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EQUÍVOCOS DEMOCRÁTICOS - A  autora do relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito à TAP, a deputada do PS Ana Paula Bernardo,  é uma séria candidata ao prémio de ficção do ano, uma especialista em não contar o que se passou, em não descrever aquilo a que assistiu, em ocultar factos e manipulá-los. O mais chocante é que a senhora não teve hesitações em alterar a realidade e criar a fantasia que mais lhe interessava para agradar aos seus superiores. A sua atitude é, além do mais, um insulto a todos quantos seguiram as audiências daquela Comissão Parlamentar e sabem o que de facto se passou. E é um insulto aos deputados que na Comissão trabalharam para esclarecer as pouco edificantes cenas recentes que  cresceram à volta da Tap, de Pedro Nuno Santos, de Alexandra Reis, de Fernando Medina e de João Galamba. Até do próprio PS vieram protestos pela forma como o relatório está escrito. Este é mais um daqueles casos em que se percebe o perigo manifesto da maioria absoluta quando mal utilizada. Mas eis que, face aos protestos vindos de membros de todos os partidos, sem excepção, apareceu o ex comentador desportivo e propagandista político do PS, actualmente a desempenhar o papel de Ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva, a acusar os deputados daquela Comissão de serem eles os protagonistas de um filme de fraca categoria. Perante a reacção de figuras do PS, como o Presidente da Comissão, António Lacerda Sales, o dito comentador desencadeou nova série de ataques tornando-se assim ele próprio o protagonista de um reality show que acusou outros de fazerem. Como disse um deputado do PS, Adão e Silva desempenha agora o papel que Santos Silva teve durante uns anos e que agora já não pode fazer. Ambos são um equívoco da democracia. Encaixam bem num primeiro-ministro que, perante mais uma demissão do governo, insinuou que para os portugueses a corrupção na política é um tema sem interesse.

 

SEMANADA - Quase metade dos reclusos em Portugal estão em cadeias sobrelotadas; os turistas vindos dos EUA representam 42% do aumento de turistas entre Janeiro e Maio; este ano o sector do Turismo poderá contribuir com 16,8% do PIB, representando 40,4 mil milhões de euros; em metade dos dias do primeiro semestre deste ano houve greve da CP; de janeiro a maio foram comunicados 754 pré-avisos de greve no país, o equivalente a 70% do total de greves do ano passado; a taxa de juro média de novos empréstimos à habitação alcançou 4%, o maior valor desde 2012; em 2022 foram criadas em Portugal 3080 startups, mais do dobro face a 2013; dos 3.940 incêndios rurais registados entre Janeiro e Junho, apenas 1% se deveram a causas naturais; em 2022 foram enviados a partir de Portugal 7400 milhões de euros para paraísos fiscais, o valor mais alto em quatro anos; há 7802 pedidos de vistos Gold à espera de aprovação; o ministro Galamba desclassificou 101 dos 105 documentos que há semanas atrás apontou como segredos de Estado, dizendo que o seu conteúdo não justifica que assim sejam considerados; o investimento publicitário em Portugal teve um aumento de 8% entre Janeiro e Maio, digital e publicidade exterior foram as áreas com maior subida e televisão generalista e rádio as que mais desceram; nas últimas duas décadas e meia, Portugal foi dos países da União Europeia que mais aumentaram as taxas máximas do imposto sobre o rendimento; a Iniciativa Liberal vai apresentar no Parlamento uma proposta de alteração à Lei Eleitoral, que cria um círculo de compensação, destinado a minorar os efeitos dos quase 700 mil votos desperdiçados nas mais recentes eleições; segundo o INE um quarto da população portuguesa tem mais de 65 anos.

 

O ARCO DA VELHA -A  Entidade para a Transparência tomou posse há cinco meses e as instalações que lhe foram atribuídas pelo Governo, em Coimbra, ainda não têm água, luz, internet nem cadeiras.

 

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A HISTÓRIA DE UM GÉNIO MUSICAL - Hoje, em vez de falar de um disco, venho falar de um livro sobre música. Trata-se de “A Vida de Beethoven”, de Romain Rolland. Publicado em 1903, este livro constitui uma belíssima descrição da vida e obra de Beethoven escrita com uma visão crítica dos factos,  que enfatiza a empatia e a resistência do biografado. Para Rolland, Beethoven previu o futuro e assombrou o mundo com o seu talento, mas foi também um «homem forte e puro» envolto em sofrimento. Romain Rolland  reconstitui os passos de Beethoven a partir de fontes primárias e testemunhos dos amigos do grande compositor, desde a infância na cidade de Bonn, onde nasceu em 1770, infância marcada pela educação severa imposta pelo pai, até à sua morte, em 1827, durante um temporal. Pelo meio estão episódios riquíssimos, descritos por Rolland como se de um romance se tratasse. O ouvido absoluto, que nem mesmo a surdez lhe roubou em definitivo, a morte da mãe, o alcoolismo do pai, a oportunidade que Joseph Haydn lhe deu de estudar em Viena, o processo de ensurdecimento, a composição das míticas nove sinfonias, o desgosto amoroso que Therese Brunswick lhe provocou, a degradação da sua saúde, mas também «do seu aspecto e dos seus modos», e, claro, o momento em que, a 7 de Maio de 1824, em Viena, surpreendendo tudo e todos, conseguiu dirigir a primeira audição da Missa em Ré e da Nona Sinfonia completamente surdo. A obra é complementada por uma selecção da correspondência de Beethoven e por algumas das suas citações mais famosas.  Esta nova edição, da Guerra & Paz, tem tradução de Isabel Ferreira da Silva.

