Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



PRESIDENCIAIS: ELEIÇÃO OU REFERENDO?

por falcao, em 15.01.21

EC07BC0C-58D4-4676-8D01-0BEABA5D287F.JPG

PARA QUE SERVEM ESTAS ELEIÇÕES ? - Não sei bem se chame eleições ou referendo ao que se vai passar a partir do próximo Domingo, dia de voto antecipado. Todas as sondagens apontam para uma confirmação de Marcelo Rebelo de Sousa como Presidente da República - resta saber qual a abstenção e com quantos votos contará o Presidente no final. O risco que corre, se a abstenção for grande, é ficar politicamente fragilizado, o que qualquer Governo não deixará de aproveitar. Marcelo é verdadeiramente o único candidato que corre pela vitória, os outros estão nestas eleições apenas para afirmação dos seus projectos políticos ou pessoais, num exercício de propaganda. Estas eleições, cuja campanha decorre numa situação restritiva devido à pandemia, serão certamente objecto de estudo futuro. Esta é uma campanha sem rua, assente na televisão e nos outros meios de comunicação. Os afectos, agora, são virtuais. E como funcionaram os debates? O que se sabe,para já, é que o acumulado de espectadores que seguiram os debates em todos os canais ultrapassou os seis milhões e meio. O debate mais visto foi o de Marcelo Rebelo de Sousa com André Ventura, transmitido na SIC e SIC Notícias e que ultrapassou os dois milhões de espectadores. O debate com todos os candidatos na RTP1 na noite de terça-feira ficou-se pelos 450 mil espectadores, enquanto na SIC e TVI, no mesmo horário,  uma telenovela e a transmissão do  Benfica-Estrela da Amadora tiveram bem mais que um milhão de espectadores cada. Mas nesta campanha houve surpresas - desde o desempenho de Vitorino Silva (Tino de Rans), que chegou até a corrigir uma pergunta mal feita por Miguel Sousa Tavares, até à forma como Tiago Mayan Gonçalves conseguiu posicionar e explicar o que de facto são as ideias liberais que defende, surpreendendo muita gente e tendo um comportamento elogiado pela maioria dos comentadores. Isto traz-nos à questão dos candidatos. À excepção de Marcelo, que corre para a reeleição, os outros correm para se posicionarem. Não serão presidentes, mas há ideias que merecem aplauso. Para mim as que foram defendidas por Tiago Mayan Gonçalves são aquelas de que me sinto mais próximo e por isso o meu voto irá para ele. Estas eleições também podem servir para mostrar que há alternativas a considerar fora do quadro partidário anquilosado que nos governa. E é isso que farei.



SEMANADA - Dois jornalistas foram vigiados, com recolha de imagens, por uma equipa da PSP ao longo de cerca de dois meses e as contas bancárias de um deles foram passadas a pente fino por ordem de uma procuradora do Ministério Público que os investigava por violação de segredo de justiça; a magistrada pretendia saber quais as fontes dos jornalistas; pela primeira vez, em democracia jornalistas foram vigiados e fotografados pela polícia, as suas mensagens vasculhadas sem cobertura legal, violando o direito ao sigilo profissional, com o sigilo bancário levantado de forma completamente ilegal; estas acções foram ordenadas pela procuradora do Ministério Público Andrea Marques, com conhecimento da Diretora do DIAP de Lisboa, Fernanda Pego; o despacho da procuradora Andrea Marques sobre a vigilância efectuada viola o direito do jornalista à proteção das fontes e ao sigilo profissional, nos termos dos artigos 8º e 11º da Lei nº 64/2007;  as acções ordenadas violam ainda o direito à intimidade e reserva pessoal e o direito de imagem dos visados, podendo configurar a autoria moral do crime de devassa da vida privada, de acordo com o que prescreve o artigo 192 do Código Penal; até à data em que escrevo, quarta-feira, ainda não se conhece nenhum comentário do Primeiro Ministro ou da Ministra da Justiça sobre o assunto; também nenhum dos candidatos à Presidência se manifestou em defesa da lei que protege o sigilo profissional dos jornalistas; o Presidente da República também ainda não disse nada, até à data, sobre este atentado à  liberdade de Informação.

 

ARCO DA VELHA  - Apesar da grande quantidade de testes realizados por famílias antes do Natal e do Ano Novo os casos positivos que foram identificados não tiveram  controlo epidemiológico adequado e a larga maioria dos infectados, 87%, não foi contactada pelas autoridades de saúde para ser feito o habitual rastreio de forma a tentar determinar a cadeia de contágio.

 

VM1953W00034-03-MC_ (1).jpg

FOTOGRAFIA DE RUA -  Eu hoje tinha uma exposição para recomendar, que tinha a inauguração prevista para este fim de semana. Mas não vai acontecer. A exposição de que falo estava prevista para o Centro Cultural de Cascais, por iniciativa da Fundação D. Luis I. A exposição estava prevista durar até 16 de Maio, esperemos que findo o confinamento ainda a possamos ver. Vale a pena e a história da fotógrafa é fantástica. Vivian Maier era uma ama que nos tempos livres passeava e fotografava as ruas das cidades dos Estados Unidos onde viveu, com uma Rolleiflex, como se pode ver na imagem. Através dos seus retratos de desconhecidos nas ruas dos EUA nas décadas de 1950 e 1980, a maior parte em preto e branco, Maier documentou, registou e interpretou o mundo ao seu redor, na América urbana na segunda metade do século XX. Durante mais de quarenta anos, Maier trabalhou como ama em Chicago. Nos tempos livres, percorreu as ruas daquela cidade e de Nova Iorque fotografando cenas da vida quotidiana, observando pessoas de todas as idades e classes sociais. O resultado dessas excursões fotográficas é uma obra impressionante que compreende mais de 100 mil imagens, descobertas em 2007 quando o historiador John Maloof comprou em leilão o conteúdo abandonado de dois contentores de armazém e se viu na posse de milhares de negativos, diapositivos e fotografias impressas. A exposição “Vivian Maier Street Photographer”, que já está montada no Centro Cultural de Cascais e que poderemos ver daqui a poucas semanas mostra imagens captadas entre 1953 e 1984, na sua maioria a preto e branco. Esperemos então que o confinamento passe…



