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ABUSO CAMARÁRIO - Por estes dias muitos munícipes lisboetas receberam uma carta da Câmara Municipal de Lisboa, assinada pelo seu Vice-Presidente, que paga juros sobre a Taxa Municipal de Protecção Civil criada pelo PS na autarquia e que mais tarde foi considerada ilícita. O Município primeiro devolveu os valores indevidamente cobrados e agora enviou os juros indemnizatórios. Cada carta, recebida através dos CTT, incluía um vale postal com o valor calculado para cada munícipe. O meu tem o valor de 5,06 euros. Por acaso gostava de saber qual foi o encargo global da devolução da taxa indevidamente cobrada e dos juros indemnizatórios através deste processo - algum dos autarcas em exercício devia ser responsabilizado pelo abuso na cobrança e pelos custos que provocou. Imagino que para me devolverem os cinco euros tenham gasto quase tanto no envio do correio e emissão do vale postal. Já aquando do  reembolso do valor indevidamente cobrado fiquei a pensar porque é que não tinha sido transferido para a conta bancária de onde foi feito o pagamento - e agora tenho exactamente a mesma dúvida. Mas suspeito que o clã de Fernando Medina aposte na possibilidade de muitos destinatários do vale postal não terem paciência para as intermináveis filas dos CTT ou dos balcões dos bancos e que deixem passar o prazo de um mês em que o vale postal permanece válido. Os expedientes contra os cidadãos são intermináveis na autarquia lisboeta. Quem fez disparate foi a Câmara, quem tem que ir perder tempo são os cidadãos. É o mundo simplex.

 

SEMANADA - O antigo director de grandes empresas da CGD revelou que Joe Berardo enviou uma carta a Santos Ferreira pedindo um financiamento de 350 milhões para a compra de acções do BCP; Victor Constâncio recebeu Berardo no Banco de Portugal um mês antes da reunião da instituição onde a acta sobre a operação em torno do BCP foi aprovada e na qual esteve presente o Governador; uma fonte próxima de Berardo disse que “o comendador está incrédulo com a falta de memória de Vítor Constâncio acerca de uma reunião a sós, em julho” de 2007;  Faria de Oliveira, ex-Presidente da CGD, defendeu que o Banco de Portugal poderia “ter ido mais longe” nos alertas sobre Joe Berardo; o empresário Joe Berardo admitiu poder vir a chamar Constâncio como testemunha no processo que a banca lhe moveu para recuperar 962 milhões de euros em dívida; Duarte Caldeira, o líder do Centro de Estudos e Intervenção em Protecção Civil, afirmou que “o Governo não fez a devida avaliação do que ocorreu” nos incêndios de 2017; em três meses registaram-se quase quatro mil casos de agressões a idosos; um homem residente em Valpaços foi apanhado 17 vezes a conduzir sem carta e o tribunal de Guimarães aplicou-lhe pena suspensa; os funcionários públicos têm hoje em média 47 anos, mais 3,4 do que em 2011; apenas 61% dos obstetras do país trabalham no Serviço Nacional de Saúde e os blocos de parto dão sinais de ruptura; Portugal tem 159 idosos por cada 100 crianças.

 

ARCO DA VELHA - Os CTT são a marca com maior número de reclamações registadas no Portal da Queixa e desde o início do ano, até ao dia 17 de junho, registaram-se 2.743 queixas referentes aos CTT e CTT Expresso.

 

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ARQUIVOS DE IMAGEM - Martin Scorsese diz que a música é uma parte importante da sua actividade criativa e costuma citar o filme “Jazz In A Summer’s Day”, que mostra os bastidores e os palcos do Festival de Newport ao longo de um dia em 1959, como o exemplo de filme sobre o mundo da música que o fascina (este documentário, de Bert Stern e Aram Avakian está disponível no YouTube). Scorsese estreou-se a filmar música com o seu registo “The Last Waltz”, sobre o derradeiro concerto do grupo The Band em 1976 - e foi aí a sua aproximação a Bob Dylan, de quem tinha visto dois ou três concertos até então. Em 2005 Scorsese realizou um documentário sobre Dylan que fez história: “No Direction Home”. E agora foi Bob Dylan que o desafiou para pegar em material inédito filmado em 1975, durante a digressão Rolling Thunder Review, para mostrar o que então se tinha passado. Essa digressão foi pensada pelo próprio Dylan como uma espécie de circo itinerante que iria ser apresentada em pequenas salas na costa leste dos Estados Unidos e no Canadá. Dylan juntou à sua volta uma troupe interessante - músicos como os guitarristas Roger McGuinn (figura central dos Byrds), Mick Ronson, T Bone Burnett,  Ramblin´Jack Elliott, o violinista Scarlet Rivera, Joan Baez e Joni Mitchell, mas também o poeta o poeta Allen Ginsberg e o actor e escritor Sam Shepard (que escreveu um diário da digressão durante essas semanas). O próprio Dylan contratou uma equipa de filmagens para seguir e documentar toda a digressão que foi também registada em fotografia por Ken Regan (como a imagem que aqui é reproduzida). O trabalho de Scorsese foi alinhar todo o material de arquivo, construir uma narrativa com as imagens obtidas, confrontar entrevistas da época com entrevistas feitas agora (incluindo a primeira nova entrevista do próprio Dylan em anos) e transformar imagens dispersas de uma digressão atípica numa história - The Bob Dylan Story, subtítulo do imperdível documentário distribuído pela Netflix.

