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CABAZ DE PRENDAS - Como esta é época de prendas, aqui vai um rol de sugestões que imaginei para diversos protagonistas políticos. Comecemos pelo Primeiro-Ministro Luís Montenegro. Acho que lhe ficava bem ler “As Lições do Tonecas”, de José Oliveira Cosme, um texto suficientemente acessível, cheio de ensinamentos básicos para ele poder perceber a diferença entre mentira e verdade. Ao seu braço direito Hugo Soares deixo o “Livro das Boas Maneiras”, que o pode ajudar a superar a grosseria que manifesta. Para Leitão Amaro proponho a “Nova História da Imprensa Portuguesa”, de José Tengarrinha, a ver se ele compreende melhor uma área que tutela. À ministra que tem a pasta da Cultura sugiro a “História da Cultura em Portugal”, de António José Saraiva, já que é um conhecimento que manifestamente lhe falta. Passando aos candidatos presidenciais mais visíveis começo por propôr a António Filipe “A Mais Breve História da Ucrânia”, de José Milhazes. Para Jorge Pinto, do Livre, proponho “A Revolução Permanente” de Leon Trotsky. Para Catarina Martins, do Bloco de Esquerda, sugiro “Rumo À Vitória”, de Álvaro Cunhal. Para Manuel João Vieira vai um disco dos Jethro Tull - “Too old to rock’n’roll, too young to die”. Para André Ventura sugiro a “Constituição da República Portuguesa”, que ele por vezes parece ignorar. Para Marques Mendes proponho o DVD de “Tacones Lejanos”, um belo filme de Pedro Almodóvar. Para António José Seguro ofereço um livro de Luís Paixão Martins, “Como Perder Uma Eleição”. Para João Cotrim de Figueiredo desejo “Viagem A Portugal”, de José Saramago, que será uma boa ajuda para conhecer melhor o país fora das grandes cidades. E para Henrique Gouveia e Melo um livro de David Dinis, “Como Proteger A Democracia”.


SEMANADA-  Segundo o Banco de Portugal a entrada de trabalhadores imigrantes em Portugal caiu 40% na segunda metade de 2024;  depois dos máximos atingidos em 2023, as inscrições na Segurança Social passaram de cerca de 20 mil por mês para 12 mil; entre janeiro e outubro deste ano os imigrantes em Portugal pagaram 3,1 mil milhões à Segurança Social, o quíntuplo do que receberam em apoios; em dez anos, 670 pessoas nascidas em Portugal pediram para deixar de ter a nacionalidade portuguesa, das quais quase 100 só em 2024; o total acumulado de emigrantes portugueses em todo o mundo situa-se em cerca de 2,1 milhões de pessoas, o que coloca Portugal na 5ª posição da lista de países com maior proporção de emigrantes, a seguir à Bulgária, Croácia, Lituânia e Roménia; a emigração voltou a subir em 2023, com a saída de 81 426 pessoas, um acréscimo de 14% em comparação com os 71 mil portugueses que deixaram o País em 2022; as taxas de sindicalização em Portugal caíram de 63% em 1977 para 7,2% em 2023; mais de 80% dos directores de escolas dizem não ter recursos para assegurar a educação de alunos com necessidades especiais; a execução do investimento da Defesa, da responsabilidade do ministério de Nuno Melo, foi a terceira pior desde 2006 e só alcançou 66% do orçamento previsto.

 

ARCO DA VELHA -Desde 2020 mais de cem funcionários do Estado foram detidos em operações policiais relacionadas com o tráfico de droga e de pessoas.

 

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PENSAMENTOS - “Para os Caminhantes Tudo É Caminho” é uma recolha de cerca de 150 textos curtos de José Tolentino de Mendonça, de pendor muitas vezes quase diarístico, onde nos vai expondo o seu pensamento sobre a vida, o que o rodeia e os tempos que vivemos. Num dos primeiros textos, “Acolher a surpresa”, Tolentino de Mendonça escreve: “Não nos deixemos ficar ancorados apenas à experiência de ontem, mas abramo-nos aos recomeços que o dia de hoje imprevistamente solicita de nós. Reservemos em cada jornada tempo para escutar com profundidade e frescura, dispostos sempre a aprender qualquer coisa de novo” E, noutro texto: “Uma aprendizagem a que precisamos de regressar é a da escuta. Não nos damos conta, mas escutamos pouco e deixamo-nos a flutuar dispersos entre tantas interrupções. Hipervalorizamos ruídos, sonoridades secundárias, vozes que se sobrepõem, e fica por captar o essencial que nos está a ser revelado”. Já no final do livro, um delicioso texto “O teológico e o digital”, onde Tolentino de Mendonça explora a utilização de termos como “salvar” ou “converter”, ambos do dia-a -dia, mas com significados bem diferentes quando estamos a falar no sentido religioso ou no sentido tecnológico, de salvar um documento ou converter o formato de um ficheiro. Mesmo no fim do livro surge “O verdadeiro brilho”: “A palavra que suporta a vida não pode ser a palavra “medo” e, se pensarmos bem, aceitámos por demasiado tempo transportá-la dentro de nós. Talvez, quem sabe, a tenhamos carregado até este momento e essa constitua ainda agora a nossa carga mais inútil. Pelo contrário, a pedra angular da construção, o motivo auroral, peregrino e futurante é, sim, a palavra “confiança”. A adesão a ela não se faz contudo, sem um processo paciente, complexo, esforçado. Equivale dentro de nós a um parto”. Alguns destes textos serão evidências, poderão alguns dizer. Mas são, sobretudo, chamadas de atenção para estes dias que vivemos. José Tolentino Mendonça é poeta, sacerdote e professor. Nasceu na ilha da Madeira. Estudou Ciências Bíblicas em Roma e vive no Vaticano desde 2018, onde foi responsável pela Biblioteca Apostólica e pelo Arquivo Secreto do Vaticano e é atualmente Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação. Em 2019, foi elevado a Cardeal pelo Papa Francisco. Para José Tolentino Mendonça, «a poesia é a arte de resistir ao seu tempo». (Edição Quetzal)

