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Cada vez que vejo grades numa janela lembro-me da expressão “ver o sol aos quadradinhos”. Mas os meus quadradinhos são outros: ler histórias em banda desenhada é um gosto que tenho desde bem novo e esse gosto tem-se mantido ao longo dos anos. Li alguns dos clássicos da literatura, como “A Ilha do Tesouro” ou a “Volta ao Mundo em 80 dias” primeiro na versão em banda desenhada e só depois nas edições originais. Os quadradinhos não me desviaram da leitura, na realidade incentivaram-na, ajudaram-me a descobrir autores e alargar os horizontes, espicaçar-me a curiosidade. Desde cedo também me habituei a ouvir dizer que havia gente que, por malfeitorias variadas, via o sol aos quadradinhos, através de grades de celas de prisão. Esses quadradinhos nunca me entusiasmaram, o que me parece bastante compreensível. Preferia as aventuras às agruras. Mas uma coisa um pouco paradoxal é que gosto de ver grades antigas, de ferros sólidos. Gosto de ver a paisagem que se vê de uma janela aberta com o horizonte desenhado numa quadrícula, que condiciona o que olhamos, como num enquadramento fotográfico. Mas volto às histórias aos quadradinhos, Na vida li de tudo, do infantil Mickey aos malandros irmãos Dalton a confrontarem Lucky Luke, suspirei por viagens a folhear o Tintim, apaixonei-me pela História de Roma antiga e da Europa desse tempo a ler as aventuras de Asterix, babando a desejar partilhar com Obélix o conhecimento do sabor do javali. Mais tarde enredei-me noutras bandas desenhadas, no traço maravilhoso de Hugo Pratt nas histórias do seu herói Corto Maltese. E, claro, não perdia um livro ilustrado por Manara e ficava a olhar as excitantes formas das suas personagens. Tudo isto, bem entendido, sem grades.
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