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O PESO DA ABSTENÇÃO - As eleições, como as que teremos Domingo 26, levantam três questões essenciais para que a democracia funcione: uma revisão e actualização da Lei Eleitoral, adequando-a à evolução da sociedade e da tecnologia desde 1975, a expectativa de que estas mudanças e uma reforma do sistema político-partidário ajudem a combater a abstenção galopante e, finalmente, uma actuação de fiscalização que evite a repetição do regabofe em que António Costa andou nestes dias perante a complacência da CNE, chegando a insinuar que autarcas do PS conseguirão utilizar melhor os dinheiros da bazuca que os de outros partidos. Peguemos no histórico das autárquicas e vamos a números. Estes, que hoje utilizo, foram compilados pela MARKTEST. Entre 1976 e 2017, a taxa de participação eleitoral nas autárquicas baixou 15%, passando de 64.6% em 1976 para 55.0% em 2017. Esta quebra foi mais acentuada nos distritos de Setúbal, Lisboa e Faro, ao contrário dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Guarda e das Regiões Autónomas, únicas regiões onde a taxa de participação aumentou em 2017 face a 1976. Consequentemente, a taxa de abstenção aumentou, de 35.4% para 45.0% no período em análise. O ano de 1979 foi o ano de maior participação eleitoral. Nesse ano, 73.8% dos eleitores inscritos participaram nas eleições para a Câmara Municipal. Pelo contrário, 2013 e 2017 foram os anos com menor percentagem de participação nas autárquicas (respetivamente, 52.6 e 55.0%). Há quase metade dos eleitores que não têm participado nas autárquicas e os partidos não promovem as reformas necessárias para alterar este estado de coisas. Será porque lhes dá jeito?

 

SEMANADA - As aulas começaram mas em muitos casos sem os manuais escolares cuja entrega se atrasou; os salários dos professores com 15 anos de experiência subiram nos países da OCDE entre 2005 e 2020, à excepção de Portugal onde diminuíram 6%; a Presidente do Conselho das Finanças Públicas disse no Parlamento que a instituição que dirige tem dificuldade em obter do Ministério das Finanças a informação imprescindível para escrutinar o trabalho do Governo; o endividamento das empresas privadas atingiu 269,5 mil milhões de euros em julho, o valor mais elevado desde os 269,9 mil milhões de euros registados em março de 2014; três meses depois do acidente com a viatura oficial de Eduardo Cabrita, que vitimou um trabalhador na A6, ainda não se sabe a velocidade a que ía o veículo; segundo a DECO, por cada 100 euros pagos na conta de electricidade 46,5 € são para impostos e taxas; o leilão da rede de telecomunicações 5G já dura há mais de nove meses e não há perspectivas de quando poderá haver oferta comercial da rede móvel de quinta geração; a pandemia provocou uma quebra de quase 25% na compra de sapatos em Portugal em 2020; nos últimos oito anos o número de câmeras de vigilância nas ruas passaram de 38 para mais de 850 e Amadora e Lisboa são os concelhos mais vigiados dos 14 que instalaram videovigilância ;  existem 239 ex-políticos e juízes com subvenções vitalícias pagas pelo Estado; a Câmara Municipal de Lisboa tem cerca de dois mil fogos devolutos que podiam ser reabilitados para habitação social; segundo a Marktest perto de seis milhões de portugueses costumam ler notícias online, uma tendência que cresceu 28% desde 2013.

 

O ARCO DA VELHA - Fernando Nobre, médico, fundador e presidente da AMI, esteve presente a apoiar uma manifestação de negacionistas, não aceita a vacinação contra a Covid-19 e recusa-se a usar máscara.

 

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RETROSPECTIVA & COLECTIVA -  Há muito para ver na galerias lisboetas, entre retrospectivas, revelações e colaborações. Vou começar pela retrospectiva de Sofia Areal, na Fundação Carmona e Costa. A exposição, “20 anos para a frente, 20 anos para trás” permite viajar pelo percurso criativo da artista através de 130 das suas obras feitas ao longo de quatro décadas. ​​A exposição é acompanhada por um livro com textos de José Luís Porfírio, Jorge Silva Melo, Ricardo Escarduça e Martim Brion, que foi o curador da exposição. Nascida em Lisboa, em 1960, Sofia Areal (na imagem) tem desenvolvido o seu trabalho na pintura, desenho, colagem, ilustração, design gráfico, desenho têxtil e cenografia. A exposição fica até 18 de Dezembro na Fundação Carmona e Costa, Rua Soeiro Pereira Gomes Lote 1. Uma outra exposição inaugurada por estes dias e de visita muito recomendada é “Matéria Luminal” que fica no Museu Berardo até 9 de Janeiro. Com curadoria de Sérgio Mah, a exposição mostra abordagens artísticas em torno da luz com obras relevantes desde meados dos anos 60 até à actualidade. Cerca de quatro dezenas de artistas estão representados, proporcionando uma visão conjunta, infelizmente rara, do seu trabalho. Esta é mais uma razão para visitar “Matéria Luminal” e ter uma visão de conjunto de trabalhos de nomes como Ana Jotta, Palolo, Cabrita, Fernando calhau, João Paulo Feliciano, Jorge Martins, Jorge Molder, José Barrias, Julião Sarmento, Lourdes Castro, Manuel Rosa, Miguel Palma, Paulo Nozolino, René Bertholo ou Rui Chafes, entre outros.