image (3).png

SWIFT AMADURECIDA - Poucos meses depois de ter lançado o álbum “Folklore”, Taylor Swift regressa com mais um trabalho fruto da quarentena, do isolamento em que tem estado. Assim de repente, sem aviso prévio, como já tinha feito com “Folklore”, Swift juntou 17 canções  em “Evermore”. Os dois álbuns são quase gémeos, têm uma relação próxima um com o outro. As canções funcionam como short stories que se articulam entre si, mas este “Evermore” é mais variado e ousado em termos de sonoridade do que “Folklore” e também é mais maduro. Há aqui momentos surpreendentes como “No Body, No Crime”, uma balada claramente inspirada no country, que contrasta com o pop de “Gold Rush” ou de “Dorothea” ou, num salto noutra direcção, com a forma como Swift canta em “Closure”, alterando a sua voz com filtros electrónicos. No geral a produção é mais cuidada, como se depois de “ Folklore” ela tivesse decidido limar arestas, melhorar a produção por forma fazer ressaltar as letras que escreveu e as histórias que quis contar. O melhor exemplo disso é “Marjorie”, uma jóia de composição e de escrita, em que Swift se empenha na interpretação de forma especial. Numa outra canção, “Happiness”, gravada apenas uma semana antes de lançar este disco, ela resume o seu estado de espírito:  “I was dancing when the music stopped/And in the disbelief/I can’t face reinvention/I haven’t met the new me yet.” Disponível em streaming.

 

image (2).png

LIVROS DE COMPANHIA - Gosto de almanaques. Costumo comprar o do Borda d’Água e mais recentemente tornei-me fiel leitor do Almanaque Bertrand. O primeiro Almanaque Bertrand data de 1899 e o que está agora à venda, abrangendo os anos de 2020 e 2021, é o nº 80. São 180 páginas com capa cartonada ao preço de cinco euros. Uma pechincha. A coordenação editorial é de João Pombeiro e aqui há de tudo - recomendações para cuidar do jardim, pequenas histórias, palavras cruzadas, calendários, páginas para tomar notas, efemérides de cada mês, fases da lua, poemas de autores tão diversos como  Ricardo Reis, António Nobre, Cesário Verde, Olavo Bilac, Mário de Sá  Carneiro ou  Natália Correia, textos de Raul Brandão, de Eça de Queiroz, Clarice Lispector ou Machado de Assis, entre outros, diversas informações úteis, a lista dos Domingos de Páscoa até 2060, curiosidades, adivinhas, citações de vários autores, provérbios e passatempos. Este é um daqueles livros que gosto de ter em cima da minha mesa de trabalho para ir folheando à procura de uma ideia, de uma inspiração. E raramente falha. É um belo livro de companhia. Está aqui ao meu lado.



OS SABORES QUE FICAM - Aí vem mais uma época terrível para os restaurantes, o novo confinamento vai ser outra rude machadada. Há dias o responsável de um dos meus restaurantes preferidos dizia-me que agora, quando se estava a recuperar um bocadinho da crise anterior, é que tudo se complicava de novo. Não encaro nenhum dos restaurantes onde vou com maior frequência como um mero local para comer. Claro que pretendo que a comida seja bem confecionada, que me proponham pratos que não sei confeccionar ou não tenho paciência para fazer em casa. Mas sobretudo gosto de um certo ar familiar, que o serviço seja atento sem ser subserviente, que tenha poucas modas, que seja consistente na cozinha e coerente na relação qualidade-preço. Gosto de locais onde revejo clientela habitual, onde tanto se pode conversar tranquilamente como ficar sozinho a petiscar e a observar. Não gosto de alguns sítios recentes, muito em moda, algo artificiais, que mais parecem montras de comensais exibicionistas que outra coisa qualquer. Espero que os meus restaurantes favoritos saiam vivos desta maldita pandemia, que o Duarte continue a guiar bem o Salsa & Coentros, que o Albano continue a garantir os petiscos do Apuradinho, que no Casa Nostra, um sobrevivente do Bairro Alto, a cozinha continue sempre uma boa surpresa e que o Mariano e a restante equipa de sala continuem a criar um ambiente especial, e que na Primavera do Jerónimo os panados da D.Helena permaneçam sem rival. Há mais sítios, mas estes são aqueles de que mais me vou lembrar ao longo deste novo confinamento.



DIXIT - “Na verdade, quem não resistiu a fazer uma oferta natalícia de quatro dias de congelamento do distanciamento social foram os dirigentes políticos e não a pressão das famílias. E são as suas políticas e decisões que devem ser escrutinadas” - Eduardo Dâmaso, Director da Sábado

 

BACK TO BASICS - "Quando a imprensa não fala, o povo é que não fala. Não se cala a imprensa. Cala-se o povo" - William Blake









Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:00


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Anónimo a 16.01.2021 às 09:47

Não se cala o Manuel; fala-se o Bom Senso. Abraço. João
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 16.01.2021 às 09:48

Não se cala o Manuel; fala-se o Bom Senso. Abraço. João.

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2004
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2003
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D