estatísticas e para as condições actuais de financiamento externo, mas tem um problema: nenhum país pode aspirar a desenvolver-se com base apenas no turismo ou com uma saída em massa da população activa” - Ricardo Paes Mamede

 

BACK TO BASICS - “A dúvida não é agradável, mas a certeza é absurda” - Voltaire.

 

A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE NEGÓCIOS



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