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O NOVO TEMPO DA POLÍTICA - A meio da madrugada de segunda-feira dei comigo a pensar que as autárquicas em Lisboa mostraram que uma cidade não é um filme, não é um cenário fabricado, mas sim o local de histórias reais das vidas das pessoas que lá vivem. Em vez de uma ilusão para visitantes de passagem, uma cidade só vive se for uma casa para os seus residentes. Foi isso que se perdeu em Lisboa nos últimos anos e tenho a firme convicção de que foi isso que fez Medina ser derrotado, levando mais de 25 mil eleitores que votaram nele em 2017 a abandoná-lo. Dizem-me que segunda-feira, nos corredores do Município, as chefias se mostravam apreensivas e a generalidade dos funcionários aliviados. Pedro Magalhães, politólogo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, acredita que a participação eleitoral diminuíu nas freguesias onde o PS tinha tido mais apoio em 2017. Por outras palavras, houve uma manifestação de desagrado de um lado e um desejo de mudança do outro. Lisboa ficou a ganhar porque perdeu um autarca que se preocupava mais com as aparências do que com os problemas, arrogante e complacente com abusos e corruptelas. Um cidadão, citado por um jornal diário, resume o resultado a isto: “as pessoas fartaram-se”. O vencedor, Carlos Moedas, não vai ter tarefa fácil mas acredito que tenha capacidade para procurar consensos através de propostas abrangentes e de uma política social de que a cidade necessita. Este novo ciclo de Lisboa vai provavelmente mostrar uma nova forma de fazer política, menos apostada em criar tensões e mais virada para resolver problemas e tornar a cidade mais humana. Mas há um outro aspecto curioso, que tem a ver com a campanha eleitoral. Por vezes duvidei da eficácia da forma como a campanha de Carlos Moedas decorria, achava-a pouco afirmativa, digamos até que pouco agressiva, e com uma resposta fraca ao oponente. Mas tenho que reconhecer que me enganei sobre a estratégia seguida e na razão deste meu engano provavelmente está uma mudança do perfil dos eleitores, sobretudo dos mais novos. Será que o eleitorado começou a fartar-se de políticos que gritam e que atacam permanentemente os rivais? O resultado parece mostrar que sim. Bem vistas as coisas, nas campanhas presidenciais de Marcelo Rebelo de Sousa essa tendência começou a mostrar-se. Menos gritos, mais afectividade, maior contacto pessoal, menos demagogia. O eleitorado está a mudar, nestas autárquicas puderam votar aqueles que já nasceram nos primeiros anos deste século. O resultado que estes eleitores proporcionaram é um desafio e uma responsabilidade para o vencedor. E uma esperança de que a política mude para melhor. Novos tempos também são isto.

 

SEMANADA - O potencial de teletrabalho em Portugal é o nono mais baixo da UE, segundo um estudo europeu divulgado esta semana; Fernando Ruas, eleito Presidente da Câmara de Viseu, espera que a lista de promessas de fundos da bazuca feita por António Costa ao anterior autarca socialista da cidade seja cumprida; a Presidente do Conselho de Finanças Públicas alertou para a situação financeira “não confortável” do país; o défice público agravou-se 550 milhões de euros até Agosto; a abstenção nas autárquicas foi de 45%; em 2017 realizaram-se 25 coligações nas autárquicas, em 2021 o número duplicou para 52; o número de partidos que concorreram às autárquicas aumentou de 17 para 20 este ano - três dos anteriores não concorreram mas houve seis estreantes; em 2017 houve 83 candidaturas independentes e em 2017 o número desceu para 79; em 35 concelhos a aplicação da lei de limitação de mandatos deixou de fora da luta eleitoral os anteriores autarcas; quase um quarto dos candidatos ao ensino superior não conseguiu entrar num curso na primeira fase do processo de admissões; em 2020, após a morte de Ihor Homenyuk, o Ministro da Administração Interna prometeu que o centro de instalação temporária do SEF no Aeroporto de Lisboa teria cobertura de câmeras de vigilância em todos os espaços comuns, mas após um ano essa melhoria ainda não foi feita; o número de pessoas sem abrigo em Portugal aumentou em 2020 para 8029, mais 1000 cidadãos que no ano anterior; segundo o INE o valor das rendas de casa aumentou 11,5% entre Março e Junho.

 

O ARCO DA VELHA - Nuno Freitas, considerado pelo Ministro Pedro Nuno dos Santos como o melhor presidente de sempre da CP,  demitiu-se num cenário em que sentia  falta de autonomia de gestão, tinha um plano de atividades por aprovar e uma dívida histórica acumulada de 2,1 mil milhões, situação que paralisava a empresa. O Ministro Pedro Nuno dos Santos, sem nunca o dizer directamente, apontou o dedo ao Ministro das Finanças: "se dependesse de mim [o problema] estava resolvido".

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POR DENTRO DO ATELIÊ-  Na Galeria das Salgadeiras o fotógrafo Jordi Burch recria em imagens o seu próprio ateliê em S. Paulo e evoca o seu processo de trabalho. A montagem da exposição explora e invade diversos espaços da galeria, mostrando o exterior que se vê do atelier, em contraste com o que se passa no espaço interior. A exposição "como coisa real por fora, como coisa real por denbtro", que fica até 13 de Novembro, evidencia a linguagem fotográfica de Jordi Burch, que em tempos integrou o colectivo KameraPhoto o qual teve uma presença relevante no fotojornalismo português do início deste século. Na exposição Burch combina imagens de objectos de carácter instrumental com outras de paisagem e retrato, procurando estabelecer um relato da sua própria vivência, através da forma de ver os materiais que utiliza no seu dia-a dia, como tinteiros de impressora fotografados para além do conceito tradicional de objectos perecíveis (na imagem) A Galeria das Salgadeiras fica na Rua da Atalaia 12.

