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LIBERAIS? - Ás vezes tenho a sensação que o dia a dia se está a tornar numa sucessão de absurdos. Explico: nos últimos meses comprei uma dúzia de livros e discos, em versão digital, nas várias lojas virtuais autorizadas para o efeito; assino alguns jornais e revistas também nas edições digitais. E portanto, apesar de pagar por todos estes conteúdos e assegurar que os respectivos autores são remunerados e que não os estou a piratear, o Estado quer agora impôr-me uma nova taxa, que se aplica sobre os aparelhos que utilizo para os guardar, ouvir ou ler, argumentando que assim protege os autores e editores a quem já estou a pagar. Ainda não estava bem refeito desta situação quando leio que o mesmo Estado se propõe impôr, entre outras coisas a que chama “Compromisso Para O Crescimento Verde”, uma taxa de entrada de automóveis nas grandes cidades, apesar de o acesso, por exemplo a Lisboa, ser já quase impossível sem pagar uma portagem numa das pontes ou auto-estradas que conduzem à capital. Desta feita a razão da taxa prende-se com um contributo para o que algum sucedâneo de trazer por casa de Al Gore apelidou de “economia verde”. Alguns membros do Governo, cujos principais responsáveis, antes de serem eleitos, se afirmaram como liberais e defensores da redução do papel do Estado, fazem no dia a dia exactamente o contrário. Nestes dois casos, dos direitos de autor e da ecologia, fazem a coisa com um cinismo especial: usam finalidades que são politicamente correctas para estender o polvo da extorsão, sob a forma de taxas pagas sempre pelo consumidor. De repente vem-me à memória, ainda sobre o “Compromisso Para o Crescimento Verde”,  que ao longo dos anos o ambiente tem sido pretexto e motivo de grandes negociatas. Não há-de ser por acaso que o ofício dos protagonistas da série “Os Sopranos” tinha a ver com a reciclagem e a sucata. Por cá já se viu onde leva a convivência de sucateiros com políticos e um dia ainda se há-de fazer a história das transferências de direcções partidárias para empresas com interesses na exploração da tal economia verde. Chamo a isto paradoxos liberais.

 

SEMANADA - O sistema informático dos Tribunais, Citius, continua com graves problemas de funcionamento e só está a aceitar novos processos, enquanto os antigos continuam bloqueados; há 3,5 milhões de processos, anteriores a 15 de Setembro, que se encontram inacessíveis; a Ministra da Justiça pediu desculpa pela situação na quarta-feira passada, semana e meia depois de o problema surgir; 60% dos médicos dizem ter doentes que interrompem tratamentos por falta de dinheiro; a prescrição de antibióticos em Portugal é o dobro da que é feita em países moderados e está entre as dez maiores da Europa; em Portugal existe meio milhão de pessoas que precisa de ajuda alimentar das organizações de solidariedade que prestam esse apoio; mais de 80% das crianças que foram atropeladas em Lisboa entre 2010 e 2012 estavam a 500 metros ou menos da escola que frequentavam; as dívidas fiscais atingem cerca de 14 mil milhões de euros e 81% deste valor é da responsabilidade de empresas; o fisco já avançou com 2,3 milhões de ordens de penhora este ano; em 2004 existiam 694 livrarias e o volume de negócios destas era de 140,1 milhões de euros - mas em 2012, já só se registavam 562 livrarias com um volume de negócio de 126,2 milhões de euros; Marinho e Pinto, fugaz deputado europeu, ex-putativo líder do MPT e anunciado líder de um futuro partido que terá como princípio da sua actuação “voltar às bases da República e do republicanismo”, afirmou que um ordenado líquido de 4800 euros não lhe chega para viver condignamente em Lisboa.

 

ARCO DA VELHA - Vítor Bento, José Honório e Moreira Rato não avisaram os  outros administradores do Novo Banco que se tinham demitido e estes só souberam pelos jornais o que estava a acontecer ao seu lado.

 

FOLHEAR - Agora que se inicia um novo ciclo de exposições nas diversas galerias é boa altura para percorrer a colectânea de entrevistas a artistas portugueses que Miguel Matos, jornalista e crítico de arte, fez ao longo dos últimos anos. A colectânea, “Artistas Portugueses em Discurso Directo” recolhe três dezenas de entrevistas  e dezena e meia de críticas e ensaios sobre obras ou exposições de outros tantos artistas. Miguel Matos, que fundou e dirige a revista “Umbigo” e edita a secção de arte da “Time Out”, é dos poucos praticantes da crítica escrita sobre artes visuais, como Eduardo Nery salientou numa nota sobre esta edição. De Adriana Molder a Teresa Gonçalves Lobo, passando por Ana Vidigal, Paula Rego, Cabrita Reis, Maria Beatriz ou José Pedro Croft, entre outros, o livro  permite fazer um retrato sobre um apreciável número de artistas portugueses contemporâneos, dando a conhecer um pouco do seu pensamento para além da obra. A edição é da “Guerra e Paz”.