 

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MESA DE CABECEIRA - Dois livros de banda desenhada têm-me acompanhado nestes dias. Começo pela versão do célebre conto dos irmãos Grimm, “Hansel e Gretel”, uma história sobre duas crianças abandonadas numa densa e escura floresta, cheia de perigos. A história é recriada por dois grandes nomes da literatura e da ilustração: Stephen King e Maurice Sendak com um resultado gráfico e de texto extraordinários (Edição Bertrand). O outro livro é a versão criada por Milo Manara, um dos grandes nomes da Banda desenhada Europeia, do célebre romance de Umberto Eco, “O Nome da Rosa”. Passado na Itália do século XIV este romance histórico relata a investigação de heresias ocorridas num mosteiro beneditino. A edição em BD, com tradução de Jorge Vaz de Carvalho, foi editada originalmente em 2023, está dividida em dois volumes, e o primeiro foi agora distribuído de novo (edição Gradiva)

 

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FOTOGRAFIA HISTÓRICA - Até 31 de Dezembro pode ainda visitar no Museu Militar, em Lisboa, junto a Santa Apolónia, uma das mais importantes exposições deste ano - “José Veloso de Castro: A Revelação de um Artista”. Veloso de Castro foi um major do exército português, destacado em África, apaixonado pela fotografia, que registou imagens no início do século XX. O militar e fotógrafo documentou exaustivamente os locais por onde passou, nomeadamente Angola, onde esteve 16 anos em várias comissões de serviço, testemunhando, para além da componente militar, a vida e costumes das populações locais. São também interessantes os auto-retratos que foi fazendo ao longo dos anos, e que aparecem enquadrados na exposição revelando o autor.A exposição, possível graças ao trabalho de investigação de Carlos Pedro Reigadas, partiu de um espólio de 2355 positivos fotográficos e sete caixas de negativos em chapa de vidro, depositados no Arquivo Histórico Militar. O resultado da investigação foi a selecção de 120 provas inéditas, realizadas a partir dos negativos originais feitos entre 1904 e 1912. A impressão das imagens a preto e branco é magnífica e foi executada por Roberto Santandreu. A exposição estende-se ao longo de 26 salas do Museu do Exército, um espaço extraordinário e pouco conhecido, dedicado à História de Portugal. Veloso de Castro viveu entre 1869 e 1945 e as suas fotografias são muito mais que documentação colonial, evidenciam um olhar fotográfico incomum na época - as duas primeiras décadas do século XX. Carlos Pedro Reigadas, que comissariou a exposição, desenvolveu a investigação que levou a esta exposição no âmbito do mestrado em Curadoria, Crítica e Teoria das Artes em colaboração com a direcção de História e Cultura Militar que tutela o Museu Militar, o mais antigo Museu de Lisboa.

 

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ROTEIRO - Muitas das galerias privadas de arte contemporânea, em Lisboa e no Porto têm, nesta altura do ano, exposições colectivas que oferecem uma boa oportunidade de escolher uma prenda diferente - dos nomes mais recentes e emergentes até consagrados a oferta é vasta e há preços interessantes. As obras expostas em numerosas galerias provêm dos respectivos acervos e de convites dirigidos a artistas para esta ocasião. Na imagem um quadro de Pedro Chorão, evocando a obra de Jasper Johns, patente na Galeria Diferença. E porque não oferecer uma prenda diferente este ano? 

 

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O CONCERTO - Para assinalar o 50º aniversário da edição de “The Koln Concert”, a célebre gravação do concerto de Keith Jarrett na Ópera de Colónia, gravado em Janeiro de 75 e editado originalmente em Novembro desse ano, a editora ECM lançou agora uma edição especial, no formato de duplo LP de vinil, em prensagem de alta qualidade, com uma capa dupla, um pequeno livro de oito páginas com um novo ensaio de Manfred Eicher, o criador da ECM, sobre a forma como o concerto foi produzido e a gravação decorreu, assim como fotos inéditas, incluindo um retrato em impressão separada assinado por Keith Jarrett. Esta edição está à venda na Amazon por 62 euros.

 

ALMANAQUE - Em Londres, no Victoria & Albert, na nova zona de depósitos e acervos, pode ser vista uma colecção de objectos de David Bowie, desde algumas das suas guitarras até roupas usadas em concertos, tudo parte do seu arquivo pessoal que agora está guardado neste museu. E podem também ver a maior colecção de fotografia norte-americana fora dos Estados Unidos, “American Photographs”. E, ainda na área da fotografia, estão expostos os livros de fotografia que têm inspirado Sofia Coppola ao longo da sua carreira, “Sofia Coppola’s Photography Bookshelf”.

 

DIXIT - “Há quem esteja em greve contínua. O Governo, por exemplo, entra em greve mal lhe pedem para explicar a reforma laboral.” - Helena Matos, no Observador 

 

BACK TO BASICS - “Deixei de acreditar no Pai Natal quando a minha mãe me levou a uma loja de brinquedos e um Pai Natal me pediu um autógrafo” - Shirley Temple

A ESQUINA DO RIO É PUBLICADA SEMANALMENTE, ÀS SEXTAS, NO SUPLEMENTO WEEKEND DO JORNAL DE  NEGÓCIOS



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