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OS DEPUTADOS - Quando se olha para qualquer balanço da actividade parlamentar constata-se que apenas uma pequena parte dos deputados dos partidos com maiores grupos parlamentares desenvolve algum trabalho relevante no plenário ou em comissões. Isso é particularmente visível no PSD e PS - alguns dos seus deputados mal abrem a boca durante uma legislatura e não se lhes conhece história. Ficam nas filas de trás das respectivas bancadas, assinam o ponto e a sua principal função é levantarem o braço de acordo com as instruções de votação dadas pelos respectivos partidos. Na realidade só prestam contas a quem os escolheu para integrarem as listas de candidatos a deputados, não têm a quem dar satisfações e não representam as populações dos círculos onde são eleitos e onde muitas vezes efectivamente não vivem e cujos problemas desconhecem. Não existe relação de proximidade com eleitores e muitas vezes nem com militantes locais. Se olharmos para o processo em curso de elaboração de listas pelos dois maiores partidos é isso mesmo que vemos: os líderes partidários, nomeadamente no PSD e no PS, são quem tem a derradeira palavra sobre quem integra a lista e em que lugar ficam os candidatos - se numa posição em que podem ser eleitos e entrar no Parlamento, ou se ficam só a fazer número. Nestas semanas tem-se percebido que muitas vezes nem as indicações das concelhias ou distritais são tidas em conta. Quem entra é quem está próximo da cúpula do aparelho e ser deputado é ainda encarado por muitos como um emprego e não um serviço à causa pública. O efeito que isto produz é um divórcio cada vez maior entre eleitos e eleitores.  O respeitinho aos chefes é muito bonito - e é isso mesmo que  as listas de candidatos a deputados comprova. E já agora - enquanto a Lei Eleitoral não for alterada, criando nomeadamente círculos uninominais - não haverá nenhuma reforma do sistema político e partidário. E assim vai-se registando uma perda de qualidade dos deputados. O facto de alguns dos mais activos e melhores deputados da legislatura que agora acaba estarem fora do próximo parlamento, porque não estão alinhados com as direcções dos seus partidos, é um sinal de que nesta matéria a coisa se agrava.

 

SEMANADA - Das quatro listas candidatas ao Montepio apenas uma não reivindica ajudas públicas e o apoio do Estado para ultrapassar as dificuldades da mutualista; desde o surgimento da Ómicron a venda de autotestes à Covid 19 nas grandes superfícies passou de uma média de 300 por dia para cerca de 15 mil e os preços aumentaram 10%; durante a pandemia foram criadas 375 esplanadas no Porto e pelo menos 361 em Lisboa; apenas cinco projetos de Ferrovia 2020 foram concluídos dentro do prazo e há 19 projectos para concretizar que já deviam ter sido fechados o ano passado; na Rua do Ouro e na Rua da Prata há 60 lojas fechadas; num balanço da actividade legislativa do Parlamento constata-se que houve mais diplomas do executivo aprovados pelo PAN e PSD do que pelas bancadas à esquerda do PS; em 2020 a cobrança do IMT recuou em 149 municípios e a de IMI em 80; um estudo internacional indica que um em cada quatro portugueses espera terminar o ano de 2021 mais endividado do que alguma vez esteve, o que coloca Portugal no Top 3 dos mais afectados nos rendimentos pela pandemia; o Ministério Público deixou prescrever crimes de políticos suspeitos nas PPP, o que livrou ex-governantes de responderem em tribunal; o Índice Global de Segurança de Saúde, que analisa 195 países, colocou Portugal na 33ª posição na capacidade de resposta a pandemias; em Novembro a inflação atingiu o máximo de nove anos e o INE detectou que “os retalhistas estão já a passar custos das subidas na energia para o consumidor”.

 

O ARCO DA VELHA - O Estado recomendou trabalho remoto a partir de 1 de Dezembro mas não está a cumprir as suas próprias recomendações nos serviços públicos.

 

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GERAÇÕES CRUZADAS - ”Pintura: campo de observação - Parte II” é o título da nova exposição da Galeria Cristina Guerra Contemporary Art (Rua Santo António à Estrela, 33), que inclui trabalhos de 13 artistas e que prossegue a lógica da primeira parte desta exposição, apresentada em Junho passado. Segundo o curador da exposição, João Pinharanda, as duas exposições “foram construídas a partir de um vasto (mas sempre necessariamente incompleto) “inquérito” realizado junto de alguma da produção artística, maioritariamente desenvolvida em Lisboa e nas artistas e nos artistas presentes estão uma maioria de jovens ou com carreira recente ou pouco divulgada a que se juntam algumas carreiras mais longas, capazes de fazer a ponte para contextos anteriores e mesmo alguns desses artistas históricos, que desenvolveram a sua produção a partir dos anos de 1960 e 70.” Isabel Madureira Andrade, Anamary Bilbao, Joaquim Bravo, Hugo Brazão, Pedro Calapez, Pedro Chorão, Luís Paulo Costa, Maria Ana Vasco Costa, Carlos Noronha Feio, José Loureiro (na imagem num óleo sobre tela de 2015), João Ferro Martins,  Jorge Rodrigues e Ângelo de Sousa são os artistas com obras em exibição até 22 de Janeiro. Outros destaques: no Centro de Artes Visuais, de Coimbra, com curadoria de Ana Anacleto, prossegue o ciclo “Museu das Obsessões” com duas exposições,  “Flor Fantasma ” de Mariana Caló e Francisco Queimadela e “Onças espreitam do breu matagal” de Bernardo Simões, patentes de 18 de Dezembro até 22 de Fevereiro.

