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AUTÁRQUICAS - Esta semana soube-se que os candidatos às eleições autárquicas vão gastar um total próximo de cinco milhões de euros em brindes para a campanha eleitoral -  só o PS gasta quase dois milhões por sua conta.  Os brindes vão de sacos de plástico a bandeirinhas, emblemas e toda uma parafernália que acaba no lixo. Não posso deixar de citar, sobre esta matéria, aquilo que Rui Calafate, um consultor de comunicação, escreveu no Facebook em jeito de conselho aos candidatos: “recomendei a todos o que recomendo às pessoas com quem trabalho: comprem três pares de sapatos confortáveis - uma campanha é para se dar a conhecer, ganhar a confiança das pessoas e andar no terreno. A proximidade é que dá votos”. Nestas próximas autárquicas já passámos por guerras de secretaria, as mais evidentes foram as que pretendiam impedir Rui Moreira de se candidatar no Porto e Isaltino de Morais em Oeiras. Estas manobras acontecem claramente ligadas a um aumento das candidaturas independentes, nomeadamente por parte de ex-presidentes de Câmara. Num artigo de opinião Nuno Garoupa abordou a questão da importância eleitoral crescente dos independentes e prevê mesmo que, nas próximas autárquicas, os grupos de cidadãos e listas independentes possam alcançar 10% dos votos, podendo ser a terceira força autárquica, abaixo do PS e do PSD. E chama a atenção para o facto de uma subida expressiva dos resultados dos grupos de cidadãos ter como consequência inevitável uma descida percentual do PS e PSD. “As listas independentes são a única ameaça real à hegemonia do PS e do PSD no nosso sistema partidário, tudo o resto não mexe”  - escreve Nuno Garoupa, prevendo igualmente que os partidos institucionais farão todo o possível para, no futuro, dificultar ainda mais a apresentação de candidaturas independentes como já se está agora a ver.

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SEMANADA - A Estrada Nacional 125 no Algarve, tem 64 rotundas em 150 quilómetros; as empresas portuguesas são as que, em 29 países europeus, têm uma demora maior no pagamento de faturas a fornecedores, com um prazo médio de 66 dias; o número de abonos de família pagos este no primeiro semestre deste ano desceu cerca de 10% em comparação com igual período do ano passado; a dívida externa líquida de Portugal era de 176,1 mil milhões em Junho, mais mil milhões que no final de 2016; no final de Junho o endividamento público era de 317,7 mil milhões, um aumento de 9,9 mil milhões em relação ao início do ano;  os gastos dos turistas estrangeiros em Portugal subiram 21,1% no primeiro semestre deste ano; o valor do IMI cobrado pelas Câmaras Municipais cresceu 632 milhões de euros nos últimos dez anos; cerca de oito milhões de euros por dia é o valor das apostas nos jogos da Santa Casa nos primeiros meses deste ano; segundo a DECO um quarto dos utentes do Serviço Nacional de Saúde recebe tratamento fora do prazo legal;  segundo a Marktest há agora  6,5 milhões de pessoas em Portugal que possuem smartphone, o que representa mais de dois terços do total de possuidores de telemóvel; a Festa do Avante! vai abrir este ano com música clássica russa para celebrar os 100 anos da revolução bolchevique de 1917.

ARCO DA VELHA - Centenas de candidaturas a fundos comunitários, de projectos de defesa da floresta e de prevenção contra incêndios, foram rejeitados por falta de dotação orçamental no Ministério da Agricultura, o tal onde Capoula Santos se comparou a D. Dinis.

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FOLHEAR - Tyler Brulé, o fundador da Wallpaper e da Monocle é um  convicto defensor do papel impresso. A Monocle, lançada há dez anos, nunca teve  uma versão para iPad e, embora tenha uma forte actividade digital, no streaming de áudio e vídeo, assim como em newsletters, permanece contrária a edições on line. Para além da revista, que se publica dez vezes por ano há duas publicações sazonais - The Escapist no verão e The Forecast no inverno. Este ano Tyler Brulé decidiu voltar ao formato de jornal que já tinha ensaiado em 2010, e criou Monocle - The Summer Weekly Edition. O primeiro jornal saíu dia 10 de Agosto e todas as semanas deste mês sairá mais um - o projecto tem data de encerramento com a última edição, em 31 de Agosto, mas Brulé já disse que o projecto é para continuar. O novo jornal está dividido em três cadernos - o principal onde se falam de assuntos correntes de interesse geral, o segundo que é dedicado às artes, cultura, media, arquitectura, design e desporto e o terceiro que aborda moda, viagens, comida e bebida. O alinhamento é curioso, a utilização gráfica do formato jornal é conservadora mas muito sóbria e elegante. O resultado final é um misto de actualidade com sugestões concretas. Na primeira edição do semanário era abordado o excesso de turistas em algumas cidades europeias e um artigo falava do boom imobiliário em Lisboa e do investimento francês nessa área; na segunda edição semanal um dos destaques vai para a cortiça portuguesa e as novas aplicações que tem, enquanto se elogiavam o design das cadeiras de ferro tradicionais ADICO nas esplanadas lisboetas; na revista de Setembro, a primeira pós-férias, o tema de capa é como  conseguir alcançar o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. “Escape The Office” é o título principal.