 

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OS DESAFIOS - No Pavilhão Branco, do Palácio Pimenta, Pedro Calapez e Alexandre Conefrey apresentam um conjunto de trabalhos inspirados pela obra “Viagem de Inverno”, poemas de Wilhelm Muller musicados por Schubert em 1827, uma obra musical cara aos dois artistas. É a segunda exposição recente de Pedro Calapez em parceria com outro artista - a outra é “Seja Dia Ou Seja Noite Pouco Importa”, com André Gomes,  ainda patente no Museu Berardo até 17 de Outubro. Nestes trabalhos apresentados no Pavilhão Branco é sensível uma mudança - já anteriormente enunciada - do trabalho de Pedro Calapez, que está a percorrer um território visual diverso do que nos últimos anos trabalhou com um resultado francamente surpreendente. Neste caso o contraste entre as pinturas de grande dimensão de Calapez e as pinturas de pequeno formato de Alexandre Conefrey (na imagem) é amplificado pela montagem criativa do curador da exposição, Sérgio Fazenda Rodrigues. Conefrey apresenta também um conjunto de desenhos, num curioso contraste com as pinturas. A exposição fica no Pavilhão Branco até 14 de Novembro. E por fim a grande surpresa da semana - “Pick A Card, Any Card”, a exposição inaugural de Isa Toledo, na Galeria Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18). A sua matéria prima é a palavra, quer nas pequenas folhas de bloco notas, juntando palavras e frases e criando painéis, quer nos vídeos (que podem ser vistos no Instagram da artista).Verdadeiramente surpreendente.

 

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DANÇA & ARQUITECTURA - Nunca fui a Luanda, uma cidade que de alguma forma me atrai. Sente-se que existe uma comunidade artística activa, em diversas áreas. Um livro recentemente editado, “Lugares Incorporados”, fez-me ficar com mais vontade de a conhecer. A ideia do livro é desafiadora: dezasseis bailarinos de quatro gerações da Companhia de Dança Contemporânea de Angola foram fotografados em conjunto com dezasseis edifícios e lugares da cidade de Luanda que revelam os laços sociais e afetivos que se estabelecem entre as pessoas e os lugares que habitam. As fotografias são de Rui Tavares e mostram um património importante para a caracterização, a história e as memórias da capital de Angola. As imagens exploram as afinidades entre a Dança e a Arquitectura, espelhando as relações entre o corpo, o movimento e o espaço. O livro, “Lugares Incorporados”, patrocinado pela Sociedade Mineira de Catoca e editado pela Guerra & Paz, pretende também alertar para o risco que corre uma boa parte deste património edificado, “na esperança de que possa ser resgatado, recuperado e devolvido à sociedade luandense”. O autor das fotografias, Rui Tavares, é angolano e desde 1991 interessa-se pelas imagens de dança. Começa nessa época a sua colaboração com o Conjunto Experimental de Dança, que mais tarde deu origem à Companhia de Dança Contemporânea de Angola, de que é um dos membros fundadores. O livro mostra edifícios como os dos Armazéns da Baixa de Luanda, a Casa do Sobrado, a Cervejaria Biker, o Cine Karl Marx, o Edifício da Lello, o Governo Provincial de Luanda, o Mercado do Kinaxixi, o Palacete Cor de Rosa e o Teatro Avenida, entre outros. Os textos que enquadram as fotografias de Rui Tavares, são de Isabel Martins e Cristina Pinto.  Ana Clara Guerra Marques coordenou o projecto. O livro está disponível em Portugal no site da editora - guerraepaz.pt  .

 

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UMA BANDA SONORA - “Flag Day” é o filme de Sean Penn que esteve presente no Festival de Cannes deste ano, onde foi aplaudido. Baseado numa história verídica, "Flag Day" conta a vida de um pai, John Vogel (Sean Penn), que subsiste graças a pequenos furtos para poder sustentar os seus filhos. Para fazer a banda sonora do filme Penn convidou Eddie Vedder, que por sua vez se fez acompanhar por Glen Hansard, pela sua filha Olivia Vedder e por Cat Power. O resultado é uma colecção de 13 canções, a maioria originais, mas com algumas inspiradas versões como “I Think of Angels”, do islandês Kristján Kristjánsson, interpretada por Cat Power com a presença do próprio Krisján nos coros,  ou “Drive” dos R.EM., revisitada pelo próprio Eddie Vedder. Além disso, há oito canções compostas por Vedder e Hansard e três novas canções de Cat Power. Olivia Vedder canta na faixa de abertura, “My Father’s Daughter” e em “There’s A Girl” e é uma boa surpresa. O segundo tema da banda sonora é a faixa título, “Flag Day”, uma balada que é um dos melhores temas originais desta banda sonora. “I Am a Map,” “I Will Follow,” and “Dream” são os três temas originais de Cat Power e todos merecem atenção. O álbum tem  uma produção minimalista, arranjos simples, essencialmente acústicos e o resultado é uma banda sonora invulgarmente bem conseguida. Disponível nas plataformas de streaming. 

 

DIXIT - ​​"Temos em Portugal, no presente e desde há muito, uma sociedade rígida, pouco aberta à mudança e à inovação, cujas regras do jogo e incentivos são perversos e pouco claros. Uma sociedade com abusos de poderes dominantes com cliques partidárias, empresariais, corporativas ou familiares, que ocupam e dispõem de lugares marcados. Por um lado, não permitem o surgimento de novos actores e, por outro, não permitem o fim de projectos sem viabilidade. " - António Carrapatoso



BACK TO BASICS - “As pessoas não devem ter medo de quem as governa; são os governantes que devem temer o que os cidadãos pensam deles" - Alan Moore.

 






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publicado às 11:00


1 comentário

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De Anónimo a 25.09.2021 às 10:53

100% de acordo, sobretudo no " Dixit e Back to Vasos". Abraço. João

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