 

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IMAGENS DE VIAJANTE - Cristina Ataíde continua a manifestar a sua preocupação com a acção dos homens sobre o planeta e esse é o tema central da exposição/instalação que apresenta, até 17 de Setembro, no Museu de Arte Contemporânea do Chiado, sob o título “A Terra Ainda É Redonda?”. No texto que escreveu para a exposição, o seu curador, David Barro, sublinha que “Cristina Ataíde ausculta as diferentes dimensões da alteração da matéria”, através de “obras de uma marcada presença escultórica”. E prossegue: “ São obras que se baseiam na transformação, capazes de poetisar o tempo e suas circunstâncias, mas também de questionar criticamente o nosso lugar no mundo”. Para o espectador é difícil isolar uma só peça desta exposição, tal a relação que elas naturalmente estabelecem entre si, relação que é potenciada pela montagem, que cria uma narrativa visual ao longo do espaço onde as obras foram colocadas. Existe como que um percurso incontornável, que vai em crescendo, explorando formas diversas mas complementares e que obriga a percorrer tecto, chão e paredes, a visitar recantos e a descobrir perspectivas. São 20 obras, todas datadas de 2023, cada uma com uma origem geográfica diferente que identifica a artista como uma viajante a explorar o seu universo.

 

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O SALTO - Alexandre Melo, que se tornou conhecido como crítico, ensaísta, curador e professor de sociologia da arte e cultura, deu o salto para o outro lado e expôs-se na Galeria Balcony (Rua Coronel Bento Roma 12), onde mostra, até 16 de Setembro, “Alexandria”, um conjunto de quase duas dezenas de obras recentes, todas baseadas na recuperação de memórias vividas, temperadas com uma boa dose de imaginação na sua apresentação. Na realidade, trata-se da reprodução de colagens que fez a partir de recortes de notícias e imagens de jornais e revistas, de programas de espectáculos, de fotogramas de filmes, anúncios e cartazes, folhetos, rótulos, fotografias de alimentos, embalagens e por aí fora. Em muitas há a evocação de locais - os Estados Unidos, Itália, França, Inglaterra e ocasionalmente também Portugal. É a mistura de todas estas imagens  - procurando em cada uma das colagens traçar encontros e sublinhar pontos comuns - que torna estas obras uma descoberta. Percorrer estes trabalhos é como folhear um livro de banda desenhada e deixar que a cada nova revisitação da página se descubram novos pormenores - é o que acontece quando se volta a percorrer a exposição. As obras apresentadas são fotografias únicas das colagens originais, impressões produzidas em 2023 de 18 trabalhos, seleccionados de um conjunto de 63, realizados em 2003 e em 2021/2022, “recorrendo a uma colecção de papéis impressos e materiais afins reunidos ao longo das últimas seis décadas”, para usar as palavras do autor. Na realidade não é a primeira vez que Alexandre Melo expõe,  teve uma outra apresentação, menor, e no meio de uma mostra de que foi curador, no início deste século, na Galeria Cómicos, de Luís Serpa.

 

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UMA DÉCADA - No Atelier Museu Júlio Pomar abriu na semana passada uma exposição que assinala os 10 anos de existência do espaço e que aproveita a oportunidade para apresentar obras e séries de trabalhos de Pomar que fazem parte do acervo do Museu, e também peças expostas pela primeira vez e que fazem parte do espólio da Fundação Júlio Pomar e dos herdeiros do artista. Destaque ainda para um conjunto de estudos e documentos alusivos às pinturas murais que Júlio Pomar fez no Cinema Batalha, no Porto, e que foram recuperadas no ano passado. Outro núcleo inclui retratos e autorretratos e também um conjunto de retratos do próprio Pomar feitos por amigos como Menez, Luísa Correia Pereira, Eduardo Luís ou Álvaro Siza Vieira. A exposição mostra ainda um bestiário de animais mais ou menos estranhos, um conjunto de quadros que partem de obras literárias que sempre foram uma fonte de trabalho para o artista, e de que dois bons exemplos, agora expostos, são “Cartilha do Marialva”  e “Navio Negreiro”. Um outro núcleo mostra a abordagem de Pomar ao erotismo e os curadores, Sara Matos e Pedro Faro, sublinham que”nas obras agora expostas percebe-se como Pomar funde corpos e objetos estranhos, numa experiência absolutamente inovadora no seu percurso, que deixa de lado géneros, posições de força ou a natureza das relações”. Finalmente, em duas vitrines são mostradas fotografias de Pomar em momentos importantes da sua carreira e outros testemunhos, desde os cadernos com desenhos feitos na sua infância até documentos relativos à censura que foi exercida antes de 1974 sobre a sua obra. A exposição, que fica no Atelier Museu até 14 de Janeiro, tem um excelente cartaz, aqui reproduzido, da autoria de Joana Machado.

 

DIXIT - “ Confirma-se que a função do deputado é a de votar o que o seu grupo entende. E este, aprovar o que pretende o partido. E este último o que deseja o Governo” - António Barreto

 

BACK TO BASICS - “Eis ao que leva o intervencionismo do Estado. o povo converte-se em carne e massa que alimenta o simples artefacto que é o Estado” - Ortega Y Gasset

 



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