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A DOENÇA  DO REGIME - Nas últimas semanas sucederam-se os casos em que políticos no activo, de membros do governo a autarcas, foram acusados de irregularidades no exercício dos seus cargos, envolvendo corrupção e favorecimento em negócios de familiares, amigos ou conhecidos. Não estou sequer a falar de outro género de acusações, de eventuais conflitos de interesse, uns mais evidentes, outros menos. Falo sobretudo dos casos conhecidos nos últimos dias e que configuram abuso de poder e favorecimento em negócios. O que é certo é que esta situação provoca um ainda maior descrédito na classe política e atinge transversalmente os principais partidos. Para além da responsabilidade dos visados, que terá de ser apurada, há duas questões que saltam à vista: um sentimento de impunidade e a ausência de mecanismos de controlo eficazes. Num dos casos, de um autarca do norte, uma reportagem relatava várias declarações de pessoas da sua terra que diziam não estar espantadas, reconhecendo que há muito se falava do assunto. A coexistência tolerante aumenta a impunidade e a falta de controlo, a começar pela que devia ser feita pela oposição local, e mostra uma teia de cumplicidades que augura o pior. E, por pano de fundo, está como sempre a lentidão da investigação, uma justiça paralisada, poderes variados que não se interessam por apurar a verdade nem em colocar em acção legislação e organismos que eram supostos diminuir os riscos que tudo isto traz ao sistema político. Basta recordar que a Entidade para a Transparência, o organismo criado há três anos para fiscalizar os rendimentos dos políticos, ainda não tem data para começar o seu trabalho. 

 

SEMANADA - Portugal é o terceiro país da União Europeia com maior aumento de mortes em acidentes de trabalho; segundo o INE em 2020 mais de 228 mil pessoas caíram na pobreza; a Anacom identificou 470 mil alojamentos em áreas sem internet de alta velocidade; os preços das casas subiram 17,8% no segundo trimestre deste ano; 35% da energia eléctrica consumida em Portugal no mês de Outubro foi importada de Espanha; no terceiro trimestre deste ano as receitas da Apple cresceram 8%, as da Alphabet (Google, You Tube….) cresceram 6% e as receitas da Meta (Facebook, Instagram, Whatsapp…) caíram 4%, enquanto as da Amazon cresceram 15%; mais de 15 mil pessoas estão à espera de exame para tirar carta de condução, um terço dos quais há mais de três meses; de Janeiro a Outubro a factura de electricidade de clientes domésticos subiu entre 31 e 58%, dependendo dos fornecedores; no caso dos clientes empresariais há aumentos em PME’s que ultrapassam os 300% no mesmo período; a taxa de poupança dos portugueses caíu de 14,3% em 2021 para 5,90% este ano; o aumento das taxas de juros faz com que a prestação de um empréstimo à habitação de 150.000 euros tenha aumentado 50% no espaço de um ano; o preço dos funerais está a aumentar devido ao preço dos combustíveis; por cada 100 euros de salários os trabalhadores portugueses pagaram, em média, 37,6 euros em impostos e contribuições para a segurança social; actualmente, e em comparação com o primeiro trimestre do ano, Portugal regista o maior abrandamento da actividade económica, num grupo de dez países da União Europeia.

 

O ARCO DA VELHA - O Observatório Astronómico de Lisboa deixou de ter astrónomos.

 

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A CÔR E A PINTURA - “Topomorphias” é o título da exposição que Jorge Martins apresenta em todo o primeiro piso do Centro de Arte e Cultura da Fundação Eugénio de Almeida, em Évora. “As obras reunidas nesta mostra foram escolhidas pelo artista seguindo um desejo prévio: o de conceber uma exposição a partir da sua produção mais recente em pintura. Algumas obras remontam ao início dos anos de 2010, mas a grande maioria foi produzida após 2018, incluindo inúmeras obras realizadas durante o período do surto pandémico. É, pois, revelador que, num tempo de angústia, isolamento social e desencanto anímico, o artista não tenha esmorecido a sua verve criativa. Pelo contrário, o volume e a qualidade das obras patenteiam um fulgor inventivo que, contornando os constrangimentos do mundo exterior, compõem um imaginário pleno de luminosidade e vitalidade estética” - escreveu Sérgio Mah no catálogo da exposição, que ficará patente até 26 de Março. Numa entrevista ao “Público” Jorge Martins sublinha que apesar de todas as transformações, das tendências e de novos suportes, “a pintura não morreu” e defende que a função do pintor “é dar uma lógica às cores”. Outro destaque da semana vai para “Ventanias”, a nova exposição de Pedro Chorão, que apresenta oito trabalhos inéditos na Galeria Sá da Costa, no Chiado, em Lisboa, acompanhados por oito aforismos escritos para esta série de pinturas por Yvettte Centeno, como este:”no preto e branco, o suave sopro da forma”. Finalmente na Fundação Carmona e Costa estão duas novas exposições - “Laranjas” de Luis Paulo Costa e “Pororoca”, de Cristina Lamas.

