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A CAMPANHA - As eleições legislativas antecipadas de 10 de Março coincidem praticamente com o 50º aniversário do 25 de Abril de 1974 e, atendendo ao estado da nação, seria de esperar que a questão da Justiça, dos seus problemas e dos efeitos que o seu mau funcionamento tem na política, nos cidadãos e na economia, fizessem parte da campanha eleitoral - quanto mais não seja porque o Primeiro Ministro se demitiu no seguimento de uma investigação do Ministério Público e na Madeira aconteceu o que se sabe. Aliás se não fosse a decisão do juiz no caso da Madeira o assunto tinha passado mesmo ao lado de tudo.  No entanto o tema é importante: o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, propôs e procurou que se fizesse um pacto entre os principais partidos sobre a reforma da Justiça, mas nada aconteceu. Acontece que o tema da justiça não faz parte da campanha eleitoral nem da fábrica de soundbites que têm sido os debates televisivos. Mas também não ouvi falar, nesses debates, da guerra, e da crescente instabilidade da situação internacional, que tem óbvios efeitos em qualquer país e consequências a nível da política externa.  E, menos ainda, de qualquer assunto que tenha a ver com Cultura. Assim, três pilares essenciais da Liberdade e da Democracia - justiça, paz e cultura - estão definitivamente fora da campanha eleitoral. Em vez dos comícios sob a forma de debates preferia que houvesse um prestar de contas sobre o que foi prometido nas eleições anteriores, por quem esteve no Governo estes anos, e também um balanço do que a oposição fez. E não seria nada má ideia que a oposição tivesse um governo sombra, cujos elementos fossem porta-vozes sectoriais sobre as várias áreas da governação, incluindo aquelas de que menos se fala. Uns números para terminar: o debate entre Luís Montenegro e André Ventura teve  850 mil espectadores, na RTP1 - que a essa hora até esteve à frente da SIC e TVI. Mas, no mesmo canal, pouco tempo antes, Fernando Mendes com o seu "Preço Certo" registou uma audiência média de quase 900 mil espectadores, numa altura em que havia muito menos gente a ver televisão do que à hora dos debates. Será isto uma prova do desinteresse das pessoas pela política, do desencanto  com os partidos e da desconfiança face aos políticos?

 

SEMANADA - Segundo a Direcção Geral de Saúde em 2023 foram distribuídos cerca de 6.9 milhões de preservativos mais 33% que no ano anterior; segundo uma médica especialista em doenças sexualmente transmitidas os casos de sífilis e gonorreia estão a aumentar em Portugal; em Janeiro a inflação aumentou para 2,3%, uma variação de 0,9% em relação ao mês anterior; de acordo com dados da Comissão do Mercado de Valores Mobiliário há 265 fundos de investimento imobiliário em Portugal que em dezembro geriam activos de 2,5 mil milhões de euros, 63% acima do investimento contabilizado em dezembro de 2022; um estudo científico indica que um saco de papel produz três vezes mais emissões de gases com efeito de estufa do que um saco de plástico; em 2023 a DECO recebeu 360 mil reclamações e os sectores das telecomunicações, comércio e banca foram os que mais queixas registaram; um terço dos novos oficiais de justiça que em setembro passado foram contratados para reforçar os tribunais já se foram embora, queixando-se do baixo salário, que é de menos de 900 euros líquidos; o número de portugueses com dois empregos cresceu 7% no ano passado e o total já ultrapassa os 250 mil, dos quais 142 mil têm formação superior; a percentagem de alunos entre os 18 e os 24 anos que deixou de estudar sem concluir o 12º ano aumentou para 8% em 2023; no ano passado as cesarianas representaram 32% do total de nascimentos, o numero mais elevado de anos recentes; cerca de 66% das freguesias portuguesas não têm pontos de venda de imprensa; há 38 mil empresas exportadoras em Portugal, 23 mil são pequenas, médias e microempresas e apenas 3600 investem em investigação e desenvolvimento.

 

O ARCO DA VELHA - Em 2023 foram registadas mais de mil agressões a profissionais de saúde.

 

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MOSTRAR O QUE NÃO É EVIDENTE - Ricardo Angélico “um pintor menos conhecido do que devia”, como diz Alexandre Pomar, está até 9 de Março na Galeria Carlos Carvalho (Rua Joly Braga Santos, Lote F, R/C, Lisboa) com a exposição “Peças Para Uma Máquina do Tempo Perdido”. É um conjunto de pinturas, sobre tela, papel preparado e linho que têm em comum uma linguagem visual próxima do imaginário do fantástico, com um piscar de olhos à observação da natureza, misturada com evocações de banda desenhada, misturando figuras humanas e de animais, com formas e deformações monstruosas. Na imagem aqui reproduzida, “Homilia”, isso mesmo é bem patente. Mas noutros pontos da exposição, como nos dois momentos de “Audobom Remix” o trabalho de Angélico é inspirado pelo inventário que John James Audobom desenhou no século XIX dos pássaros da América. Angélico copiou as imagens de algumas dezenas dessas imagens de aves e pintou-as de forma perfeita a óleo, sobre linho, misturando-as, mais uma vez num desafio de fantasia, com imagens de várias origens, desde uma evocação da BD na figura de Woody Woodpecker, passando por uma borboleta e até à inclusão da NBA através de um jogador de basket que salta no meio dos pássaros ou de um popular pato amarelo saído dos cartoons norte-americanos. Duas outras obras, ambas de 2023, “Geoff na China” e “Perdidos e inchados”, ambas trabalhadas em técnica mista sobre papel preparado remetem-nos mais uma vez para um delírio de mistura de personagens e de explosão de cores. Deixo para o fim duas das obras mais marcantes, os estudos para Bonsai, ambos óleo sobre tela, mostrando o lado escondido dos bonsais, as suas raízes e caules - no fundo mostrar o que não é evidente, que parece ser o tema trabalhado por Ricardo Angélico.

