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Chegar a uma cidade que não a nossa e desempenhar o papel de turista foi a minha experiência dos últimos dias. O mais engraçado é que gostei, e bastante. Descobri coisas maravilhosas que não conhecia, andei mais a pé do que faço em Lisboa, subi e desci escadas, estive em filas numerosas e demoradas e percebi que o desejo de descobrir é o melhor remédio para o cansaço, a dor na barriga das pernas, o frio e as multidões por todo o lado. Florença foi onde tudo isto se passou, sob o pretexto de ver duas exposições que mostram a obra de Fra Angelico, um pintor italiano da época do início do renascimento, no século XV. Monge e pintor, a sua obra vai desde iluminuras a frescos de grandes dimensões, passando por uma impressionante quantidade de quadros que, em muitos casos, recriam cenas bíblicas e são sempre relacionados com a religião e a Fé. Fra Angelico viveu e trabalhou em Florença e ali deixou a sua marca, como tantos outros artistas, cujas obras fazem da cidade um museu vivo. Mesmo nesta altura do ano a multidão de visitantes, por todo o lado, é imensa. E olhar para esta multidão, fazendo parte dela, foi uma sensação completamente nova. A célebre Ponte Vecchia, onde esta fotografia foi feita, é um cenário de excelência para as selfies. Num só olhar vêem-se numerosos telemóveis, uns a captar pessoas, outros a guardar a paisagem, todos a fabricar memórias. No século passado a Kodak inventou um slogan publicitário extraordinário para popularizar a fotografia: “Para mais tarde recordar”. Hoje, já sem película, cada vez se guardam mais imagens. Será que mais tarde são recordadas, ou esgotam-se na primeira rede social que encontram?
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