 

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PARA QUEM GOSTA DE MOTOS - No ano passado Pedro Pinto tinha lançado o livro “As Motos da Nossa Vida”, onde recordava as motocicletas que nos anos 60 e 70 percorriam as estradas e ruas das cidades. Este ano regressa com “50 Motos Portuguesas”, uma lista que reúne 50 motos de várias cilindradas, concebidas e fabricadas em Portugal. Estas motos movimentavam uma indústria inventiva e arrojada que enfrentou vicissitudes e que, com poucas exceções, não resistiu ao tempo. A magia das Sachs, o motor das Pachancho, o slogan das Famel ou a elegância das Vilar Cucciolo e da Casal Carina são ainda hoje objetos de referência, sendo hoje em dia o seu restauro um hobby de um número crescente de entusiastas saudosos desses veículos. Pedro Pinto foi ele próprio piloto de motocross e velocidade e foi membro fundador do Moto Clube de Sintra dinamizador do Vespa Clube de Lisboa. E foi desde cedo um colecionador de tudo o que dizia respeito ao mundo das motos em Portugal,tendo organizado, na Expo 98, a exposição «As Motos do Século, o Século das Motos». Como Pedro Pinto escreve não há uma estatística correcta do número de motocicletas portuguesas que se venderam, mas era significativo o contributo para a economia do país e os postos de trabalho criados, entre as fábricas onde eram produzidas e as centenas de oficinas que asseguravam a sua manutenção, Nas 50 motos que seleccionou para esta edição estão máquinas como a V5 da Sachs, a rara bicicleta motorizada Vilar Cucciolo ou a ainda mais rara Nacional de 500 cc fabricadas na década de 30. A edição é da Quetzal e já me fez recordar algum tempo de juventude e a minha Sachs Minor.

 

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O REGRESSO DA GUITARRA - Não há nada a fazer, emociono-me com todos os discos novos de Neil Young de quem me confesso um fidelíssimo fã, capaz de perdoar quase tudo. E é com grande satisfação que vejo que o seu novo disco, “Barn”, é talvez o seu melhor trabalho desde há algum tempo. Neil Young tem agora 76 anos, este é o seu 41º disco de estúdio, o 14º com os Crazy Horse, desde que começou a gravar com a banda há quase 50 anos. E este “Barn” é bem melhor que o anterior disco com os “Crazy Horse”, “Colorado”, de 2019. Gravado num celeiro, como o nome indica, em meia dúzia de dias, o disco é pelo título, ambiente de gravação e sonoridade, um regresso a uma versão mais crua de rock, com a inconfundível guitarra de Neil Young, acompanhado por uns Crazy Horse em que Nils Lofgren substituíu Frank “Poncho” Sanpedro, já retirado destas lides, e com o baterista Ralph Molina e o baixista Billy Talbot a completarem, bem, o elenco. Se eu escolhesse uma faixa entre todas, apontava para “Welcome Back”, uma canção exemplar com Neil Young num dos seus melhores momentos à guitarra, sem exuberâncias.  Mas há outras a merecer destaque como “Canerican”, "Change Ain't Never Gonna", "Today's People", "Tumblin' Through the Years", and "Don't Forget Love". “Barn” está disponível em streaming, vinil e CD e há uma edição especial que inclui um documentário realizado por Daryl Hannah, a mulher de Neil Young,

 

A BATATA - Ao contrário do que muita gente pensa as batatas não são todas iguais e as batatas de supermercado têm pouco a ver com as verdadeiras batatas do campo, no sabor e  na textura. Esta semana recebi uma deliciosa prenda de um homem que com quase 90 anos, depois de uma vida de trabalho, continua apegado ao que a terra pode oferecer. Adelino Lopes, assim se chama, gosta de cultivar a sua horta, em Outeiro, distrito de Viseu. Oferece o que produz a familiares e amigos, é generoso como as pessoas do campo sabem ser. Há umas semanas fui cativado pelo sabor de umas batatas que a sua neta me serviu num almoço familiar e que elogiei. Resultado? Esta semana fui brindado com um saco desses belos tubérculos que já me estão a proporcionar bons momentos. Penso muitas vezes nestas diferenças de sabores e vêem-me à memória os paladares com que cresci e que vinham de casa dos meus avós, numa aldeia do Alto Alentejo. Ter acesso a produtos assim é um privilégio. Já estou a imaginar o que posso fazer com estas batatas… A propósito: esta semana li um curioso estudo da Marktest: em ano de pandemia, teletrabalho e ensino à distância, o cozinhar/fazer bolos foi, entre as principais atividade de tempos livres ou hobby, a que mais cresceu, passando de 29.5% em 2019 para 34.2% em 2020, um aumento relativo de 16%. A Marktest sublinha que estes números significam que mais de um em cada três portugueses tem este hábito. 

 

DIXIT - “ E, pairando sobre todos, um primeiro-ministro que nunca sabe de nada, que lava as mãos de todo o tipo de problemas e é famoso pela habilidade de se agarrar ao poder” - João Cotrim de Figueiredo.

 

BACK TO BASICS - “Perguntar a um artista o que ele acha dos críticos é como perguntar a um candeeiro o que acha dos cães” - Christopher Hampton

 







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publicado às 11:00


1 comentário

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De Joao Almeida a 18.12.2021 às 10:01

Caro Manuel,

A fedilidade às direcções partidárias e não ao povo que os elege está a ser a maior causa da decadência da democracia?!!!
Abraço e até logo.

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