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O NOSSO GRANDE PROBLEMA

por falcao, em 13.05.22

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GERAÇÃO DESPERDIÇADA - Nos últimos anos tem sido feito um enorme esforço em aumentar a qualificação de toda uma geração. Temos mais e melhores profissionais de diversas áreas fundamentais, por exemplo na saúde, na engenharia e na inovação. Mas muitos dos novos profissionais começam a trabalhar com remunerações objectivamente abaixo das qualificações que têm. Olham para a frente e não vislumbram perspectiva de progressão na carreira de forma estruturada e compensatória. Para muitos jovens portugueses qualificados, alcançar uma qualidade de vida semelhante à das pessoas da sua idade e formação noutros países é uma miragem. Estivemos anos a formar bons profissionais, ao mesmo tempo que nada fizemos para os incentivar a sentirem-se recompensados pelo trabalho que são chamados a desempenhar. O resultado é que muitos partem para outros países onde sentem que o esforço, o saber e a competência são recompensados. Este é talvez o maior problema que Portugal tem pela frente: está a desperdiçar uma geração que podia dar um contributo para a transformação do país. Todas as estatísticas indicam que o fosso salarial existente entre Portugal e outros países da União Europeia aumenta em vez de diminuir. A diferença entre o salário mínimo nacional e o salário dos que entram, qualificados, no mercado de trabalho reduz-se cada vez mais. A parte do salário mínimo aumentar é positiva, a parte de o salário inicial de profissionais qualificados não ter alterações sensíveis nem um progressão expectável é muito negativa. De que serve qualificar se não temos como beneficiar quem se qualificou? 

 

SEMANADA - Segundo a Ordem dos Médicos o número de queixas contra profissionais que realizam procedimentos estéticos tem vindo a aumentar desde 2021; o aumento do preço dos combustíveis não levou ao aumento da procura de bicicletas e comerciantes do sector dizem que as vendas estão abaixo do ano passado; a CP transportou o dobro dos passageiros no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período do ano passado; em 2021 as viaturas médicas de emergência e reanimação do INEM estiveram inoperacionais quase sete mil horas devido à falta de tripulação; o preço do calçado deverá aumentar mais de 8% nos próximos meses, afirmam os industriais do sector; o Parlamento tem o mesmo número de deputados abaixo dos 35 anos e acima dos 65; dos 130 deputados, 75 são formados na área do Direito; escassas semanas depois do fim da obrigatoriedade das máscaras registam-se 27 vezes mais casos de covid-19 que há um ano; as queixas de atrasos no abono de família aumentaram 133%; no hospital de Seia quem  pretende ir a uma consulta de dermatologia tem de esperar 1301 dias; no hospital da Guarda quem pretende ser visto por um dermatologista terá de esperar 1041 dias; a TAP pesou 57% nos prejuízos de todo o sector empresarial do Estado em 2020; 33 empresas públicas têm capital próprio negativo e estão em falência técnica, entre as quais o Metro do Porto,  a TAP, a CP, e a STCP; apesar de Portugal ter a nona maior área de vinha do mundo, de ser o 10º produtor mundial de vinho, e ter o maior consumo per capita de vinho do mundo,  é o país que mais vinho a granel importa; no primeiro mês depois da invasão da Ucrânia, Portugal importou mercadorias da Rússia no valor de 153 milhões de euros, dos quais mais de 100 foram de produtos petrolíferos. 



O ARCO DA VELHA -  No caso da fuga de João Rendeiro o Conselho Superior da Magistratura isentou de responsabilidades os juízes, apesar deles  terem atrasado o início do julgamento e de o mandato de captura ter demorado  28 meses a ser emitido.

 

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JULIÃO  - “Abstracto, Branco, Tóxico e Volátil” é o título da primeira grande exposição de trabalhos de Julião Sarmento que se realiza após a morte do artista, ocorrida em 2021. O Museu Berardo recebe a partir desta semana e até ao fim do ano 121 obras de Julião Sarmento, distribuídas por 18 das salas do Museu, numa exposição com curadoria de Catherine David. A peça que dá o título à mostra,  “Abstracto, Branco, Tóxico e Volátil” (na imagem), é datada de 1997. Julião Sarmento trabalhou ainda com Catherine David nesta exposição, empenhando-se muito na sua concepção. O layout desta exposição e a disposição das obras nas salas foram finalizados dois meses antes da sua morte. É bom sublinhar que,  para Julião Sarmento, a instalação dos seus trabalhos no espaço era parte integrante das obras que expunha, pois considerava de capital importância a relação que se estabelece entre o trabalho, o espaço que o envolve e o espectador. Rita Lougares, directora artística do Museu Berardo, sublinha que Julião Sarmento “ foi um dos artistas portugueses com uma carreira internacional mais solidamente firmada, tendo construído um percurso artístico de enorme coerência, riqueza e intensidade”. E, destaca: “O artista foi muito influenciado pela cultura anglo-saxónica e pelos temas e imagens da literatura e do cinema, muito presentes nas suas obras através de citações e montagens. Em permanente renovação e em estreita ligação com as práticas artísticas da sua época, que vão do pós-pop até à atualidade, utilizou uma grande diversidade de meios e técnicas, como fotografia, pintura, colagem, desenho, escultura, performance e filme, para implantar um vocabulário conciso de imagens ambíguas”.

