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PERVERSIDADES POUCO DESPORTIVAS

por falcao, em 16.07.21

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O FUTEBOL DA POLÍTICA  - A semana passada foi marcada pelo caso das aventuras de Luís Filipe Vieira no Benfica. A justiça, se tiver tempo,  vontade e possibilidade, apurará as culpas que existam. Mas a verdade é que há muito se acumulavam sinais de que alguma coisa não ia bem no Benfica, em geral, e com os negócios de Luís Filipe Vieira em particular. Ora num cenário destes de suspeitas públicas seria natural que os políticos, sobretudo os que estão em exercício de funções, se abstivessem de ser parte activa nos processos eleitorais dos clubes e no envolvimento, directo ou indirecto, na vida dos clubes. Podem ser adeptos sem serem coniventes, no fundo é isso. Na prática a coisa funciona como um mecanismo de troca: eu faço parte da tua comissão de honra de candidatura, tu depois farás da minha ou dirás umas palavras simpáticas a meu respeito. E foi assim que António Costa e Fernando Medina, entre outros, se perfilaram, ufanos, nas falanges Vieiristas. No final do ano passado António Costa integrou a Comissão de Honra de Vieira e confontado com o facto de estar a dar um apoio político a quem já estava sob algemas suspeitas em negócios, afirmou, muito solenemente, que o apoio que dava a Vieira não tinha nada a ver com a sua função, era um apoio a quem entendia ser melhor para a direcção do clube de que é adepto. Ficamos assim a saber que António Costa considerava Luís Filipe Vieira idóneo e muito capaz para gerir o seu clube. Na altura o presidente da associação cívica Transparência e Integridade, João Paulo Batalha, fez esta declaração: “O que fica por perceber é porque o primeiro-ministro e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa aceitam este papel. Mas não podemos esquecer que, nas candidaturas de ambos às autárquicas de Lisboa, tiveram o apoio de Vieira.”, acrescentando que este cenário passa “uma mensagem péssima de promiscuidade completa entre política e futebol, desporto que tem estado envolvido em vários casos de corrupção”. Agora, Medina, foi o primeiro a abandonar o barco de Vieira, manifestando a sua total surpresa pelo sucedido. Dá para acreditar nesta gente?

 

SEMANADA - Um quarto dos infectados com Covid-19 não é rastreado; a maioria dos cerca de 19 mil casos de Covid-19 registados em Portugal na semana passada foram detectados em jovens, mas a incidência também aumentou nos mais idosos e havia 18 surtos activos em lares de terceira idade; domingo passado registaram-se 57 internamentos devido a Covid-19, o pior aumento desde 8 de fevereiro; segundo a OCDE a economia portuguesa é das que mais travam na União Europeia com a nova vaga da pandemia; os testes gratuitos ao Covid prometidos pelo Governo estão a falhar no terreno devido a um problema informático do Ministério da Saúde; nos últimos anos foram apreendidos 184 milhões de euros em dinheiro vivo, detectados no decorrer de várias investigações policiais; segundo o Instituto Nacional de Estatística em 2020 apenas 15 dos 308 concelhos do país registaram mais nascimentos do que óbitos e no total registaram-se 84 mil nascimentos e morreram mais de 123 mil pessoas; o antigo responsável da protecção de dados da Câmara Municipal de Lisboa, exonerado por Medina, afirmou que só soube do envio de informação sobre os manifestantes às embaixadas quando lhe chegou uma queixa sobre o assunto, a que deu razão, com conhecimento disso ao gabinete do presidente, solicitando outro procedimento, que nunca foi tomado. 

 

O ARCO DA VELHA -A juíza a quem foi atribuído, por sorteio, o julgamento de José Sócrates e de Carlos Santos Silva declarou-se incompetente e devolveu o processo a Ivo Rosa, que também se declarou incompetente. Em resumo: não se encontra quem queira pegar no caso, cujo julgamento foi por isso mesmo mais uma vez adiado.

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UMA NOVA COLECÇÃO DE FOTOGRAFIA - O Museu do Neo Realismo, em Vila Franca de Xira, dirigido por Raquel Henriques da Silva, está a organizar uma colecção internacional de fotografia, com orientação de Jorge Calado, colecção que  leva o título “A Família Humana”, uma evocação da mítica  exposição “The Family Of Man”, que em 1955 abriu as portas do Museum Of Modern Art em Nova Iorque à fotografia, pela mão de Edward Steichen. “A Família Humana”, do Museu do neo Realismo, está centrada em obras dos anos 50 e 60 e conta já com imagens de 175 artistas de 25 nacionalidades, que fotografaram 60 países nos cinco continentes. Na primeira exposição desta colecção, que agora pode ser vista no Museu até final de Maio de 2022, mostra-se cerca de um terço da colecção. Na imagem está a fotografia do cartaz da exposição, realizada por Fons Iannelli no Kentucky em 1946. “Ponham-se duas imagens ao lado uma da outra - num livro ou numa parede - e começa um diálogo. Cabe-nos a nós, leitores e observadores, escutá-lo e entrar na conversa - escreve Jorge Calado na apresentação da exposição de que é curador, sublinhando que “fotografar é decidir o que se mostra e o que se ignora”. O Museu do Neo Realismo fica na Rua Alves Redol 44 em Vila Franca de Xira, encerra às segundas e abre nos outros dias entre as 10 e as 18. 