 

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ARQUIVOS SONOROS - Ao mesmo tempo que a Netflix lançava o documentário de Scorsese sobre a Rolling Thunder Review, Bob Dylan trabalhou na edição de uma caixa de 14 CD’s que recupera ensaios, actuações e gravações diversas feitas em espectáculo, em estúdio, ou sessões improvisadas em casa de outros músicos. Algumas destas gravações já tinham aparecido nas “Basement Tapes”, mas muito do material é inédito. Bob Dylan registava de forma sistemática as gravações dos seus trabalhos, do seu processo criativo, até de encontros casuais e fugazes - sendo que um dos momentos mais surpreendentes é o registo de uma sessão em casa de Gordon Lightfoot, no Canadá, onde também aparecem Patti Smith e Joni Mitchell, Este é o registo de sete semanas alucinantes - desde que os ensaios começaram até ao concerto de Montreal, no Outono de 1975. Um dos momentos chave de todos estes registos é a sucessão de versões de interpretação de “Isis”, uma canção de desamores, feita em parceria com Jacques Levy - que foi o responsável pela concepção cenográfica de toda a digressão. O tema apareceu no álbum “Desire”, e o que está nestes registos são os primeiros passos dessa canção, deste uma versão apenas ao piano até várias outras gravações ao vivo e em ensaios até ao concerto de Montreal. Outros momentos de registo são as versões de Hurricane, a canção que Dylan fez em prol da libertação de Ruben Carter. No Spotify podem encontrar uma versão condensada da caixa de 14 CD’s, um sampler que inclui dez temas da “Rolling Thunder Review, The 1975 Live Recordings”.

 

Romanceiro Cigano seguido de Pranto por Ignacio S

A POESIA DO TOUREIRO - Frederico Garcia Lorca é um dos nomes mais importantes da literatura espanhola. Nascido no final do século XIX, morreu cedo, em 1936, uma das primeiras vítimas da Guerra Civil de Espanha. Distinguiu-se nas peças de teatro que escreveu (como Bodas de Sangue ou La Casa de Bernarda Alba) e numa vasta obra poética. Dois dos seus poemas mais significativos, Romancero Gitano (1928), e Llanto por Ignacio Sánchez Mejías (1935) foram agora reunidos num único volume, com uma edição bilingue que junta ao original de Lorca a tradução de Vasco Graça Moura. “Romanceiro Cigano” tem um sabor mais popular e o “Pranto por Ignácio Sánchez Mejías”,  é uma composição mais elaborada em memória do célebre toureiro, que morreu colhido por um touro na praça de Manzanares El Real, em 13 de Agosto de 1934. Hoje em dia seria politicamente incorrecto enaltecer um toureiro, como Lorca fez mas quero acreditar que mesmo nestes tempos Lorca não se calaria perante os bons costumes. Ignacio Sánchez Mejías, que escreveu ele próprio duas peças de teatro, foi mecenas da chamada geração de 27, pólo de uma vanguarda cultural na Espanha da primeira metade do século XX. Na introdução que deixou escrita a estas traduções, Vasco Graça Moura sublinha que “o Llanto por Ignacio Sanchez Mejías é talvez a mais fascinante evocação do luto de toda a literatura do século XX”.

 

VISITAR - Em tempos a ideia de ir passar uns dias numas termas não me atraía. Percebi agora que não tinha razão. Estive uma semana no Hotel Fonte Santa, nas Termas de Monfortinho e fiquei rendido - ao hotel, à sua equipa, ao equipamento termal propriamente dito e sobretudo à região. Em tempos estes equipamentos - e o Clube de Tiro Desportivo de Monfortinho - estavam ligados ao banco Espírito Santo. Com o colapso do BES uns foram vendidos outros permanecem no Novo Banco, como o referido Hotel e outros encerraram, como o Astoria. Ambos são exemplares importantes da arquitectura de uma época. O Fonte Santa debate-se com falta de pessoal mas a equipa existente desdobra-se para prestar bom serviço. O Hotel fica colado ao balneário das termas e tem uma piscina com uma implantação perfeita e o terraço do bar proporciona uns belos fins de tarde. Do Balneário das Termas, que não experimentei, só me dizem maravilhas - preferi passar o tempo a ler no silêncio envolvente da região. O Clube de Tiro Desportivo foi entretanto vendido e recuperado. O seu restaurante tem um novo concessionário e os pratos fortes são o polvo grelhado, o arroz de lebre e o bacalhau (este último muito procurado por espanhóis - a fronteira é a dois passos). Mas o Clube de Tiro oferece também um complexo de piscinas aberto ao público e um conjunto de quatro modernos e confortáveis bungalows construídos já pelos novos proprietários, integralmente forrados a xisto, perfeitamente enquadrados na paisagem,  projectados por Tomás Ramos da ARC Arquitectura, e que podem ser alugados. Se quiser dar um salto a Espanha a escassa distância fica Coria, com uma interessante zona histórica onde há um restaurante simpático, El Bobo de Coria. Se andar mais uns quilómetros pode experimentar o Pátio, em Cáceres, detentor de estrelas Michelin.

 

DIXIT - “Nunca me tinha passado pela cabeça sair para o BCP “ - Armando Vara.

 

BACK TO BASICS - “Quando alguém estúpido relata o que uma pessoa inteligente disse o resultado nunca é rigoroso porque o relator inconscientemente traduz o que ouviu para algo que ele próprio possa compreender” - Bertrand Russell.







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publicado às 11:00


1 comentário

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De Filipa Boulton Pimentel Trigo a 23.06.2019 às 12:51

Sobre a devolução da CML pensei exatamente a mesma coisa. Na era digital quem é o iluminado que se lembra de enviar vale postal???? E o impacto no ambiente com os quilos de papel gasto? Sinceramente....

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