 

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ROTEIRO DAS BOAS VISTAS - António Caldeira Pires, aka TóCalpi, um trabalho despretensioso, honesto e divertido como poucos na exposição “pufomance”, até 20 de fevereiro no espaço cultural das Mercês, rua Cecílio de Sousa 24, junto ao Príncipe Real(na imagem); em Bragança, até 30 de Junho, o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais apresenta uma exposição da obra de Júlio Pomar, organizada pelo Atelier-Museu Júlio Pomar, de Lisboa; na Galeria No-No, (Rua de Santo António à Estrela 39A), “Catarse” mostra pintura  de Filipe Cortez, até 16 de Março; nas Carpintarias de São Lázaro (Rua de São Lázaro 72, Lisboa), Pedro Vaz mostra pintura, video e música em “Num Único Acorde”; na Galeria Fidelidade Arte (Largo do Chiado 8), a plataforma Ampersand organizou a exposição “Two Faces Have I”, na qual apresenta trabalhos de Jana Euler, Pati Hill e Sylvie Fanchon em torno de imagens dos filmes do realizador norte-americano Chris Langdon; na Galeria Belard (Rua Rodrigo da Fonseca 103B, Lisboa), Mafalda d’Oliveira Martins apresenta “Oblivion”, uma exposição em que a artista retratou, em desenho, cada uma das 233 pessoas que em 2021 morreram sós na cidade de Lisboa; na Galeria Foco (Rua Antero de Quental 55A), Manuel Tainha apresenta “Chest Against The Back”: no Instituto (Rua dos Clérigos 44, Porto), Walter Vinagre apresenta a exposição de fotografia “Morte Adivinhada”; até sábado ainda pode ver estas três exposições: na Zet Gallery, de Braga, “Cicatriz”, de Sandra Baía; na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa (Rua da Barroca 59), as fotografias de Diogo Simões sob o título “Terra Livre”; e na Galeria Monumental (Campo dos Mártires da Pátria 101) “Uncertain Smile”, de Miguel Navas, termina às 18h30 com um concerto de Rodrigo Amado e Hernâni Frutuoso.

 

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SAX E GUITARRA - Uma das boas surpresas musicais das últimas semanas é o álbum “The Room”, do saxofonista norte-americano Sam Gendel e do guitarrista brasileiro Fabiano do Nascimento. Escusa de pensar que esta formação de saxofone e guitarra é um remake do histórico disco de Stan Getz e João Gilberto porque não se trata de nada disso. “The Room” é território novo, um exemplo do que se pode fazer só com instrumentos acústicos, o saxofone soprano tocado de forma muito suave, quase um suspiro por vezes, e uma guitarra de sete cordas dedilhada de forma enérgica ao longo dos dez temas do disco. Desde a faixa inicial, “Foi Boto”, onde as harmonias da bossa nova são afloradas até ao extraordinário “Astral Flowers” , talvez o ponto alto do disco, o saxofone de Gendel, por vezes pouco mais que o som do sopro de uma flauta, enrola-se nas notas que saem das cordas da guitarra. Em “Capricho” a guitarra marca o ritmo e o saxofone desenha a melodia, em “Txera” há um jogo de desafio e uma estrada de cumplicidade entre os dois músicos. E “Até de Manhã” e “Daiana” são baladas envolventes. Disponível em streaming.

 

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UMA HISTÒRIA FAMILIAR - “Uma Família Judaica, de Varsóvia e Brody a Lisboa e Telavive”, de Esther Mucznik, conta  a história da sua família e faz o retrato do povo judeu através de três séculos de diáspora. A história dos Goldreich Mucznik, oriundos da Europa de Leste e que se dispersarem pelo mundo, reflete em boa medida a história do povo judeu, neste caso com Lisboa a ser um porto seguro.  Esther Mucznik sublinha: "Os judeus são errantes, não por defeito, mas pela sua história, e gostaria que este livro e as vidas que nele são retratadas contribuíssem para a percepção clara de que se pode ter uma origem e uma identidade religiosa diferentes daquelas onde nos estabelecemos e sermos cidadãos fiéis, leais e patriotas, não só legalmente mas de alma e coração” . Este é um livro intimista, uma história familiar mas, também, o retrato das mudanças surgidas ao longo das décadas que a autora leva de vida e que acompanhou, desde os seus tempos juvenis em Israel, até à forma como assistiu em Paris ao Maio de 68 ou ao 25 de Abril em Portugal. E o encanto do livro é exactamente essa forma intimista como está escrito, a maneira como cruza os grandes acontecimentos com a história da sua família e a sua própria. Esther Mucznik foi vice-presidente da Comunidade Israelita de Lisboa, fundadora e presidente da Associação Memória e Ensino do Holocausto – Memoshoá. Preside à Associação Hagadá, responsável pela instalação do Tikvá Museu Judaico em Lisboa e é membro da Comissão de Liberdade Religiosa. Edição Dom Quixote.

 

DIXIT - “Todos os partidos, sem excepção, deram um precioso contributo para o crescimento do Chega. No governo, os socialistas trouxeram causas para o Chega. Nos hospitais, nas escolas, nas fronteiras, nos transportes públicos, os democratas estão a alimentar o Chega à mão” - António Barreto.

 

BACK TO BASICS - "Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão." -  Eça de Queirós

 

 

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