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O MÉDIO ORIENTE - Este livro é um precioso auxiliar para compreendermos a História do Médio Oriente, a mais escaldante região geográfica de conflitos do mundo contemporâneo. O Atlas Histórico do Médio Oriente, do historiador  Florian Louis e do geógrafo Fabrice Le Goff, leva-nos a um dos berços da nossa civilização, palco de criações humanas que viriam a tornar-se universais, da agricultura à escrita, passando pelo monoteísmo. O livro reúne mais de cem mapas e documentos que sublinham as realidades plurais deste centro nevrálgico da geoestratégia mundial desde 12 000 a. C. até à actualidade, da Suméria ao Daesh, da invenção da sedentariedade, da agricultura e da cidade à Primavera Árabe, do Egipto faraónico à questão palestina.  O autor começa por explicar que mais do que «berço» da civilização, o Médio Oriente foi «leito conjugal» da civilização, tendo em conta que se assumiu como um ponto de confluência de povos, culturas e influências que permitiram revolucionar a Humanidade. Esse destino singular, defende Florian Louis, deve-se sobretudo à posição de charneira daquele lugar em relação aos continentes africano, asiático e europeu e aos mares mediterrâneo e vermelho. Para o autor «o Médio Oriente não é um facto natural, mas sim cultural. Não é um dado anterior à história da qual foi palco, mas o resultado desta.” A edição é da Guerra & Paz. 

 

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GIPSY JAZZ  CONTEMPORÂNEO - Há sonoridades que ficam na memória. Ainda me lembro da primeira vez que ouvi o resultado do encontro entre o grande guitarrista romeno Django Reinhardt e o violinista francês Stéphane Grapelli. Foi assim que nasceu aquilo a que se viria a chamar Gipsy Jazz. Fresca, arrebatadora, ritmada, a chamar à dança e ao encontro dos corpos, a sonoridade de Django e Stéphane marcou gerações de músicos que foram continuando esse percurso. Um deles é Fapy Lafertin, um romeno que aprendeu a tocar guitarra aos cinco anos e que hoje já tem vários discos gravados, quer em quinteto, quer em quarteto, como este novo “Atlântico”. Os seus três companheiros nesta aventura, sobretudo o violinista Alexandre Trípodi, acompanham-no na perfeição. Lafertin é um virtuoso que usa a sua técnica para interpretar com emoção, percorrendo neste álbum paisagens musicais de várias geografias. Mas quando faz estas incursões, tem um cuidado especial em evitar clichês ou virtuosismos gratuitos. Há uma razão para isto: gerações de músicos romenos absorveram muitos géneros musicais nas suas errâncias pelo mundo e há-de ser essa a razão pela qual o quarteto toca uma valsa húngara, um standard de Cole Porter, uma balada de Sacha Distel ou uma melodia brasileira tocada numa guitarra portuguesa de 12 cordas, tudo sempre com à vontade. Este tema com a guitarra portuguesa chama-se “Pixinguinha em Lisboa” e é arrebatador, assim como o “It’s Allright With Me”, a canção de Cole Porter que teve interpretações de nomes como Frank Sinatra ou Ella Fitzgerald. Os 13 temas de “Atlântico” garantem uma hora de boa música e estão disponíveis nas plataformas de streaming.

 

SOBRE O NOVO FRANGO - Tenho seguido, em matéria de cozinhados, uma rotina baseada em ir fazendo experiências. Recebo umas newsletters com receitas, leio alguns blogs, folheio livros antigos, compro alguns novos sobre cozinhas de vários cantos do mundo e lá vou tendo umas ideias. Tem sido assim desde o primeiro trimestre do ano passado, quando começou a primeira vaga do confinamento. Não me queixo - cozinhar, ir às compras, escolher  e experimentar ingredientes é uma coisa que me descontrai. Só que de vez em quando também apetece ir experimentando coisas do que aparece de novo no mercado do take away. Uma boa experiência recente é o Vira Frangos. O local, na Rua Silva Carvalho 190, tem como oferta principal frango assado, desossado à mão e depois cortado em pedaços, estaladiços. Eu prefiro o que é apenas temperado com limão e sal, mas pode escolher um molho da casa, ou frango borrifado com azeite e salpicado com ervas ou ainda com pedaços de queijo parmesão e trufas. Mas, se preferir comer no próprio restaurante (tem poucas mesas, atenção…) em vez de levar para casa, tem outras possibilidades como o frango com queijo e bacon ou com abacate e iogurte. Para acompanhamento há batatas fritas “tipo leitão”, batatada doce com espinafres e arroz torrado com cebola crocante.  De todos o que escolho é o básico com limão e sal e prefiro ir buscá-lo à loja à hora a que o encomendei em vez de esperar pela Uber, que anda cada vez mais instável na rapidez do serviço. Nota final - quando sobra algum frango ao jantar guardem-no para o dia a seguir, fica muito bem numa salada ligeiramente temperada com pedaços de queijo.

 

DIXIT - “Políticos de todos os partidos iam ao beija mão ao Presidente do Benfica. É difícil respeitar pessoas, que ocupam cargos públicos de responsabilidade (…) mostrarem um desejo sôfrego para serem vistos com Luis Filipe Vieira” - João Marques de Almeida.

 

BACK TO BASICS - “Charme é a forma de conseguir uma resposta sem ter de fazer a pergunta” - Albert Camus

 

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