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VER - O Arquivo Municipal de Fotografia é uma das instituições com um trabalho mais interessante de entre as várias que estão sob a alçada da autarquia na área da Cultura - e isto vem desde que foi criado, nos anos 40, e, sobretudo, quando foi instalado em 1994 na Rua da Palma, onde continua. O que se perdeu entretanto, no início desta década, foi a autonomia de que gozou - a sua integração como um mero departamento dos Arquivos Municipais é algo de incompreensível, sobretudo se atendermos a que este arquivo fotográfico transcende em muito o âmbito municipal, devido às colecções, de vários autores e fotógrafos, que lá foram colocadas em depósito e que hoje integram o seu acervo. O Arquivo Fotográfico merecia maior autonomia e a sua equipa bem se esforça por conseguir manter uma actividade regular, através de exposições, do serviço educativo e também da sala de leitura. De entre as suas numerosas colecções, o Arquivo dispõe de um grande inventário de imagens documentais sobre o mundo do espectáculo, desde retratos de actores até registos de ensaios de peças de teatro, de rodagens de filmes, imagens de montagens, etc. Presentemente o Arquivo Fotográfico apresenta a segunda parte da série (ANTE)câmara, dedicado à actriz Amélia Rey Colaço (na imagem), exposição que foi montada a partir da colecção da família Rey Colaço, e que inclui fotografias do convívio familiar, da preparação para a sua primeira representação teatral na peça Marianela, de 1917, e um pequeno conjunto de fotogramas do filme O Primo Basílio, de 1923. Vale bem a pena ver esta exposição, que está patente até 14 de Outubro na Rua da Palma 246.

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OUVIR - June Tabor é um dos nomes - e vozes - incontornáveis da folk britânica. Para além de uma extensa carreira a solo, trabalhou com Maddy Prior e com a Oyster Band e participou pontualmente em registos de nomes como Fairport Convention. Em 2013 criou um trio com o pianista Huw Warren e o saxofonista Iain Ballamy, músicos de jazz com quem já tinha colaborado pontualmente ao longo dos anos. O trio recebeu o nome de Quercus e o seu primeiro álbum foi editado em 2013, pela ECM. Este ano surgiu o segundo disco do projecto Quercus, “Nightfall”. O novo trabalho inclui uma abordagem musical inesperada a temas tradicionais do folk inglês  (The Manchester Angel, Once I Loved You Dear (The Irish Girl), The Cuckoo), e também a  temas da tradição popular como Auld Lang Syne ou On Berrow Sands, onde o diálogo entre a voz de Tabor e o saxofone de Ballamy tem um ponto alto. Um dos momentos mais curiosos é a versão de um tema de Dylan, Don’t Think Twice It’s Alright. O mais interessante é a combinação de repertório popular com a improvisação que os dois músicos de jazz imprimem ao som de Quercus. Destaque ainda para o standard "You Don't Know What Love Is" e para “Somewhere” (de West Side Story). CD ECM, na Amazon.

 

PROVAR -   Com o verão ainda no activo deixo aqui a sugestão de uma das minhas saladas preferidas deste ano: laranja às rodelas com filetes de cavala, aromatizada com hortelã e salpicada de nozes sobre uma cama de rúcula, temperada com azeite e balsâmico. Primeiro abro e escorro a lata dos filetes de cavala em azeite, no prato coloco algumas folhas de rúcula temperadas com flor de sal, azeite de boa qualidade e vinagre balsâmico. Por cima disponho as rodelas de laranja descascada, cada uma com um filete de cavala. Algumas folhas de hortelã dão bom aroma e gosto, meia dúzia de nozes grosseiramente partidas complementam. No final um fio de azeite e fica pronta a salada. Os meus preferidos são os filetes de cavala fumada em azeite da Comur mas os simples, em azeite, de La Gondola nunca desapontam. E agora um pouco de enquadramento: da família da sarda e do atum, a cavala tem um sabor intenso, é um peixe azul, rico em ácidos gordos benéficos para a saúde e, ainda por cima, sendo muito abundante na costa atlântica portuguesa, tem bom preço. Acrescento outro argumento: é muito saboroso e os seus filetes em conserva podem ser utilizados de múltiplas formas - até há quem faça sanduíches, misturando-os, cortados, com maionese ou então sob a forma de bruschetta, em cima de um pão grelhado, previamente temperado de azeite, ervas e tomate.

 

DIXIT - As candidaturas independentes nas autárquicas são um factor de renovação do pessoal político e aumentam a competitividade eleitoral” - José Pacheco Pereira, na Sábado.

 

GOSTO - O Turismo Centro de Portugal fez um grande filme promocional da sua região, que já ganhou dois prémios, o mais recente há dias em Los Angeles.

 

NÃO GOSTO - Fiz uma encomenda de dois livros à Wook a 2 de Agosto,  que ainda não recebi, e só soube as razões do atraso depois de reclamar. No entretanto já cobraram o pagamento.

 

BACK TO BASICS - “Não quero ser recordado - prefiro receber os elogios enquanto os puder ouvir” - Jerry Lewis



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publicado às 13:47


1 comentário

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De O SÁTIRO a 28.08.2017 às 22:19

O caso dos fundos comunitários para a reforma da floresta devia ser investigado pelo MºPº...enfim.se o nosso MºPº fosse mesmo, na totalidade, magistratura como exige a Lei........porque as mortes e os danos avultados resultam da incompetência, incúria, desleixo de quem deixou perder estes €€€€

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