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ESTA LISBOA QUE AFUNDOU - Desde 2007 é o PS que manda em Lisboa - primeiro com Costa e logo a seguir com Medina. Agora, ao fim de 14 anos Medina espalha pelos cartazes que defende “o direito à cidade”. Vamos lá a ver os factos: segundo a Pordata entre 2009 e 2020, a população residente de Lisboa diminuiu de 550.466 para 509.565 (um decréscimo de 7,4%). Em 2020, dos 509.565 residentes no município de Lisboa, 106.971 eram estrangeiros, mais 63194 do que em 2009.  Em 2009 nasceram em Lisboa 6220 bebés e em 2020 o número desceu para 5697.  Em 2009 em Lisboa por cada 100 habitantes 61,7 estavam em idade activa e em 2020 eram apenas 55. Em 2009 havia 72.189 alunos nas escolas de ensino básico público da cidade, em 2019 o número tinha descido para 63.911; em 2009 existiam 190 alojamentos turísticos em Lisboa, em 2019, antes da pandemia, contabilizavam-se 713; em 2009 a despesa da Câmara Municipal de Lisboa em actividades de Cultura e desporto significava 30,6% do total da despesa, esse número caíu para 8,4% em 2019. Os filhos dos lisboetas vão viver para a periferia e há 85 mil idosos a viver sózinhos ou na companhia de alguém da mesma idade na cidade. Um projeto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, designado Radar, recolheu dados de uma amostra de 30 mil destes seniores, e concluiu que 27 mil, ou seja 92% destas pessoas, não têm acompanhamento por parte de instituições, e, muito menos da autarquia. O meu maior desejo é que nestas eleições se conseguisse inverter esta tendência, que a cidade renasça e consiga cativar mais jovens, mais pessoas em idade activa, que a cidade deixe de ser um cenário para turista ver e sim um local onde os alfacinhas possam viver. O PS e Medina pioraram todos os indicadores desde que estão à frente de Lisboa. Alguém acredita que agora vão mudar? Se querem mais quatro anos de promessas não cumpridas votem mais Medina: das promessas que fez na anterior campanha executou apenas nove das 30 medidas mais importantes que então prometeu.  

 

SEMANADA- Em 1981, em Portugal, tínhamos 45,4 idosos por cada 100 jovens, em 2019 tínhamos 161,3; em 1981 tínhamos 25,1% da população a receber pensões de reforma, em 2019 o número tinha subido para 40,5%; em 1999 tínhamos 14.643 estabelecimentos de ensino públicos dos vários graus de ensino e  em em em 2020 tínhamos 5.644; em 1986 existiam em Portugal 24.938 publicações periódicas em 2019 o número reduziu para 19.323;as eleições autárquicas mais concorridas dos últimos anos foram as de 2009 com 5,5 milhões de votantes e as que registram maior abstenção foram as de 2013, nas quais quase metade dos eleitores não votaram; no segundo trimestre de 2020 a dívida pública era de 125,7%  do PIB e em idêntico período de  2021 tinha subido para  132,8%; em 2001 existiam 669 estações de comboio e em 2019 o número tinha descido para 549; em 1968 a rede ferroviária activa tinha 3.592 kms e em 2020 tinha 2.526 kms; em 1980 os comboios transportavam 224 mil passageiros e em 2019 o número foi de 175 mil; em 1979 o emprego nas administrações públicas era de 9% da população activa e em 2019 já tinha subido para 13,3%; em 2000 a receita fiscal do Estado totalizava 25.669 milhões de euros e em 2020 atingiu 43.222 milhões; no mesmo período os impostos directos subiram de 11,3 mil milhões para 19,1 e os indirectos de 14,3 mil milhões para 24. Todos os números são da Pordata.

 

O ARCO DA VELHA- A deputada independente Joacine Katar Moreira, eleita pelo Livre, quer  retirar os painéis evocativos dos Descobrimentos, que estão no Salão Nobre da Assembleia da República, e que ilustram cenas evocadas n’Os Lusíadas.

 

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UMA FAMÍLIA ESPECIAL - Os Bruhhoff são uma família que transformou a vida da cultura europeia – e a francesa em particular. Um dos seus membros, Jean, foi o criador de uma figura incontornável da literatura infantil Babar, outro esteve na origem da “Vogue” francesa. Yseult Williams, jornalista, neta de um físico nuclear irlandês e de um dos pioneiros do moderno cinema britânico, é a autora de “O Esplendor dos Brunhoff”, um livro que resulta de conversas com Marion de Brunhoff, que, aos 92 anos, quis deixar o legado da sua família – uma incursão pelo mundo das artes, da política e da História da Europa do século XX. Ao ler o livro descobre-se que na Belle Époque, no bairro de Montparnasse, os Brunhoff davam cartas na imprensa, edição, moda, fotografia, arte moderna, num ambiente boémio e liberal. Na história dos Brunhoff cruzamo-nos com Sergei Diaghilev, Jean Cocteau, Christian Dior, Gabrielle Chanel, Yves Saint Laurent, com o americano Condé Nast que a eles se associou para criar a edição francesa da revista “Vogue”. O livro conta o período entre as duas grandes guerras, a perseguição que a família sofreu pela sua origem judaica, a forma como a imprensa francesa que não se tornou colaboracionista com os nazis resistiu. Sobre o livro o diário francês “Libération” escreveu que  «o talento desta família genial é também a sua generosidade de ver o talento dos outros.» O livro “O Esplendor dos Brunhoff” foi agora editado pela Quetzal.