 

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UMA INVESTIGAÇÃO EM BARCELONA  - No início da pandemia deliciei-me com um policial espanhol, “Terra Alta”, que em 2019 valeu ao seu autor, Javier Cercas, o Prémio Planeta. No centro do livro está Melchor Marin, um polícia que em Barcelona  desmantelou uma rede terrorista islâmica e que, para sua própria segurança, foi colocado na Catalunha profunda, numa vila sem história chamada Gandesa. A pacatez do lugar foi sacudida por um assassinato, envolvido numa história de corrupção que tocava a própria polícia. Melchor deslindou o crime mas, pelo caminho, a sua mulher, Olga, morreu. “Independência- Terra Alta II”, é o seguimento dessa história, agora publicado em Portugal. Com a morte da mulher a solidão de Melchor nos confins da Catalunha acentuou-se. Pensou em mudar de vida, em deixar de ser polícia, em ser bibliotecário, que era a profissão de Olga. Foi no meio destes pensamentos que um dia adormeceu a ler um livro do nosso Eça de Queiroz, “A Ilustre Casa de Ramires” . Na manhã seguinte decidiu alterar os seus planos, não resistindo ao desafio de voltar a Barcelona para investigar um caso de chantagem: a Presidente da Câmara estava a ser ameaçada com a divulgação de um vídeo de teor sexual. Quem a ameaçava não queria dinheiro, queria poder manejar o poder. Esta investigação é sobre os círculos de poder, sobre as manobras de bastidores, sobre o que está em jogo numa cidade como Barcelona e numa zona tão rica como a Catalunha. A história envolve droga, grandes empresas, moedas virtuais e corrupção abundante. A escrita de Javier Cercas é dura, a construção da narrativa é envolvente e irresistível. Um policial excelente. A tradução é de Helena Pitta, para a Porto Editora.

 

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GUITARRADA - Aos 70 anos o guitarrista John Scofield editou agora o seu primeiro disco a solo. Com uma longa carreira ao lado dos melhores músicos de jazz, Scofield consolidou a sua reputação como um dos melhores guitarristas. Ao longo da sua carreira tem cruzado estilos musicais, do jazz ao rock, passando pelos blues e pela soul. Tocou com Miles Davis, Joe Henderson, George Duke, Herbie Hancock e com outros guitarristas como Pat Metheny ou Bill Frisell. Mas também tocou com os Grateful Dead, Mavis Staples, Dr. John ou John Mayer. Participou em mais de uma centena de álbuns com outros músicos mas este é o seu primeiro aĺbum a solo - um desafio quando falamos de um guitarrista que está habituado a tocar nota a nota, tendo alguém a acompanhá-lo. Scofield resolveu essa questão fazendo ele próprio overdubs que surgem em pano de fundo. Pessoalmente gosto de discos de guitarra a solo, e este é uma bela surpresa. Ao longo de quase uma hora Scofield interpreta 13 temas, a maioria versões, mas inclui dois originais seus. Alguns temas já tinham sido gravados antes por Scofield, mas surgem aqui em novas versões, como “Honest I Do” ou “Mrs Scofield’s Waltz”, “There Will Be Never Another You” e “Since You Asked”. Outros temas são clássicos, como “It Could Happen To You”, uma evocação dos seus tempos com Miles Davis, “My Old Flame” que antes tocou com Charlie Haden, “Danny Boy” , “Not Fade Away”, uma canção de Buddy Holly que Scofield tocou muitas vezes com os Grateful Dead, “You Win Again” de Hank Williams ou “My Old Flame”. Os dois temas originais são “Elder Dance” e “Trance du Hour”, uma homenagem a Coltrane onde surge a evocação de “A Love Supreme” na melodia.



TEMPO DE SALADAS - Tenho umas manias em matérias de saladas. Por exemplo, entre aquelas que vêm lavadas e embaladas, só suporto as de rúcula, que com tomate cherry cortado em metades pode ser uma possibilidade. Claro que esta rúcula está mesmo a pedir um salmão fumado cortado às tiras, bem temperado de sumo de limão e com um punhado de alcaparras por cima.  Mas experimentem acompanhar muxama de atum, cortada fina, com esta salada. Ou, mais simples ainda,  coloquem-na a namorar uma conserva de lombo de atum em azeite da marca Tenório.  Deixemos a rúcula e passemos para a tão maltratada alface. Devo desde já dizer que,  no que toca à salada de alface, prefiro-a natural, sem ser pré-preparada. Gosto dela cortada, em pedaços de média dimensão, salpicada por umas  rodelas de cebola roxa crua, temperada de forma generosa com sal, azeite e vinagre de vinho branco. Assim preparada, quanto mais fresca e estaladiça, melhor. É a salada ideal para acompanhar fritos - sejam filetes de pescada, sejam bifinhos panados cortados bem finos E para o fim deixo uma das minhas saladas preferidas - pepino cortado em rodelas muito finas, acompanhado por pedaçoss de tomate maduro, umas azeitonas sem caroço e cebolinhas de conserva, tudo temperado com um pouco de sal, azeite e vinagre- acompanha muito bem um peito de frango grelhado e fatiado e que no fim leva por cima um molho feito com sumo de limão, mel e pimenta preta. Bom apetite, o Verão é um desafio.

 

DIXIT - “Não são precisos mais milhões no Orçamento de Estado da Saúde. O que é preciso é saber gerir adequadamente” - Pedro Pita Barros, professor de Economia da Saúde na Universidade Nova

 

BACK TO BASICS - “Quem está sempre a falar, no fundo não quer ouvir os outros e não quer conversar” - ouvido num restaurante.

 




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publicado às 11:00


4 comentários

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De Joao Almeida a 14.05.2022 às 08:31

Mais um "Sapo blogs" bem elucidativo e cconstrutivo. Forte Abraço. João
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De Anónimo a 14.05.2022 às 12:53

Qual o objetivo dos seus textos?
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De Anónimo a 15.05.2022 às 12:05

O anónimo é burro
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De Anónimo a 15.05.2022 às 12:26

Olha um anónimo a dizer que o anónimo é burro!

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