 

VER - “Os Gatos Não Têm Vertigens”, o filme de António Pedro Vasconcelos que estreia quinta-feira da próxima semana semana, é das melhores obras do cinema português das últimas décadas e é talvez o melhor filme do realizador. É um filme de vida - nesse sentido quase que arrisco dizer que é a sua obra-prima. Inovador no argumento, na abordagem, no retrato que proporciona da nossa sociedade, o filme mostra a capacidade técnica do realizador, mas sobretudo a sua sensibilidade e a forme envolvente como chama os espectadores à história, cativando-os como é suposto o cinema fazer. Este é um filme sobre o abandono, sobre o luto, sobre a velhice, sobre a deliquência, mas também sobre a ternura, o amor, a esperança e, no fim, sobre a razão da vida. Não resisto a destacar o extraordinário trabalho realizado com actores como Maria do Céu Guerra e João Jesus, o cuidado posto no guião, na fotografia, na edição, e na banda sonora. E é também merecido destacar a produção, de Tino Navarro, que criou condições para que todas estas peças se juntassem da melhor maneira. É um filme emocionante - como só os grandes filmes conseguem ser.

 

OUVIR - “All Rise” é um belo título para o novo disco de Jason Moran, uma homenagem a esse génio muitas vezes ignorado que foi Fats Waller. Logo desde o princípio do CD apetece levantarmo-nos e há como que um formigueiro que nos obriga a acompanhar o ritmo com os pés. Este é um disco de dança e é tudo menos uma homenagem acinzentada. Não admira: a produção tem a mão de Don Was, coadjuvado por Meshell Ndegeocello, uma vocalista que passou pelo rap e que tem influências do funk, soul, hip hop e jazz. Moran, um pianista de jazz de créditos reconhecidos, toca aqui com frequência outros teclados, como um Wurlitzer e um Fender Rhodes, que eram instrumentos preferidos de Waller. Destaco as versões de “Ain’t Misbehavin’”, “Ain’t Nobody’s Business”, “Lulu’s Back In Town”, “Handful Of Keys” e o medley “Sheik Of Araby/I Found A New baby”. Fats Waller merecia uma homenangem assim, surpreendente e diferente de tudo o que o autor fez. (CD Blue Note/ Universal).

 

PROVAR - As memórias dos sabores são uma coisa incontornável. Cada vez que como gelados lembro-me do sabor único das cassatas que o meu pai comprava numa fábrica de gelados que existia na Avenida de Berna, criada nos anos 40 por uma família italiana que tinha vindo viver para Lisboa. Era esta fábrica que abastecia A Veneziana, nos Restauradores e outras geladarias ligadas à família. A fábrica da Avenida de Berna existiu até ao início dos anos 90, e tinha junto ao balcão onde se fazia a venda ao público um pátio com pequenos bancos onde, à sombra, se podia ficar a debicar os gelados de cone, feitos com a fruta e os ovos que se viam junto à entrada, em caixotes. Um dos descendentes da família, Arcangelo Sala, abriu agora perto do Jardim do Arco do Cego, na Rua Dona Filipa de Vilhena 14, a “La Fabbrica  - Antiga Fábrica de Gelados da Avenida de Berna”. Ali estão, entre outros, os clássicos sabores do morango e do limão, mas também a amêndoa e, claro a cassata. E foi a prová-la que me deparei com um solavanco de memória que me deixou sorridente.

 

DIXIT - “Esta questão informática, ao contrário do que alguns quiseram fazer crer, não instalou o caos nos Tribunais “ - Paula Teixeira da Cruz, Ministra da Justiça

 

GOSTO - O azeite Oliveira da Serra, Frutado Verde Ligeiro 2014 do Lagar do Marmelo, foi considerado o melhor azeite do mundo na sua categoria no prémio Mário Solinas, o mais importante concurso internacional, organizado pelo Conselho Oleícola Internacional.

NÃO GOSTO - Portugal apresentou o quinto maior défice comercial da União Europeia entre Janeiro e Junho deste ano, com um aumento de 25% em relação a igual período do ano passado.

 

BACK TO BASICS - “As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem” - Chico Buarque

 

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1 comentário

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De alonzo a 27.11.2014 às 16:04

evidência de um empréstimo recebido em 48 h

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