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Corria o ano de 1955 quando foi filmada a célebre cena de “O Pecado Mora ao Lado” em que a saia de Marilyn Monroe é levantada pela saída de ar de um respirador do metropolitano, perante o olhar guloso de Tom Ewell, que com ela contracenava. A cena começou por ser filmada em Manhattan, mas juntou-se tanta gente a espreitar a beleza de Marilyn que o seu marido de então, Joe DiMaggio, uma estrela do baseball americano, causou um escarcéu tal que provocou a interrupção das filmagens. Foram mais tarde retomadas em estúdio, já sem o preocupado marido presente e a histórica cena do filme, tal como a conhecemos, nasceu aí. O acaso juntou, numa das feiras de velharias que ao fim de semana abundam pelo país, a imagem da saia esvoaçantemente reveladora de Marilyn com um coelho, outra grande referência do cinema, por via de Bugs Bunny. Adoro descobrir estes pares improváveis que se juntam: estão juntos na mesma feira de rua, mas de onde vieram? Estariam juntos em casa de alguém ou encontraram-se aqui? Quem seria que tinha em casa o grande poster da tentadora Marylin de saia levantada, olhando-a todos os dias? E como viveria o coelho de madeira entre as quatro paredes de uma casa? Andar pela rua a observar espicaça a curiosidade, desafia o olhar. Marc Riboud, um fotógrafo francês, tem uma frase de que gosto especialmente: “Tirar fotografias é saborear a vida intensamente, a cada centésimo de segundo”.
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