 

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IMAGENS MOÇAMBICANAS - Mário Macilau nasceu em 1984 em Inhambane, Moçambique, e em 1998 tirou a sua primeira fotografia numa avenida de Maputo, com uma câmera emprestada. Durante anos fotografou com o telemóvel da sua mãe e em 2007 teve a sua primeira máquina fotográfica, iniciando um novo percurso. Macilau trabalha preferencialmente  projectos de longa duração. Nos últimos anos  ganhou notoriedade e reconhecimento como um importante fotógrafo Moçambicano com uma intensa actividade internacional de que o expoente foi a sua escolha para estar presente no Pavilhão da Santa Sé na 56ª edição da Bienal de Veneza. Mário Macilau apresenta agora em Lisboa, até 11 de Novembro,  a sua primeira exposição individual, “Sombras do Tempo”, na Galeria Movart (Rua João Penha 14A). A exposição, com curadoria de Ekow Eshun, inclui uma série inédita de fotografias intitulada “Círculo de Memória” (na imagem). Neste trabalho Macilau fotografa edifícios abandonados da época colonial que, como diz, "estão presentes em todo o território Moçambicano, apesar de terem perdido qualquer sentido de funcionalidade”. Dentro de cada fotografia, o artista situa, sobrepondo, figuras, muitas vezes mulheres ou crianças, cuja imagem cria um contraste com as estruturas em ruínas que as rodeiam. 

 

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A FOTOGRAFIA PORTUGUESA  -  Esta semana trago-vos um livro imprescindível para conhecer e compreender a evolução, não só da fotografia, mas também da comunicação em Portugal no século XX: “Fotografia Impressa e Propaganda Em Portugal No Estado Novo”. A obra é o resultado de um trabalho de uma equipa de investigadores que entre 2016 e 2019 desenvolveu um projecto financiado pela Fundação Para A Ciência e Tecnologia sobre a utilização da fotografia imprensa durante esse período. Filomena Serra foi a responsável pelo desenvolvimento do projecto, juntamente, em áreas específicas, com Paula André e Manuel Villaverde Cabral e a organização do livro coube a Filomena Serra. Ao longo do trabalho podem ser seguidas cinquenta publicações - livro, álbuns fotográficos, fotolivros, revistas ilustradas e catálogos provenientes do fundo documental do SNI - Serviço Nacional de Informação que existe na Biblioteca Nacional. Logo no início o livro recorda que António Ferro, director do Secretariado da Propaganda Nacional criado em 1933, definiu a fotografia como o suporte comunicativo de exposições e edições que mostrassem a obra do Estado Novo, muitas vezes inspirados pelos então novos modelos de propaganda alemã, italiana e soviética.Este livro merece ser lido por todos quantos se interessam pela fotografia em Portugal, desde o texto inicial, de Filomena Serra, Paula André e Manuel Villaverde Cabral, até aos textos que mostram o que foram publicações como “O Notícias Ilustrado”. “O Século Ilustrado”, a “Panorama- Revista Portuguesa de Arte E Turismo” ou livros tão diversos como “Salazar o Homem E A Sua Obra”, de António Ferro,  “As Mulheres do Meu País” de Maria Lamas ou  “Lisboa Cidade Triste e Alegre” de Victor Palla e Costa Martins, entre vários outros. Um trabalho de rara qualidade, com um enorme manancial de informação, não só sobre a fotografia, mas também sobre a forma como ela foi usada na propaganda e na comunicação.

 

CONTRA OS MENUS DE DEGUSTAÇÃO -  Um dia destes começo a fazer uma lista de restaurantes onde se come bem, a preços justos, com bom serviço, sem atavios desnecessários mas com atenção e respeito pelos clientes. É claro que ficam excluídos os restaurantes que só propõem menus de degustação, essa variação totalitária apadrinhada por chefs de laboratório. Na realidade a imposição de menus de degustação é a coisa que mais me encanita na vida em matéria gastronómica. Muito raramente tive boas experiências e quase sempre achei ridícula a encenação. Prefiro ir ao circo quando quero ver palhaços. Em contrapartida gosto de listas que variam conforme as estações do ano, utilizam produtos da região quando possível e vigiam a qualidade da matéria prima e conseguem fazer isto sem artifícios nem pretensões e a preço justo. A ideia do fine dining é em si uma coisa que me atrai pouco, muito pouco; já a ideia de um restaurante simpático, com boa cozinha, onde se pode estar confortável, à nossa vontade, sem imposições, é coisa que me seduz. Fine dining para mim não é obedecer aos desejos dos outros, é conseguir que os outros satisfaçam os meus desejos em matéria do que me apetece provar. E que não me aborreçam enquanto estou à mesa, mas estejam atentos às necessidades dos comensais. 

 

DIXIT - “Medina perdeu mais que o poder em Lisboa, deixou de ser o delfim de Costa" - Armando Esteves Pereira, no “Correio da Manhã”.

 

BACK TO BASICS - “Não basta fazermos o melhor que podemos; por vezes temos que fazer o que é necessário” - Winston Churchill

 







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