 

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A FORMA DA CÔR - Entra-se na Galeria Filomena Soares e o sentimento é de surpresa. “Nada Existe/ Nothing Exists”, a nova exposição de 12 esculturas  de Rui Chafes feitas em 2020 e 2021, inaugurou dia 11 e ficará na Galeria até 20 de Novembro. Como frequentemente acontece no trabalho de Chafes, cada peça é uma descoberta, que por vezes se relaciona com a que está ao lado, outras vezes não. Nesta exposição há um novo caminho anunciado em relação a trabalhos anteriores. Sente-se uma mudança, um desafio entre as formas e o equilíbrio em que cada obra existe. Para além dos novos trabalhos (na imagem), podem ver-se noutra sala da Galeria quatro esculturas  de 2017 que foram os estudos para  a peça “La Nuit",  que foi apresentada na exposição “Rui Chafes e Alberto Giacometti - Gris, Vide, Gris”, apresentada na Fundação Gulbenkian em Paris, em 2018, com curadoria de Helena de Freitas. No texto de  apresentação de “Nothing Exists” o próprio Rui Chafes sublinha a importância da relação entre o vazio e a forma, o significado da cor negra na sua obra, a não separação entre o que é o interior e o exterior de cada peça e a importância do diálogo entre o equilíbrio das obras e o olhar de quem as observa. Imperdível, esta exposição. Outras sugestões: a colectiva “Matéria Luminal” que propõe um percurso pelas práticas artísticas em Portugal, desde meados dos anos 1960 até à actualidade, e que inclui obras de  trinta e oito artistas. A exposição tem curadoria de Sérgio Mah e ficará no Museu Berardo até 9 de Janeiro.

 

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A GUITARRA - Pat Metheny, 67 anos, mantendo-se fiel à sua guitarra, é na verdade um homem de sete instrumentos: grava com músicos de jazz, faz incursões na clássica, trabalha em bandas sonoras de filmes e séries de televisão, compõe canções que pouco têm a ver com o jazz e gosta de trabalhar com um grande leque de músicos, sobretudo com alguns bem mais novos. É o caso de James Francies no piano e orgão, e Marcus Gilmore na bateria que o acompanham no novo disco “Side-Eye NYC”, ponto de partida para uma digressão anunciada para os próximos meses  e que incluirá cerca de 100 concertos em todo o mundo. Este disco foi gravado  ao vivo, antes da pandemia, em Nova Iorque. Na digressão Gilmore será substituído na bateria por Joe Dyson, mas James Francies, que tem uma importante quota parte da sonoridade do novo disco, acompanhará Metheny. O disco inclui alguns temas originais e novas versões, bem trabalhadas, de temas clássicos de Metheny como “Timeline”, originalmente gravado com Michael Brecker e Elvin Jones. O novo trio não hesita em usar texturas eletrónicas, em contraste com sonoridades tradicionais do jazz. O disco inclui oito  temas, começa pelo longo e envolvente “It Starts When It Disappears”. Jamie Francies tocou ao lado de nomes do jazz, dos R&B e do hip-hop e a sua presença é marcante no resultado final do disco e sobretudo nos 13 minutos do tema de abertura. Outros destaques vão para “Timeline”, “Lodger”, “Better Days Ahead” , “Bright Size Life” (do início da carreira de Metheny), “Turnaroud”  e “Zenith Blue”. Mas este exercício de selecção é um bocado forçado, o disco é todo ele magnífico, a guitarra de Metheny continua a ser mágica sem exibicionismos gratuitos e o trio é poderoso. Disponível nas plataformas de streaming.

 

O BELO FRANGO - Sou do tempo em que o Galeto anunciava com fulgor, pouco depois de abrir, em 1966,  a novidade de vender frangos assados, nessa altura ainda não muito vulgares. Agora eles estão em todo o lado e sob diversas formas - inteiros, com ossos e desossados, com uma gama de temperos e vários métodos de assadura. Uma das mais emblemáticas casas da especialidade é a Valenciana, em Campolide. Nasceu em 1914 como casa de pasto e foi desenvolvendo o negócio que hoje em dia existe. O frango assado foi introduzido na ementa nos anos 50 do século passado e a lista agora é bem variada. Mas a maior parte das pessoas que ali vão, para comer no local ou para levar para casa, procura o frango assado. Sempre bem assado, com molho simples ou picante e com acompanhamentos como salada, esparregado ou batatas fritas às rodelas caseiras. A Valenciana vende cerca de 500 frangos por dia e ao fim de semana por vezes esse número duplica. Agora tem uma meia dúzia de salas interiores e, desde há algum tempo, uma grande esplanada com jardim vertical, a dar para a praceta de Campolide, onde agora passa o eléctrico 24. A esplanada é devidamente protegida do vento que é um ex-libris de Campolide.  Os frangos da Valenciana são simples, saborosos, suculentos e despretensiosos. O serviço é simpático, o take-away é rápido. Eu sou freguês e nunca me correu mal.

 

DIXIT-  “ Os descobrimentos são um passado de conhecimento e de abertura ao Mundo de que Portugal se pode orgulhar. Esconder os painéis hoje é deixar de ler Os Lusíadas amanhã” - Manuel S. Fonseca.

 

BACK TO BASICS - “Pessoas com coragem e caráter parecem sempre sinistras aos olhos de outros” - Hermann Hesse

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