 

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UMA HISTÓRIA JAPONESA - “Cavalos em Fuga” é o segundo romance da tetralogia “Mar da Felicidade”, do japonês Yukio Mishima. A história passa-se entre Junho de 1932 e Dezembro de 1933 e relata a vida de Isao Iinuma, um jovem japonês treinado pelo seu pai no código de honra dos samurais, que admira e são a sua inspiração e, diga-se, também do próprio Mishima. Convicto de que um grupo de novos políticos e industriais está a macular a honra do país e a usurpar os legítimos poderes do imperador, Isao põe em marcha um plano terrorista, com o objetivo de violentamente repor a ordem devida. Mishima retoma um dos personagens surgidos no primeiro romance da tetralogia, “Neve de Primavera”, um juiz colocado em Osaka, Shigekuni Honda. O juiz é profundamente impressionado pelo vigor puro e apaixonado de Isao, e acredita ser ele a reencarnação de Kiyoaki Matsugae,um seu amigo desaparecido de forma trágica há vinte anos e cuja história é contada em “ Neve de Primavera”. O pano de fundo de tudo isto é dado pelas transformações que surgem no Japão no processo de transição de uma sociedade feudal, e que começa a sofrer as influências do ocidente, uma situação que serviu de rastilho à entrada do Japão na Segunda Guerra Mundial. Yukio Mishima, o pseudónimo de Kimitake Hiraoka, nasceu em Tóquio em 1925 e suicidou-se praticando o ritual japonês seppuku (abrindo o próprio ventre com um sabre), a 25 de novembro de 1970, para mostrar a sua discordância perante o abandono das tradições japonesas e a aceitação acrítica de modelos consumistas ocidentais. Foi o idealismo e a admiração pelo tradicionalismo militar e espiritual dos samurais que moldou toda a sua obra. “Cavalos em Fuga” foi editado pela Livros do Brasil com tradução, a partir da edição inglesa, de Tânia Ganho.

 

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JAZZ NÓRDICO - The Arild Andersen Group junta nomes sonoros do jazz norueguês, a começar pelo seu líder, o baixista Arild Andersen, que chamou para o seu lado Marius Neset no sax tenor, Helge Lien no piano e Håkon Mjåset Johansen na bateria. O resultado do trabalho destes quatro músicos, que nunca tinham gravado juntos, é o álbum “Affirmation”. Aos 77 anos Arild Andersen continua a surpreender nesta gravação efectuada em Novembro de 1921 no Rainbow Studio em Oslo. Logo no segundo dia de gravações Andersen propôs que experimentassem fazer uma improvisação colectiva. “Sem que nada estivesse preparado ou combinado gravámos um primeiro tema com 23 minutos e um segundo com 14 minutos”, contou Andersen sobre o trabalho em estúdio. Estas duas gravações acabaram por ser o eixo central do álbum com os títulos “Affirmation Part I” e “Affirmation Part II”. Os dois temas são apresentados na íntegra sem qualquer edição e o álbum completa-se com uma composição do próprio Andersen, “Short Story”. O mais curioso, conta Andersen, é que embora os quatro músicos tenham tocado juntos muitas vezes ao vivo, nunca tinham gravado e muito menos numa situação de improvisação. Ao longo dos dois temas “Affirmation” nota-se como o baixo de Andersen comanda as operações, marcando o ritmo, puxando pelos outros músicos, sugerindo a sua entrada e criando a base para o diálogo musical entre todos. O nome do álbum, conta ainda Arild Andersen, foi escolhido porque todo o processo foi uma afirmação “de que cada um de nós tem que confiar em si próprio e ao mesmo tempo confiar nos outros”. Edição ECM disponível em streaming.

 

A TRINDADE - Tenho sempre medo de voltar a um restaurante onde me dei bem quando ele sofre grandes obras. Ainda há pouco tempo dei com imagens de um exercício decorativo inútil, e com algum mau gosto, no Nunes Real Marisqueira, em Belém. Fiquei sem vontade de lá ir. Confesso que quando soube que a Trindade, no Chiado, tinha reaberto, fiquei na dúvida sobre fazer-lhe uma visita. Mas lá acabei por ir e devo dizer que não me arrependi. A Trindade nunca foi um restaurante fabuloso, mas era ao longo dos anos uma cervejaria honesta, onde se podia comer numa relação preço/qualidade simpática. Localizada num edifício histórico, temi que a nova Trindade tivesse sido redecorada destruindo o seu espírito. Felizmente isso não aconteceu e houve bom senso. Mesas e cadeiras são as de sempre, há novos candeeiros, balcões mais modernos e funcionais, mas nada compromete o espírito do edifício. Os painéis de azulejo lá estão, o pátio interior continua simpático. E, sendo uma cervejaria, a cerveja sai bem tirada, o que é fundamental. A mesa decidiu-se pelo tradicional bife da Trindade, mal passado nos dois comensais, um frito, outro grelhado. A carne estava no ponto pedido, não tinha marcas de frigorifico demasiado, o molho continuava igual e as batatas fritas também - alguém poderia já ter dado à cozinha da Trindade um curso rápido de como os belgas fazem batatas fritas. Estas, amolecidas, não são fruto das obras, são a imagem de marca da casa. Feitas as contas o preço continua justo, o salão continua majestoso sem acrescentos inúteis, os empregados são numerosos e simpáticos e tudo correu bem. A Trindade safou-se.

 

DIXIT - “Durante o seu tempo (de António Costa) a justiça portuguesa, promotora da desigualdade social, não consegue encontrar o caminho da reforma e da eficácia, nem consegue pelo menos modernizar-se o suficiente para escapar à corrupção, para reduzir a indolência, para enfraquecer a burocracia e para conter os interesses enquistados no sistema” - António Barreto.

 

BACK TO BASICS - “Comité é um grupo de homens que individualmente não podem fazer nada e que, em grupo, decidem que nada se pode fazer” - Fred Allen

 




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